My Darkness

20 Chapter - Changes


Notas iniciais
As vezes mudanças são sempre necessarias, agora que Lise sabe dos segredos obscuros de seu melhor amigo de infância, poderá isso afetar ou balançar essa amizade e Damon terá coragem de confessar a loura que é um Vampiro (Homo vampiricus)

Cinco dias depois...

Eloise ainda carregava os imensos roxos nos finos e frágeis braços. Respirou fundo e encarou a pequena praça que ficava de frente ao imenso hospital. Apertou o corrimão, furiosa, algo estava modificado dentro dela, parecia estar com uma imensa raiva dentro do peito.

A velha Lise, a ingênua e boboca, morre aqui. — pensou, prometendo a si mesma. Sem mais delongas, caminhou até a pensão. Seu rosto estava pálido.

O céu estava nublado e a leve brisa de inverso começara a soprar em St. John's e, antes de chegar à velha pensão, pode avistar o conversível preto se aproximar.

— Lise. — chamou-a.

Lise encarou-o com uma raiva crescente dentro do peito, parando bruscamente. Noah mostrou um leve sorriso, mas espantou-se ao notar as imensas marcas no braço da garota.

— Está tudo bem? — questionou, espantado.

Eloise fez uma careta, ironizando-o. Será que ele não vivia no mesmo mundo que ela? Ou ficara bêbado esses cincos dias, que ela passou no hospital?

— Está de brincadeira com minha cara, Noah? — questionou, ironizando-o. — Há exatos cinco dias atrás, eu fui atacada por um filho da puta, enorme e peludo que babava e rosnava, e não me venha com historinha de lobos da montanha e, muito menos, um urso pardo, por que sei bem o que me atacou, era um lobisomem. — vociferou.

Noah encarou-a, confusa, e com uma expressão de espanto no rosto, temeu, naquele momento, pois antes de se transformar, estava perto do bar. Eloise concluiu.

— E sei bem que você é um desses monstros, iguais aos seus amiguinhos. Faça-me um imenso favor, nunca mais olhe na minha cara, seu maldito cretino. — vociferou, trincando os dentes.

Noah abriu a porta de seu carro e se colocou em pé na frente da jovem — aparentemente ele era bem mais alto que a loira.

— Não fale isso, não sou um monstro, Lise. Nunca te machucaria. Mas, afinal, quem te falou isso? — questionou-a. — Seu novo amiguinho, Damon Salvatore, acaso ele te falou quem ele é...? — antes de terminar, Damon segurou o braço da jovem e a puxou de leve.

Noah trincou os dentes com a presença do vampiro, tinha certeza que Damon havia enchido a cabeça da garota com aquilo.

— Quem eu sou, Noah Williams? Diga-me. — questionou-o, sarcástico.

Noah ficou sem saber o que responder. Adoraria dizer que ele também era um monstro, mas, aquela altura, a jovem não acreditaria nas palavras dele.

— Isso ai! Fiquem juntos, já que se merecem. — disse, colocando os óculos escuros e saindo com o conversível.

Eloise puxou seu braço da mão de Damon e continuou a caminhar, rumo à pensão. Ele nada entendeu e seguiu-a.

— Que bicho te mordeu? — questionou-a.

Eloise não fez questão de responder e continuou caminhando. Sua mente estava estranha, seu corpo parecia confuso com toda aquela adrenalina que percorria.

— Lise?

A jovem parou bruscamente e encarou-o, seus olhos estavam cheios de água e sua face estava vermelha.

— Damon, não brinque agora, não estou nem um pouco a fim de me irritar com você, também. — grunhiu.

— Não estou brincando! Agora é você quem está estranha. Diga-me. —pediu.

A jovem permaneceu parada, fitando o chão sujo. Temia ser atacada novamente por aquela besta fera, que a tinha feito mal antes.

O clima não era propício para fazer brincadeiras e Damon Salvatore sabia muito bem disso, não precisava ser ensinado.

— Agora sei por que eles forjaram a morte do Ralph Carter e da Christina Young. — grunhiu.

Damon arqueou a sobrancelha, sem entender nada do que a jovem falava. Antes que pudesse perguntar sobre o que ela falava, Lise pediu para que não a seguisse.

— Deixe-me em paz. — pediu.

Ele sentou-se no pequeno banco e fez uma careta, que não a seguiria. A jovem continuou caminhando, ele respeitava, pois sabia que ela tinha que ficar sozinha alguns minutos para tentar entender o que vira.

Damon encarou o céu e pode notar o tom alaranjado, seria uma longa e fria noite de inverno no hemisfério norte.

Assim que chegou à pensão, subiu as escadas na direção do quarto da jovem. Eloise estava sentada na janela, encarando o vazio da rua.

— Está a fim de conversar? — perguntou parado na porta.

A jovem se virou lentamente na direção da porta e o encarou por um momento. Balançou a cabeça, dando-lhe a permissão para entrar. Damon caminhou lentamente e se encostou ao velho guarda-roupa.

— Todos esses anos, meu único amigo me enganou. — murmurou.

Damon retirou as mãos do bolso. Podia entender a dor que a jovem estava sentindo, era triste ser enganado por alguém que confiava.

— Nunca devemos confiar, doçura. — respondeu.

Eloise se virou para encará-lo e arqueou a sobrancelha, um pouco confusa.

— Tem razão. — disse.

Damon permaneceu conversando com a jovem por um longo momento e, antes de sair, ele retirou algo de seu bolso e entregou a ela.

Parecia uma pequena moeda renascentista, da França. Lise arqueou a sobrancelha, mas a guardou no bolso da calça, permanecendo parada, encarando-o sair.

Havia feito uma promessa a si mesma, naquela tarde, e não iria voltar atrás; seria uma nova garota. Ao deitar-se na cama, fechou os olhos, tentando repousar, mas este descanso seria difícil por alguns dias. O barulho do vento em sua janela a despertava a todo minuto, deixando-a em pânico, as cenas daquele dia vinham frequentemente em sua mente, estilo flashback.

— Droga. — grunhiu baixinho, assustada.

Percorreu todo quarto escuro. Estava afoita e praticamente desesperada com aqueles malditos pesadelos, mas tinha que começar a ter coragem e parar de ser uma garotinha amedrontada.

— Dane-se. — disse a si mesma.

Novamente encostou a cabeça sobre o travesseiro e permaneceu fitando o teto escuro, podendo ouvir o soprar do vento em sua janela.

Nunca devemos confiar, doçura. — a voz de Damon se repetia em sua mente. A princípio, ficara confuso, mas agora, entendia o que aquilo queria dizer, e não iria mais confiar em ninguém, talvez nem em si mesma.

Notas finais
Boa Leitura!