My Dark Word
17 16 - Shadow Days
Notas iniciais
POV QUINN
Seus olhos olham para mim chocados e perplexos. Ela está em pé acima de mim enquanto eu me submeto a ela a seus pés. Eu olho para ela com um olhar firme. Ordene-me, Ama. Peça-me para te amar... Peça-me para servi-la... Peça-me para tocá-la... Só não me deixe sem você.
Faça o que quiser comigo! Eu não sou nada, apenas sua escrava a seus pés. Será que ela não me quer, mesmo quando eu estou pronta para servi-la? Ordene-me e eu vou largar tudo. Tome conta de mim, controle-me, tenha-me, faça o que quiser comigo... contanto que você esteja comigo. Faça-o comigo, faça-o para mim.
Rachel balança a cabeça enquanto ela inala bruscamente. Ela está chocada.
— Quinn... Quinn, por favor, não faça isso. Eu não quero isso, — ela sussurra. Eu observo minha Ama passivamente, imóvel, sem dizer uma palavra. Eu não recebi permissão para falar. Sua voz falhando.
— Por que você está fazendo isso? Fale comigo, — ela pede em um sussurro. Estou em silêncio. O silêncio é bom, é o que é exigido de uma escrava.
Oh, ela está me fazendo uma pergunta. Eu pisco uma vez. Ela está me ordenando.
— O que você quer que eu fale? — Pergunto baixinho para minha Ama. Minha voz é aveludada, mas sem emoção, e insípida, como uma submissa, uma escrava deve falar.
O rosto de Rachel muda para um de angústia e lágrimas começam a escorrer de seus olhos correndo em riachos preguiçosos por suas bochechas. Porque é que a minha Ama está tão angustiada? Eu não recebi permissão para confortá-la. Estou no meu modo escravo. Eu não posso pronunciar uma palavra sem a sua permissão. Eu não posso levantar minha mão para enxugar essas lágrimas. Eu não tenho nenhum direito. O rosto de minha Ama se modifica para um de tristeza e miséria. O que está perturbando ela? O meu olhar está sobre ela passivamente. Eu vejo um arrepio percorrer seu corpo. Ela engole em seco, como se o que ela está tentando engolir é difícil de passar, sufocando-a. Seu olhar está bloqueado em mim embora seus olhos transmitam algo de tristeza, preocupação. Certamente não por mim, não para uma escrava indigna...
POV RACHEL
As lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto, e de repente é demais vê-la naquela mesmo posição, prostrada como uma criatura patética que foi Ashley. A imagem de uma mulher poderosa que, na verdade, ainda é só uma garota, uma garota que foi terrivelmente abusada e negligenciada, que não se sente merecedora do amor de sua família perfeita e sua muito menos do que perfeita namorada... minha menina perdida... é de partir o coração.
Compaixão, perda e desalento, todas essas sensações me invadem, e sou tomada por um desespero paralisante. Vou ter que lutar para trazê-la de volta, para trazer a minha Cinquenta Tons de volta.
A ideia de dominar alguém é aterrorizante. A ideia de dominar Quinn me dá náuseas. Isso me igualaria a ela... à mulher que fez isso com minha Quinn.
Estremeço com o pensamento, e luto contra a bile em minha garganta. Não posso fazer isso, de jeito nenhum. Não quero fazer isso.
À medida que meus pensamentos se iluminam, vejo uma única saída. Sem desviar os olhos, eu me ajoelho diante dela.
O piso de madeira sob minhas canelas é duro, e eu limpo as lágrimas com as costas da mão.
Desse jeito, somos iguais. Estamos no mesmo nível. É a única maneira de trazê-la de volta.
Seus olhos arregalam quase imperceptivelmente enquanto eu a encaro, mas, fora isso, sua expressão e sua postura permanece as mesmas.
— Quinn, você não tem que fazer isso – imploro. – Eu não vou embora. Já falei milhões de vezes, eu não vou embora. Tudo aconteceu... é esmagador. Eu só preciso de um pouco de tempo pra pensar... um pouco de tempo para mim mesma. Por que você sempre o pior? – Meu coração se aperta mais uma vez, porque eu sei: é por ela ter tantas dúvidas e tanta raiva de si mesma.
As palavras de Theron voltam para me perseguir. ‘’ Ela sabe o quão negativa você é a respeito de si mesma? Sobre os seus problemas?’’
Ah, Quinn. O medo envolve meu coração mais uma vez e eu começo a tagarelar.
— Eu ia sugerir voltar para o meu apartamento esta noite. Você nunca me dá um tempo... um tempo para pensar nas coisas – soluço, e vejo seu cenho esboçar um leve franzido. – Só um tempo para pensar. A gente mal se conhece, e toda essa bagagem que vem com você... Eu preciso... Eu preciso de tempo para pensar em tudo isso. E agora a Ashley está... bem, de qualquer forma... já não esta mais solta por ai, não é mais uma ameaça... Eu pensei... Eu pensei... – minha voz desaparece e eu olho para ela.
Ela está me olhando com atenção, e acho que está me ouvindo.
— Ver você com Ashley... – Fecho os olhos e a memória dolorosa de sua interação com a ex-submissa me corrói mais uma vez. – Foi um choque tão grande. Eu tive um vislumbre de como era a sua vida... e... – Encaro meus dedos entrelaçados, as lágrimas ainda escorrendo pelo rosto. – Isso tem a ver com eu não ser boa o suficiente para você. Foi uma amostra da sua vida, e eu estou com muito medo de que você acabe se cansando de mim, e aí eu vou... eu vou terminar feito a Ashley... uma sombra. Porque eu amo você, Quinn, e se você me deixar, o mundo vai ser um lugar sem luz. Eu vou estar na escuridão. Não quero ir embora. Estou só morrendo de medo que você de deixe...
Enquanto digo essas palavras – na esperança de que ela as esteja ouvindo – me dou conta de qual é o meu verdadeiro problema. Eu simplesmente não entendo porque ela gosta de mim. Eu nunca entendi por que ela gosta de mim.
— Eu não entendo por que você me acha atraente – murmuro. – Você, é bem, você é você... e eu... – Dou de ombros e olho para ela. – Eu não entendo. Você é linda, sexy, bem-sucedida, boa, gentil, carinhosa... tudo isso... e eu não. E eu não consigo fazer coisas que você gosta de fazer. Não consigo dar a você o que você precisa. Como você poderia ser feliz comigo? Como eu poderia segurá-la? – minha voz é um sussurro à medida que expresso meus medos mais sombrios. – Nunca entendi o que você viu em mim. E ver você com Ashley, aquilo trouxe tudo à tona de novo. – Dou uma fungada e limpo o nariz com as costas da mão, encarando sua expressão impassível.
Ah, ela é tão exasperadora. Fale comigo, merda!
— Você vai ficar aqui de joelhos a noite toda? Porque também posso fazer isso – explodo.
Acho que sua expressão se suaviza – ela parece estar achando graça. Mas é tão difícil dizer.
Eu poderia esticar a mão e tocá-la, mas isso seria um abuso enorme da posição na qual ela me colocou. Não é o que eu quero, mas não sei o que ela quer, ou o que ela está tentando me dizer. Simplesmente não entendo.
— Quinn, por favor, por favor... fale comigo – suplico, apertando as mãos no meu colo. A posição é desconfortável, mas continuo de joelhos, encarando seus lindos olhos. E espero.
E espero.
E espero.
— Por favor – imploro mais uma vez.
Seu olhos intenso escurece de repente, e ela pisca.
POV QUINN
Meu olhar escurece e finalmente eu consigo sair do modo submissa que eu pensei que nunca mais iria entrar, nunca novamente. Quero fechar a distância entre nós, e apenas alcançá-la, o meu coração e alma estão prontos para correr para ela.
— Eu estava com tanto medo, — é tudo que eu posso sussurrar. Apavorada até o âmago, como eu nunca antes estive. O sentimento de perda é angustiante. Rachel engole em seco com alívio e seus olhos nadam em lágrimas nascendo. Eu mantenho o meu olhar sobre ela, sem pestanejar, e com uma voz suave e baixa, continuo.
— Quando eu vi Blaine chegar do lado de fora, a horrível compreensão me ocorreu. Alguém tinha deixado você entrar em seu apartamento e não tinha sido ele. Tanto Puck quanto eu pulamos para fora do carro muito rápido. A gente sabia, e vê-la daquele jeito com você... e armada. Acho que morri um milhão de vezes, Rach. Alguém ameaçando você... — Eu engasgo com minhas palavras, e fecho meus olhos bem fechados. Eu só posso sussurrar o resto dos meus pensamentos. – Todos os meus piores medos concretizados. Eu estava com tanta raiva, dela, de você, de Puck, de mim mesma. Eu acho que eu estava com raiva do mundo inteiro.
É difícil falar em palavras a agonia consumindo meu coração, o fogo do inferno queimando dentro de mim.
— Eu não sabia o quão volátil Ashley estaria. Eu não sabia o que fazer. Eu me senti impotente! Eu digo olhando em seus olhos atormentados, querendo que ela me entenda. — Eu não sabia ela iria como reagir, Rach. Eu estava com medo por você. — Eu paro para organizar meus pensamentos, aliviar meu coração batendo fortemente. Eu olho para o rosto dela analisando, tentando ver se eu estou chegando até ela.
Ela balança a cabeça compreendendo e me sinaliza para continuar. Ela quer me ouvir. Sinto alívio.
Eu engulo e continuo.
— Eu estava perturbada com o resultado de ver Ashley nesse estado mental e físico, e sabendo que eu poderia ter algo a ver com o seu colapso mental... — Eu não posso continuar. Meu estado de totalmente fodido vem à superfície como uma mancha de óleo no oceano. Eu esfrego meu rosto com as duas mãos. Eu sei que devo ter contribuído para o seu estado de alguma forma. O pensamento é agonizante. — Você tem que entender Rach, ela sempre foi muito brincalhona e animada, — eu digo. Eu a destruí, eu suponho. O pensamento é insuportável e a minha consciência está pesando forte em mim. Sinto-me responsável, e é torturante. Eu tomo uma respiração rouca, empurrando para baixo os soluços. Eu me sinto montada na culpa. O que eu poderia ter feito de errado para Ashley no passado, poderia ter matado Rachel. Eu teria morrido! Eu seria uma morta viva! Eu olho para seus olhos com dor.
— Ela poderia ter machucado você. E teria sido inteiramente minha culpa. — Meus pecados e meu karma estão se aproximando de mim, e eu tive que fazer isso direito; corrigi-lo. Eu não poderia ter deixado Ashley destruida. O horror de que ela tinha uma arma em um estado mental delirante, tentando se vingar de mim através de Rachel, era horrível. Eu acho que é por isso que a multidão vai atrás de um de seus entes queridos. Matar você não causaria tortura contínua. Que sofrimento de Prometeu eu teria vivido se ela tivesse feito isso? (N.T. Prometeu foi um defensor da humanidade, conhecido por sua astuta inteligência, responsável por roubar o fogo de Zeus e dá-lo aos mortais. Zeus tê-lo-ia punido pelo crime, deixando-o amarrado a uma rocha durante toda a eternidade, enquanto uma grande águia comia, durante o dia, o seu fígado — que crescia novamente no dia seguinte).
— Mas não machucou, — sussurra Rachel. – E você não era responsável por ela estar nesse estado mental ou físico, Quinn — diz ela com fervor. Ela gesticula para eu continuar, mas ainda com alguma tristeza atada atrás de seus olhos. Seu olhar está nublado com uma preocupação que eu não quero com ela, ou eu não quero que ela possa ter, eventualmente, no futuro. Como eu poderia não querer ou desejar minha própria alma, meu próprio coração? Eu preciso dela mais do que da minha próxima respiração! Como ela poderia pensar isso? Ela ainda está preocupada com o fato de que eu tentei tirá-la de seu apartamento. Será que ela não entende que Ashley estava instável e eu precisava estabilizá-la?
— Eu só queria que você saísse, Rach. Eu queria você longe do perigo, e você... Você. Simplesmente. Não. Ia. Embora. — Eu sibilo. Eu estava com medo de que o perigo ainda estivesse presente, e a presença de Rachel estava tornando difícil para mim focar-me. Ela me exaspera o tempo todo. Eu balanço minha cabeça. Eu a amo muito, me mata que ela não entenda este simples fato — tudo que eu faço, eu faço por ela!
Eu olho em seus olhos atentamente, desejando que ela entenda e sinta o meu amor.
— Rachel Berry, você é a mulher mais teimosa que eu já conheci, — eu digo enquanto eu fecho meus olhos e o fato de que ela pode me enlouquecer com um olhar, uma palavra, ela pode me colocar em lençóis quentes e excitada com uma mordida de lábio e me exasperar com um único olhar tornando-me insanamente apaixonada por ela... Ela é enlouquecedora, ela é irritante, ela é minha panacéia, e ela é minha vida. Ela é tudo para mim! Perdê-la seria perder tudo... Eu finalmente abro os olhos e olho para ela com um olhar desesperado.
— Você vai me deixar? — Eu pergunto.
— Não, — ela grita com firmeza, me repreendendo.
Quando eu fecho meus olhos, novamente, é com alívio neste momento, deixando-o passar por cima de todo o meu ser, me relaxando pela primeira vez durante o pior dia da minha vida. Mas o pensamento e a dor que vêm junto com o sentir-se indigno mostram sua intrusa cabeça feia me dando angústia total.
— Eu realmente achei..., — eu digo parando, — Eu pensei que você ia embora.. — Eu não posso fazer-me completar esta frase. — Olhe para mim, Rach! O que você vê aqui sou eu... Tudo de mim. Embora seja fodida, eu sou toda sua. O que eu tenho que fazer para você perceber isso? — Eu pergunto... — Eu sou TODA SUA. — Reitero perfurante em seus olhos. — O que eu posso fazer para fazer você perceber e ver isto? Eu quero você e só você... de qualquer maneira possível que eu possa tê-la... — Eu digo ardentemente. — Eu te amo, — eu sussurro, com todo o meu coração e desejo.
— Eu também te amo, Quinn!- Ela responde imediatamente. — Mas, ao vê-la assim é ... — diz ela parando e engasgando com suas palavras enquanto as lágrimas começam a correr novamente. Seus lábios tremem com tristeza, com o rosto desolado, e ela parece que ela está se contorcendo em agonia. — Eu achei que eu tinha estragado você, — ela soluça com o rosto entre as mãos.
Eu a alcanço imediatamente, e tiro suas mãos do seu rosto mantendo-as nas minhas.
— Baby, não! Você não tinha me destruído, Rach! É exatamente o oposto. Porque, você é minha tábua da salvação,- eu sussurro enquanto eu beijo suas juntas e palmas das mãos.
Eu a quero para me ter... Sentir-me ... Tudo de mim. Eu lentamente puxo a mão direita, e coloco-a no meu peito, no meu coração para deixá-la sentir como ele está batendo por ela.
Batendo fora do meu peito freneticamente! O meu olhar está fixo no dela, minha mandíbula está cerrada, tensa e apertada. Eu quero que ela me toque. Tudo em mim. Nenhuma zona é proibida para ela. Ela vai ter tudo de mim! Seu rosto muda, e seus olhos estão cheios de amor, admiração; sua respiração acelera enquanto o peito sobe e desce em rápida sucessão. O ritmo do coração dela está combinando com o meu pulso acelerado.
Eu quero que ela faça isso livremente. Sem a coerção das minhas mãos. Eu libero sua mão da minha, e deixo sua mão sentir meu coração batendo freneticamente para ela com amor e emoção. Rachel flexiona os dedos sentindo meu peito sob o fino tecido da minha camisa. Eu estou segurando minha respiração, tentando me acostumar com a sensação de toque no meu peito. Tentando superar o medo, e enterrar a apreensão de uma vez por todas. Rachel sentindo minha tensão levanta um pouco a palma da sua mão, para retirá-la do meu peito.
— Não! — Eu digo com medo. — Não, não tire... — Eu digo rapidamente cobrindo sua mão com a minha e pressionando-a sobre o meu coração. — Não... Pertence a você, — eu digo simplesmente. Se alguém pertence todo o meu corpo, é Rachel. É dela para ter e manter de qualquer maneira que ela deseje. Ela olha para mim, e se aproxima mais do meu corpo e os joelhos estão se tocando. Ela levanta a outra mão, olhando nos meus olhos, tornando clara sua intenção. Ela quer me tocar com as duas mãos no meu peito nu. A ansiedade cresce e meus olhos se arregalam. Eu não tenho sido tocado assim em um tempo muito, muito longo. Mas agora, não há nada no mundo que eu queira mais do que Rachel me tocar! Eu anseio pela conexão com ela. Eu quero que ela tenha tudo de mim, me possua, e me complete.
Os dedos de Rachel começam a desfazer os botões da minha camisa com a mão esquerda. Ela está tendo dificuldade em fazê-lo com apenas uma mão. O fantasma de um sorriso chega até os meus lábios. Ela flexiona a mão direita deixando-me saber que ela quer usar as duas mãos. Eu removo a mão de cima da dela e ela começa a desabotoar os botões, um por um, enquanto seu olhar está bloqueado com o meu, a nossa conexão está estabelecida. Deus! Não há outra coisa ou pessoa que eu ame mais do que essa mulher!
Ela desabotoa todos os botões, finalmente, liberando o peito e meus seios nus para seu toque. Eu engulo em seco, minha respiração aumenta para acomodar meu pulso subindo, meus lábios se partem e os meus olhos se arregalam. É isso aí! Ela olha para mim, pedindo permissão, tentando decifrar o que eu quero. Eu preciso disso! Eu quero essa conexão. Ela estende as mãos, ainda não me tocando. Ainda tentando me entender, entender se eu vou autorizar a ela de bom grado. Seu olhar está buscando, questionando, comunicando sem palavras. Suas mãos apenas pairam bem por cima do meu peito, acima do que costumava ser a zona proibida. Eu inclino minha cabeça para o lado, reforçando-me, antecipando seu toque. Meu corpo está tenso, e a tensão se irradia através dos meus poros, forte e palpável. O medo está tentando me consumir. O medo das torturas do passado, o medo do que pode vir à tona, o medo da impotência. Mas, eu não posso associar esses medos com Rachel. Ela é o milagre para me salvar desses medos!
Rachel não toca. Suas mãos ficam pairando, hesitantes, cuidando para não fazer contato.
— Sim, — eu dou permissão para ela em um suspiro. Toque-me, Rach!
As pontas dos dedos se estendem um pouco para escovar meu peito, ainda não fazendo contato com a pele. Tão sutil, tão gentil. Seus dedos escovam, começando no topo do meu seio e descendo. Eu fecho meus olhos, com agonia e prazer colidindo. Pela primeira vez, o meu futuro vai vencer meu fodido passado. Meu rosto está contraído com a contínua batalha travada dentro de mim. Matando a memória dolorosa do cafetão. Rachel está matando seu ódio e abuso e animosidade, com o seu amor. A batalha é dolorosa. Estou mais uma vez presa entre meu passado doloroso e meu futuro amoroso. Meu futuro tem de ganhar! A compreensão disto enche meus olhos com imenso amor, sombria luxúria. Esta é uma batalha violenta da alma!
Depois de ver essa batalha travada em mim, Rachel remove os dedos do meu peito, levantando-os, fazendo-me sentir abandonada. Eu pego a mão dela, e coloco-a firmemente no meu seio nu. Ela tem que fazê-lo! Ela é a única que pode destruir essa porra de maldição que atou minha vida inteira.
— Não, — eu comando a ela, minha voz ainda tensa com a feroz luta interna. — Eu preciso disso.
Seus dedos estão me tocando de novo, e meus olhos estão bem fechados, com bastante força, nem mesmo a luz passa através de minhas pálpebras. Os dedos de Rachel viajam no meu peito lentamente, aprendendo os contornos, sentindo minha zona proibida, pela primeira vez, familiarizando-se com o meu corpo. Seu toque é mágico. Abro os olhos lentamente para olhar para os dela. Meus olhos estão brilhando com calor. O medo está tentando ressurgir, mas o amor que sinto por ela, o amor que ela está exalando para mim são esmagadores. Minha boca relaxa finalmente. Estou ofegante com esta luta esmagadora. O fantasma do meu passado lutando contra a dor, e o amor de Rachel com prazer. A dor final e a zona de prazer.
A postura de Rachel muda, ela se inclina sobre os joelhos e sustenta meu olhar; ela quer me beijar... no meu peito. Eu não me movo. Eu permito que ela me beije. Ela finalmente se inclina e suave como o toque de uma borboleta, ela dá um beijo sobre meu coração. Seus lábios macios, suavizam ainda mais como resultado de suas lágrimas em cima de meu peito. A sensação que eu recebo da suavidade dos toques é a mais imensa que eu já senti. A dor e o prazer registrando-se em meus nervos estão fora do mapa! Um gemido estrangulado escapa de meus lábios, e ela o confunde com apenas dor e senta-se de imediato. Não!
— De novo, — eu sussurro, com meus olhos ainda bem fechados. Ela se inclina sobre meu peito novamente, e beija uma das cicatrizes, cortesia do cafetão apagando a ponta do cigarro. Eu gemo alto, e de repente eu sinto este enorme fluxo de amor para com Rachel, como eu nunca senti antes. Antes de eu ver, meus braços a abraçam, e minha mão direita viaja para seus cabelos, puxando sua cabeça para cima para encontrar meus lábios com força, e ardentemente.
Meus lábios e minha boca estão insistentes, exigentes, desejosos, vorazes, e com fome dela. Faminta por seu carinho, por seu amor. Ela retribui ao meu beijo exigente com uma ferocidade e fome dela própria. Suas mãos encontram o seu caminho para o meu cabelo, atando, puxando, e tentando nos fundir uma a outra. Estamos nos beijando como se este fosse o último dia na terra, como se não houvesse amanhã; o nosso amor é vinculativo, consumidor, ardente, e estranhamente curativo.
Eu puxo ar sem fôlego, e administro para girar e puxar Rachel, minha mulher, minha vida no chão, debaixo de mim.
— Oh, Rach, — eu respiro, e seu rosto não tem nada além de amor e desejo por mim. As mãos dela chegam até o meu rosto cobrindo-o, enquanto seus polegares lentamente o acariciam. Eu me sinto oprimida com amor, oprimida com querer, oprimida que ela me quer apesar do fato de que eu sou completamente fodida — emoções sobem e explodem, e as lágrimas começam a rolar dos meus olhos. Finalmente o temor está sendo lavado para fora do meu sistema com o seu amor, por seu amor.
— Quinn, por favor, não chore, — ela implora para mim. – Eu estava falando sério quando disse que nunca vou deixar você. Mesmo. Sinto muito se transmiti alguma outra impressão.. Por favor, por favor, me perdoe. Eu amo você. E sempre vou amar. — diz ela com fervor.
Sua declaração queima meu coração de dor. Meu rosto fica com uma angustiada expressão triste. Ela ainda não sabe o segredo mais escuro do meu coração. Eu sou ruim... Eu estou muito muito muito ruim!
— O que foi? — Ela pergunta. Eu engulo. A dor de esconder um segredo obscuro de Rachel é insuportável.
— Quinn, que segredo é esse que você acha que vai me fazer fugir daqui correndo? Que faz você ter tanta certeza de que eu iria embora? -, ela pergunta, em voz trêmula.
— Conte para mim, Quinn, por favor... — ela pergunta.
Sento-me de imediato, uma outra batalha travando-se em mim. Eu cruzo as pernas, ela também se senta, esticando as pernas. Meu olhar está sobre ela, ainda lutando contra revelar a minha última merda escura para ela. Minha alma se sente como a terra devastada que ela é, meus olhos refletem o abandono na mesma. Eu não sei como contar isso para ela. Isto é o inferno... Isto sou eu. Isto é a aberração da natureza que eu sou.
— Rach... — Eu mal posso sussurrar. Eu fecho os olhos, respiro fundo e engulo. Eu digo uma prece silenciosa para que ela ainda me ame depois da minha revelação. Abro os olhos, e ponho a descoberto o último dos meus segredos para ela.
POV RACHEL
Ela inspira fundo e engole em seco.
— Eu sou uma sádica, Rachel. Eu gosto de chicotear garotas morenas feito você porque todas vocês se parecem com a prostituta viciada... minha mãe biológica. E eu tenho certeza de que você é capaz de imaginar por quê. – Ele solta as palavras apressada, como se tivesse com a frase na cabeça há dias e dias, desesperada para se livrar dela.
Meu mundo para. Ah, não.
Não era o que eu esperava. Isso é pesado. Muito pesado. Eu a encaro, tentando entender as implicações do que ela acabou de dizer. Isso explica por que somos tão parecidas.
Meu primeiro pensamento é Ashley tinha razão: ‘’ A Dominadora é sombria.’’
E me lembro da primeira conversa que tive com ela sobre suas tendências, quando estávamos no Quarto Vermelho da Dor.
— Você disse que não era sádico – sussurro, tentando desesperadamente entender... criar uma desculpa para ela.
— Não, eu disse que era Dominadora. Se menti para você, foi uma mentira por omissão. Me desculpe. – Ela olha de relance para suas unhas bem cuidadas.
Acho que está mortificada. Mas mortificada por ter mentindo para mim? Ou por causa do que ela é?
— Na época em que você me perguntou aquilo, eu tinha um relacionamento completamente diferente entre a gente – murmura ela. E, pelo seu olhar, sei que está apavorada.
E é só então que me dou conta. Se ela é uma sádica, ela realmente precisa de toda aquela porcaria de chicote e vara. Ai, merda. seguro a cabeça nas mãos.
— Então é verdade – sussurro, erguendo o olhar para ela — , não posso lhe dar o que você quer.
Pronto, é isso. Realmente somos incompatíveis.
O mundo começa a se desfazer aos meus pés, desmoronando ao meu redor, o pânico enchendo minha garganta. É isso. A gente não pode dar certo.
Ela franze a testa.
— Não, não, não. Rachel. Não. Você pode, sim. Você já me dá o que eu quero. – Ela fecha os punhos. – Por favor, acredite em mim – murmura, as palavras num apelo emocionada.
— Não sei no que acreditar, Quinn. Isso é tão terrível – sussurro, a garganta seca e dolorida se fechando, engasgando-me com as lágrimas não derramadas.
Ao me encarar de novo, seus olhos estão arregalados e brilhantes.
— Rach, acredite em mim. Depois que eu a puni e você me deixou, minha visão de mundo mudou. Eu não estava brincando quando disse que faria de tudo para nunca mais sentir aquilo de novo. – Ela me observa, numa súplica sofrida. – Quando você disse que me amava, foi uma revelação. Ninguém nunca tinha me dito aquilo antes, foi como se eu estivesse concluído uma etapa... ou talvez como se você estivesse concluído uma etapa, não sei. Dr. Evans e eu ainda estávamos discutindo a questão a fundo.
Ah. Um sopro de esperança envolve meu coração por um instante. Talvez a gente possa dar certo. Eu quero que funcione. Não quero?
— O que significa tudo isso? – murmuro.
— Que eu não preciso daquilo. Não agora.
O quê?
— Como você sabe? Como pode ter tanta certeza?
— Eu simplesmente sei. A ideia de machucar você... machucar você de verdade... é repugnante para mim.
— Eu não entendo. E quanto à régua, às palmadas, todas, toda aquela trepada sacana?
Ela corre uma das mãos pelo cabelo e quase chega a sorrir, mas um vez disso, solta um suspiro pesaroso.
— Estou falando de bater de verdade, Rachel. Você devia ver o que sou capaz de fazer com uma vara ou um chicote.
— Prefiro não ver. – Fico boquiaberta, chocada.
— Eu sei. Se você quisesse fazer essas coisas, então tudo bem... mas você não quer, e eu entendo. Não posso fazer aquela merda toda com você se não quiser. Já falei uma vez, o poder é todo seu. E agora, desde que você voltou, não sinto nenhuma vontade.
Fico paralisada, encarando-a por um instante, tentando assimilar tudo o que ela disse.
— Mas quando a gente se conheceu, era isso que você queria, não era?
— Era, sem dúvida.
— E como pode a sua vontade simplesmente desaparecer, Quinn? Como se fosse algum tipo de panaceia, e você estivesse... curada, por falta de palavra melhor... Eu não entendo.
Ela suspira mais uma vez.
— Eu não diria ‘’curada’’... Você não acredita em mim?
— Eu só acho tudo isso... inacreditável. É diferente.
— Se você nunca tivesse me deixado, então eu talvez não me sentisse assim. O fato de você ter ido embora foi a melhor coisa que poderia ter acontecido... para nós duas. Aquilo fez com que eu me desse conta do quanto eu queria você, só você. E estou falando sério quando digo que quero você do jeito que for.
Eu fito seu rosto. Devo acreditar nisso? Minha cabeça dói só de pensar no assunto, e, lá no fundo, sinto-me... entorpecida.
— Você ainda está aqui. Achei que já teria sumido por aquela porta a essa altura. –sussurra ela.
— Por quê? Porque eu talvez pense que você é doente, porque espanca e transa com mulheres que se parecem com sua mãe? O que teria lhe dado essa impressão? – solto, explodindo.
Ela fica branca ao som de minhas palavras duras.
— Bem, eu não diria exatamente assim, mas é – responde ela, os olhos arregalados e feridos.
Ela permanece com a expressão séria, e eu me arrependo do meu ataque. Franzo a testa, sentindo uma pontada de culpa.
O que eu vou fazer? Olho para Quinn, e ela parece tão arrependida, tão sincera... parece a minha Cinquenta Tons.
E, do nada, eu me lembro da foto em seu quarto de criança, e então me dou conta de por que aquela mulher me pareceu tão familiar. Ela parecia com ela. Devia ser sua mãe biológica.
A facilidade com que ela a dispensou me vem à cabeça: Ninguém importante... Ela é a responsável por tudo isso... e eu pareço com ela... Puta merda!
Ela me encara, os olhos inchados, e sei que está esperando pelo meu próximo passo. Parece verdadeira. Ela disse que me ama, mas estou muito confusa.
Tudo isso é muito terrível. Ela já me assegurou a respeito de Ashley, mas agora eu sei, com mais certeza do que nunca, como Ashley era capaz de excitá-la. A ideia é esgotante e desagradável.
— Quinn, eu estou exausta. A gente pode conversar sobre isso amanhã? Quero ir para cama.
Ela pisca para mim, surpresa.
— Você não vai embora?
— Você quer que eu vá?
— Não! Achei que você iria embora assim que eu contasse.
Todas as vezes em que ela falou que eu iria embora assim que soubesse seu segredo mais sombrio me vêm à cabeça... agora eu sei. Merda. A dominadora é sombria.
Será que eu deveria ir embora? Olha para ela, essa mulher louca que eu amo... isso mesmo, que eu amo.
Posso deixá-la? Eu já a deixei uma vez, e aquilo praticamente acabou comigo... e com ela. Eu a amo. Sei disso, apesar dessa revelação.
— Não me deixe – sussurra ela.
— Pelo amor de Deus... não! Eu não vou embora! – grito, e é libertador. Pronto, falei. Não vou embora.
— Mesmo? – ela arregala os olhos.
— O que eu preciso fazer para você entender que não vou fugir? O que você quer que eu diga?
Ela me encara, demonstrando seu medo e sua angústia novamente. E inspira.
— Tem uma coisa que você pode fazer.
— O quê? – rebato.
— Casar-se comigo – sussurra.
O quê? Ela realmente acabou de...
Pela segunda vez em menos de meia hora meu mundo para de girar.
Puta merda. Eu fito a mulher profundamente perturbada a quem entreguei o meu amor. Não posso acreditar no que ela acabou de dizer.
Casar? Ela está me pedindo em casamento? Isso é alguma brincadeira? Não consigo evitar: uma risadinha nervosa e descrente irrompendo dentro de mim. Mordo o lábio para impedir que ela se transforme numa gargalhada histérica em todas as suas proporções, mas falho miseravelmente. Deito de costa no chão e me entrego, rindo com nunca ri antes na vida, uma gargalhada libertadora e de poder curativo.
E, por um instante, vejo-me sozinha, observando de fora essa cena absurda, uma garota exausta, rindo junto a uma menina linda e perturbada. Coloco o braço por cima do rosto, e meu riso vai se transformando em lágrimas escaldantes. Não, não... isso é demais.
À medida que a histeria vai se dissipando, Quinn tira meu braço do rosto com carinho. Eu me viro e olho para ela.
Ela está debruçada em cima de mim. A boca retorcida num divertimento irônico, mas seus olhos estão em chamas, talvez feridos. Ah, não.
Com gentileza, ela limpa do meu rosto um rastro de lágrimas com as costas a mão.
— Você acha meu pedido de casamento engraçado, Srta. Berry?
Ah, Quinn! Esticando o braço, eu acaricio seu rosto, desfrutando o toque de sua pele sob meus dedos. Meu Deus, eu amo essa mulher.
— Srta. Fabray... Quinn. A sua noção de timing é, sem dúvida... – Fico olhando para ela, sem saber o que dizer.
Ela sorrir para mim, mas as rugas ao redor de seus olhos me dizem que está magoada. Ela está falando sério
— Você está me matando aqui, Rach. Quer se casar comigo?
Eu me sento e me debruço sobre ela, apoiando as mãos em seus joelhos. Fito seu belo rosto.
— Quinn, eu acabei de encontrar a sua ex-namorada apontando uma arma para mim, de ser expulsa do meu próprio apartamento, de ver você dar uma de Cinquenta Tons termonuclear...
Ela abre a boca para falar, mas eu ergo a mão, e, obediente, ela fica quieta.
— Você acabou de revelar informações a seus respeito que são, francamente, bem chocantes, e gora, você me pede para eu me casar com você.
Ela balança a cabeça de um lado para o outro, com se estivesse ponderando os fatos. Está achando engraçado. Graças a Deus.
— É, acho que é um resumo justo e bem preciso da situação – diz, friamente.
— O que aconteceu com adiar a gratificação? – Balanço a cabeça para ela.
— Passei dessa fase. Agora sou adepto convicto da gratificação instantânea. Carpe diem, Rach – sussurra ela.
— Olhe, Quinn, eu conheço você há uns três minutos, e tem tanta coisa que eu preciso saber. Eu bebi muito, estou com fome, estou cansada, e quero ir dormir. Preciso pensar a respeito da sua proposta da mesma forma como avaliei o contrato que você me ofereceu. E... – pressiono os lábios para mostrar minha desaprovação, mas também para avaliar o clima entre nós — ... não foi um pedido de casamento muito romântico.
Ela inclina a cabeça para o lado, e seus lábios se curvam num sorriso.
— É um bom argumento e bem colocado, Srta. Berry, como sempre – suspira, a voz envolta em alívio. – Então, isso é um não?
Suspiro.
— Não, Srta. Fabray, não é um não, mas também não é um sim. Você só está fazendo isso porque está com medo e não confia em mim.
— Não, estou fazendo isso porque finalmente conheci alguém com quem eu quero passar o resto da minha vida.
Ah. Meu coração dispara, e eu derreto por dentro. Como ela consegue falar coisas mais românticas no meio das situações mais bizarras? Minha boca se abre de espanto.
— Nunca achei que isso fosse acontecer – continua, a expressão irradiando sinceridade pura.
Fico encarando-a, boquiaberta, procurando as palavras certas.
— Posso pensar... por favor? Pensar sobre tudo o que aconteceu hoje? Sobre o que você acabou de contar? Você me pediu fé e paciência. Bem, estou pedindo o mesmo a você, Quinn. Preciso disso, agora.
Seus olhos fitam os meus, estudando-me, e, depois de um instante, ela se aproxima e passa meu cabelo por trás da orelha.
— Posso fazer isso. – E me beija rapidamente nos lábios. – Não muito romântico, é? – Ela ergue uma sobrancelha, e eu balanço a cabeça em desaprovação. – Flores e corações, então? – pergunta baixinho.
Faço que sim, e ela me lança um sorriso de leve.
— Está com fome?
— Estou.
— Você não comeu. – Seus olhos endurecem, e sua mandíbula se tenciona.
— Não, eu não comi. – Sento-me sobre os calcanhares e a encaro passivamente. – Ser expulsa do meu apartamento depois de presenciar minha namorada interagindo intimamente com sua ex-submissa tirou o meu apetite consideravelmente. – Eu a encaro com as mãos nos quadris.
Quinn balança a cabeça e fica de pé num movimento elegante. Ah, finalmente a gente vai poder levantar do chão. E estende a mão para mim.
— Deixa eu preparar alguma coisa para você comer – diz ela.
— Não posso simplesmente ir dormir? – resmungo, cansada, segurando sua mão.
Ela me levanta. Meu corpo está pesado. Ela me encara, a expressão gentil.
— Não, você precisa comer. Venha. – Quinn mandona está de volta, e é um alivio.
POV QUINN
Eu a levo para a cozinha, e a coloco em cima de uma banqueta. Eu me encaminho para a geladeira na esperança de encontrar algo que vai despertar o seu interesse.
— Quinn, na verdade, não estou com fome, — diz ela. Claro que está, baby. Então, eu ignoro suas queixas.
— Queijo? — Eu pergunto. Algo leve.
— Não a esta hora,- ela responde.
— Pretzels?
— Da geladeira? Não, — ela diz bruscamente.
— Você não gosta de pretzels? — Viro-me e pergunto-lhe sorrindo.
— Não às onze e meia. Quinn, eu vou para a cama. Você pode continuar aí remexendo essa geladeira a noite toda se quiser. Estou muito cansada, e meu dia foi cheio demais. Um dia para se esquecer — diz ela escorregando de sua banqueta para sair.
— Macarrão e queijo? — É comida de conforto. Eu ergo a tigela contendo delicioso macarrão caseiro com queijo, olhando esperançosa que ela poderia dizer que sim.
Ela para de imediato.
— Você gosta de macarrão com queijo, Quinn? — Ela pergunta como se fosse uma idéia impossível. Quem não gosta?
— Quer um pouco?- Pergunto esperançosa. Eu não posso evitar. Eu tenho que dar para ela. Eu tenho que sentir que estou cuidando dela. Depois de toda essa merda que veio para seu caminho, hoje, eu quero fazer uma coisa positiva para me fazer sentir que eu fiz algo para seu benefício. Ela não vai sair prá dormir... ainda não.
— Suponho que você sabe como usar o microondas, então? — Diz ela em um tom interrogativo.
Sim, eu tenho loucas habilidades com microondas. Eu posso marcar os números como ninguém pode!
— Sim, se ele está em um pacote, eu normalmente posso fazer algo com ele. O problema com comida de verdade. — Ela ainda está de pé, por isso antes que ela fuja para fora da cozinha eu começo a colocar os jogos americanos para nós dois.
— Está muito tarde, — ela murmura.
— Não vá trabalhar amanhã, — eu imploro para ela.
—Eu tenho que ir trabalhar amanhã. Meu chefe está indo para Nova York amanhã. — Aquele filho da puta! Eu franzo a testa.
— Você quer ir para lá no fim de semana? — Eu pergunto.
Ela balança a cabeça negativamente.
— Eu olhei a previsão do tempo, e parece que vai chover. — Okay.
— Ah, então, o que você gostaria de fazer no fim de semana? — Eu pergunto. Eu pego o macarrão com queijo do microondas, após ser aquecido.
Rachel suspira
— Eu só quero viver um dia de cada vez, por enquanto. Essa agitação toda, tudo isso é... cansativo, — afirma levantando uma sobrancelha. Eu sei. Theron e agora Ashley. Eu não sei o que eu faria se fosse um dos seus ex. Eu ficaria louco com certeza. Eu reparto um pouco de macarrão com queijo para nós dois, e coloco os pratos sobre os jogos americanos na barra de café da manhã.
— Desculpe por Leila, — eu digo decepcionada.
— Por que você está pedindo desculpas?, — ela pergunta sinceramente.
Eu dou de ombros.
— Deve ter sido um choque e tanto para você, dar de cara com ela no apartamento..., — eu digo estremecendo. – O próprio Puck tinha feito uma busca mais cedo. Ele está chateado, — eu confesso.
— Não culpo Puck, — ela diz.
— Nem eu. Ele esteve procurando por você, — eu digo a ela.
— Sério?? Por quê? — Ela pergunta sinceramente.
Oh baby! Você sabe como eu estava chateada, como estava devastado descobrindo que você não veio para cá?
— Eu não sabia onde você estava. Você esqueceu sua bolsa, seu telefone. Eu não tinha como encontrá-la, — eu digo deixando de fora o fato de que eu tentei rastrear Blaine. Não há necessidade de assustá-la esta noite ainda mais. – Onde você se meteu? — Pergunto suave, mas com uma tendência ameaçadora. Minha mente estava correndo selvagem sabendo que ela estava com Blaine, mesmo sabendo que ele é gay. Ele tinha olhos para a minha namorada.
— Blaine e eu fomos a um bar do outro lado da rua. Dessa forma, eu podia ver o que estava acontecendo, — disse ela simplesmente. A compreensão me atinge de que ela tinha me visto carregando Ashley carinhosamente em meus braços. Ela me viu entrando no carro com Sam.
— Entendi, — eu digo.
Eu posso ver sua mudança de comportamento, e que ela está tentando ser indiferente, mas ela é tudo menos isto.
— Então, o que você fez com Ashley no meu apartamento?” Ela pergunta. Eu conheço você, Rachel, você é tão ciumenta quanto eu sou. Eu não quero que ela perca as estribeiras.
— Você quer mesmo saber? — Eu pergunto. Ela lentamente deixa o garfo no prato, fecha os olhos por um instante de dor, e quando ela levanta os olhos, há tristeza neles.
— Quero, — ela mal sussurra. Eu não tenho certeza se eu deveria falar sobre isso. Eu sei que eu vou me arrepender. Argh! Dou um gemido interno, a minha boca em uma linha reta. Estou hesitante. Eu poderia me chutar por isto mais tarde.
— Nós conversamos, e eu dei-lhe um banho e a vesti com suas roupas, — eu digo em um sussurro rouco. Ela está muito silenciosa. Isso não pode ser bom. Muito chocada, muito inexpressiva. — Eu espero que você não se importe Rach, porque ela estava muito suja. — Oh Deus! Seus olhos estão nadando em lágrimas, e ela está segurando-se apenas em sua dignidade. Sua mandíbula bem fechada, e ela parece que vai chorar se ela ao menos se mexer.
Porra! Porra!
— Era tudo que eu podia fazer, Rachel, — alego para ela para fazê-la entender.
— Você ainda sente alguma coisa por ela? — ela pergunta apenas segurando sua sanidade.
— Não! — Eu não fiz isso para ela porque eu tenho sentimentos por Ashley. Eu fiz isso porque eu me sentia responsável por seu estado atual. Eu queria corrigir alguma coisa que eu poderia ter feito de errado. Corrigir os meus erros um pouco. Rachel se afasta de mim, como se ela não pudesse suportar me ver, como se eu a deixasse nauseada, enojada.
— Vê-la daquele jeito, tão diferente, tão destruída, desgrenhada, meio louca, e tão diferente do seu antigo eu, era... — Eu não sei como terminar esta frase. – Eu me preocupo com ela, como um ser humano se preocupa com outro. — eu digo dando de ombros, lembrando como ela é a fração da mulher que ela costumava ser. Rachel não está sequer olhando para mim, muito chateada, muito sobrecarregada, e muito distante. Eu não aguento isto...
— Rach, olhe para mim, — eu imploro. Mas ela não faz. Seu corpo rígido, tenso como um arco puxado forte, pronto para atirar. De repente, ela estremece violentamente. Oh, não! Eu danifico todos que eu toco!
— Rach... — é tudo o que posso pronunciar.
— O quê? — Diz ela bruscamente, sem vontade de falar comigo, incapaz de olhar para mim.
— Não faça isso. Não significa nada. Foi como cuidar de uma criança, uma criança perturbada e despedaçada, — eu tento explicar. Talvez uma parte de mim estava tentando consertar a criança em mim que foi negligenciada. O que eu queria que as pessoas fizessem para mim quando eu estava naquele estado quando criança.
Ela não diz nada. Pegando seu prato, ela caminha para o lixo, e raspa o conteúdo.
— Rach? — Chamo com a esperança de que ela iria responder. Ela acabou de depositar seu prato na pia. Ela está se controlando novamente.
— Rach, por favor, — eu imploro, para ela apenas olhar para mim.
Ela gira como um pião e me encara, a agonia está escrita por todo o rosto. Ela está fisicamente e emocionalmente esgotada.
— Chega, Quinn!, — ela grita cansada de me ouvir. – Chega desse Rach por favor',” — ela me repreende, enquanto as lágrimas chovem, descendo por suas bochechas. Ela está procurando por ar como se eu tivesse dado um soco nela. Seu peito está crescendo rapidamente para cima e para baixo. O rosto dela está destruído, os lábios trêmulos, e seus olhos nublados com o ataque de lágrimas.
— Estou além do meu limite com toda a merda que você distribuiu para mim hoje. Eu vou para a cama. Estou fisicamente e emocionalmente cansada. Apenas deixe-me estar, — diz ela e se ira e corre para o quarto. Estou completamente chocada com a reação dela. Eu fiz o que tinha que fazer, e eu sei que a porra do meu passado está carregada com merda, e ele está colidindo com tudo, bem, com a única pessoa que realmente importa para mim, e eu a estou machucando. Eu não quero magoá-la, e ainda assim, aqui estou, fodendo tudo de novo. Eu estava com ciúmes quando ela saiu com Blaine. E ela só foi tomar uma bebida depois que a expulsei de seu apartamento.
Ela parecia que tinha envelhecido 10 anos na última meia hora. A última coisa que eu ouço são seus soluços arfantes no caminho para o meu quarto. Eu tenho que reconciliar-me com ela. Eu tenho que fazê-la me perdoar.
Pelo menos, aliviar sua dor. Eu não posso ir tentar consertar Ashley, e deixar que a única mulher que eu realmente amei seja destruída assim. Eu sou o pior tipo de namorada! Que tipo de mulher se diz amor uma pessoa e coloca-a num sofrimento assim?
Eu rapidamente ando atrás dela. Eu paro depois que eu entro no meu quarto. Os sons tristes que estão ecoando no banheiro são agonizantes, estrangeiros, não como se ela estivesse chorando, mas, como se sua alma estivesse sendo rasgada, arrancando instantaneamente meu coração aos pedaços. Eu ando rapidamente até o banheiro e encontro Rachel caída no chão, seu corpo inteiro está tremendo e arfando, numa miséria que tudo consome. Eu caio no chão rapidamente e puxo-a para meus braços.
— Ei, — eu digo em voz embargada. Eu quero chorar com ela aqui, mas eu tenho que ser forte por ela. — Por favor, não chore, Rach, por favor, — eu suplico a ela. Eu a seguro no meu colo como uma criança. Ela finalmente envolve seus braços em volta do meu pescoço e os soluços são enterrados no meu pescoço, as lágrimas escorrendo em meu peito, resfriando, enquanto correm para baixo me encharcando, e me cobrindo com seu sofrimento. Eu a nino como um bebê, tentando acalmar seus sofrimentos, acariciando o cabelo dela, e suas costas.
— Desculpe... — Eu sussurro repetidamente. — Eu sinto muito. — Eu a seguro mais apertado, tentando tirar a dor que eu infligi a ela, embora, como você pode curar a alma de alguém quando foi você mesma quem retalhou em primeiro lugar? Ela chora forte, derramando seu sofrimento, lavando sua alma com suas lágrimas.
Seu sofrimento é o meu sofrimento. Mesmo que o que eu fiz para Ashley estava sem culpa, sustentando o pedaço de humanidade que tenho, tentando corrigir o que eu poderia ter feito de errado no passado, foi cruel com Rachel, e não importa o que eu faça isto a machucou. Nós nos sentamos no chão, segurando uma a outra, cobertas com nossas misérias individuais e coletivas. Eu a seguro e balanço até ela chorar a última gota de lágrima, e, finalmente, cambaleio para os meus pés com Rachel em meus braços, ainda segurando-a firme. Eu entro em meu quarto, e a transporto e deposito em nossa cama. Eu imediatamente mudo minhas roupas, e me deito ao lado dela, desligando as luzes. Eu puxo Rachel em meus braços com força, para nunca mais deixá-la ir, e se ela tem que ser infeliz, e chorar, eu quero ser a única segurando-a e confortando-a. Nós podemos ser infelizes juntos. Com as luzes apagadas, a preocupação pesando em minha consciência, nós derivamos para um sono perturbado, e meus pesadelos me dão as boas vindas.
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