My Encourager
2 One.
17 de Junho de 2006, Casa dos Edward, 02:34 PM.
Jared puxava minha mão enquanto corria, eu não entendia porque, ele tinha me levado na casa do amigo dele e estava maluco — por algum motivo — para que eu conhecesse seu amigo, um tal de Carter Edward. Eu tinha 10 anos e Jared tinha 11, e seu "amigo" também tinha 11 — iria fazer 12 esse ano, ainda, segundo Jared. —, ele era filho de um dos caras mais ricos de Donscater.
— Vamos, Lu, mais rápido! — Jared me apressou e eu revirei os olhos.
— Jared! Calma, já estamos aqui, eu vou conhecer ele hoje, relaxe — eu disse e ri. — Aliás, por que você quer tanto que eu conheça ele?
— Porque ele que nos juntou, digo, foi ele que sempre me deu conselhos das coisas em relação á você, entende? — perguntou.
Eu tinha conhecido Jared Fields há uns 4 anos, nós viramos muito amigos, próximos demais, e logo, eu fui sentindo "amor" por ele, sei que uma pessoa de 10 anos é impossibilitada de sentir amor na opinião dos outros, mas eu sei que o que sentia por Fields era amor, sabe por que? Porque eu sentia necessidade vê-lo todos os dias, ficar sem falar com ele era a mesma coisa que ficar sem respirar, eu era o carro e ele era a gasolina, eu precisava dele para me locomover. Enfim, depois de muito tempo começamos a namorar.
— Lu, esse daqui é o Carter, Carter essa daqui é a Luana — Jared disse todo empolgado.
— Oi — eu disse, sorrindo.
— Olá — ele apertou minha mão, sorrindo. Ele tinha olhos azuis, cabelos castanhos escuros e sua pele era um pouco bronzeada, seu cabelo estava numa franja sobre a testa e seu sorriso era enorme. Ele era lindo. — Você é a tão famosa Luana Nogueira! O Jar fala muito de você, cansa.
24 de Dezembro de 2010, Casa dos Nogueira, 03:15 AM.
— Carter! — eu disse alto, no telefone.
— Luana, calma, eu não... — ele foi falar mas eu o interrompi.
— Você sabe onde ele está sim, Carter, não minta — eu disse e ele murmurou algo como "Droga".
— Lu, ele foi numa festa, o.k.? Ele pediu pra eu não te falar, então, por favor não diz pra ele que eu te falei — ele disse e ouvi o tom de desespero em sua voz.
— Calma, Edward, não vou falar que você me disse o.k.? Pode confiar em mim — eu disse e ele suspirou, aliviado. — Carter, tem mais alguma coisa que você sabe?
— Lu, eu não gosto que ninguém machuque mulheres, então vou te dizer logo, o Jared está com outra, me desculpa por esconder isso de você, o.k.? Eu já estou com muita raiva do Fields, porque ele sabe o quanto eu odeio isso e... — ele foi continuar mas eu o interrompi.
— Carter, calma, o.k., você não gosta, calma! — eu disse.
— Sabe que dia é hoje? — ele perguntou depois de um tempo de silêncio.
— Véspera de Natal — eu disse.
— Meu aniversário, sua burra! — ele gritou do outro lado da linha.
— Nossa, querido, desculpa — eu ri e ele gargalhou. — Olha, Carter, tenho que dormir, o.k.? Beijo, boa noite.
— O.k., boa noite. — ele disse e então eu desliguei. Eu me virei de um lado para o outro, não conseguia dormir, depois de umas duas horas liguei para Carter novamente, no terceiro bipe ele atendeu. — Carter, eu sei que não somos muito próximos, mas eu já te ouvi cantando e eu não tô conseguindo dormir, então dá pra cantar até eu pegar no sono? — eu disse logo de uma vez.
— Isso é sério? — silêncio. — O.k., espera. — silêncio de novo.
E então depois de um tempo, ouvi os acordes de All You Need Is Love — The Beatles.
— There's nothing you can do that can't be done, nothing you can sing that be sung, nothing you can say but you can learn how to play the game, i'ts easy...
24 de Dezembro de 2010, Casa dos Fields, 09:55 PM.
Eu estava brigando com o Fields, estávamos comemorando o aniversário de Carter e o natal na casa dele — do Jared — e eu não estava mais aguentando ficar falando com o Jared normalmente como se nada estivesse acontecido.
— Escuta aqui, Fields, se você estava com outra mulher, por que não acabou tudo? ERA SÓ ME FALAR, EU TE ENTENDERIA, EU ENTENDERIA QUE VOCÊ GOSTA DE OUTRA E NÃO ME QUER MAIS! — eu gritei.
— Lu, se acalma, por favor. Eu não sei porque eu fiz isso, sério, eu te amo, Lu e...
— CALA A BOCA, FIELDS! NUNCA MAIS, REPITO, NUNCA MAIS OLHE NA MINHA CARA — gritei e sai da casa dele, batendo a porta com tudo.
Depois de andar um pouco, me sentei na calçada e comecei a chorar, quatro anos de namoro no lixo, meu Deus, eu não acredito que ele fez isso comigo, a única pessoa que eu amei em toda a minha vida fez isso comigo, isso não podia estar acontecendo.
— É... Lu? — ouvi a voz de Carter atrás de mim. — Wanessa me mandou aqui, é... Pra saber se você está bem e...
— Diga pra ela que eu estou ótima, e que eu quero ficar só — eu disse, seca.
— O.k. — ele disse se virando e caminhando de volta para a casa do Fields.
— NÃO, CARTER! — gritei e ele deu um pulo, se virando para mim. — Eu não estou bem e não quero ficar só. Ele era a única coisa que me importava, sabe? Meu chão sumiu, sinto que estou caíndo, uma queda sem fim e eu preciso achar um fim em toda essa queda, sabe? Preciso achar um lago seguro para que eu possa cair, e eu tenho que sobreviver a essa queda, eu sinto que tenho que sobreviver, mas sentir não tá valendo sabe? Porque eu acho que já estou morta por dentro, porque eu simplesmente quero morrer, eu quero o Jared de volta e... AI MEU DEUS! Desculpa, estou aqui desabafando pra você mas eu nem sou tão próxima a ti e...
— Calma, Lu, eu te entendo, já me senti por alguém, e vou te contar um segredo... — ele disse e eu assenti. — Isso vai passar, e quando estiver lá na frente você vai olhar pra trás e dizer "Nossa, como eu era idiota, eu chorei por alguém que não merecia minhas lágrimas" e vai dar boas risadas com seus filhos lindos e seu marido que irá ser maravilhoso, sabia? — ele disse e a única coisa que eu consegui fazer foi abraça-lo.
— Obrigado, Car, por tudo... — eu disse e sentir ele estremecer quando o chamei pelo apelido.
15 de Novembro de 2012, Casa dos Edward, 03:32 AM.
Eu estava escalando a janela do Carter, coisa que não era nem um pouco difícil, pelo fato de eu já estar acostumada. Depois que eu terminei com o Fields, ele sumiu e eu acabei virando melhor amiga de Carter, tipo, eu podia contar com ele pra tudo, eu tinha uma quedinha por ele, ainda tenho, acho. Entrei no quarto dele e vi ele dormindo tranquilamente, ele era tão lindo dormindo, parecia um anjo, ele mantinha um sorriso de lado, seus cabelos caiam sobre a testa e ele estava imóvel, eu o achava tão lindo, se ele não tivesse namorada, eu pegava.
— Tira foto que dura mais — ele murmurou e eu ri.
— A culpa não é minha se eu tenho um melhor amigo perfeito — eu disse, pulando em cima dele e dando um beijo em sua bochecha.
— A culpa não é sua, A culpa é das estrelas... E eu sei que sou perfeito — ele me abraçou, rindo e abriu os olhos, sorrindo. — Lu, eu sou homem, não venha pra cá com esse tipo de roupa.
— Tarado! — eu disse e ele gargalhou. — Você tem namorada, Sr. Eu-Quero-Transar-Com-Minha-Melhor-Amiga
— Primeiro : terminei com minha namorada antes de dormir. Segundo : A culpa não é minha se você é gostosa.
— A culpa é das estrelas — eu disse e gargalhamos. — Que história é essa que você terminou com sua namorada? — perguntei me sentando e ele me puxou pra o lado dele de novo, me fazendo deitar novamente.
— Fica aqui — ele murmurou. — Eu não estava mais gostando dela, então, eu acabei com ela, não estava dando mais, sabe?
— Nunca gostei dela mesmo — dei de ombros.
— Porque você sente ciúmes dela? — ele perguntou e eu o estapeei.
— É — eu soltei sem querer. — É... É que eu NÃO sinto ciúmes dela, sabe? E não, não quero pegar você porque...
— Ai meu Deus! — ele disse do nada e eu parei. — Você tinha ciúmes dela, que fofo! Relaxa, Lu, Carter Edward é exclusivamente de Luana Nogueira, assim como Luana Nogueira é exclusivamente de Carter Edward, não divido você com ninguém. — ele disse, me puxando para mais perto.
— Meu Deus! Não sei onde é que tem dizendo que eu sou sua — eu disse.
— Ah é? — ele disse e eu assenti. — Não fale mais comigo. — e ele se virou para o outro lado.
— Oh, Car, eu estava brincando, eu sou sua — eu disse o abraçando e ele não se moveu.
— Não me convenceu — ele disse.
— Car... Eu sou toda sua, o.k.? — eu disse. — Não sou mais de ninguém, apenas sua.
— Ainda não me convenceu — ele disse e riu.
— Um beijo? Um beijo e você volta a falar comigo? — perguntei.
— Hm... Pode ser — ele se sentou. — Sabe, Lu, eu sempre quis te beijar, sabe? Sempre quis saber como é seu beijo e sempre te achei linda, mas eu não queria estragar nossa amizade, mas agora como eu já acabei com tudo — e então ele me beijou.
Luana Nogueira, a garota problemática e maluca e Carter Edward, o garoto que só fazia curtir e também maluco. Melhores amigos. Quem diria, Luana Nogueira e Carter Edward ficando? Meu Deus!
— Nossa! — eu murmurei. — A gente precisa fazer isso mais vezes, certo? Certo.
— Meu Deus! Pegando o melhor amigo, que horror — ele disse, fazendo uma expressão de pânico em seguida, fazendo-me rir. — Mas... A amizade continua não é?
— É, Carter, a amizade continua. — sorrimos.
23 de Março de 2013, Starbucks, 02:33 PM.
— Giovanna! — eu gritei. — Dá pra parar de falar e me ouvir? — ela assentiu. — Ele simplesmente se afastou, digo, não conversa comigo como antes, e fica me evitando, toda vez que eu chego em um lugar, ele sai, e quando eu falo com ele, ele inventa qualquer desculpa para sair
— Ele deve estar fazendo isso por algum motivo — a loira disse. Giovanna tinha cabelos loiros e ondulados, seus olhos eram castanhos escuros e sua pele era pálida, seu rosto era fino e seu nariz era afilado, qualquer um que a visse de longe a chamaria de it girl¹.
— Que motivo, Giovanna? — quase pulei em cima dela. — Não tem motivo pra isso! Ele apenas quer se afastar de mim e está fazendo isso do jeito mais doloroso possível, eu não quero continuar assim.
Meu celular começou a tocar, olhei para o visor e vi "Cart", como eu costumava chama-lo, atendi.
— Car? — eu disse assim que atendi.
— Luana, precisamos conversar sério. — ele disse.
— Você pode vim no Starbucks agora? — perguntei.
— Estou indo para ai. — ele disse e desligou.
— Giovanna, o Carter está vindo — eu disse.
— Tudo bem, vou embora — ela disse.
— Beijo, te amo, se cuida — eu disse e ela fez um sinal de "legal" com a mão.
— Boa Sorte — ela disse e saiu.
Depois de um tempo, ele apareceu, seus olhos estavam tristes, o azul estava quase cinza, tinha gotas de suor pela sua testa e pescoço e seus cabelos estavam molhados.
— Cart! — eu disse, me levantando e o abraçando, mas ele não me abraçou. — O que aconteceu, amor?
— Não me chame de amor — ele disse entre dentes.
— O que houve, Car? — perguntei.
— Pra você é Carter. Sente — ele disse e eu sentei, ele sentou de frente para mim. — Nogueira — ele começou e eu estremeci, ele nunca me chamou de Nogueira. —, eu queria dizer que eu não quero mais falar com você, digo, não quero mais ser seu amigo, não quero ter contato com você, não quero olhar no teu rosto, não quero ouvir tua voz, nunca mais, entendeu? Você é uma babaca, caiu no papinho do Jared, e depois, caiu no meu papinho, Luana... Tão inocente, tão pequena, tão ingênua...
— Car, por que disso? — meus olhos estavam cheios de lágrimas, minha voz estava fraca e embargada.
— Não me chame de Car. Tchau, Nogueira — ele disse e se retirou do local.
Saí correndo para minha casa, subi correndo para o meu quarto e me joguei na cama. E de novo, ali estava eu, decepcionada e chorando por um homem, coisa que eu jurei que nunca mais faria de novo na vida, MEU DEUS! Como eu era idiota, e agora que eu estava começando a gostar de uma pessoa que valia a pena, essa pessoa se torna um tremendo babaca. E aqui estou eu de novo, sofrendo de novo, machucada de novo, chorando que nem uma criancinha de novo.
— Eu nunca mais vou sofrer por homem nenhum.
Fale com o autor