My Darkness
3 Chapter -Kindness
Notas iniciais
As noites de Outono apenas estavam no começo. Eloise, como sempre, se arrumava apressadamente enquanto isso seu celular tocava em meio à bagunça.
– Cadê você?! — procurava o aparelho desesperam ente em meio a bagunça de roupas sobre a cama. – Aqui! — finalmente tinha achado o aparelho – Alô? Fala Robert!
– Lise cadê você, menina? Esqueci minhas chaves em casa. — murmurou coçando a cabeça.
– Já chego ai. — falava enquanto colocava sua calça.
– Mas ande logo! Já são 19h00 e os clientes estão chegando.
– Estou indo Robert. – disse enquanto remexia sua bagunça para pegar seu relógio.
Correu para o armário pegou uma blusa cólon de gola alta, e saiu correndo pelo corredor descendo as escadas da velha pensão.
– Atrasada pequena Eloise? – a senhora Bouchard tinha um belo sorriso no rosto.
–Sim, como sempre nona. – parou entregou as chaves para a senhora – Aliás, iria pedir para que avisasse a faxineira parar de colocar aqueles benditos trequinhos de cheiro no meu guarda-roupa. Poxa, aquilo fede! — fez uma careta.
– Tudo bem. – riu da expressão do rosto da garota. – Agora vai antes que o seu patrão venha aqui pra te buscar.
Eloise apenas sorriu e com passos apresados foi para velha caminhonete, tirou a chave do bolso da calça com tamanha pressa que acabou caindo no chão.
– Droga! – praguejou alto.
Mas uma sensação de estar sendo vigiada a fez se virar para verificar se não tinha nem um maluco tentando roubá-la novamente, pegou as chaves e abriu a porta, para sua sorte, a velha Cherb não negou e pegou de primeira.
– Te amo minha Cherb. – colocou na primeira e saiu.
Damon estava encostado na janela observando a caminhonete virar a esquina, essa seria uma presa fácil para ele. Depois de uns dez minutos encostou-se ao veiculo e desceu correndo.
– Pensei em derrubar a porta, Lise. – Robert fez uma careta seguido de um belo sorriso. – Vamos ande, as chaves. — pediu enquanto a encarava.
– Falei que chegaria na hora certa seu Robert. – sorriu e entregou a chave para ele.
– Ainda bem que só tenho você como funcionária mocinha. – colocou a chave na porta e a girou abrindo o local.
– Pois é... – riu e entrou logo atrás dele.
Aquela noite seria a mais fria em St John's, pois aquele outono estava sendo bem rigoroso. Após Eloise abrir as janelas para arejar o ambiente voltou para o balcão para colocar seu avental, a movimentação estava começando fraca naquela noite de sexta, mas alguns minutos depois o movimento aumentava.
– Ei moça! – berrou um menino no fundo do bar já visivelmente bêbado.
– Droga! – praguejou baixinho, mas foi lá ver.
Estava difícil de andar com tanta gente encostada no balcão, para sua surpresa ao se aproximar da mesa reconheceu o babaca da época de colegial.
– O que vai ser? – bufou pegando o bloquinho de dentro do avental para anotar o pedido.
– Qual é! Eloise? – encarou-a deixando sem jeito, ele era o tipo de garoto que toda menina sonhava: alto, musculoso, sensual e popular. – Você trabalha aqui?
–Sim. – evitou encará-lo. Estava começando a se constranger na presença dos outros rapazes que estavam na mesa. – O que vai ser?
– Você ainda encontra aqueles inúteis do clube de livros? Ah, vocês lembram? – virou-se para os outros rapazes. – Como era mesmo o nome dos fracassados? – fazendo todos rirem.
Eloise engoliu em seco. Ah, como adoraria sentar um soco bem no meio daquele rosto perfeito e arrogante de Bryan! Arqueou uma das sobrancelhas claras e o fitou.
– Qual é a sua babaca? – se irritou de vez e destilou seu ódio na direção do rapaz – Estou cheia de ficar aqui ouvindo esses papinhos de pessoas inúteis iguais a você! E daí se você era o capitão do maldito time de rock do colégio? – todos ficaram paralisados ouvindo a garota cuspir xingamentos para Bryan, que apenas mantinha um sorriso maldito no rosto. – Aliás, você está vendo aquele cara ali? – apontou para o velho Durrel sentado enchendo a cara. – É seu futuro, cretino maldito! Fama você terá até a universidade, depois você arranja uma vadia que te deixa no fundo do poço. – arrancou a folha do bloquinho e jogou na cara dele.
Todos da mesa caíram na gargalhada.
– Qual é a graça? – observou os outros que rindo dele. – Vadia cretina! – grunhiu tomando um gole de sua cerveja.
– Ah, qual é Bryan? Deixa a garota em paz. – Don segurou no ombro do amigo. – Não liga pra essas coisas não. Vamos beber! – levantou o copo de cerveja.
Eloise entrou no balcão com uma feição nada amistosa.
– Me diga que você não falou mal o cretino do Bryan Easton? – a encarou esperando uma resposta.
Ela se virou para ele fez uma careta.
–Ah, Robert. – apertou com força a garrafa sobre a pia – Aquele desgraçado vive me enchendo a paciência.
– Eloise, esqueceu que os Easton são uma das famílias mais influentes do país? – ele falava igual o velho doido que morava na pensão. – Se ele quiser nos fechar é em um piscar e pronto.
Ela apenas ouviu calada, não suportava a ideia de ter que tratar Bryan como um rei, logo aquele cretino!
Que morra! – pensou mirando o garoto na mesa dos fundos fazendo uma zona, mal percebeu o rapaz de preto em sua frente que sorria da expressão de ódio da garota.
– Quer realmente que ele morra? – nunca tinha ouvido uma voz tão sensual quanto aquela.
Levou um susto deixando o copo se espatifar no chão, o rapaz tinha os olhos azuis fixos nela fazendo-a se sentir incomodada.
– É-é... – gaguejou. – Não, mas como...? – foi interrompida por Robert que se aproximou.
– Deixe que eu atendo o rapaz, vá limpar isso. – ele ordenou para a garota que estava completamente paralisada. – Eloise, está me ouvindo? – repetiu ele a encarando.
– T-Tô – se voltou para encarar Robert que estava de braços cruzados – Desculpa Robert! – saiu rapidamente dali.
– Vai querer o quê? – encarou o rapaz.
– Me vê um uísque mesmo. – girou no banco encarando a mesa dos garotos que faziam a farra e fez uma careta.
Estava sendo uma noite bem estranha para ela reparou que a porta dos fundos estava aberta.
– Mas quem a abriu? – se questionou e a fechou. – O Robert está ficando maluco deixando isso aberto.
Depois de fechar a porta e retornou para o salão cheio. Era uma visão deprimente. Se encaminhou até o balcão para pegar o copo quebrado, mas reparou que o tal rapaz tinha sumido, pegou os cacos com muito cuidado para não se cortar.
– Sabe que você tem razão? – Robert se aproximou dela.
– Do quê? – se levantou com o saco cheio de cacos. – Sobre os Easton? – o encarou com um sorriso de vitoriosa.
– Não. – ele encarou a porta depois se voltou para ela, já não havia o sorriso no rosto da garota.
– Então do quê?
– De começarmos estocar as bebidas para o inverno. – disse servindo um casal que estava no balcão.
– Aff, Robert! – bufou e saiu indignada dali.
Encaminhou-se para a portinha dos fundos com o saco de cacos.
– Ah, qual é desses cretinos? Até parece que o velho senhor Todd Easton é o maldito presidente! – praguejou com a voz alta.
Não sabia que estava fazendo uma grande besteira. Enfiou o saco no latão de lixo, mas acabou dando de cara com Bryan com um sorriso nada amigável encostado na parede.
– Falava do meu avô, Eloise? – desencostou da parede e foi a passos lentos na direção dela, deixando-a apavorada.
–N-Não. – sentiu seu coração gelar de medo. – Agora saia da minha frente preciso trabalhar ao contrario de você. – disse sem encará-lo.
– Não, primeiro vai me falar por que estava falando do meu avô, depois pensarei em deixar você entrar. – se aproximou, fazendo-a recuar.
– Não é da sua conta o que penso, garoto! – berrou na direção dele – Agora sai da minha frente seu babaca.
Ele se aproximou mais dela a passos rápidos, mas ela sentiu um arrepio na coluna e sua atenção foi desviada para uma voz estranha que saia do escuro.
– Qual é garoto, não ouviu a menina? – Damon saiu da escuridão deixando ambos surpresos com a presença dele ali, ele se virou para Eloise que estava igual a uma estátua de tanto medo. – Agora seja um bom garotinho do papai e cai fora daqui! – ordenou ainda encarando a garota.
– Quem é você babaca? – o garoto arqueou uma sobrancelha furiosa com a presença dele ali.
– Não te interessa quem eu seja, você não vai querer saber. – mostrou um belo sorriso aumentando a fúria de Bryan — Está esperando o quê?
– Caia fora você daqui. Meu papo é com ela. – virou-se para Eloise que ainda estava assustada.
– Então, vamos perguntar se ela quer conversar com você. – ele aproximou-se de Eloise. – Você tem algum assunto pendente com esse inútil? – a encarou.
– N-Não – aparentava nervosismo com a presença de ambos. – Nunca tive papo com ele. – parecia estar em transe.
– Então, ouviu a garota? Saia daqui ou... – coçou o queixo e o fitou.
– O que vai fazer? – desafiou.
Era tudo que Damon precisava, uma boa surra faria com que o rapaz se afastar dali. Ele lentamente chegou ao rapaz e a moça.
– Não pense que sou um garoto como você. – ele tinha razão, um vampiro com a idade dele poderia matar um humano com apenas um soco, pela sua agilidade e força.
– O que você quer, hein? – o encarou tirando uma faca do bolso fazendo Eloise se afastar diante ameaça, mas Damon não se mexeu.
– Vai fazer o quê com isso? – apontou para o objeto afiado na mão do rapaz – Me furar?
– E por que não? – girava a faca no ar tentando se mostrar ameaçador.
– Olhe pra você rapaz, esta embriagado. – mantinha os olhos fixos nele. – Agora saia! Me dê esta faca antes que eu enfie no seu estômago. – ordenou adentrando na mente do rapaz.
Bryan se moveu deixando a faca cair no chão, estava perturbado, mas acabou sumindo pelo lado do bar. Damon se virou e reparou que a garota estava paralisada de medo.
– Irá ficar aí pra ele voltar e te atacar? – olha quem estava dizendo, um caçador nato como ele.
Eloise entrou rapidamente no bar, Damon riu da atitude da garota. Como pôde desperdiçar uma refeição tão fácil igual aquela?
– Você está bem? – Robert se aproximou ao ver como ela estava branca e trêmula sentada no banquinho da sala do fundo. – Eloise? – insistiu ele sacudindo-a pelos ombros.
–T-Tô é que.. – gaguejou.
– O que houve? – ele estava ficando assustado – Alguém tentou agarra-la? Garota, me responda vamos!
– Não. – saiu como um sussurro. – Apenas vi um lobo lá trás – mentiu.
– E você não se acostumou com esses bichos, Lise? – sentou-se ao seu lado abraçando-a – Está no Canadá, esqueceu?
–É... – se sentia protegia ali, Robert era como um pai e melhor amigo para ela.
Damon apenas observava a cena pela janela quebrada. Por fim, Robert a soltou e segurou no queixo dela fazendo encará-lo.
– Agora se recomponha e vamos trabalhar. – ordenou ele enxugou uma lágrima que escorreu pelo rosto dela.
Ela apenas concordou e voltou ao seu posto, parecia distante. Como aquele forasteiro tinha colocado medo no cretino mais brigão da cidade? Mal conseguiu se concentrar depois do que havia acontecido.
– Vai descansar deixe que eu fecho o bar. – Robert se aproximou dela horas depois. – Já é muito tarde, deixe isso aí. — apontou para as caixas no depósito.
Sem questionar Eloise tirou seu avental e saiu, ainda podia sentir o medo em suas veias. Antes de entrar na caminhonete observou a rua para ter certeza que ninguém a seguia, novamente a velha Cherb se negou a pegar, fazendo um ruído.
–Ah, por favor! – murmurou, bateu novamente a chave na ignição, após alguns ruído por fim, o motor entrou em movimento.
Estava cansada demais para ficar pensando besteira, estacionou o veiculo e seguiu rapidamente para as escadas apressada, sem dizer nada.
– Que bicho a mordeu? – a velha senhora Bouchard levantou os olhos por cima dos óculos de grau.
Estava afoita, com as mãos ágeis pegou as chaves para abrir a porta, mas antes de entrar ouviu uma voz conhecida.
– Ainda com medo? – ele a encarava encostado no batente da porta do quarto vizinho.
Eloise apenas o observou. Tinha algo de muito estranho e misterioso no olhar.
– Não, aliás... – pela primeira vez o encarou e mostrou um sorriso amigável. – Obrigada por me ajudar com aquele cretino do Easton.
– Tudo bem, não permitiria que canalhas iguais a ele perturbem uma dama. – retribuiu o sorriso.
– Bom. tenho que ir. – fez uma careta encarando a porta ainda fechada.
– Vai lá. – mantinha o belo sorriso sedutor no rosto.
Ela ia dizer mais uma coisa, mas quando voltou a fitar a porta ele já não estava. Entrou no quarto confusa.
Damon por sua vez foi até a imensa janela do quarto e observou a rua quieta, precisava de sangue, e rápido! Ele pulou pela janela atrás de novas vítimas para saciar sua fome, não podia mais esperar, sentia suas veias queimarem pela falta de sangue.
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