My Dark Word
18 44 - Fase 2 - 18 - Code Blue
Notas iniciais
Rachel Pov
Hum. Quinn está aconchegando o rosto em meu pescoço, enquanto acordo devagar.
— Bom dia, baby – sussurra, e dá uma mordida de leve em minha orelha.
Meus olhos se abrem, piscando, e eu os fecho depressa. A luz clara da manhã inunda o quarto, e sua mão está acariciando meu peito devagar, brincando suavemente comigo. Descendo a mão, ela pega a minha cintura e se deita atrás de mim, segurando-me bem junto de si.
Eu me espreguiço ao lado dela, deliciando-me com seu toque, e sinto ela fica ofegante. Minha nossa. Um despertador Quinn Fabray
— Você parece feliz em me ver – balbucio sonolenta, contorcendo-me sugestivamente contra seu centro. Sinto seu sorriso se abrir junto ao meu queixo.
— Estou muito feliz em ver você – diz ela, deslizando a mão ao longo de minha barriga até meu sexo, que ela explora com os dedos. – Com certeza há algumas vantagens de acordar ao seu lado, Srta. Berry – brinca ela, e me puxa de lado, de modo que fico deitada para cima. – Dormiu bem? – pergunta, seus dedos prosseguindo em sua tortura sensual. E está sorrindo para mim, seu sorriso de modelo, com dentes impecáveis, fatal. É de tirar o fôlego.
Meu quadril começa a balançar ao ritmo da dança que seus dedos iniciaram. Ela me beija castamente no lábios e, em seguida, move-se ao longo de meu pescoço, beliscando lentamente, beijando e chupando à medida que desce. Solto um gemido. Ela está delicada, seu toque é leve e divino. Seus dedos intrépidos se movem para baixo, e, bem devagar, ela desliza um dedo para dentro de mim, sussurrando de mansinho, com admiração.
— Ah, Rachel – murmura com reverência contra meu pescoço. – Você está sempre pronta.
Ela move o dedo no mesmo ritmo com que seus beijos e sua boca percorrem calmamente a minha clavícula até o meu peito. Com os dentes e os lábios, primeiro ela tortura um dos mamilos, depois passa para o outro, com muita ternura, e eles se enrijem e crescem em resposta.
Solto um gemido.
— Hum – rosna ela baixinho e levanta a cabeça para me lançar um olhar ardente e um verde totalmente diferente. – Quero sentir seu gosto agora.
Ela vai descendo seus lábios lentamente sobre meu corpo. Por onde passa dar pequenas mordidas. Ela retorna e então fica em cima de mim, apoiando o peso nos cotovelos, e esfrega o nariz no meu enquanto abre minhas pernas com as suas. Ajoelha-se e começa a percorrer minhas pernas com seus lábios e língua.
— Mal posso esperar até sábado – diz, os olhos brilhando de deleite obsceno.
— A festa?
— Não. Eu quero experimentar outras coisas com você.
— Vejo que está muita animada para isso – dou uma risadinha.
Ela sorri para mim ao ir abaixando cada vez mais seus lábios.
— Você está achando graça, Srta. Berry?
— Não. – Tento ficar séria e falho miseravelmente.
— Agora não é hora de rir. – Ela balança a cabeça reprimenda, e sua voz é grave e soturna, mas sua expressão, Deus do céu, é glacial e vulcânica ao mesmo tempo.
O ar fica preso em minha garganta.
— Achei que você gostasse de me ver rir – sussurro, rouca, mirando as profundezas sombrias de sus tempestuosos olhos.
— Agora não. Existe uma hora e um lugar certos para rir. E não é agora. Preciso fazer você parar, e acho que sei como — dez ela, ameaçadoramente, e passa sua língua entre as dobras do meu sexo.
— O QUE VOCÊ GOSTARIA para o café, Rae?
— Vou só comer um pouco de granola. Obriada, Srta. Jones.
Eu coro ao me sentar no banco ao lado de Quinn. A última vez em que vi a muito correta e decorosa Srat. Jones, eu estava sendo carregada sem a menor cerimônia para o quarto no ombro de Quinn.
— Você está linda – diz Quinn, baixinho.
Estou usando minha saia-lápis cinza e a blusa de seda cinza de novo.
— Você também. – Sorrio timidamente para ela.
Ela está vestindo uma camisa azul-clara e calça jeans, e, como sempre, parece descontraída, nova em folha e perfeita.
— A gente precisa comprar mais algumas saias para você – diz, com naturalidade. – Aliás, adoraria levar você para fazer compras.
Hum... compras. Odeio fazer compras. Mas, com Quinn, talvez não seja tão ruim. Decido que minha melhor defesa é mudar de assunto.
— Estou me perguntando o que vai acontecer no trabalho hoje.
— Eles vão ter que arrumar alguém para substituir aquele babaca. – Quinn faz uma careta, franzindo as sobrancelhas como se estivesse acabado de pisar em alguma coisa muito desagradável.
— Espero que escolham um homem e que ainda por cima seja gay ou uma mulher hetero.
— Por quê?
— Bem, as chances de você se opor a nós viajarmos juntos são bem menores – provoco-a.
Seus lábios se contorcem, e ela começa a comer sua omelete.
— Qual é a graça? – pergunto.
— Você. Coma a granola toda, já que seu café da manhã vai ser só isso.
Autoritária como sempre. Contraio os lábios para ela, mas como tudo.
Quinn Pov
Rachel vai dirigir o Saab pela primeira vez hoje. Ela procura a ignição no volante. Ela continua confusa olhando em torno do volante.
— Bom, a chave entra aqui, — eu aponto para ela.
— Lugar estranho, — ela murmura, mas excitada para dirigir seu carro novo pela primeira vez. Ela é incapaz de conter sua excitação, quase pulando no assento do motorista, batendo palmas como uma criança pequena. Seu entusiasmo me faz feliz. Eu olho para ela, e aproveito o momento.
— Você está muito empolgada com isso, não é? — Eu pergunto, satisfeita. Sua alegria está passando para mim.
Ela sorri em resposta, e sorri de orelha a orelha. Respira fundo como se ela estivesse inalando seu perfume favorito e se vira para mim.
— Sinta só esse cheiro de carro novo. Isso aqui é ainda melhor que o modelo especial de submissa... quero dizer, o a A3 — Diz ela, deixando escapar algo que ela não filtrou primeiro na cabeça, ela cora. Mas eu a amo por isso. Ela diz o que pensa.
Eu tenho muita dificuldade em suprimir um sorriso com sua definição expressiva.
— Especial Submissa, Srta. Berry? Você tem muito jeito com as palavras, baby, — digo tentando repreendê-la zombando, mas, é muito difícil de fazer, quando ela está tão feliz.
— Tudo bem, vamos indo, — eu digo e aponto para a saída da garagem. Rachel está além de excitada. Ela pula em seu assento embora seus movimentos estejam limitados pelo cinto de segurança, e ela bate as mãos, em seguida, liga o carro. Quando ela muda o carro para Drive, nós avançamos. Eu noto pelo espelho lateral que Puck está dirigindo atrás de nós no SUV. Eu vou percorrer todo o caminho para SIP com ela, e a partir daí, Puck vai me levar para QFH. Quero passar cada minuto possível com Rachel. Sem mencionar que eu não confio muito em sua habilidade de dirigir.
A porta da garagem do Escala abre, e Rachel sinaliza para virar à direita, e entra no tráfego. Na esquina do prédio, chegamos ao nosso primeiro sinal de parada e ela pergunta se ela poderia ter o rádio ligado. Rachel é facilmente distraída, e eu não acho que ligar o rádio seja uma boa idéia.
— Eu prefiro que você se concentre, — eu digo, um pouco bruscamente.
Ela olha para mim de lado, e eu posso ver o aborrecimento crescendo em seus olhos.
— Quinn, por favor, posso dirigir com música, — diz ela revirando os olhos. Mulher frustrante! Eu quero que ela primeiro se acostume a dirigir um veículo novo. É demais querer mantê-la segura? Embora eu feche a cara, eu concordo.
— Além de CD, este rádio toca MP3 e é compatível com seu iPod, — eu digo, demonstrando o sistema de som para ela. Eu encaixo o iPod e o som vem em voz alta com o The Police começando a tocar "King of Pain.
— Seu hino, — ela deixa escapar com outro mal funcionamento cérebro-boca e estranhamente esta avaliação, embora verdadeira, fere profundo. Eu saber, e Rachel confirmar, são duas coisas diferentes. Eu quero ser diferente para ela. Ela limpa a garganta com a compreensão.
— Eu acho que eu tenho esse álbum. Em algum lugar no meu apartamento... — diz ela tentando me distrair, lamentando o que disse. Um olhar triste toma seu rosto, e seu pensamento voa, distraída. Quando ela está distraída, especialmente no tráfego, eu me preocupo. E se ela se distrair quando está sozinha?
— Hey! — Eu digo tentando trazê-la de volta ao aqui e agora. – Dona espertinha. Volte aqui! — Ela balança a cabeça como se estivesse pulando de volta para o tempo atual, de um universo paralelo. — Você está muito distraída, Rae. Você deve se concentrar. Não seja complacente, a maioria dos acidentes acontecem quando você não se concentra, — eu a advirto. Ela pisca e balança a cabeça.
— Estava só pensando no trabalho.
— Baby, você dar tudo certo. Confie em mim! — Eu digo. Ela vai ficar melhor do que bem. Ninguém vai ousar despedir a namorada da proprietária. Posso entregar sua bunda e seu chapéu em suas mãos antes que possam dizer 'cinqüenta' se eles se atreverem a demiti-la! Eu sorrio para ela com tranquilidade.
Ela me olha preocupada e diz:
— Por favor, não interfira. Quero fazer isso sozinha. Quinn, por favor. É importante para mim. — "Por que ela sempre assume que eu vou interferir? Tudo o que faço é para protegê-la e ajudá-la; no que, por sinal, ela não faz um trabalho muito bom consigo própria. Nos últimos meses, temos visto dois grandes exemplos disso. Eu não posso deixar de ficar com raiva, e eu cerro os dentes e minha boca vai para uma linha esticada dura. Ela rapidamente me dá um olhar preocupado e diz: — Não vamos discutir por favor, Quinn. Nós tivemos uma manhã tão maravilhosa, e ontem à noite foi — ” diz ela parando. — ... divina , — diz ela tirando o meu fôlego.
Ela me deixa louca nos momentos mais inesperados. Mesmo quando eu quero ficar brava com ela, ela diz algo tão simples, e então eu estou perdida. Meus olhos fecham, e eu me desfaço em sua descrição.
— Foi. Divina. Eu falei sério, Rae. — Eu a quero. Eu quero estar com ela. Eu preciso dela no nível mais elementar.
A noite passada foi o compromisso perfeito entre o que tanto gostamos; foi além do paraiso. Era como se fôssemos um, em uníssono. Não são necessárias palavras; reivindicando um ao outro, fazendo amor, fodendo, conectando não apenas em nossos desejos primitivos e paixões, mas também marcando nossas almas um com o outro. Meu amor por ela só cresce exponencialmente.
— Sobre o quê? — Ela pergunta.
— Não quero deixar você ir embora, — Eu digo em voz baixa, tentando esconder o medo que acompanha o pensamento.
— Eu não quero ir, — ela murmura, e sua resposta me faz completamente feliz, me fazendo sorrir timidamente, e eu nunca sou tímida.
— Que bom, — é tudo que posso dizer com uma voz rouca. Rachel chega ao estacionamento, e se dirige para dentro dele. SIP está a uma curta distância a pé a partir daqui.
— Eu acompanho você até o trabalho, e Puck vai me pegar depois que eu deixá-la, — Eu digo. Eu saio do carro e caminho para o lado de Rachel.
— Não se esqueça de que temos hora marcada com o Sam às sete da noite — Eu a relembro enquanto eu pego a mão dela.
— Não vou me esquecer. Eu vou preparar uma lista de perguntas para ele, — diz ela.
O quê? Que tipo de perguntas.
— Perguntas? Sobre mim? — Eu pergunto. Ela me responde com um aceno de cabeça.
Eu fico nervosa imediatamente. Sabendo como eu sou fodida, que coisa boa pode Sam dizer sobre mim? — Rachel, eu posso responder a quaisquer perguntas que você tiver a meu respeito, — eu digo ofendida. Ela sorri para mim em resposta.
— Eu sei que você pode, Quinn. Mas eu gostaria de obter a opinião imparcial do charlatão caro.
O medo toma conta de mim imediatamente. Sam me conhece bem o suficiente... Sabe como eu sou fodida. Ele poderia facilmente recomendar-lhe que eu não sou digna de estar com ela. Muito fodida para a menina inocente que ela é. Eu não posso perder Rae! Preocupação e medo me apertam imediatamente e eu me viro rapidamente. Eu puxo Rachel em meus braços com um movimento rápido, segurando-a firme, como se ela fosse voar para longe. Eu capturo as duas mãos atrás das costas, fixando-a no lugar.
— Rae, será que isso é uma boa idéia? — Eu pergunto, em voz baixa. Muito baixa, muito ansiosa, muito perturbada. Medo mal contido está enlaçando minhas feições. Seu olhar de resposta está preocupado.
— Se você não quiser, eu não faço perguntas, — diz ela. Eu não sei o que pensar! Tudo que eu sei é que eu não posso perdê-la. Isto ia me destruir, perdê-la. Não posso arriscar. O pouco de humanidade que Rachel despertou em mim, vai morrer se ela se fôr. Eu vou ser uma outro Heathcliff. Ela puxa uma de suas mãos e eu a libero. Ela vem e acaricia minha bochecha com ternura, com amor. – Quão é a sua preocupação? — Ela pergunta com uma voz suave, quase como uma canção de ninar.
— Que você vá embora, — eu digo incapaz de esconder a dor excruciante da minha voz. Assim como eu tento protegê-la dos vilões de fora, eu não quero entregá-la com minhas próprias mãos a uma pessoa que conhece toda a merda sobre mim, aconselhando-a a me deixar. O maior castigo que qualquer um pode inventar para mim é o de mantê-la longe de mim, afastá-la. Esse é o meu tormento pessoal, meu pesadelo diurno ... Vai me dar uma existência inútil, tornando-me fraca, deixando-me meio viva e meio morta. Esse futuro só pode ser descrito em duas palavras: morte e inferno. Existir depois de perdê-la seria um inferno. Eu vivi em um há menos de uma semana e quase não sobrevivi. O que isto faria para mim se a perspectiva fosse para sempre?
Ela olha nos meus olhos atentamente, inabalável.
— Quinn, quantas vezes eu tenho que dizer? Não vou a lugar algum. Você já me contou o pior. Não vou deixar você, — diz ela. Merda! Se ela queria ficar comigo, ela teria concordado em ser minha, para sempre!
— Então, por que você não me deu uma resposta? — Pergunto apaixonadamente.
— Uma resposta? — ela pergunta, tentando contornar a minha pergunta.
— Você sabe do que estou falando, Rae, — eu sibilo.
Ela me dá um suspiro, finalmente.
— Quero ter certeza de que sou suficiente para você, Quinn, — diz ela. Sua resposta me faz soltá-la imediatamente, como se ela me queimasse com suas palavras.
— E você não vai aceitar a minha palavra quanto a isso? — Pergunto completamente exasperada.
Ela prefere ter alguém para confirmar ou negar os meus sentimentos para ela! Como Sam poderia saber o que passa pela porra do meu coração? Como ele se sente com isso? Ele é um dos que está apaixonado por ela? Se eu não conheço o meu próprio coração, quem o faria?
— Quinn, tudo tem acontecido muito rápido. E você mesma já admitiu ser fodida em cinquenta tons. Não posso dar a você o que você precisa. Não é o que eu sou. Só que isso me faz sentir inadequada, principalmente depois de ver você com a Ashley — ela diz enquanto a preocupação aumenta em seus olhos e uma profunda tristeza encobre sua expressão. – Quem me garante que um dia você não vai encontrar uma garota que gosta das coisas que você gosta? E quem me garante que você não vai... você sabe... se apaixonar por ela? Alguém muito mais adequado às suas necessidades, — diz ela enquanto está quase engasgando com suas palavras. Ela se desliga, e se perde, nervosamente olhando para os dedos entrelaçados.
Eu tomo uma respiração profunda.
— Baby olhe para mim... — eu digo, pedindo a ela para ver a sinceridade nas minhas palavras e minha expressão. – Já conheci muitas mulheres que gostam de fazer o que eu faço. Nenhuma delas me atraiu do jeito que você me atrai. Jamais estabeleci uma relação emocional com nenhuma delas. É só você, Rachel, desde sempre.
— Porque você nunca deu uma chance a elas. Você passou tempo demais trancafiada na sua fortaleza, Quinn. Olhe, vamos discutir isso mais tarde. Tenho que ir trabalhar. Talvez, Dr. Evans possa nos dar alguma luz, — ela pede, erguendo as sobrancelhas. Concordo com a cabeça relutantemente. Ainda preocupada.
Eu levanto minha mão para ela e digo:
— Venha, — levando-a para a rua.
Eu ando com ela por todo o caminho até a porta da SIP, e seguro seu rosto em minhas mãos, beijando-a longa e duramente, disposto a fazê-la entender que ela é a única para mim. Eu a deixo sem fôlego, e volto para o SUV em espera, com a preocupação envolvendo meus pensamentos.
Rachel Pov
QUANDO CHEGO À minha mesa, encontro um bilhete me pedindo para ir direto para sala de Aprill. Meu coração pula até a boca. Pronto, vai ser agora. Vou ser demitida.
— Rachel. – Aprill sorri gentilmente, indicando-me a cadeira diante de sua mesa.
Sento-me e a encaro com expectativa, torcendo para que ela não possa ouvir meu coração pulsando. Ela alisa o cabelo e me fita com seus olhos compenetrados olhos azul-claros.
— Tenho uma notícia um pouco triste.
Triste! Ah, não.
— Chamei você aqui para avisar que Biff deixou a empresa de forma bastante inesperada.
Fico vermelha. Para mim, isso não tem nada de triste. Será que devo dizer que eu já sabia?
— A saída um tanto inesperada dele deixou uma vaga na empresa, e nós gostaríamos que você a ocupasse por enquanto, até acharmos um substituto.
O quê? Sinto o sangue fugir da minha cabeça. Eu?
— Mas eu só estou aqui há uma semana, praticamente.
— Sim, Rachel, eu entendo, mas Biff sempre foi um defensor das suas habilidades. Ele esperava muito de você.
Prendo a respiração. Sei muito bem o que ele esperava de mim, e era me virar de bruços, isso sim.
— Aqui está a descrição do cargo. Dê uma olhada com calma, e a gente pode discutir isso hoje mais tarde.
— Mas...
— Por favor, eu sei que isso é muito repentino, mas você já fez contato com os principais autores de Biff. Os resumos que você preparou não passaram despercebidos pelos outros editores. Você é muito perspicaz, Rachel. Todos nós achamos que você é capaz de fazer isso.
— Certo – que loucura.
— Olhe, pense bem. Enquanto isso, você pode ficar na sala de Biff.
Ela se levanta, obviamente me dispensando, e estende a mão. Eu a aperto, absolutamente aturdida.
— Fico feliz que ele tenha ido embora – sussurra, e um olhar assombrado atravessa seu rosto.
Puta merda! O que ele fez com ela?
De volta à minha mesa, pego meu BlackBerry e ligo para Quinn. Ela atende no segundo toque.
— Rachel. Tudo bem? – pergunta, preocupada.
— Eles acabaram de me dar o cargo de Biff, temporariamente – falo bem rápido.
— Está brincando? – sussurra ela, chocada.
— Você tem alguma coisa a ver com isso? – minha voz soa mais ríspida do que eu gostaria.
— Não, não. Não mesmo. Quero dizer, com todo o respeito, Rachel, mas você só está aí há uma semana, ou algo assim. Não me leve a mal.
— Eu sei. – Franzo a testa. – Aparentemente, Biff me avaliou muito bem.
— Ah, foi, é? – O tom de Quinn é gélido, e ela suspira. – Bem, baby, se eles acham que você dá conta, tenho certeza de que você dá conta. Parabéns. Talvez a gente devesse comemorar depois da consulta com a Sam.
— Hum. Tenho certeza que você não tem nada a ver com isso?
Ela fica em silêncio por um instante, e então diz numa voz ameaçadora e grave:
— Você está duvidando de mim? Isso me irrita tanto.
Engulo em seco. Nossa, ela tem o pavio curto.
— Desculpe – suspiro, sentindo-me repreendida.
— Se você precisar de alguma coisa, me avise. Estou aqui. E, Rachel?
— O quê?
— Use o BlackBerry – acrescenta ela, laconicamente.
— Está bem, Quinn.
Mas, em vez de desligar, ela solta um suspiro profundo.
— Estou falando sério. Se você precisar, estou aqui. – Suas palavras soam muito mais suaves, conciliadoras. Ela é tão inconstante... suas mudanças de humor são como um metrônomo em andamento presto.
— Tudo bem – murmuro. – É melhor eu desligar. Tenho que mudar de sala.
— Para o que quer que você precise. Estou falando sério – murmura ela.
— Eu sei. Obrigada, Quinn. Amo você.
Sinto seu sorriso do outro lado da linha. Eu a reconquistei com essas palavras.
— Também amo você, baby.
Ai, será que algum dia vou me cansar de ouvi-la dizer essas palavras?
— Falo com você mais tarde.
— Até mais, baby.
Desligo o telefone e olho para a sala de Biff. Minha sala. Deus do céu. Rachel Berry, Editora. Quem diria? Eu devia pedir um aumento.
O que o Biff acharia se ficasse sabendo? Tremo só de pensar, e me pergunto vagamente como ele está passando a manhã; na certa, bem longe de Nova York, diferentemente do que imaginava. Caminho até minha sala nova, sento-me à mesa e começo a ler a descrição do cargo.
Ao meio-dia e meia, Aprill me liga.
— Rachel, precisamos que você participe de uma reunião à uma hora na sala de reuniões. Jerry Roach e Kay Bestie vão estar lá, você sabe, o presidente da empresa e o vice-presidente? Todos os editores vão participar.
Merda!
— Preciso preparar alguma coisa?
— Não, é só uma reunião informal que a gente faz uma vez por mês. Vai ter almoço.
— Estarei lá – desligo.
Puta merda!
Dou uma olhada na lista de autores de Biff. Certo, isso está tranquilo. Tenho os cincos manuscritos que ele estava defendendo, e mais dois, que realmente deveriam ser considerados para publicação. Respiro fundo. Nem acredito que já está na hora do almoço. O dia voou, e eu estou amando isso. Foi tanta coisa para assimilar está manhã. Meu calendário apita, anunciando um compromisso.
Ah, não... Kurt! Em toda minha empolgação, esqueci do nosso almoço. Pego o BlackBerry e tento freneticamente encontrar o número dele.
Meu telefone toca.
— É ele, na recepção – diz Tina, com a voz abafada.
— Quem?
— O deus com cabelo negros.
— Blaine?
Hum, o que ele quer? Imediatamente, sinto-me culpada por não ter ligado para ele.
Blaine sorri para mim assim que apareço na recepção. Está usando uma camisa xadez azul, uma camiseta branca por baixo e calça jeans.
— Uau! Você está uma gata, Berry – diz ele, balançando a cabeça em provação e me dando um abraço rápido.
— Está tudo bem? – pergunto.
Ele franze a testa.
— Tudo ótimo, Rach. Só queria ver você. Faz tempo que não tenho notícias suas e queria ver como a Srta. Magnata anda tratando-a.
Fico vermelha e não consigo conter o sorriso.
— Ah, então tá! – exclama Blaine, erguendo as mãos para o alto. – Pelo seu sorrisinho, dá para ver que está tudo bem. Não quero detalhes. Resolvi passar aqui só para ver se existe alguma chance de você almoçar comigo. Vou me inscrever na Universidade de Seattle no curso de psicologia, em setembro. No mestrado.
— Ah, Blaine. Aconteceu tanta coisa. Tenho uma tonelada de novidades para contar, mas agora não posso. Tenho uma reunião – e subitamente tenho uma ideia. – Será que você não faria um favor muito, muito, muito grande para mim? – uno as mãos em súplica.
— Claro – diz ele, perplexo com o meu pedido.
— Eu tinha marcado um almoço com o irmão da Quinn e a Brittany hoje, mas não estou conseguindo falar com ele, e apareceu essa reunião da qual eu preciso participar. Será que você pode leva-la para almoçar? Por favor?
— Ah, Rach! Não estou aqui para ficar de babar de criança mimada.
— Por favor, Blaine. – Lanço-lhe meu olhar mais pidão e pisco meus longos cílios para ele.
Ele revira os olhos, e sei que deu certo.
— Você vai cozinhar para mim? – resmunga ele.
— Claro qualquer coisa, quando você quiser.
— E então, cadê ele?
— Deve chegar a qualquer momento. – E, como se eu tivesse dado uma deixa, ouço a voz de Kurt.
— Rach! – chama ele da entrada.
Nós dois nos viramos, e lá está ele: todo curvilíneo e alto, com o cabelo bem penteado e elegante, usando um terno roxo e sapatos de uma cor diferente. Está deslumbrante.
— É essa a criança mimada? – sussurra Blaine, boquiaberto.
— Ele mesmo. A que precisa de babá – sussurro de volta. – Oi, Kurt – dou-lhe um abraço rápido enquanto ele fita Blaine descaradamente. – Kurt, este é o Blaine, irmão de Santana.
Ele o cumprimenta com a cabeça, as sobrancelhas erguidas de surpresa. Kurt pisca várias vezes e olhe oferece a mão.
— É um prazer conhece-lo – murmura Blaine com elegância, e Kurt pisca de novo, em silêncio, como raramente acontece com ele. E cora.
Meu deus. Acho que nunca vi Kurt corar.
— Não vou poder almoçar hoje – digo, sem muita convicção. – Blaine concordou em ir com você, se você topar? Será que a gente pode marcar outro dia?
— Claro – diz Kurt de mansinho. Kurt quieto, isso é novidade.
— Certo, então agora é comigo. Até mais, Rach – diz Blaine, oferecendo o braço a Kurt.
Ele o aceita com um sorriso tímido.
— Tchau, Rach. – E se vira para mim, gesticulando com aboca: — Ai. Meu. Deus! – E lança uma piscadela exagerada.
Kurt gostou do Blaine! Aceno para os dois enquanto eles saem do prédio e fico me perguntando como Quinn vai reagir se o irmão começar a namorar. O pensamento me deixa desconfortável. Kurt tem a mesma idade que eu, então ela não pode se opor, ou pode?
É de Quinn que estamos falando. Meu inconsciente me lança mais um de seus olhares críticos, a boca tensa, usando meu cardigã e com a bolsa encaixada na curva do braço. Afasto a imagem da cabeça. Kurt já é adulta, e Quinn é capaz de agir racionalmente, não é? Tento não pensar no assunto e volto para a sala de Biff... quero dizer... para minha sala, para me preparar para reunião.
São três e meia quando retorno. A reunião correu bem. Consegui até uma aprovação para os dois manuscritos que estava defendendo. É uma sensação inebriante.
Sobre a minha mesa encontro uma enorme cesta de vime repleta de rosas brancas e cor-de-rosa bem clarinho. Uau, só o perfume já é divino. Sorrio ao pegar o cartão. Sei de quem são.
Parabéns, Srta. Berry
E tudo por conta própria!
Sem nenhuma ajuda de sua CEO supersimpática,
Camarada e megalomaníaca
Com amor
Quinn
Pego meu BlackBerry para mandar um e-mail para ela.
De: Rachel Berry
Assunto: Megalomaníacas...
16 de junho de 2011 15:43
Para: Quinn Fabray
... são o meu tipo favorito de maníacas. Obrigada pelas lindas flores. Elas chegaram numa enorme cesta de vime que me faz pensar em piqueniques e cobertores.
Bjs,
De: Quinn Fabray
Assunto: Ar puro
16 de junho de 2011 15:55
Para: Rachel Berry
Maníacas, é? O Dr. Evans deve ter algo da dizer sobre isso.
Você quer fazer piquenique?
A gente poderia se divertir ao ar livre, Rachel...
Como está indo o seu dia, baby?
Quinn Fabray
CEO, Fabray Holdings, Inc.
Minha nossa. Fico vermelha só de ler sua resposta.
De: Rachel Berry
Assunto: Agitada
16 de junho de 2011 16:00
Para: Quinn Fabray
O dia passou voando. Não tive um momento sequer para pensar em nada além do trabalho. Acho que consigo dar conta disso! Conto mais quando chegar em casa.
Um dia ao ar livre parece... interessante.
Amo você.
Um bj.
Ps. Não se preocupe com o Dr. Evans.
Meu telefone toca. É Tina, da recepção, desesperada para saber quem enviou as roas e o que aconteceu com o Biff. Como passei o dia no escritório, não pude acompanhar as fofocas. Digo apressada que as flores são da minha namorada e que não sei quase nada sobre a saída do Biff. Meu BlackBerry vibra, indicando que acabo de receber mais um e-mail de Quin.
De: Quinn Fabray
Assunto: Vou tentar...
16 de junho de 2011 16:09
Para: Rachel Berry
... não se preocupe
Até mais, baby.
Bj,
Quinn Fabray
CEO, Fabray Holdings, Inc.
Às cinco e meia, limpo a minha mesa. Nem posso acreditar em como o dia passou depressa. Tenho que voltar para o Escala e me preparar para a consulta com o Dr. Evans. Nem sequer tive tempo de pensar nas perguntas. Talvez hoje a gente possa ter só um primeiro encontro, e Quinn me deixe vê-lo de novo depois. Afasto a ideia da cabeça ao deixar o escritório às pressas, acenando rapidamente para Tina.
Também tenho que pensar no aniversario de Quinn. Já sei o que vou dar a ela de presente. E queria entregar hoje à noite, antes da consulta com Evans, mas como vou fazer isso? Ao lado do estacionamento existe uma pequena loja de bugigangas para turistas. Tenho uma inspiração repentina, e entro na loja.
MEIA HORA DEPOIS, quando chego à sala de estar, Quinn está em seu BlackBerry, de pé, olhando para fora pelo janelão de vidro. Ela se vira e sorri para mim, finalizando o telefonema.
— Ótimo, Mike. Diga a Artie que vamos continuar a partir daí... Até mais.
Ela caminha na minha direção, e fico parada, tímida, junto à porta. Trocou de roupa, está usando jeans e camiseta branca, parecendo uma menina rebelde e arteira. Uau.
— Boa noite, Srta. Berry – murmura ela se inclinado para me beijar. – Parabéns pela promoção. – Passa os braços ao meu redor. Que cheiro maravilhoso.
— Você tomou banho.
— Acabei de ter uma sessão de luta com Claude.
— Ah.
— Derrubei-o duas vezes. – Quinn sorri radiante, feito uma menina, satisfeita consigo mesma. Seu sorriso é contagiante.
— Isso não acontece com frequência?
— Não. E é muito prazeroso quando acontece. Está com fome?
Faço que não com a cabeça.
— O que foi – Ela franze a testa para mim.
— Estou nervosa. Com o Dr. Evans.
— Eu também. Como foi o seu dia? – Ela me solta, e eu faço um breve resumo. Ela escuta com atenção.
— Ah, tem mais uma coisa que tenho que contar – acrescento. – Eu ia almoçar com o Kurt hoje.
— Ela ergue as sobrancelhas, surpresa.
— Você não chegou a mencionar isso.
— Eu sei, esqueci. Como eu não pude ir sair com ele por causa da reunião, Blaine o e levou para almoçar.
Sua expressão fica sombria.
— Sei. Pare de morder o lábio.
— Vou trocar de roupa – digo, mudando de assunto e me virando antes que ela possa agir.
Quinn Pov
Nós nos dirigimos ao escritório de Sam na Saab da Rachel.
Rachel fica surpreendida com a curta distância. Eu digo a ela que eu combino meu exercício e minha terapia, correndo para o seu escritório. Ela sorri. Estou completamente satisfeita com a forma como ela lida com o seu carro; sua segurança está em boas mãos.
Ela parece distraída.
— Também acho, — diz ela sorrindo, mas sua mente está em outro lugar. Seu peito está respirando ansiosamente; seu olhar está combinando com seu coração. Ela está nervosa também. — Quinn ... — diz ela fazendo um 'o' com os lábios exalando e respirando fundo. — Eu, — diz ela engolindo. Qual é o problema? Por que ela está extremamente nervosa? Será que ela está pensando em terminar comigo aqui?
— O que foi, Rae? — Pergunto refletindo sua ansiedade.
Finalmente ela cava em sua bolsa, e pega alguma coisa, e sustenta este artigo pequeno o suficiente para caber em suas mãos.
— Aqui, — diz ela. Eu olho para baixo confuso. É uma pequena caixa de presente colocada no meio da palma da mão envolta em papel pardo e amarrado com corda.
— É pelo seu aniversário. Queria dar para você agora, mas só se você me prometer que não vai abrir antes de sábado, tudo bem?
Eu não recebo muitos presentes, porque as pessoas geralmente não sabem o que me dar, já que aparentemente tenho tudo, e posso pagar tudo. Mas, tudo que Rachel faz ou me dá é um tesouro.
O fato de que ela pensou em mim... Eu engulo em seco. Isso significa muito. Esta pequena caixa é grande o suficiente para mim para guardar o universo dentro dela. É de Rachel! Eu olho para ela tentando piscar para longe as emoções que estão forçando sua saída, e só posso murmurar "tudo bem" para ela.
O meu olhar está fixo nessa caixinha.
Ela puxa uma golfada profunda de ar como se fosse seu último, e coloca a caixa dentro da minha mão aguardando. Eu me sinto oprimida, espantada, congelada, paralisada, tudo ao mesmo tempo — tudo com a delicadeza desta pequena caixinha. Eu finalmente seguro a pequena caixa entre o polegar e o dedo indicador, e a agito perto da minha orelha. Ela chacoalha. Hmm. O que poderia ser? Não é um anel. Seria uma ilusão pensar! É mais pesado do que um anel, e um anel não chacoalha. Ele mantem-se com firmeza.
São abotoaduras? Seria mais que um estalo se a caixa tivesse abotoaduras. Não um chocalho. Argh! A curiosidade está me queimando de dentro para fora! Eu a mantenho na palma da minha mão e olho para ela. Eu não tenho visão de raio-x do Superman. A frustração me faz franzir a testa. O que poderia ser? Rachel, isto é pura tortura! Hoje só é quinta-feira! Dois fodidos dias para esperar!
Eu finalmente sorrio. Eu posso esperar para abri-la no sábado! Isto é de Rachel. Eu vou mantê-la perto de meu coração por um par de dias por segurança dentro da minha jaqueta de risca de giz.
Enquanto eu o coloco dentro da minha jaqueta, Rachel me avisa:
— Você não pode abrir antes de sábado.
— Eu entendo. Mas, por que você está me dando isso agora? — Se ela não quer que eu abra até sábado, não faz sentido ela dá-lo para mim agora. Ou não? Há algum significado?
A resposta de Rachel tira-me dos meus devaneios.
— Porque eu posso, Srta. Fabray, — diz ela sorrindo e me fazendo sorrir em resposta ao seu sorriso, mesmo que ela tenha roubado meu bordão!
— Ora, Srta. Berry, roubando minhas falas.
A recepcionista de Sam, uma senhora idosa, Eleanor, nos cumprimenta.
— Boa noite, Eleanor, — eu respondo a sua saudação.
— Dr. Evans está esperando por você, Srta. Fabray. Por aqui, — diz ela, enquanto ela sorri para nós, ou talvez para mim, e os olhos de Rachel estreitam para ela.
Ciumenta? Sua resposta me faz me sentir um pouquinho melhor. À medida que entramos no escritório de Evans, Rachel repara na decoração. Ela olha a sala verde pálido com sofás verde escuros, e poltronas de couro. Evans se levanta de sua mesa no canto extremo e caminha para nos cumprimentar. Percebo que Rachel dá um rápido olhar começando na calça preta de Evans, na camisa gola aberta azul pálido, e, finalmente, parando em seus olhos azuis. Evans me cumprimenta primeiro, estendendo a mão.
— Quinn, — diz ele sorrindo.
— Sam, — eu respondo enquanto eu seguro a mão dele. — Você se lembra de Rachel? — Eu digo, como forma de reapresentação.
— Claro. Como eu poderia esquecer? Bem-vinda, Srta. Berry , — ele a recebe calorosamente em seu sotaque londrino.
— Rachel ou Rach, por favor, — diz Rachel.
— Rach, — ele responde. E ele nos leva para o cômodo. Faço um gesto para um dos sofás para Rachel, e ela senta-se embora parecendo muito nervosa. Ela cruza as pernas, e decidindo contra isso, cruza os pés nos tornozelos. Ela tenta colocar os braços sobre o apoio do braço, mas também é desconfortável para ela, e, finalmente, ela coloca em seu colo. Eu sento no sofá ao lado dela, colocado em um ângulo reto.
Há uma mesa lateral com um pequeno abajur de mesa sobre ela, entre nossas cadeiras. Eu me sento no sofá cruzando as pernas e descansando meu tornozelo no meu joelho. Dirijo o meu braço para a parte de trás do sofá, e avanço para encontrar a mão nervosa de Rachel, e a aperto para lhe dar alguma tranquilidade, embora eu não sei se é para o seu benefício, ou o meu. Evans toma seu lugar na cadeira ao lado, seu bloco de notas de couro na mão, pronto para observar.
— Rach, Quinn pediu que a acompanhasse a uma de nossas sessões. Só para você saber, nós tratamos estas sessões com absoluta confidencialidade, — diz Evans. Mas Rachel o interrompe.
— Hum... eu assinei um termo de confidencialidade, — ela murmura mal-entendendo o médico. Eu libero sua mão como se suas palavras me chocassem com uma sacudida de eletricidade.
— Desculpe, o quê? Um termo de confidencialidade? — Ele pergunta e Rachel concorda, confusa. Evans me olha questionando, e eu casualmente encolho os ombros. — Só por curiosidade Quinn... você começa todos os seus relacionamentos com um contrato? — É claro que todos os meus funcionários assinam um, todos os meus médicos assinam um, na verdade mesmo Evans assinou um. Ele deve ter uma idéia disso sabendo quem eu sou e o que eu faço com as mulheres.
— Só os contratuais, — eu respondo. Evans torce os lábios.
— Você já teve algum outro tipo de relacionamento? — Ele pergunta em um tom divertido.
— Não — eu digo sorrindo, vendo a ironia nisso.
Isso, claro, confirma as suspeitas de Evans.
— Nesse caso, não temos nada com que nos preocupar sobre confidencialidade. No entanto, desde que eu entendo que você está entrando em um relacionamento extra-contratual, eu gostaria de sugerir para você rever e discutir o NDA em algum momento.
— Espero entrar em um tipo diferente de contrato com ela, — eu digo, num suave murmúrio, e vislumbrando Rachel que agora está corando profusamente.
Evans me olha com curiosidade, estreitando os olhos. Em seguida, balançando a cabeça, ele se vira para Rachel e diz:
— Rachel, me perdoe, mas é provável que eu saiba muito mais sobre você do que você imagina. Quinn tem sido bastante expansiva. — Os olhos de Rachel dardejam para mim frenéticos, questionando.
A pergunta de Evans divide seu olhar e ela volta sua atenção para ele.
— Rachel, então, assinou um termo de confidencialidade?... Isso deve ter sido um choque para você. — Rachel olha e pisca, e balança a cabeça negativamente.
— Hum, acho que o choque disso já se tornou insignificante, dadas as revelações mais recentes de Quinn, — ela responde com sua voz suave, ansiosa.
Evans acena sorrindo para Rach:
— Eu tenho certeza, — ele responde. Então se vira para mim e pergunta: — Então, Quinn, o que você gostaria de discutir hoje?
Eu dou de ombros com indiferença embora eu estou nervosa como o inferno. É isso aí!
— Foi Rachel, que quis vê-lo hoje. Talvez você deve dirigir a pergunta a ela, — Eu digo a Evans que parece surpreso, mas veste o rosto profissional, e se vira para Rachel questionando. Rachel imediatamente fica tímida, seu olhar mergulha nos dedos entrelaçados. Ela não está acostumada a ser o foco central.
Então o porra do Evans faz a ela uma pergunta que me deixa nervosa como o inferno!
— Rach, você estaria mais confortável se Quinn nos deixasse por um momento? — O olhar de Rachel imediatamente dardeja para mim, e eu olho para ela com a esperança de que ela estaria suficientemente confortável com a minha presença para ser capaz de discutir o que a está preocupando.
— Ficaria, — ela sussurra e meu coração aperta. Eu abro minha boca para protestar, franzindo a testa. Eu olho de uma pessoa para outra. Eu fecho a minha boca. Eu posso fazer isso... Eu posso fazer isso... Eu me levanto de mau humor.
— Estarei na sala de espera, — eu digo a ninguém em particular. Meus nervos estão tão tensos, e eu estou tão no limite, que eu me sinto como um arco firmemente esticado pronto para atirar a flecha. Eu expiro lentamente pelo nariz como um touro, enquanto meus dentes estão cerrados e minha boca fica em uma linha reta.
— Obrigado, Quinn, — diz o Dr. Evans imperturbável.
Viro-me e olho para Rachel, procurando seu olhar. Por que ela não me quer aqui? Será que isso significa que ela não me quer, afinal? Eu não ficaria surpresa. O que ela poderia querer falar com ele sem a minha presença aqui? Eu estou muito pronto para arrastá-la para fora do escritório de Evans, e nunca mais voltar. Mas, isso iria retornar para mim. O que fazer? O que fazer? Levá-la para fora, ou esperar e ver como as coisas andam? Eu tenho que fazer algum controle de danos? Eu poderia ter que fazer... Eu não vejo nenhuma apreensão nos olhos de Rachel, mas isso não significa que ela não está apreensiva. Muito bem! Eu vou dar isso a ela. Trinta minutos, a partir de agora! Porra! Evans pode dizer a ela minha história de vida em 30 minutos. Ele assinou um NDA. Ele não deveria divulgar informações sobre mim. Mas, novamente, eu entreguei Rachel a ele com minhas próprias mãos, porra! Eu não posso levá-lo ao tribunal, posso, se ele transmitir informações pessoais sobre mim, posso? Depende do que ele disser a ela.
Eu ando para a sala de espera, e Eleanor olha para mim. Sento-me casualmente em um dos sofás de couro.
— Gostaria de algo para beber Srta. Fabray? — Eleanor pergunta amavelmente.
— Não, obrigada, — eu digo secamente.
O meu olhar está fixo no corredor onde Rachel e Evans estão fechados juntos conversando. Falando sobre nós ... Decidindo sobre o nosso futuro! Eu não posso fazer uma porra de uma merda sobre isso! Eu não deveria ser uma das pessoas que têm uma palavra a dizer sobre essa decisão? Faltam vinte e seis minutos e 13 segundos.
Eu cruzo meu tornozelo esquerdo por cima do meu joelho direito. Meus braços estão descansando contra o encosto do sofá. Não, isto não é confortável. Eu recupero os meus braços para o meu colo, levanto a bunda do sofá, e recupero o meu Blackberry para parecer ocupado para o bem de Eleanor que está me olhando como se eu fosse um experimento de laboratório.
Eu percorro meus e-mails. Ros no negócio de aquisição, Ros no estaleiro coreano, Ros na fusão dos servidores SIP com os nossos, Barney assumindo a imersão do servidor, progresso de Welch em Hyde — não há muito o que informar ainda, no entanto, Barney novamente sobre o custo de nossa última atualização da sala do servidor, Andrea me enviando email sobre projeto de agricultura da WSU e possível atualização em progresso, e a reunião amanhã, e a última mensagem de Rachel de e-mail.
Está me dizendo para não me preocupar com Evans. Devo prestar atenção a ela? Como não me preocupar quando ela praticamente deixa Evans me expulsar da sala? É este o comportamento de uma namorada que lhe diz para não se preocupar? Ela teria dito: "Eu não tenho nada a esconder de Quinn. Ela pode permanecer..." Não! Tinha que me expulsar! Por quê? Será que ela me ama menos agora? Eu ainda a intimido tanto assim? Eu balanço minha cabeça para afastar os pensamentos.
Tenho que achar algo para ocupar minha mente... Eu percorro o conteúdo do meu telefone e encontro um jogo que envolve algumas aves que me olham irritadas. (N.T. Angry Birds) Bem, que bom! Eu sei exatamente como vocês se sentem. Meus dedos estão tremendo enquanto eu tento destruir as caixas empilhadas atirando nos pássaros de caras zangadas. Minha mente não está se concentrando.
— Srta. Fabray, você está bem, senhora? — Uma voz preocupada pergunta se curvando. Eu pisco e levanto os olhos.
— Sim, por quê? — Eu digo, levantando os olhos, franzindo a testa.
— Você parece estar tremendo, senhora. Você está com frio aqui? — Eu olho para as minhas pernas, e eu tenho esse gesto nervoso novamente. Eu lentamente ponho minha perna para baixo.
— Eu posso ter aquela água agora, Eleanor. Obrigada, — eu digo distraindo-a.
Ela escapa afastando-se para obter-me uma garrafa de água. Eu verifico o meu tempo novamente. Dezoito minutos e 27 segundos. O tempo tem sido sempre a essência, mas até que eu conheci Rachel, eu nunca contei os segundos. Eu me sinto como Anthony Constantino agora. Suas palavras soam na minha cabeça e quão verdadeiras elas são. "Só quando eu aprendi a amar você eu entendi a relatividade do tempo; então, eu queria abraçá-la para sempre, esperando que a eternidade durasse apenas alguns minutos mais." Só que o meu amor está dentro da sala, enquanto eu estou sentada aqui, me atormentando!
Levanto-me da cadeira e começo a usar uma faixa no tapete turco de Evans na sala de espera. Eleanor vem, e me dá a água. Eu a pego distraída. Meu coração está na minha garganta. Eu não posso aguentar essa espera! Eu me sinto como se eu tivesse sido amarrada e amordaçada e aterrorizada e castrada, e lobotomizada, tudo ao mesmo tempo, mesmo que ela escreveu em seu e-mail para não me preocupar com Evans. Como posso, quando estou sentada aqui... bem, andando aqui, e Evans está muito possivelmente, recomendando-lhe para despejar a minha bunda! Minha mão chega dentro do meu bolso. Eu pego a pequena caixa na minha mão. Eu a mantenho na minha mão como se fosse a salvação que Rachel jogou para mim. Ela me ama. Ela me ama. Ela me ama, eu canto na minha cabeça.
Treze minutos ...
O amor que tenho por Rachel me assusta. Mas o que me assusta mais é não tê-la me amando de volta, ou pior, parando de me amar... Pior ainda seria não tê-la em minha vida. Eu tenho que ter seu corpo e alma e coração. Qualquer coisa menos do que isso iria me destruir ... Não foi Benito Behar quem escreveu:
"Tudo que eu faço é agir sobre a minha paixão e eles chamam isso de pecado.
Tudo que eu faço é dizer a verdade e eles me chamam de hipócrita.
Tudo o que eu sinto é dor e tristeza e eles chamam isso de amor.
Tudo que eu faço é colocar meu coração em páginas vazias, e eles chamam isso de poesia ".
O pobre desgraçado devia estar apaixonado! Bem-vindo ao clube, otário! Entre na fila para a dor! Estamos abertos 24/7! Até o momento em que Rachel disser "sim" para mim, eu vou acabar me tornando um poeta também... Eu paro de repente. E se ela não disser? E se é isso? E se Evans disser que eu tenho muita merda e ela achar que não vale a pena o esforço?
— Ah, porra! — Eu digo em voz alta, e Eleanor me olha, corando com o meu epitáfio. Eu começo a andar no tapete novamente e ponho a recepcionista de Flynn nervosa.
Não! Não! Não! Não! Ela é parte de minha existência, parte de mim, parte da minha alma! Onde quer que eu olhe, eu a imagino. Ela está nas minhas esperanças e sonhos, e em cada perspectiva do meu futuro... Eu não vim aqui, e a trouxe aqui para que ela possa me deixar! Eu não estou aqui para perdê-la. Seria um dia frio no inferno se ela me deixar hoje!
Oh Deus! Ela pode me machucar... Ela realmente pode ferir-me por me deixar. Eu não sei o que eles estão falando aí, e eu estou em agonia aqui. Porra!
Quatro minutos! Quatro minutos péssimos!
Eu estou muito ciumenta da porra do tempo que Evans está passando com a minha mulher, mesmo se ele é o psiquiatra, e a impotência de não estar lá dentro é uma tortura... Eu sou a única que estou fodida de amor por ela, pelo amor de Deus!
Dois minutos... Vou informar-lhes do tempo!
Eu vou para o escritório de Evans, e bato na porta mostrando nitidamente a porra da minha irritação. Como alguém iria entender esse amor me queimando de dentro para fora? Eu sou uma mulher em chamas! Eu entro na sala, e fecho a cara, para Rachel e Dr. Evans.
Pov Rachel
Minutos antes....
— Rachel, Ela intimida você?
— Intimida. Mas não tanto quanto antes. – Sinto-me desleal, mas é a verdade.
— Isso não me surpreende, Rach. Como posso ajudá-la?
Fito meus dedos entrelaçados. O que posso perguntar?
— Dr. Evans, eu nunca estive num relacionamento antes, e Quinn é... bem, ela é a Quinn. E muita coisa aconteceu na última semana. Não tive chance de pensar direito.
— No que você precisa pensar?
Ergo o olhar para ele, e ele está com a cabeça deitada de lado, observando-me, acho que com compaixão.
— Bem... Quinn me diz que está feliz em abandonar... hum... – tropeço nas palavras e paro. Isso é muito mais difícil de discutir do que eu imaginava.
Dr. Evans solta um suspiro.
— Rach, no curto tempo em que você a conhece, você obteve mais progressos com a minha paciente do que eu mesmo ao longo dos últimos dois anos. Você teve um efeito profundo sobre ela. E deve saber disso.
— Ela também teve um efeito profundo em mim. Só não sei se sou suficiente para ela. Para satisfazer suas necessidades – sussurro.
— É disso que você precisa? Uma confirmação?
Faço sim com a cabeça.
— As necessidades mudam – diz ele, simplesmente. – Quinn se encontrou numa situação em que seus métodos para lidar com as coisas não são mais eficazes. Resumindo, você a forçou a encarar alguns de seus demônios e a repensar as coisas.
Pisco para ele. Foi exatamente o que Quinn me disse.
— Sim, seus demônios – murmuro.
— Nós não perdemos muito tempo com eles; eles ficaram no passado. Quinn os conhece muito bem, assim como eu, e agora estou certo de que você também. Estou mais preocupado com o futuro dela e em ajudar Quinn a alcançar um ponto em que deseja estar.
Franzo a testa, e ele ergue uma sobrancelha.
— O termo técnico é TBVS. – Ele sorri. – Desculpe, isso quer dizer Terapia Breve Voltada para a Solução. Basicamente, é uma terapia orientada para um objetivo. Nós nos concentramos no que Quinn quer alcançar e em como levá–la até lá. É uma abordagem dialética. Não tem sentindo ficar remoendo o passado. Tudo isso já foi analisado à exaustão por todos os médicos, psicólogos e psiquiatras de Quinn. Nós já sabemos por que ela é do jeito que é, mas o que importa é o futuro. O que Quinn prevê para si mesma, aonde ela quer chegar. Foi preciso que você a deixasse para que ela passasse a levar esse tipo de terapia a sério. Ela sabe que o objetivo dela é estabelecer uma relação amorosa com você. É simplesmente assim, e é nisso que estamos trabalhando neste momento. É claro que existem obstáculos... a hefefobia dela, por exemplo.
O quê?, arquejo.
— Desculpe. Estou me referindo ao medo dela de ser tocada – diz Dr. Evans, balançando a cabeça como se estivesse repreendendo a si mesmo. – Imagino que você esteja ciente.
Coro e faço que sim com a cabeça. Ah, isso!
— Quinn tem uma aversão mórbida por si mesma. Sei que não é nenhuma novidade para você. E, claro, há também a parassonia... hum... perdão, os terrores noturnos, para os leigos.
Pisco, tentando absorver todas essas palavras tão longas. Sei de tudo isso. Mas Evans ainda não tocou na minha principal preocupação.
— Mas ela é sádica. Certamente, como tal, ela precisa de coisas que eu não sou capaz de oferecer.
O Dr. Evans chega a revirar os olhos diante de minha observação e comprime a boca numa linha rígida.
— Isso não é mais reconhecido como um termo psiquiátrico. Não sei quantas vezes falei isso para ela. Desde os anos noventa que não é nem mais classificado como uma parafilia.
Mais um termo que não entendo. Pisco para ele. Ele me sorri gentilmente.
— Isso é uma mania minha. – Ele balança a cabeça. – Quinn sempre pensa o pior, em qualquer situação. Faz parte da aversão que sente por si mesma. Claro que o sadismo sexual existe, mas não é uma doença, é uma opção de vida. Se for praticado em um relacionamento consensual, seguro e saudável, entre dois adultos, então ele nem chega a ser uma questão. O meu entendimento é que Quinn tem conduzido todos os seus relacionamentos BDMS desse jeito. Você é a primeira amante dela que não consentiu, então ela não quer mais.
Amante!
— Mas na certa não é tão simples assim.
— Por que não? – O Dr. Evans dá de ombros, bem-humorado.
— Bem... as razões por que ela faz isso.
— Rach, esse é o ponto. Em termos de terapia de solução, é simples assim. Quinn quer ficar com você. Para conseguir isso, ela precisa renunciar aos aspectos mais extremos desse tipo de relacionamento. Afinal, o que você está pedindo é razoável... não é?
Fico vermelha. É... é razoável, não é?
— Acho que é. Mas tenho medo de que ela não ache.
— Quinn compreende isso, e tem agido de acordo. Ela não é louca. – Dr. Evans suspira. – Em poucas palavras, ela não é uma sádica, Rach. É uma jovem raivosa, assustada e brilhante, que teve que lidar com uma merda de mão no baralho quando nasceu. A gente pode ficar se lamentando por causa disso, e analisar o ‘’quem’’, o ‘’como’’, e o ‘’porquê’’ até a morte. Ou Quinn pode seguir em frente e decidir como quer viver a vida. Ela encontrou algo que funciona para ela por alguns anos, mais ou menos, mas desde que conheceu você, isso não funciona mais. E, como consequência, ela está mudando o seu modos operandi. Você e eu temos que respeitar a escolha dela e apoiá-la.
Eu o encaro, boquiaberta.
— E essa é a minha afirmação?
— É o melhor que posso fazer, Rach. Não existem garantias nesta vida. – Ele sorri. – E essa é a minha opinião profissional.
Sorrio, também, mas um sorriso sem convicção. Piadas de psicólogos... Deus do céu.
— Mas ela se vê como uma alcoólatra em recuperação.
— Quinn sempre vai pensar o pior de si mesma. Como eu disso, faz parte da autoaversão que ela tem. Está em sua composição, não importa o quê. Naturalmente, ela está ansiosa com essa mudança de vida. Está se expondo potencialmente a todo um universo de dor emocional, do qual, aliás, teve uma prévia quando você a deixou. É claro que está apreensivo – Dr. Evans faz uma pausa. – Não quero salientar o quão importante foi o seu papel nessa conversão damasquina. Seu caminho para o Damasco. Mas foi. Quinn não estaria onde está se não tivesse conhecido você. Pessoalmente, não acho que um alcoólatra seja uma boa analogia, mas se por enquanto ela funcionou para ela, então acho que devemos lhe dar o benefício da dúvida.
Dar a Quinn o benefício da dúvida. Franzo a testa diante desse pensamento.
— Emocionalmente, Quinn é uma adolescente, Rach. Ela pulou totalmente essa fase da vida. Canalizou todas as suas energias para o sucesso no mundo dos negócios, o que alcançou para além de todas as expectativas. E agora o seu mundo emocional tem que correr atrás do tempo perdido.
— E como posso ajudar?
Dr. Evans ri.
— E só continuar com o que você está fazendo. – Ele sorri para mim. – Quinn está completamente apaixonada. É muito agradável de se ver.
Eu coro, e minha deusa interior está abraçando a si mesma de tanta alegria, mas algo me incomoda.
— Posso perguntar mais uma coisa?
— Claro.
Respiro fundo.
— Parte de mim acha que se ela não fosse tão perturbada ela não iria.. ela não iria me querer.
Dr. Evans levanta a sobrancelhas para mim, espantado.
— Isso é algo muito negativo de se dizer sobre si mesma, Rach. E, fracamente, me diz mais a seu respeito do que a respeito de Quinn. Não é tão grave quanto a aversão que ela tem de si mesma, mas me surpreende.
— Bem, olhe para ela... e olhe para mim.
Dr. Evans franze o cenho.
— Já olhei. E o que eu vi foi duas mulheres atraente. Rachel, por que você não se vê como uma pessoa atraente?
Ah, não... Não quero transformar isso em algo sobre mim. Encaro os meus dedos. Ouço uma batida forte na porta que me faz pular. E Quinn está de volta na sala, olhando para nós dois. Fico vermelha e volto a olhar depressa para Evans, que está sorrindo benignamente para Quinn.
Pov Quinn
— Bem-vindo de volta, Quinn, — diz Evans sorrindo. Oh, cale a boca!
— Acho que o tempo acabou, Sam, — eu digo intencionalmente.
— Quase, Quinn. Junte-se a nós , — diz ele moderadamente.
Após as torturas dos últimos 28 minutos, não posso ficar a uma polegada de distância de Rachel. Eu tenho que ter contato físico com ela. Sento-me ao lado dela no sofá, com nossas pernas se tocando como se estivéssemos juntas pelos quadris, e eu coloco a minha mão sobre seu joelho para deixar Sam saber exatamente a quem ela pertence. Eu não posso me impedir. Mesmo que ele tenha uma esposa por quem ele está apaixonado, e ele seja o meu psiquiatra, tenho que marcar o meu território. Ela é minha mulher! Minha amante! Minha namorada! Depois de esperar estes horrendos 28 minutos, eu não me importo quem acha que sou possessiva, Sam ou qualquer outra pessoa! Acho que até Deus concordaria comigo no presente. Eu não sou a primeira mulher apaixonada! Mas eu amo Rachel com toda a minha paixão, toda a minha existência, toda a minha alma, com tudo o que eu sou, fodida ou não. O rei Salomão não viveu um dos maiores amores na história humana, e ele deixou marcado seu caminho na Bíblia com o seu amor? Por que o meu deve ser menos do que em proporções bíblicas?
Sam olha minha mão possessiva sobre a perna de Rachel. Sim, dê uma boa olhada! Ela é minha mulher!
— Você tem mais alguma questão, Rachel? — Ele pergunta, em tom preocupado. Por que ele está preocupado? O que ela perguntou? Oh, foda-se! Ela só balança a cabeça nervosamente.
— Quinn?
— Hoje não, Sam, — eu respondo, meu olhar sem deixar o rosto de Rachel. Ele apenas acena com a cabeça, concordando.
— Talvez fosse bom se vocês duas voltassem aqui. Tenho certeza de que Rach vai ter mais perguntas.
De quais perguntas ele está falando? Eu concordo sem entusiasmo. Sem pestanejar, e eu ainda estou olhando para Rachel, e ela cora com o comentário de Sam. Ela ainda está comigo? Ainda é minha amante, minha namorada?
— Você está bem? — Pergunto preocupada em voz baixa. Ela balança a cabeça e sorri para mim. Eu finalmente exalo um suspiro que eu não sabia que eu estava segurando. Sinto-me apenas uma fração melhor. Com esse pequeno alívio eu aperto sua mão em garantia. Mas ainda assim, eu quero sair daqui com ela e fazer um controle dos danos.
Eu me levanto, e coloco Rachel de pé.
Quando estamos saindo, finalmente lembro-me de verificar sobre Ashley. Em voz baixa, pergunto a Sam como ela está indo em seu progresso. Ele me diz que ela vai chegar lá.
— Mantenha-me informada de seu progresso, — eu digo, e ele me garante que ele vai.
Então eu viro para Rachel e pergunto:
— Então, vamos comemorar sua promoção? — Um pouco bruscamente. Ela entende o meu tom, e acena com a cabeça timidamente.
Eu mal posso sair do escritório de Sam, e assim que a porta se fecha atrás de nós, e estamos na rua, eu viro para ela e pergunto-lhe como foi.
— Foi bom, — diz ela enigmaticamente.
É isso? Bom? Minha suspeita está crescendo no meu interior, ansiosa e nervosa.
Inclinando a cabeça para um lado, ela diz:
— Por favor, não me olhe desse jeito, Srta. Fabray. Seguindo ordens médica, eu vou lhe oferecer o benefício da dúvida.
Huh?
— O que isso quer dizer? — Estou completamente surpresa com sua atitude leve.
— Você vai ver, — diz ela com um brilho nos olhos.
Sua resposta estranhamente me faz sorrir, mas eu controlo para diminuir o meu olhar escrutinador sobre ela, e abrindo a porta do passageiro de seu carro, eu finalmente ordeno-lhe:
— Entre no carro.
Mas antes que ela consiga entrar no carro, o seu Blackberry começa a tocar. Ela dá um olhar para o interlocutor, e seu rosto empalidece. Quem é?
— Alô, — ela responde com uma voz estridente. Atrevo-me a adivinhar quem é? Uma voz masculina cumprimenta-a, e o ciúme em mim, sobe muitos graus na escala. Eu olho para ela, desconfiada.
— É o Finn, — ela fala sem som para mim. Bastardo filho da puta! Com quantos indutores de stress eu posso lidar em um dia? Meu rosto esconde a minha apreensão, mas é difícil mantê-la fora dos meus olhos.
— Desculpe não ter ligado para você. É sobre amanhã? — ela pergunta a ele, mas seu olhar está sobre mim. O que ela está me perguntando?
Eu ouvi algo sobre as fotos que eu comprei. Esta deve ser a entrega em mão de cortesia por outro admirador dela! Eu vou pagar pelo transporte o triplo, se precisar, mas ele pode ficar onde ele está! Rachel limpa a garganta nervosamente. O que diabos ele está falando para ela?
— Bem, na verdade estou ficando na casa de Quinn esses dias,” diz ela, e virando e olhando para mim, ela acrescenta: — E se você quiser, ele diz que não tem problema você dormir lá. — O inferno que eu disse! Estou encurralada em um canto. Ou ele fica com a gente, ou minha namorada vai e fica com dois caras que estão ao mesmo tempo babando em cima dela! Será que eu posso ter uma pausa aqui?
Minha boca fica em uma linha esticada, e Rachel se encolhe. Em seguida, após o filho da puta lhe perguntar alguma coisa, ela vira as costas para mim e começa a caminhar para o outro lado da calçada.
— Está, — ela responde a uma pergunta que eu não podia ouvir.
Revirando os olhos, ela diz , — Sério — . Mil Dólares que eles estão falando de nós.
Ela está se mexendo onde ela está de pé.
— Sim, — ela responde novamente monossilábica. Tenho certeza de que é tudo sobre mim. O que ela não quer eu ouça? Por que o sigilo?
Ela exala e diz: — É claro que eu estou, — diz ela. Claro que ela está o que?
Ela escuta sua resmungação novamente. — Sim, você pode me pegar no trabalho. — Ótimo!
— Eu vou mandar por texto o endereço. — Ela escuta novamente. Eles estão organizando um tempo para se encontrar.
— Lá pelas seis da tarde?
Ela sorri de orelha a orelha no telefone. Eu não gosto dela respondendo a outro homem dessa maneira. Porque eu acho que um homem nunca deve dar a oportunidade a outro homem para fazer a sua mulher sorrir! Esse é o meu trabalho! Não daquele filho da puta!
— Ótimo. Vejo você amanhã , — e desliga a chamada.
Estou inclinado sentada sobre a Saab e meus braços estão cruzados sobre o peito.
— Como vai o seu amigo? — Pergunto indiferente.
— Ele está bem. Ele vai me buscar no trabalho amanhã, acho que a gente vai sair para beber alguma coisa. Quer vir conosco?
Estou tentando avaliar a situação. Será que ele vai ser uma ameaça para Rach? Se ele vai, então eu definitivamente vou estar lá. Se ela acha que ele não vai, eu vou tentar mostrar a ela que eu posso fazer concessões, e ela pode ver seu amigo, sem qualquer interrupção minha. Eu acho que posso lidar com isso.
— Você não acha que ele vai tentar alguma coisa? — Pergunto friamente tentando avaliar sua expressão.
— Não! Ela responde agitada. Isso é bom o suficiente para mim.
Eu levanto minhas mãos para concordar.
— Tudo bem. Você sai com seu amigo, e eu vejo você no final do dia.
Ela dá um passo para trás e olha para mim como perguntando 'quem é você e o que você fez com Quinn?’ Me fazendo sorrir.
— Viu? Eu posso ser razoável de vez em quando, — eu digo sorrindo.
Mas, claro, com Rachel, é sempre testando seus limites e tentando encontrar uma fenda fraca.
— Posso dirigir? — Ela pergunta entusiasmada. Bem, isso não demorou muito.
— Preferia que você não dirigisse, — eu respondo.
— Mas isso não é justo! Você não confia na minha condução? Você me deixou dirigir esta manhã, e você sempre deixa Puck levá-lo, — diz ela com petulância.
— É porque eu confio implicitamente na direção de Puck. — Parece que ela está pronta para uma luta com as mãos cerradas em seus quadris.
— Meu Deus, Quinn! Eu estou dirigindo desde que eu tinha 15 anos de idade. Sabe, sua mania de controle não conhece limites! — Eu dou de ombros, como se fosse algo que não me preocupa. Ela caminha até mim com raiva. Apontando para o carro, ela sibila.
— O carro não é meu? — Ela pergunta em voz exigente.
— É claro que é seu.
— Então, por favor, me dê as chaves. Eu só conduzi este veículo duas vezes, de casa para o trabalho e do trabalho para casa. E agora você que vai ficar coma a diversão — Diz ela fazendo beicinho. Jesus! Ela é tão excitante quando ela está com raiva de mim! Tão viva! Tão apaixonada! Eu tento suprimir meu sorriso.
— Mas você nem sabe aonde a gente vai, — eu digo tentando atrapalhar seu plano.
— Bem, Srta. Fabray, — diz ela suavizando seu tom de voz, e transformando-o em uma voz lasciva. — Eu tenho certeza que você pode me ensinar o caminho. Você tem se saído uma professora e tanto, — diz ela, enquanto ela corre os dedos acariciando o capô do carro enquanto ela está se aproximando de mim.
Quando ela aprendeu a seduzir-me assim? Ela me atordoa em silêncio, e minha libido apenas subiu para 'tenho que tê-la agora ,” e eu só posso sorrir para ela em resposta.
— Professora e tanto, é? — Pergunto, querendo que ela repita seu reconhecimento.
Ela cora.
— É, na maior parte do tempo, — ela responde.
— Bem, então, Srta. Berry, nesse caso, você pode nos levar, — eu digo entregando-lhe as chaves e dando a volta e abrindo a porta do motorista para ela.
*****
"Coloque-me como um selo sobre o seu coração; como um selo sobre o seu braço; pois o amor é tão forte quanto a morte, e o ciúme é tão inflexível quanto a sepultura. Suas brasas são fogo ardente, são labaredas do Senhor. Nem muitas águas conseguem apagar o amor; os rios não conseguem levá-lo na correnteza.” *
* Cantares de Salomão (8:67)
Pov Rachel
— Vire à esquerda – ordena Quinn, e seguimos para o norte, na direção da Interestadual 5. – Cuidado, Rach! – Ela se agarra ao painel.
Ah, pelo amor de Deus. Reviro os olhos, mas não me viro para olhar pra ela. Van Morrison canta ao fundo pelos alto-falantes do carro.
— Devagar, Rachel! -
— Estou diminuindo!
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Quinn suspira.
— O que o Sam disse? — Posso ouvir a ansiedade infiltrando-se em sua voz.
— Já lhe falei, Quinn. Ele disse que eu deveria lhe conceder o benefício da dúvida, — Droga, talvez eu devesse ter deixado Quinn dirigir. Aí eu poderia observá-la.
Aliás... Dou seta para indicar que vou encostar o carro.
— O que você está fazendo? — pergunta ela, assustada.
— Deixando você dirigir.
— Por quê?
— Para poder olhar para você.
Ela ri.
— Não, não, Srta. Berry. Você queria dirigir. Então, agora você dirige, e eu olho para você.
Faço cara feia para ela.
— Mantenha os olhos na estrada! — grita ela.
Meu sangue ferve. Já chega! Encosto junto à calçada pouco antes de um sinal de trânsito, pulo para fora do carro batendo a porta com força e fico de pé na calçada, de braços cruzados. Encarando-a. Ela sai do carro.
— O que você está fazendo Rachel? – pergunta com raiva, olhando para mim.
— Não. O que você está fazendo?
— Você não pode parar aqui.
— Sei disso.
— Então por que parou aqui?
— Porque cansei de você latindo dando ordens no meu ouvido. Ou você dirige ou cala a boca sobre como eu dirijo!
— Rachel, volte para o carro antes que a gente tome uma multa!
— Não.
Ela pisca para mim, completamente desnorteada. Em seguida, corre as mãos pelo cabelo, e sua raiva se transforma em perplexidade. Ela parece tão cômica de repente, e não consigo evitar sorrir para ela. Ela franze a testa.
— O que foi? – atira mais uma vez.
— Você.
— Ah, Rachel! Você é a mulher mais frustrante do mundo. – Ela ergue as mãos para o céu. – Tudo bem, eu dirijo.
Agarro a bainha do casaco dela e a puxo para junto de mim.
— Não. Srta. Fabray.... você é a mulher mais frustrante do mundo.
Ela me encara, os olhos sombrios e intensos, em seguida passa os braços ao redor de minha cintura e me abraça, segurando-me apertado.
— Então talvez a gente tenha sido feita uma para outra – diz em voz baixa e inspira profundamente, seu nariz em meu cabelo.
Passo meus braços ao redor dela e fecho os olhos. Pela primeira vez desde hoje de manhã, sinto-me relaxar.
— Ah, Rach, Rach, Rach – ofega ela, seus lábios pressionados contra meu cabelo.
Aperto meus braços ao seu redor, e ficamos ali, imóveis, aproveitando um momento de tranquilidade inesperada, no meio da rua. Ela me solta e abre a porta do carona. Entro no carro de novo em silêncio, observando-a dar a volta até a porta do motorista.
Quinn liga o carro de novo e entra no tráfego, cantarolando distraída junto a Van Morrison.
Moondance — Van Morrison
Well, it's a marvelous night for a moondance With the stars up above in your eyes A fantabulous night to make romance Neath the cover of October skies And all the leaves on the trees are falling To the sound of the breezes that blow And I'm trying to please to the calling Of your heart-strings that play soft and low. And all the nights magic seems to whisper and hush And all the soft moonlight seems to shine in your blush Can I just have one a more moondance with you, my love Can I just make some more romance with a-you, my love. Well, I wanna make love to you tonight I can't wait 'til the morning has come And I know that the time is just right And straight into my arms you will run And when you come my heart will be waiting To make sure that you're never alone There and then all my dreams will come true, dear There and then I will make you my own And every time I touch you, you just tremble inside And I know how much you want me that you can't hide. Well, it's a marvelous night for a moondance With the stars up above in your eyes A fantabulous night to make romance Neath the cover of October skies And all the leaves on the trees are falling To the sound of the breezes that blow And I'm trying to please to the calling Of your heart-strings that play soft and low And all the nights magic seems to whisper and hush And all the soft moonlight seems to shine in your blush One more moondance with you in the moonlight On a magic night La, la, la, la in the moonlight On a magic night Can't I just have one more dance with you my love
Dança Ao Luar
Bem, está uma noite maravilhosa para uma dança ao luar
Com as estrelas acima dos seus olhos
Uma noite fantabulosa para se fazer romance
Abaixo da coberta dos céus de Outubro
E todas as folhas nas árvores estão caindo
Sob o som das brisas que sopram
E eu estou tentando agradar ao chamado
Das fibras do seu coração que tocam com maciez e lentamente
E toda a magia da noite parece sussurrar e silenciar
E toda a suave luz da lua parece brilhar no seu rosto corado
Posso ter apenas mais uma dança ao luar com você, meu amor?
Posso fazer um pouco mais de romance com você, meu amor?
Bem, eu quero fazer amor com você esta noite,
Eu não posso esperar pela manhã que chegará
E eu sei que a hora é certa
E direto para meus braços você correrá
E quando você vier meu coração estará esperando
Para ter certeza de que você jamais estará sozinha
Ali e depois, todos os meus sonhos se tornarão realidade, querida.
Ali e depois eu te tornarei minha
E cada vez que te toco, você treme por dentro
E eu sei o quanto você me quer, você não consegue esconder.
Posso ter apenas mais uma dança ao luar com você, meu amor?
Posso fazer um pouco mais de romance com você, meu amor?
Bem, eu quero fazer amor com você esta noite.
Eu não posso esperar pela manhã que chegará
E eu sei que a hora é certa
E direto para meus braços você correrá
E quando você vier meu coração estará esperando
Para ter certeza de que você jamais estará sozinha
Ali e depois todos os meus sonhos se tornarão realidade, querida.
Ali e depois eu te tornarei minha
E cada vez que te toco, você treme por dentro
E eu sei o quanto você me quer, você não consegue esconder.
Posso ter apenas mais uma dança ao luar com você, meu amor?
Posso fazer um pouco mais de romance com você, meu amor?
Posso ter apenas mais uma dança ao luar com você, meu amor?
Posso fazer um pouco mais de romance com você, meu amor?
Uau. Nunca a ouvi cantar antes, nem no chuveiro. Nunca. Franzo a testa. Ela tem uma bela voz... é claro. Hum... será que ela já me ouviu cantar?
Ela não teria pedido em você em casamento se tivesse! De casaco xadrez, meu inconsciente me encara, os braços cruzados. A música acaba, e Quinn sorri.
— Você sabe, se a gente tivesse levado uma multa, o carro está em seu nome...
— Bom, ainda bem que acabei de ser promovida. Eu ia poder pagar – digo, presunçosa, fitando o seu lindo perfil.
Ela contrai os lábios. Outra música do Van Morrison começa a tocar assim que ela pega a rampa de acesso à Interestadual 5, no sentindo norte.
Days Like This — Van Morrison
— Aonde estamos indo?
— É surpresa. O que mais o Sam disse?
Suspiro.
— Ele falou sobre BBTVS.
— TBVS, Terapia Breve Voltada para a Solução. A opção mais moderna em terapia – resmunga.
— Você já tentou outras?
Quinn ri com desdém.
— Baby, já fui submetido a todo tipo de terapia. Cognitivismo, Freud, funcionalismo, Gestalt, Behaviorismo... Pode chutar o que você quiser que eu já fiz – explica, e seu tom evidencia sua amargura. O rancor em sua voz é angustiante.
— Você acha que essa abordagem mais moderna vai ajudar?
— O que o Sam disse?
— Ele me disse para não perder tempo pensando sobre o seu passado. Para me concentrar no futuro, no lugar em que você quer estar.
Quinn concorda com a cabeça, mas encolhe os ombros ao mesmo tempo, com a expressão cautelosa.
— O que mais? – persiste.
— Ele falou sobre o seu medo de ser tocada, embora tenha chamado de outra coisa. E sobre os seus pesadelos e a aversão que você tem de si mesma. – Olho para ela e, na luz do fim de tarde, está pensativa, roendo a unha do polegar enquanto dirige.
Ela me olha em seco.
— Olhos na estrada, Srta. Fabray – advirto, uma das sobrancelhas erguida.
Ela parece divertida e exasperada ao mesmo tempo.
— Vocês ficaram conversando durante séculos, Rachel. O que mais ele disse?
Engulo em seco.
— Ele não acha que você seja uma sádica – sussurro.
— Sério? – pergunta Quinn em voz baixa e franze a testa. A atmosfera no carro despenca.
— Ele diz que esse termo não é reconhecido pela psiquiatria. Desde os anos noventa – murmuro, tentando depressa resgatar o clima entre nós.
O rosto de Quinn se fecha, e ela exala lentamente.
— Sam e eu temos opiniões diferentes sobre isso – diz, calmamente.
— Ele disse que você sempre pensa o pior de si mesma. Eu sei que é verdade – murmuro. – Ele também mencionou sadismo sexual, mas disse que é um estilo de vida, uma escolha, não uma condição psiquiátrica. Talvez seja isso que você queira dizer.
Seus olhos me fitam de novo, sua boca se fecha numa expressão emburrada.
— Então basta uma conversa com um médico e você virou especialista – diz, acidamente, voltando os olhos para estrada.
Ai, Deus... Suspiro.
— Olhe, se você não quer ouvir o que ele falou, não me pergunte – resmungo baixinho.
Não quero discutir. De qualquer forma, ela tem razão, o que é que eu sei dessa merda toda? E será que eu quero mesmo saber? Posso listar os pontos-chave: a mania de controle, a possessividade, o ciúme, a superproteção. E entendo perfeitamente de onde vem tudo isso. Posso até entender por que ela não gosta de ser tocada, vi as cicatrizes físicas. Só imagino as cicatrizes mentais. E já tive uma amostra de seus pesadelos. E p Dr. Evans disse que...
— Quero saber o que foi discutido. – Quinn interrompe meus pensamentos ao pegar a saída 172 da Interestadual 5, seguindo para oeste, em direção ao sol poente.
— Ele me chamou de sua amante.
— Ah, foi, é? – Seu tom é conciliador. – Bem, ele é mais que meticuloso em seus termos. Acho que é uma discrição precisa. Você não concorda?
— Você pensa em suas submissas como amentes?
Quinn franze a testa de novo, mas, dessa vez, está pensando. Ela faz uma curva com a o Saab, seguindo novamente na direção norte. Aonde estamos indo?
— Não. Elas eram parceiras sexuais – murmura, a voz cautelosa de novo. – Você é minha única amante. E quero que seja mais.
Hum... a palavra mágica de novo, repleta de possibilidades. Ela me faz sorrir, e, lá no fundo, eu me abraço, tentando conter a alegria.
— Eu sei – sussurro, esforçando-me para esconder a emoção. – Só preciso de um tempo, Quinn. Para minha cabeça se acostumar com tudo o que aconteceu nos últimos dias.
Ela me olha de um jeito estranho, perplexa, a cabeça deitada de lado.
Depois de alguns, o sinal de trânsito em que estamos paradas fica verde. Ela faz que sim com a cabeça e aumenta o som. Nossa discussão acabou.
Van Morrison ainda está cantando – mais otimista agora – sobre uma ótima noite para dançar à luz da lua. Olhei para janela para os pinheiros lá fora. Polvilhados de dourados pela luz do sol que se põe, suas longas sombras se estendendo ao longo da estrada. Quinn entrou numa rua residencial, e estamos indo para o oeste, na direção do estuário.
— Aonde estamos indo? – pergunto de novo assim que fazemos uma curva. Vejo uma placa que diz Nova Avenida NE. Estou perdidinha.
— Surpresa – diz ela, e sorri misteriosamente.
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