Notas iniciais
Hey, amores!!! Se preparem, pois esse capítulo está cheio de emoções. Almoços de domingo quase sempre acabam em...??? Boa leitura!!!

No dia seguinte...

P.O.V Da Sam

Acordamos bem cedinho, tínhamos que preparar tudo para o almoço de domingo. Iríamos receber nossos amigos em casa, o que já me enchia de ansiedade, eu queria muito conhecer seus amigos, principalmente sua amiga, Wendy. Preparei o café-da-manhã animada, as crianças não acordariam tão cedo. Freddie e eu nos sentamos para fazermos nossa primeira refeição do dia.

Ter momentinhos como aqueles à sós com ele era de fato algo maravilhoso.

— Seus olhos não param de brilhar. — Observou.

— Sério? — Perguntei.

— Sim. Estão mais claros hoje. Deve ter a ver com o seu humor. Esse brilho intenso. Queria que nunca se apagasse. — Comentou me fazendo sorrir.

— Se decide logo, meus olhos ou meu sorriso? — Perguntei.

— Os dois. — Respondeu.

Ele não cansava de ficar me olhando.

— Bobão! — Eu ri.

— Fazer o quê? Amo tudo em você, cada pequeno detalhe quando se trata de você. — Disse com carinho, seus olhos até brilharam.

— Assim você me deixa sem graça. — Comentei esticando a toalha de mesa.

— Você fica mais linda quando cora, princesa! — Ele queria mesmo me ver toda derretida?

Como lidar com um namorado desses? Que rasga elogios, te paparica e não para de te admirar o tempo todo?

— Você não existe. — Falei.

Freddie era como um príncipe. Um príncipe de Contos de Fada. Eu me sentia uma verdadeira princesa ao seu lado.

Minutos depois...

— Linda, o que está fazendo? — Me abraçou por trás.

— Estou temperando as bistecas. Já fervi as calabresas, temperei as costeletas de porco e as asinhas de frango. Eu adoro asinhas grelhadas. — Respondi.

— Pensei que era só para passar sal grosso e pronto. — Me fez rir.

— Você não entende nada de churrasco pelo visto. — Provoquei.

— Ei, assim você me ofende, princesa! Não vou deixar barato! — Me atacou com cócegas.

— Ai, ai, ai, Freddie... — Comecei a rir. — P-para! — Me contorci tentando desviar do seu ataque. — Vou jogar água em você. — Estava perto da pia.

Ele se afastou enquanto nós dois ríamos.

— Não comprei cervejas, não bebo. E também têm as crianças, o Billy também não bebe, nem a Amanda. Acho que Shane e Wendy vão trazer as próprias latinhas, avise aos seus amigos que não têm problema se eles fizerem o mesmo. — Explicou.

— Não se preocupe, nenhum de nós três bebemos. Carly nunca gostou, o Gibby também não e eu costumava beber de vez em quando, mas hoje em dia não sinto mais vontade. — Avisei.

— Nem eu, eu bebia socialmente. Mas já faz muito tempo que não coloco uma gota de álcool na boca. — Contou.

Aquele homem era um sonho mesmo.

[...]

— Tia, o papai vai encher nossa piscina? — Noah apareceu só de sunga e com uma boia colorida.

— Eu não sei, Nonôh. Pergunte a ele. — Falei achando o garotinho tão fofo usando trajes de banho.

As crianças tinham uma piscina inflável. Não era tão pequena, cabia até adultos.

— Sam, faz uma trança no meu cabelo? — Ally se aproximou, nossa relação estava muito boa.

— Claro. Senta aqui. — Pedi.

Ela sentou no sofá, comecei a trançar seu cabelo. Hannah estava brincando no carpete com estampa de Amarelinha.

Tudo estava pronto para o churrasco, Freddie fez 3 tipos de salada. De salada ele entendia bem. Fiz arroz, bastante arroz. Os refrigerantes estavam gelando. E claro, não podia faltar minha farofa com bacon, aprendi com minha avó. Também peguei a receita de um feijão preto na internet. Onde caprichei no tempero e coloquei bastante linguiça defumada em rodelas para dar um gostinho especial.

A campainha tocou, o feijão ainda estava cozinhando. Freddie se apressou para atender a porta, ele usava uma camiseta cinza, uma bermuda preta simples e chinelos de borracha.

Quanto mais simples, mais atraente o moreno se tornava.

— Espero que não seja muito cedo, a Mandy como sempre estava apressando... Sabe como são as mulheres! — Ouvi a voz masculina soar.

— Tio, Billy! — Noah correu alegre.

— Hey, garotão! — O amigo do Benson exclamou animado.

Terminei a trança de Ally e levantei para receber nossos convidados. Me aproximei curiosa.

O homem era moreno, estatura mediana e cabelos lisos espetados. Ele colocou o filho no chão, segundo o meu namorado, o menininho tinha apenas 1 ano e 7 meses.

— Entra, Olly. — Achei tão fofo quando Noah pegou a mãozinha do coleguinha e o conduziu para a sala.

— Oi! — Os cumprimentei ainda acanhada.

— Meu Deus, ela existe mesmo! Prazer, sou Billy Boots e essa é a minha mulher, Amanda. — Sorriu olhando para a figura baixinha ao lado dele.

Não podiam ser mais apostos.

Apesar de estar carregando uma bolsa infantil com estampa de aviãozinho, Billy parecia um daqueles caras durões com a língua atrevida e sorriso sacana. Ele usava camiseta e bermuda preta. Tinha um cordão de prata com pingente de um símbolo tribal, brinco na orelha esquerda e como o próprio Freddie falou, o amigo era um valentão no tempo de escola.

Amanda usava óculos de grau, tinha a pele mais clara, era mais baixinha que eu, e parecia muito doce e delicada. Estava grávida de 7 meses, o vestido rosa-escuro delineava a barriga bem aparente.

Eles formavam um casal adorável.

O pequeno Olly era uma mistura dos dois, tinha os cabelos mais claros da mãe e os olhos escuros do pai.

— Você é muito linda, Freddie nos falou pouco sobre você. Quero conversar e te conhecer melhor, primeiro tenho que aliviar a bexiga. — Ela fez careta.

Nós rimos.

— Obrigada. Vocês formam uma bela família. — Devolvi o elogio.

— Quando a Isadore vai nascer, tia? — Ally foi acompanhando a amiga do pai.

— Ainda falta um pouco, querida. — Respondeu Amanda.

— Se prepara, quando Mandy começa a conversar, ela não quer mais parar. Pensa numa mulher que fala muito! — Billy nos fez rir.

— É verdade. — Freddie confirmou.

— É sempre bom conversar. Freddie disse que são amigos de longa data. — Comentei.

— Crescemos juntos! — Sorriu Benson.

— Onde posso deixar isso? — Billy ergueu a bolsa infantil.

— Pendure ali. — Benson indicou o gancho ao lado da porta. — Sou muito grato a eles, Mandy amamantou a Hannah quando minha ex-mulher foi embora. Eles me deram muita força. São ótimos amigos. — Meu namorado contou.

Se eram seus amigos, seriam meus também.

— Noah, fica de olho nele. Não deixa o Olly colocar nada na boca. — Billy foi para perto dos meninos.

— Está bem, tio. — Noah assentiu.

— Olly? — Cochichei para Freddie.

— Olly é apelido. Oliver é o nome. Oliver Valdez Boots. Shane e Wendy são os padrinhos dele. — Explicou.

— Queremos que vocês sejam os padrinhos da Isadore. — Sua amiga acabou ouvindo a conversa.

— Nós? — Fiquei surpresa.

— Sim. Vocês! — Seu marido afirmou.

— Seremos grandes amigas, Sam. Eu sinto. Gostei de você logo de cara. — Sorriu sendo sincera.

— Obrigada. Será uma honra. — Como eu podia recusar algo tão importante e simbólico?

— Isadore terá o padrinho mais babão de todos. — Meu moreno me abraçou. — E a madrinha mais linda também. — Beijou meu rosto.

— Que emoção! — Ela retirou os óculos para enxugar as lágrimas. — Sempre torcíamos pela felicidade do Freddie. Você é o Sol que ele precisava para a vida dele. Que sejam muito felizes. — Ela era do tipo romântica e emotiva.

Fiquei sem saber como agir diante de uma grávida que se desmanchava em lágrimas.

— Obrigado pelo apoio, gente. — Agradeceu Freddie.

Billy abraçou a esposa.

— Ainda bem que está emotiva hoje e não irritada. — Ele nos fez rir.

[...]

Carly e Gibby chegaram trazendo o Spencer. Fiquei tão feliz, era uma grande surpresa ver o meu irmão de coração. O Shay mais velho era muito importante para mim. Eles logo se enturmaram com os Boots. Freddie conversou bastante com Gibby e Spencer enquanto arrumava a churrasqueira lá fora. Tinha uma área coberta no quintal espaçoso. Billy era muito extrovertido, vivia fazendo piadinhas e tinha ótimo senso de humor.

— Olly, volte aqui! — Mandy não podia nem correr atrás do filho.

O pequeno e o Noah rolavam pelo gramado aparado.

— Deixa ele, o neném só está brincando. — Carly adorava crianças.

Ally tinha ficado na sala vendo desenhos.

— Vocês nem imaginam o que ele já apronta, o meu filho só falta me enlouquecer! BILLY! — Gritou de repente. — ELE ESTÁ SE SUJANDO TODO, É VOCÊ QUEM VAI DAR BANHO! — Ela era uma figura.

Seu marido virou para nós e fez um joinha, assentindo.

Hannah estava com a gente. Ela estava sentada no chão forrado. Depois a peguei para que ela não engatinhasse para longe.

Os meninos riam e continuavam brincando.

De repente Olly levantou cambaleante e gritou antes de começar a abrir o berreiro.

— FORMIGAS! — Ouvimos o Noah correr em nossa direção.

Billy correu para acudir o filho. O homem estava com as mãos imundas de carvão. Se a cena não fosse trágica, seria cômica.

Carly tirava as formiguinhas que atacavam o Noah. Eu não podia socorrê-lo já que estava com Hannah em meus braços.

— Ainda bem que ele não é alérgico. — Amanda bebericou a limonada.

Ela parecia tranquila apesar de tudo, acho que estava acostumada com certos tipos de situações.

Devia fazer parte do cotidiano de uma mãe.

[...]

— PAPAI, A TIA WENDY CHEGOU! — Ally varou pela porta aberta eufórica.

A churrasqueira fora acendida. As bistecas já estavam assando.

— Acho que o Shane nem vem. — Mandy comentou para o marido.

— Ele sempre aparece por último. — O moreno falou dando a mamadeira cheia de vitamina para o filho.

Tão curiosa quanto eu, Carly olhou em direção à porta.

Uma ruiva com pele reluzente, cabelos de dar inveja, esguia e com pernas longas atravessou em nosso campo de visão. Era magra como uma modelo.

Usava óculos escuros, uma blusinha vermelha com alças finas e seu short era curto demais... Tínhamos crianças em casa. Era um almoço de domingo. Com nossos amigos.

Gibby ajudou a colocar a mesa grande para fora. Ele carregou com o Freddie. Spencer arrumou as cadeiras. Vi o Shay de boca aberta quase babando na recém-chegada.

— Graças a Deus o meu Billy não gosta de ruiva. — Mandy cochichou para Carly e eu. — Ele também não gosta de mulheres altas. Meu homem gosta de carne. — Sorriu.

Mesmo não usando decote, seus seios pareciam enormes. Ela tinha corpo bonito e pernas grossas.

Não foi só o Spencer que ficou embasbacado, o Gibby também e minha amiga logo percebeu. Carly tomou um longo gole de limonada e estufou as bochechas.

Estava enciumada.

— Bom dia, pessoal! — Sorriu simpática. — Billy, Mandy! — Wendy cumprimentou o casal. — Você está radiante, querida! — Ela se curvou para abraçar a amiga. — Comprei uma lembrancinha para a bebê. — Fez carinho na barriga da Mandy.

— Oh, não precisava. — Sorriu.

— Depois te entrego. — Se afastou.

Billy levantou se afastando com o bebê adormecido no colo.

— Deita ele na cama do Noah. — Freddie falou.

— Olá, como vai? — A ruiva havia acabado de retirar os óculos escuros, foi cumprimentar minha amiga. — Sou Wendy, muito prazer. — Abraçou Carly.

— Carly. — A Shay continuava incomodada.

Wendy se afastou sorrindo e olhou para os rapazes. Estavam ao lado da churrasqueira.

— Oi! — Acenou para eles. — O cheiro está uma delícia! — Arrancou sorrisos bobos.

Spencer e Gibby pareciam dois patetas.

Freddie que virava as carnes, entregou o pegador de ferro para o Spencer.

— Que bom que chegou, ruiva! — Apanhou um pano de prato para limpar as mãos.

— Meu Deus! Senti tanto a sua falta! — Se lançou em cima dele.

Nunca me senti tão invisível.

— Estou suado e fedendo à carvão queimado. — Riu enquanto abraçava ela.

Hannah brincava com minhas pulseiras coloridas, tentando arrancá-las do meu pulso.

— Você está ótimo! Radiante mesmo! — Ela o encarou ainda pendurada nele. — Cadê a sortuda? — Sério que ela não tinha me visto?

Freddie a virou, apoiou a mão nas costas dela e com a mão livre apontou para mim.

— Wendy, essa é a Sam! — Me apresentou.

— Oi. — Sorri um pouco encabulada.

— Uau! Meu Deus, você existe mesmo! — Riu e se apressou vindo em minha direção.

Brilhantes olhos verdes me analisaram.

— Prazer em conhecê-la. — Levantei ajeitando a bebê em meu colo.

— O prazer é todo meu, estou tão feliz! — Braços calorosos me envolveram.

Freddie sorriu enquanto olhava para nós duas.

Sua melhor amiga era muito simpática.

— Tia Wendy, me ajuda a escolher um maiô? — Ally perguntou a ela.

A ruiva virou para a pequena sorridente.

— Mas é claro. Depois, está bem? — Ela retirou a Hannah do meu colo e foi embora com a bebê sendo seguida por Ally que estava empolgadíssima com a presença da tia.

— Linda, pode me ajudar a postar a mesa? — Freddie me chamou.

— Claro. — Concordei.

O dia estava lindo. Tudo estava tranquilo. Nada poderia dar errado.

[...]

— Cachinhos dourados? Pensei que fosse ruiva. Sem ofensas! — Shane tocou no meu cabelo.

— Tudo bem. Não estou ofendida. — Ri sem jeito.

— Acontece que o meu amigo se amarra em uma...

— Shane, dá para ficar na sua? — Freddie ficou incomodado.

— Tá bom. Foi mal aí. Você é uma gata! — Sorriu enquanto tomava cerveja.

Ele chegou trazendo um pacote de latinhas.

Shane era alto, tinha cabelo castanho-claro e olhos azuis.

Vimos quando Wendy e a Ally se jogaram na piscina juntas. Elas se adoravam e se davam muito bem.

O dia não estava tão ensolarado, mas estava abafado.

— Pode segurar ele um pouco? — Billy perguntou.

— Sim. — Estendi os braços para pegar o bebê.

Amanda estava almoçando pela segunda vez. Disputava com o meu amigo, Gibby. Carly reclamava com ele. Spencer estava estendido na espreguiçadeira, parecia uma lagartixa melecada de protetor solar. Por baixo dos óculos escuros, ele não tirava os olhos da ruiva na piscina.

Eu conhecia muito bem o Shay.

Olly me encarava curioso e uma das mãozinhas agarraram meus cachos. Hannah estava tirando a sonequinha pós-almoço.

— Você não comeu quase nada. — Freddie começou a fatiar uma calabresa mista.

— Comi sim, você que não vi... — Ele estava ocupado demais dando atenção para a amiga.

— Senta aqui. Come um pouco de salada de frutas. — Indicou a cadeira ao lado dele.

Sua pele brilhava de suor, ele estava até mesmo bronzeado.

— Posso dar para ele? — Perguntei para a Mandy.

— Pode. Ele ama banana. — Ela levantou já com o prato vazio.

Peguei um pontinho pronto que estava dentro da caixa de isopor com gelo, tirei a tampa e apanhei uma colher.

— Depois eu como. — Falei para o meu moreno enquanto começava a dar salada de frutas para Olly.

— Tia, também quero. — Noah correu.

Ele já estava com ciúmes do amiguinho.

— As costeletas estão divinas. — Gibby se serviu de novo.

— Amor! — Carly bateu no braço dele.

— Deixa o homem comer em paz! — Shane abriu mais uma latinha de cerveja.

Ele não tirava os olhos dela.

— Chega aqui, Billy! Toma uma comigo! — Ergueu a latinha.

— Não cara, tô aqui com a minha família aproveitando. Sou eu que dirijo! — Bem sensato.

— Eu nem reconheço mais vocês! — O rapaz riu se afastando. — Ôh, cabelo de fogo! Quer cerveja? — Ofereceu para a Wendy.

Ela sentou na borda da piscina e aceitou.

— Devia ter proibido, Freddie. Nem era pra ele trazer essa porcaria, o Shane fica um saco quando bebe! — Reclamou Mandy.

— Ela têm razão. — Seu marido concordou.

— Gente, não implica, se ele começar a ser inconveniente, eu mando ele ir embora. Simples assim! — Disse Freddie tranquilo.

[...]

— Eles são sempre assim? — Indagou Carly.

— Como cão e gato. — Mandy estava amamentando.

Shane estava implicando com a Wendy, ele estava bêbado. A ruiva se irritou e empurrou ele na piscina. Gibby e Spencer riram.

— Esse cara não sabe beber! — Ela vestiu o short e colocou a blusa cobrindo o biquíni verde.

— Ele não pode voltar dirigindo. Vamos colocar ele pra dormir. — Billy deu a ideia.

O Boots e o Freddie ajudaram a tirar o amigo da piscina.

Olly pegou no sono. Carly pegou o bebê e o levou para dentro. Mandy não podia pegar muito peso. Olly já ia fazer 2 anos.

Desde que Wendy chegou, Ally sequer falava comigo. Era como se eu não estivesse mais ali.

O que acabou me deixando triste.

Era tia Wendy pra lá e pra cá...

— MANDY DEVERIA FAZER TOPLESS, ESSES PEITOS DEVEM SER APRECIADOS! — Aquilo não ia prestar.

— Dá um jeito nesse cara, Freddie, ou eu não respondo por mim! — Billy disse furioso.

As crianças estavam por perto.

— EI, LOIRINHA, POR QUÊ NÃO TIRA LOGO TUDO E SE JOGA NA PISCINA? — Shane estava provocando.

— Meu Deus... — Carly estava chocada.

— Falei que ia dar merda... — Mandy resmungou já irritada.

Freddie segurou o amigo sem noção e foi levando ele para dentro da casa.

Noah estava brincando perto da piscina grande. Ele devia estar na piscina infantil.

Wendy se apressou em pegá-lo quando eu já ia correr.

— Ally, fica de olho no seu irmãozinho. — Pediu descendo ele que correu para os meus braços.

— Tia, o tio Shane ficou biruta? — Me abraçou.

— Não, só está alegrinho demais... Fica aqui comigo. É perigoso brincar perto da piscina dos adultos. — O abracei.

— Ele já pegou no sono. — Benson retornou minutos depois. — Está roncando no sofá. — Contou.

— Me ajuda com a louça? — Pedi para a Carly.

Ela assentiu, Amanda entrou afirmando que estava com muito calor. Billy e Gibby começaram a arrumar as coisas junto com o Freddie. Spencer chamou o Noah e começaram a jogar bola no quintal.

Guardamos o que sobrou das comidas.

— Ela não vai ajudar não? — A morena indagou.

Olhamos para a Wendy que estava deitada de bruços na espreguiçadeira. Usava a parte de cima do biquíni e o shortinho desfiado.

[...]

Os Boots foram embora. Spencer teve que ir também, ele estava de moto. Hannah ainda dormia. Noah acabou pegando no sono de tão cansado que ficou após tanto brincar. Até Ally estava cansada, ela foi para o quarto dela, já havia saído do castigo e podia jogar no vídeo-game portátil, claro, só por 2 horas de tempo.

— Sam! — Carly apareceu na sala afobada.

Gibby estava tirando um cochilo, tinha uma rede bonita bordada armada na varanda. Batia um ventinho gostoso do jardim até a varanda arejada .

— Que foi? — Abaixei o volume da TV.

— Se eu fosse você, daria uma espiada lá fora... — Ela estava séria.

— Desembucha logo, Shay! — Pedi.

— Melhor ir ver com seus próprios olhos... — Começou a roer a unha do mindinho.

Aquilo não era nada bom.

Levantei, eu sabia que Freddie e Wendy estavam conversando lá na área. Eles tinham muito o que colocar em dia. Eu nem me preocupava, não quis me intrometer na conversa e por isso que entrei para assistir.

Shay ficou na sala, nervosa.

Atravessei a cozinha e fui bater na porta dos fundos. Nem abri a porta de vidro, avistei os dois juntinhos lá na sombra.

Freddie estava sentado relaxado na cadeira espaçosa de vime.

Wendy se encontrava mais relaxada ainda sentada no colo do meu namorado, com os braços ao redor do pescoço dele.

Voltei para sala e sentei no sofá ao lado da Carly.

— Eles estão conversando... — Encarei a TV.

— Íntimos demais... Ela está no colo dele, Sam... — Comentou.

— É, eu vi... — Suspirei.

— Melhor eu acordar o Gibbs, já quero ir embora. — Levantou apressada.

Fiquei ali. Não sabia o que pensar. Me despedi dos meus amigos no automático.

— Foi mesmo incrível, me diverti muito. O almoço estava ótimo. — A voz da Wendy me despertou do meu turpor.

Olhei para eles, a TV se encontrava desligada.

— Sam, obrigada por toda a gentileza. Amei sua comida. Você é um amor. — Apanhou a bolsa amarela de couro. — Esse dia foi muito legal. Ainda bem que o Shane foi embora. O cara é muito chato. Mas apesar das besteiras que ele disse, nada estragou o nosso dia. Sam, obrigada mesmo. Você me recebeu tão bem. — Levantei sem ânimo e ela se despediu com um abraço.

— Aparece mais vezes, as crianças te adoram. Você sabe que é muito importante para nós. — Vi quando o Benson a abraçou com tanto carinho.

Ela sorriu radiante e beijou o rosto dele.

Wendy se foi deixando o cheiro de hidratante no ar. Cheirava a amêndoas.

— Quer descansar ou ver TV? — Ele virou para mim após trancar a porta.

Fiquei calada... Tantas coisas se passavam em minha cabeça.

A cena deles juntinhos e íntimos demais não saía da minha mente.

— O que foi, Sam? — O sorriso fofo se desfez.

— Eu preciso... Preciso de descanso. De um tempo mesmo, só para mim... Vou pra casa de uma prima. Você vai precisar de uma babá substituta. — Falei e ele me olhou pasmo.

— Você tá indo embora? — Se espantou.

— Bom, só por uma ou duas semanas. Não sei... — Eu nem sabia direito o que estava sentindo e nem o que estava fazendo.

— É por causa do Shane? Ele te ofendeu de novo? — Quis saber.

— Não. Não é. — Neguei.

— O que foi? Aconteceu alguma coisa, Sam? Ally te tratou mal novamente? — Se preocupou.

— Não. Ela não fez nada. — Neguei. — É melhor darmos um tempo... Você pode pedir ajuda para sua amiga. Vou arrumar minhas coisas. — Passei por ele apressada.

Minutos depois...

— Tia, tô com fome. — Noah acordou quando eu preparava a mamadeira da Hannah.

Freddie estava quieto. Eu nem mesmo conseguia encará-lo.

— Quer salada de frutas, filho? — Ofereceu.

Eu estava indo embora e ele não podia fazer nada.

— Preciso ir. — Já havia deixado tudo pronto.

Estava decidida.

— A gente nem conversou direito, estou me sentindo péssimo... Olha para mim, Sam. — Pediu.

— Não complique as coisas. — Me afastei antes que ele me tocasse.

[...]

Hannah chorava no colo dele, Freddie estava me implorando para ficar. Noah chorou assim que me viu de malas prontas.

— Filha, segura ela. — Entregou a bebê para a Ally.

— Você devia ficar com a Wendy. — Retirei a pulseirinha do pulso sentindo meu coração doer.

— Não acredito que está fazendo isso comigo... — Ele ficou incrédulo.

Noah já estava aos prantos, ele abraçava minhas pernas.

— Não daria certo mesmo. — Eu não podia desabar.

Se controla. Se controla. Se controla.

As crianças não tinham culpa de nada.

Talvez ele só quisesse uma babá para iludir. Estava na cara que sentia algo pela mulher que havia voltado de viagem.

Como pude ser tão tola?

— Ela é minha melhor amiga. Nem sei porque ficou com ciúmes. Precisa mesmo ir embora? — Estava dando uma de cínico pro meu lado?

— T-tia, S-Sam... Não vai. Não vou mais fazer xixi na cama, eu juro... — Noah soluçava sem parar.

Aquilo me machucou mais. Ver meu pequeno implorando.

— Fica com isso, anjo. — Entreguei a pulseira que seu pai tinha me dado de presente.

Me abaixei e beijei seu rosto. Olhei para as meninas. Ally observava tudo quieta demais. Hannah esticava os bracinhos aos prantos.

Se eu a pegasse no colo, desabaria ali mesmo.

— Foi um erro, Freddie... A gente não devia ter se envolvido. — Me afastei depressa.

O táxi havia chegado.

Ele não gostava de mim... Freddie devia ficar com a Wendy. Eles sim deveriam ficar juntos e formar uma família.

Entrei no táxi, minhas poucas bagagens foram colocadas no porta-malas.

Noah tentou correr vindo atrás de mim. Freddie pegou o filho no colo. O garotinho gritava e me chamava desesperado.

Doía tanto, tanto, tanto... Mas era preciso.

A casa não era minha.

Eles iam superar. Teriam que superar. Eram apenas crianças.

Crianças que eu já amava.

Passei o endereço da minha prima Sheyla. O taxista já ia dar partida.

Deixá-los doeu muito. Nunca senti nada igual... Foi horrível.

Dois pares de olhinhos castanhos derramavam lágrimas por mim.

Ally parecia desolada. Ela nem mesmo se mexia, dei a última olhada pra ela quando entrei no táxi antes de partir.

Freddie era um bom homem apesar de tudo...

Mas eu não merecia ser usada e iludida. Ele não podia ter feito aquilo comigo.

Por quê brincar com meus sentimentos?

Comecei a chorar descontroladamente.

Eu me sentia horrível. Os meus pequenos não mereciam aquilo. Noah teria corrido atrás do táxi se não tivesse sido segurado pelo pai.

Hannah já estava vermelha de tanto chorar. Tão inocente. Delicada.

E o Freddie, bom... Ao menos ele teria a Wendy. Eu não seria mais nenhum empecilho.

Aquela família não era minha... Por quê acabei me apegando tanto?

Parti com o coração destroçado.

Notas finais
Gente, odiaram o Shane??? O cara é um pé no saco, né??? O que acharam da família Boots. Billy e Mandy? Aqui tudo é possível. Sobre a Wendy... Não foram com a cara dela, certo??? Eu não tenho muito o que falar... Vocês vão julgá-la pelas atitudes dela de qualquer jeito. Carly foi a culpada... Mentira. Sam têm sangue quente e é impulsiva. O que fariam vendo a cena que ela viu??? Ela tomou atitude drástica... Meu coração tá apertado aqui, assim como ela, sentimos muito pelas crianças, não é mesmo??? O drama estava demorando, mas veio com tudo. Alguém aí chorou??? Imaginem a cara de desolado do Benson... Até o próximo. Bjs