My Dark Word

8 08 - You're the reason I come home


Notas iniciais
Cheguei!!! Eeeeeeeeeeee kkkkk Sei que muitos querem me matar por demorar a atualizar. Mas época de tcc, trabalho e muitas mudanças esse ano na minha vida.. então.. por isso q demorei para atualizar.. sabem como é... Mas eu voltei!! Antes tarde do que nunca!! Sem mais delongas.. Enjoy Kids!!!

Minhas mãos estão em seu cabelo, e minha boca febril devora a dela, saboreando a sensação de sua língua na minha. E ela faz o mesmo, devorando-me. É divino.

De repente, ela ergue o meu corpo e agarra a barra da minha camiseta, puxando-a sobre a minha cabeça e jogando-a no chão.

– Quero sentir você – diz avidamente contra a minha boca enquanto suas mãos movem-se atrás de mim para abrir meu sutiã. Num movimento rápido, o sutiã solta, e ela o joga para o lado.

Ela me empurra de volta na cama, pressionando-me contra o colchão, a boca e a mão correndo até meus seios. Meus dedos se enroscam em seu cabelo quando ela alcança um de meus mamilos com os lábios e o puxa com força. Grito bem alto à medida que a sensação percorre meu corpo, atingindo e enrijecendo todos os músculos ao redor da minha virilha.

– Isso, baby, quero ouvir você – murmura ela em minha pele superaquecida.

Nossa, quero ela dentro de mim, agora. Sua boca brinca com meu mamilo, puxando-o, fazendo-me contorcer e ansiar por ela. Sinto seu desejo misturado com... o quê? Veneração. É como se ela estivesse me adorando.

Ela me provoca com os dedos, meu mamilo crescendo e endurecendo sob seu toque habilidoso. Sua mão desce até minha calça jeans, e ela abre o botão com habilidade, puxando o zíper para baixo e deslizando a mão para dentro por cima da minha calcinha.

– Ah, baby – Sua respiração fica ofegante quando ela afasta um pouco a minha calcinha para o lado e começa a brincar com os dedos por meu sexo.

Empurro a pélvis para cima, para junto da palma da mão dela, e ela responde, esfregando-a em mim.

– Você está tão molhada – ofega ela pairando em cima de mim, os olhos vidrados nos meus. Sua voz é cheia de admiração.

– Quero você – murmuro.

Sua boca se junta à minha quando ela introduz apenas um dedo dentro de mim, e sinto seu desespero faminto, e sua necessidade de mim quando ela para seus movimentos retirando o dedo para logo depois me pegar de surpresa e prazer introduzindo três dedos dentro de mim.

Isso é novidade – nunca foi desse jeito, exceto talvez quando voltei da Geórgia — e suas palavras de hoje mais cedo me vêm à cabeça... Preciso saber que estamos bem... E esse é o único jeito que conheço para descobrir.

O pensamento me ilumina. Saber que tenho esse efeito sobre ela, que posso lhe oferecer tanto conforto ao fazer isso... Quando estou pra chegar no meu clímax ela para seus movimentos.

Quinn se senta, agarra a parte de baixo da minha calça jeans e a puxa, tirando depois minha calcinha.

Mantendo os olhos fixos nos meus, ela se levanta e sai de cima da cama, saindo do quarto, me deixando confusa com seu ato. Dou um suspiro frustrada. O que ela vai aprontar dessa vez? Será que eu fiz alguma coisa de errado? Depois de alguns minutos ela volta com as mãos atrás da costa. O que ela vai fazer?

Ela tira suas mãos de trás das costas jogando o que tinha nela em cima de mim. Fico estática quando percebo o que era. Um strap on? OH MEU DEUS! Quando levanto a cabeça olho para Quinn que já se encontra nua.

Quinn vem caminhando em direção a cama com voracidade, como se pudesse me possuir apenas com seu olhar. Ela deita ao meu lado de novo. O que ela que?

– Coloque isso em mim, Rachel – ordena ela.

Ela pega minha mão e gira o corpo para poder eu colocar melhor o cinto nela. Com as mãos tremulas consigo passar o cinto pela sua cintura encaixando os dois lados. Quinn se vira deitando-se de costa.

– Você. Em cima – Quinn autoritária?! Minha deusa interior está hiperventilando. – Quero olhar para você. – completa ela.

Montando-se sobre si, ela conduz meu corpo, e hesitante, solto o peso em cima dela. Quinn fecha os olhos e flexiona os quadris ao encontro dos meus, preenchendo-me, abrindo-me, sua boca formando um *O* perfeito ao soltar o ar.

– Ah, isso é tão bom – eu possuindo-a, ela me possuindo.

Ela segura minhas mãos, e não sei se é para me dar apoio ou para evitar que eu a toque, mesmo que eu já tenha meu mapa.

– Você é uma delicia – murmura.

Eu me levanto de novo, inebriada com o poder que tenho sobre ela, observando Quinn Fabray lentamente desfazer-se embaixo de mim. Ela solta minhas mãos e agarra meus quadris, e coloco as mãos em seus braços. Ela investe com força dentro de mim, fazendo-me gritar.

– Isso, baby, sinta-me – diz, a voz tensa.

E é exatamente isso o que eu faço, jogando a cabeça para trás. Ela faz isso tão bem.

Eu me mexo – contrapondo o ritmo dela em perfeita simetria -, entorpecendo todos os meus pensamentos e minha razão. Sou só sensação, perdida nesse vazio de prazer. Para cima e para baixo... de novo e de novo... Ah, sim... Abro os olhos e a encaro, a respiração ofegante, e ela está me encarando também, os olhos reluzentes.

– Minha Rachel – gesticula com os lábios.

– Sim – digo, rouca. – Sempre.

Ela geme alto, fechando de novo os olhos, jogando a cabeça para trás. Ver Quinn atingindo o clímax é o suficiente, e gozo de forma barulhenta, exaustiva, desmorono sobre ela.

– Ah, baby – geme ela, chegando ao orgasmo e deixando-se levar.

MINHA CABEÇA ESTÁ em seu peito, na área proibida, minha bochecha aninhada nos pelos enrolados. Estou ofegante, radiante, e resisto à vontade de beijá-la.

Fico ali, deitada em cima dela, recuperando o fôlego. Ela alisa meu cabelo, e sua mão desliza ao longo de minhas costas, acariciando-me enquanto sua respiração se acalma.

– Você é tão linda.

Ergo a cabeça para olhar para ela, com a expressão cética. Ela franze a testa em resposta e se senta depressa, pegando-me de surpresa, o braço correndo ao redor de mim, para me manter no lugar. Ficamos cara a cara, e eu aperto seu braço.

– Você. É. Linda – diz ela novamente, num tom enfático.

– E você é incrivelmente gentil, às vezes. – Eu a beijo suavemente.

Ela me levanta tirando o Strap on de dentro de mim. Eu estremeço. Inclinando-se para a frente, ela me beija com ternura.

– Você não tem idéia de como é atraente, tem?

Fico vermelha. O que ela quer com isso agora?

– Todos aqueles caras atrás de você... isso não lhe dava nenhuma pista?

– Caras? Que caras?

– Você quer a lista? – Quinn faz uma careta. – O fotógrafo, ele é louco por você; aquele sujeito da loja de ferragens; o irmão mais velho da sua amiga com quem você divide o apartamento. Seu chefe – acrescenta ela amargamente.

– Ah, Quinn, não é verdade.

– Pode acreditar. Eles querem você. Eles querem o que é meu. – Ela me puxa para si, e eu levo os braços até seus ombros, minhas mãos em seu cabelo, observando-a, deliciada. – Minha – repete, os olhos brilhando, possessivos.

– Sim, sua – tranqüilizo-a, sorrindo.

Ela relaxa, e me sinto perfeitamente à vontade, nua em seu colo, em plena luz do dia, num sábado à tarde. Quem poderia imaginar? As marcas de batom permanecem em seu belo corpo. Reparo, no entanto, que há algumas manchas no edredom, e me pergunto brevemente o que a Srta. Jones vai fazer com elas.

– A linha ainda está intacta – murmuro e, corajosamente, sigo o trajeto em seu ombro com o indicador. Ela se enrijece, piscando de repente. – Quero explorar.

Ela me olha, cética.

– O apartamento?

– Não. Eu estava pensando no mapa do tesouro que desenhamos em você. – Meus dedos coçam de vontade de tocá-la.

Ela ergue as sobrancelhas, surpresa e indecisa, piscando para mim. Esfrego o nariz no dela.

– E o que isso envolveria exatamente, Srta. Bery?

Retiro a mão de seu ombro e corro meus dedos por seu rosto.

– Só quero tocar em você em todos os lugares em que estou autorizada.

Quinn pega meu indicador com os dentes, mordendo de leve.

– Ai – protesto, e ela sorri, um rosnado baixo vindo da garganta.

– Tudo bem – diz, soltando meu dedo, mais sua voz está repleta de apreensão. – Espere. – Ela se inclina para trás, levantando-me novamente, e retira o Strap on de sua cintura, deixando-a, sem a menor cerimônia, no chão ao lado da cama.

– É se eu não deixar? – murmura ela no meu ouvido.

– Como pretende fazer isso, Srta. Fabray?

– Posso ser muito persuasiva – murmura ela, colocando meu cabelo atrás da orelha. – Franco fez um ótimo trabalho. Gostei dessas camadas.

O quê?

– Pare de mudar de assunto.

Ela me puxa de volta, de modo que fico sentada sobre ela, recostada em seus joelhos erguidos, um pé de cada lado de seus quadris. Ela se reclina para trás, sobre os braços.

– Pode tocar à vontade – diz, séria. Parece nervosa, mas está tentando esconder.

Mantendo meus olhos fixos nos dela, ergo a mão e corro o dedo logo abaixo da linha do batom, ao longo de sua barriga finamente esculpida. Ela recua e eu paro.

– Não tenho que fazer isso – sussurro.

– Não, tudo bem. Só preciso de uma... readaptação. Faz tempo que ninguém me toca – murmura ela.

– Mrs. Robinson? – As palavras saem espontâneas de minha boca, e, surpreendentemente, consigo afastar toda a armagura e o rancor de minha voz.

– Não quero falar dela. Só vai estragar seu bom humor – responde ela, balançando a cabeça, o desconforto aparente.

– Eu agüento.

– Não, você não agüenta, Rach. Você fica possessa toda vez que eu menciono. Meu passado é meu passado. É um fato. Não posso mudá-lo. Tenho sorte que você não tenha um, porque eu ficaria louca se tivesse.

Faço uma cara feia, mas não quero brigar.

– Ficaria louca? Mais do que já é? – Sorrio, na esperança de aliviar o clima entre nós.

– Louca por você – sussurra ela e contrai os lábios.

Meu coração se incha de alegria.

– Quer que eu chame o Dr. Evans?

– Acho que não vai ser necessário – diz ela secamente.

Chego meu corpo para trás, de modo que ela estica as pernas: coloco meus dedos novamente em sua barriga e os deixo percorrer sua pele. Ela fica parada mais uma vez.

– Gosto de tocar em você.

Meus dedos descem até o umbigo e continuam, seguindo pelo caminho da felicidade, ela abre os lábios e sua respiração se altera, os olhos escurecem. Quinn já está molhada por mim. Caramba. Segunda rodada.

– De novo?

– Ah, sim, Srta. Berry, de novo. – Ela sorri.

QUE JEITO DELICIOSO de passar uma tarde de sábado. Sob o chuveiro, tomo banho distraída, com cuidado para não molhar o cabelo preso, contemplando as ultimas horas. Quinn e baunilha parecem estar se dando muito bem, obrigada.

Ela revelou muito hoje. É desconcertante tentar assimilar todas as informações e refletir sobre o que descobri: os detalhes do salário dela... Uau, ela é podre de rica, e para alguém tão jovem, é simplesmente extraordinário... e as pastas que ela tem sobre minha vida e sobre a vida de todas as suas submissas morenas. Será que todas elas estão naquele arquivo?

Meu inconsciente pressiona os lábios e balança a cabeça... Nem pense em ir até lá. Faço uma careta. Nem uma olhadinha??

E então tem essa Ashley – possivelmente com uma arma, solta por aí – e seu péssimo gosto musical ainda no iPod dela. Pior ainda, a pedófila Mrs. Robinson, não consigo entender essa mulher, e nem quero. Não quero que ela e aquele cabelo brilhoso sejam um espectro em nosso relacionamento. Quinn tem razão, eu morro de raiva quando penso nela, então talvez seja melhor não pensar.

Saio do chuveiro, seco-me e, de repente, sou tomada por um ódio inesperado.

Mas quem não morreria de raiva? Que pessoa normal em sã consciência falaria aquilo com uma garota de quinze anos? Quanto será que ela contribuiu para piração de Quinn? Não consigo entende-la. E, pior ainda, Quinn diz que ela a ajudou. Mas como?

Penso nas cicatrizes, as manifestação física e gritante de uma infância terrível e um lembrete revoltante das cicatrizes mentais que ela deve carregar. Minha doce e triste Cinquenta Tons. Ela disse tantas coisas românticas hoje. Ela é louca por mim.

Olhando para meu reflexo, lembro-me de suas palavras, meu coração enchendo-se mais uma vez, e meu rosto se transformando com um sorriso ridículo. Talvez a gente consiga fazer isso dar certo. Mas por quanto tempo até que ela queira me dar um surra porque desrespeitei alguma linha arbitrária?

Meu sorriso se desfaz. Isso é o que eu não sei. É a nuvem que paira sobre nós. Umas trepadas sacanas, sim, eu posso fazer isso, e o que mais?

Meu inconsciente me encara impassível, dessa vez sem nenhuma critica ou palavra de sabedoria para me oferecer. Volto para o quarto para me vestir.

Quinn está se arrumando no primeiro andar, fazendo sei lá o quê, então tenho o quarto todo pra mim. Além dos vestidos no closet, as gavetas estão cheias de lingerie nova. Escolho um espartilho preto com uma etiqueta que diz quinhentos e quarenta dólares. Ela tem um bordado prata feito uma filigrana e a menor das calcinhas combinando. Pego também meias sete oitavos, cor da pele, uma seda tão fina, tão elegante. Uau, elas são... provocantes... e bem sensuais.

Estou me esticando para pegar o vestido quando Quinn entra sem aviso. Ei, você podia bater na porta! Ela fica paralisada, olhando-me, os olhos brilhando famintos. Sinto como se todo o meu corpo tivesse enrubescido. Ela está vestindo uma calça folgada somente de sutiã. E ainda posso ver a linha do batom. Continua me encarando.

– Precisa de alguma coisa, Srta. Fabray? Imagino que você tenha algum propósito nessa visita além de me ficar encarando feito uma boba de boca aberta.

– Obrigada, Srta. Berry, mas estou me divertindo muito aqui, feito uma boba de boca aberta – murmura ela sombria, entrando no quarto e se embevecendo com a minha visão. Lembre-me de mandar um bilhete de agradecimento a Caroline Acton.

Franzo a testa. quem é essa?

– A personal shopper da Neiman – acrescenta ela em resposta, embora eu não tenha formulado nem uma pergunta em voz alta.

– Ah.

– Estou bastante distraída.

– Estou vendo. O que você quer, Quinn? – Lanço-lhe um olhar de quem não está para brincadeira.

Ela revida com seu sorriso torto e tira do bolso as bolas prateadas, pegando-me completamente desprevenida. Puta merda! Ela quer me bater? Agora? Por quê?

– Não é o que você está pensando – diz depressa.

– Esclareça – sussurro.

– Achei que você podia usar isto hoje à noite.

E as implicações dessa frase permanecem entre nós enquanto a informação é assimilada.

– Durante a festa? – Fico chocada.

Ela confirma lentamente com a cabeça, seus olhos escurecendo.

Meu Deus.

– Você vai me bater depois?

– Não.

Por um momento, sinto uma pontadinha fugaz de decepção. Ela ri.

– Quer que eu bata?

Engulo em seco. Simplesmente não sei.

– Bem, pode ter certeza de que não vou bater em você daquele jeito, nem que você implore.

Hum! Isso é novidade.

– Quer brincar disso? – continua ela, segurando as bolas. – Você pode tirá-las a qualquer momento, se for demais.

Olho para ela. Parece tão perversamente tentadora... o cabelo despenteado pós-foda, os olhos dançando com pensamentos eróticos, os belos lábios curvados num sorriso sensual e brincalhão.

– Está bem – concordo suavemente. É isso ai! Minha deusa interior recuperou a voz e está gritando ao quatro ventos.

– Boa menina. – Quinn sorri. – Venha aqui, e eu vou colocá-las em você depois que calçar os sapatos.

Sapatos? Viro-me e olho os saltos agulha de camurça cor de gelo que combinam com o vestido que escolhi usar.

Faça o que ela está pedindo!

Ela estende a mão para me apoiar enquanto calço os sapatos Quinn Louboutin, uma bagatela de três mil duzentos e noventa e cinco dólares. Eu devo estar, pelo menos, uns dozes centímetros mais alta.

Ela me conduz até a beira da cama e não se senta: caminha até a única cadeira do quarto e a pega, posicionando-a diante de mim.

– Quando eu acenar com a cabeça, você se abaixa e se segura na cadeira. Entendeu? – Sua voz soa áspera.

– Entendi.

– Ótimo. Agora abra a boca – ordena, a voz ainda baixa.

Eu obedeço, imaginando que ela vai enfiar as bolas na minha boca, para lubrificá-las. Mas não, ela enfia o indicador.

Ah...

– Chupe – diz ela.

Aperto sua mão, segurando-a firme e acatando suas ordens. Está vendo? Posso ser obediente, quando quero.

Ela tem gosto de sabonete... hum. Chupo com força, e sou recompensada ao ver seus olhos se arregalando e sua boca se abrindo ao respirar. Desse jeito, vamos acabar tendo um terceiro rount. Ela coloca as bolas na boca enquanto chupo seu dedo, girando a língua ao redor dela. Quando ela tenta retirá-lo, cravo os dentes.

Ela sorri e balança a cabeça, advertindo-me, e eu a deixo tirar o dedo. Ela acena, e eu me abaixo, segurando nas laterais da cadeira. Quinn puxa a minha calcinha para o lado e, bem devagar, desliza o dedo para dentro de mim, fazendo movimentos circulares, de forma que eu o sinto por todos os lados. Não consigo reprimir o gemido que me escapa dos lábios.

Ela retira o dedo momentaneamente e, com cuidado, insere as bolas, uma de cada vez, empurrando-as para dentro de mim. Uma vez que estão lá dentro, ela desliza a calcinha de volta para o lugar e beija minha bunda. Correndo as mãos por minhas pernas, do tornozelo até a coxa, gentilmente me beija no alto de cada uma das minhas coxas.

– Você tem belas pernas, Srta. Berry – murmura ela.

De pé, ela me agarra pelo quadril e me puxa para ela.

– Talvez quando a gente voltar eu coma você desse jeito, Rachel. Pode ficar de pé agora.

O peso das bolas subindo e descendo dentro de mim me deixa tonta, mais do que excitada. Atrás de mim, Quinn se abaixa para beijar meu ombro.

– Comprei isto para você usar na festa de gala do sábado passado. – Ela passa os braços ao meu redor e estende a mão. Nela, repousa uma pequena caixa vermelha com o nome Cartier na tampa. – Mas você me deixou, então perdi a oportunidade.

Ah!

– Está é a minha segunda chance – murmura ela, a voz embargada por alguma emoção desconhecida. Está nervosa.

Com cuidado, abro a caixa. Dentro brilha um par de brincos pendentes. Cada um com quatro diamantes, uma na base, então um pequeno espaço e depois três diamantes pendurados e perfeitamente espaçados, um depois do outro. São lindos, simples e clássicos. O tipo de coisa que eu escolheria, se algum dia tivesse a oportunidade de fazer compras na Cartier.

– São lindos – sussurro, e porque representam uma segunda chance, eu os adoro.- Obrigada.

Ela relaxa junto ao meu corpo à medida que a tensão se dissipa, e beija meu ombro de novo.

– Você vai usar o vestido de cetim prateado? – pergunta.

– Vou. Tudo bem?

– Claro. Vou deixar você terminar de se arrumar. – E sai pela porta sem olhar para trás.

ENTREI EM UMA espécie de universo paralelo. A jovem que está me olhando do espelho merece um tapete vermelho. O vestido longo tomara que caia, de cetim prateado, é simplesmente deslumbrante. Talvez eu mesma escreva para Caroline Acton. É justo e realça as poucas curvas que tenho.

Meu cabelo cai em ondas suaves ao redor do rosto, escorrendo dos ombros até os seios. Num dos lados, passo-o por trás da orelha, revelando o brinco da segunda chance. Optei por manter uma maquiagem mínima, um visual mais natural. Delineador, rímel, um pouco de blush rosa e batom rosa pálido.

Na verdade, nem preciso de blush. Já estou levemente corada pelo movimento constante das bolas de prata. Sim, elas vão garantir um pouco de cor em meu rosto esta noite. Balanço a cabeça ao pensar na audácia das ideias eróticas de Quinn, eu me abaixo para pegar meu lenço de cetim e minha carteira prateada e saio em busca de minha Cinquenta Tons.

Ela está conversando com Puck e outros três homens no corredor, de costas para mim. Suas expressões de surpresa e admiração alertam Quinn para minha presença. Ela se vira enquanto espero por ela, meio sem jeito.

Minha boca fica seca. Ela está muito linda... Smoking preto, gravata-borboleta preta e uma expressão de assombro. Ela caminha na minha direção e beija meu cabelo.

– Rachel. Você está de tirar o fôlego.

Fico vermelha com o elogio na frente de Puck e dos outros homens.

– Uma taça de champanhe antes de irmos?

– Por favor – murmuro, muito rapidamente.

Quinn acena para Puck, que se dirige ao saguão com os três seguranças. Na sala de estar, pega uma garrafa de champanhe da geladeira.

– Equipe de segurança? – pergunto

– Guarda-costas. Estão sob orientação de Puck. Ele também é treinado nisso. – Quinn me entrega uma taça de champanhe.

– Ele é muito versátil.

– Sim, é. – Quinn sorri. – Você está linda, Rachel. Saúde. – Ela ergue a taça e encosta a minha na dela. O champanhe te um tom rosa pálido. E um sabor deliciosamente fresco e leve.

– Como você está se sentindo? – pergunta, os olhos em chamas.

– Ótima, obrigada. – Sorrio docemente, sem revelar nada, sabendo muito bem que ela está se referindo às bolas de prata.

Ela dá um sorrisinho.

– Tome, você precisa disto. – Ela me entrega uma bolsa grande de veludo do que estava sobre a bancada da cozinha. – Abra – diz, entre goles de champanhe. Intrigada, enfio a mão na abertura e puxo uma intrincada máscara prateada com penas azul-cobalto de pluma no topo. – É um baile de máscaras – diz com naturalidade.

– Entendi.

A máscara é linda. Tem uma fita prateada costurada a ponta e uma filigrama de prata primorosa ao redor dos olhos.

– Vai realçar seus olhos, Rachel.

Sorrio para ela, timidamente.

– Você também vai usar uma?

– Claro. São muito libertadoras, de certa forma – acrescenta, levantando uma sobrancelha.

Hum. Isso vai ser divertido.

– Venha. Quero lhe mostrar uma coisa. – Estendo a mão, Quinn me conduz por um corredor e uma porta junto às escadas. Abre a porta, revelando um cômodo grande, mais ou menos do mesmo tamanho que o quarto de jogos, que deve estar bem acima de nós. Este é forrado de livros. Uau, uma biblioteca, cada uma das paredes repletas de livros do chão ao teto. No centro, uma mesa de sinuca iluminada por um longo abajur Tiffany triangular, em forma de prisma.

– Você tem uma biblioteca! – exclamo, admirada, tomada pela emoção.

– Sim, a sala da sinuca, como Britt chama. O apartamento é bem grande. Quando você falou hoje de ‘’explorar’’, eu me dei conta de que nunca fiz um tour com você. Agora não temos tempo, mas pensei em lhe mostrar esta sala e, quem sabe, desafiá-la para uma partida de sinuca num futuro próximo.

Sorrio para ela.

– Combinado. – Isso me enche de alegria. Finn e eu fortalecemos nossa amizade em torno de uma mesa de sinuca. Jogamos juntos há três anos. Sou craque no taco. Finn é um bom professor.

– O que foi? – pergunta Quinn, divertindo-se.

Ei, eu realmente preciso parar de expressar todas as emoções que sinto no instante em que as sinto, repreendo-me.

– Nada – respondo depressa.

Quinn estreita os olhos.

– Bem, talvez o Dr. Evans possa descobrir seus segredos. Você vai encontrá-lo esta noite.

– O charlatão caro? – Puta merda.

– Ele mesmo. Está morrendo de vontade de conhecê-la.

QUINN SEGURA MINHA MÃO e acaricia suavemente meus dedos com o polegar quando nos sentamos na parte de trás do Audi, seguindo para o norte. Eu me contorço com a sensação em minha virilha. Resisto à vontade de gemer, já que Puck está bem à frente, sem Ipod, ao lado de uma dos seguranças que acho que se chama Ryder.

Estou começando a sentir uma dor leve e agradável no fundo da barriga, causada pelas bolas. Distraída, pergunto-me quanto tempo vou ser capaz de aguentar sem um instante de, hum... alivio? Cruzo as pernas. E então, algo que estava no fundo de minha mente vem à tona.

– Onde você conseguiu o batom? – pergunto a Quinn em voz baixa.

Ela sorri para mim e aponta para frente.

– Puck – gesticula com a boca.

Dou uma gargalhada.

– Ui. – E paro imediatamente... as bolas.

Mordo o lábio. Quinn sorri para mim, os olhos brilhando maliciosamente. Ela sabe exatamente o que está fazendo, animal sexual que é.

– Relaxe – sussurra. – Se for demais... – sua voz diminui, e ela suavemente beija cada um de meus dedos, em seguida, suga com gentileza a ponta do mindinho.

Agora sei que está fazendo isso de propósito. Fecho os olhos enquanto um desejo sombrio toma conta do meu corpo. Eu me rendo brevemente à sensação, os músculos retesando-se dentro de mim.

Quando os olhos de novo, Quinn está me fitando de perto, uma princesa sombria. Deve ser o smoking e a gravata borboleta, mas ela parece mais velha, sofisticada, uma libertina devastadora linda e com intenções licenciosas. Ela me tira o fôlego. Eu sou seu brinquedo sexual, e, para falar a verdade, ela é o meu. O pensamento traz um sorriso ao meu rosto, e o sorriso de resposta que surge no dela é deslumbrante.

– Então, o que podemos esperar deste evento?

– Ah, o de sempre – diz Quinn com desdém.

– Não para mim – lembro-a.

Quinn sorri e mais uma vez beija com carinho minha mão.

– Um monte de gente esbanjando dinheiro. Leilão, rifa, jantar, dança... minha mãe sabe como dar uma festa. – Ela sorri, e pela primeira vez durante todo dia, eu me permito ficar um pouco animada com a festa.

Há uma fila de veículos caros diante da mansão Fabray. Lanternas de papel compridas e de uma rosa pálido iluminam a entrada, e, à medida que nos aproximamos, de dentro do Audi, reparo que elas estão por toda parte. Na luz do fim do dia, parecem mágicas, como se estivéssemos adentrando um reino encantado. Olho para Quinn. Muito adequada minha princesa, e minha empolgação infantil floresce, suplantando todos os outros sentimentos.

– Hora de colocar a máscara. – Quinn sorri, vestindo sua máscara preta simples, e a minha princesa se torna mais sombria, mais sensual.

Tudo o que posso ver de seu rosto é a linda boca e a mandíbula forte. Meu coração acelera com a simples visão dela. Coloco a minha máscara e sorrio, ignorando o desejo profundo dentro de mim.

Puck encosta o carro, e um manobrista abre a porta de Quinn. Ryder corre para abrir a minha.

– Pronta? – pergunta Quinn.

– Tanto quanto é possível.

– Você está linda, Rachel. – Ela beija minha mão é sai do carro.

Um tapete verde-escuro atravessa o gramado e segue ao longo da lateral da casa, conduzindo-nos ao impressionante jardim nos fundos. Quinn passa o braço protetoramente em volta do meu corpo, descansando a mão em minha cintura, e seguimos o tapete verde junto a figurões da elite de Seattle vestindo suas melhores roupas e usando todos os tipos de máscaras, as lanternas iluminando o caminho. Dois fotógrafos guiam os convidados para posar diante de uma treliça coberta de heras.

– Srta. Fabray! – chama um deles.

Quinn acena para ele e me puxa para junto de si, enquanto posamos rapidamente para uma foto. Como eles sabem que é ela? O cabelo rebelde nesse louro, só pode ser.

– Dois fotógrafos? – pergunto a Quinn.

– Um é do Seattle Times, o outro é para produzir um souvenir. Nós vamos poder comprar uma cópia no final da festa.

Hum, minha foto vai aparecer nos jornais de novo. Por um instante, Ashley invade meus pensamentos. Foi assim que ela me encontrou, após eu posar com Quinn. A ideia é perturbadora, embora o fato de que estou irreconhecível debaixo dessa máscara seja reconfortante.

Ao final do tapete, garçons em ternos brancos carregam bandejas com taças transbordantes de champanhe, e fico feliz quando Quinn me passa uma delas, distraindo-me com eficiência dos pensamentos sombrios.

Nós nos aproximamos de uma grande pérgula branca adornada com versões menores das lanternas de papel. Sob a pele, brilha uma pista de dança quadriculada em preto e branco e delimitada por cerca baixa com entradas em três dos lados. Em cada uma das entradas ostentam-se duas elaboradas esculturas de cisnes feitas de gelo. O quarto lado da pérgula é ocupada por um palco no qual um quarteto de cordas toca suavemente uma música melancólica e etérea que não reconheço. O palco parece preparado para receber uma big band, mas, como não há sinal dos músicos, imagino que seja para mais tarde. Segurando minha mão, Quinn me conduz entre os cisnes até a pista de dança onde os outros convidados estão reunidos, conversando e bebendo champanhe.

Na direção da baía há uma enorme tenda aberta no lado mais próximo de nós, e posso ver as mesas e cadeiras organizadas formalmente. São tantas!

– Quantas pessoas foram convidadas? – pergunto a Quinn, assustada pelo tamanho da tenda.

– Acho que umas trezentas. Você vai ter que perguntar à minha mãe. – Ela sorri para mim.

– Quinn!

Um jovem aparece saindo da multidão e joga os braços ao redor de seu pescoço; e imediatamente sei que se trata de Kurt. Ele está usando um terno bem glamuroso um uns brilhos em volta da gola e uma elaborada máscara veneziana deslumbrante, combinando com o terno. Está lindo. Por um momento, sinto-me grata pelo vestido que Quinn me deu.

– Rach! Ai, querida, você está linda! – Ele me dá um abraço rápido. – Você tem que conhecer minhas amigas. Nenhuma delas consegue acreditar que Quinn finalmente tem uma namorada.

Dirijo um rápido olhar de pânico para Quinn, que encolhe os ombros como quem diz eu-sei-que-ele-é-impossível-tive-que-conviver-com-ele-duante-anos, e deixo Kurt me conduzir até um grupo de quatro jovens, todas vestidas com roupas caras e impecavelmente arrumadas.

Kurt nos apresenta rapidamente. Três delas são simpáticas e gentis, mas uma, acho que se chama Kitty, olha para mim de forma amarga por debaixo de sua máscara vermelha.

– Claro que todo mundo pensava que Quinn era assexuada – diz ela, cheia de sarcasmo e escondendo o rancor num sorriso largo e falso.

– Kitty, comporte-se – resmunga Kurt para ela. – É evidente Quinn tem um ótimo gosto para mulheres. Só estava esperando a pessoa certa aparecer, e não era você!

Kitty fica da mesma cor que a máscara, assim como eu. Tem algo mais desconfortável que isso?

– Meninas, vocês se importam se eu roubar meu par de volta? – Passando o braço em volta de minha cintura, Quinn me puxa para junto de si.

Todas as quatros sorriem, enrubescem e se alvoroçam; é o sorriso deslumbrante de Quinn fazendo o que sempre faz. Kurt revira os olhos para mim, e tenho que rir.

– Prazer em conhece-las – digo enquanto ela me arrasta para longe. – Obrigada – gesticulo com os lábios para Quinn quando estamos a certa distância.

– Vi que Kitty estava com Kurt. Que criatura desagradável.

– Ela gosta de você – murmuro secamente.

Ela estremece.

– Bem, o sentimento não é recíproco. Venha, deixe-me apresentá-la a algumas pessoas.

Passo a meia hora seguinte em um turbilhão de apresentações. Conheço dois atores de Hollywood, mais dois CEOs e vários médicos importantes. De jeito nenhum vou ser capaz de lembrar todos os nomes.

Quinn me mantém junto a si, e fico feliz por isso. Francamente, a riqueza, o glamour, as proporções e a luxuosidade do evento me intimidam. Nunca fui a nada parecido na vida.

Os garçons de branco movem-se sem esforço por entre a multidão crescente de convidados com garrafas de champanhe, enchendo minha taça com uma regularidade preocupante. Não posso beber demais. Não posso beber demais, repito para mim mesma, mas estou começando a me sentir meio zonza, e não sei se é o champanhe ou as bolas prateadas secretas. A dor silenciosa abaixo da minha cintura está se tornando impossível de ignorar.

– Então você trabalha na SIP? – pergunta um senhor careca que usa uma meia-máscara de urso... ou será um cachorro? – Ouvi rumores de uma aquisição hostil.

Fico vermelha. Sim, houve uma aquisição hostil, por parte de uma mulher que tem mais dinheiro do que noção e é uma perseguidora por excelência.

– Sou só uma assistente, Sr. Burt. Não saberia desse tipo de coisa.

Quinn fica quieta e sorri tranquilamente para Burt.

– Senhoras e senhores! – O mestre de cerimônias, vestindo uma impressionante máscara de arlequim preta e branca, nos interrompe. – Queiram tomar seus assentos. O jantar será servido.

Quinn segura minha mão, e seguimos a multidão que vai conversando até a tenda.

O interior é deslumbrante. Três lustres enormes e baixos irradiam luzes coloridas sobre o forro de seda marfim do teto e das paredes. Deve haver, pelo menos, trinta mesas, e elas me lembram da sala de jantar privada do hotel Hearthman... taças de cristal, toalhas impecáveis de linho branco sobre as mesas e, no centro, um arranjo primoroso de peônias cor-de-rosa em torno de um candelabro de prata. Ao lado, uma cesta de guloseimas embrulhadas em papel de seda.

Quinn verifica a organização dos lugares e me leva até uma mesa no centro. Kurt e Judy já estão sentados, absortas numa conversa com um rapaz que não conheço. Judy está usando um vestido verde brilhante com uma máscara veneziana combinando. Está radiante, nem um pouco tensa, e me cumprimente efusivamente.

– Rach, que bom ver você de novo! Está tão linda.

– Mãe – Quinn a cumprimenta com austeridade, e elas trocam dois beijos.

– Ah, Quinn, tão formal! – ela a repreende, provocando-a.

Os pais de Judy, juntam-se a nós na mesa. Parecem exuberantes e jovens, embora seja difícil dizer por causa das máscaras cor de bronze idênticas que estão usando. Estão muito felizes em ver Quinn.

– Vovó, vovô, gostaria de apresentar Rachel Berry.

Os avos de Quinn praticamente se jogam em cima de mim

– Ah, finalmente ela encontrou alguém, que maravilha, e você é tão bonita! Espero que dê em casamento – exclama, apertando minha mão.

Puta merda. Ainda bem que estou de máscara.

– Mãe, não deixe Rach sem graça – Judy me socorre.

– Não ligue para essa velha indiscreta, minha querida. – O avô de Quinn aperta minha mão. – Ela acha que, só porque tem mais idade, tem o direito divino de dizer qualquer disparate que passa por essa cabeça branca.

– Rach, este é Sebastian.

Quinn aperta a mão de Sebastian, encarando-o astuciosamente. Não me diga que o pobre Kurt também sofre com a arrogância de sua irmã. Sorrio para Kurt com simpatia.

Carl e Carole, amigos de Judy, são o último casal a se render à mesa, mas ainda não há nenhum sinal do Sr. Russel Fabray.

De repente, ouço o silvo de um microfone, e a voz do Sr. Fabray no sistema de som toma conta do ambiente, fazendo com que o burburinho desapareça. Russel está de pé em um pequeno palco numa das extremidades da tenda, usando uma impressionante máscara dourada de Punchinello.

– Bem-vindos, senhoras e senhores, ao nosso baile anual de caridade. Espero que vocês aproveitem o que preparamos para está noite e que abram bem esses bolsos para ajudar o fantástico trabalho que nossa equipe tem feito com a Superando Juntos. Como vocês sabem, trata-se de uma causa muito importante tanto para minha esposa como para mim.

Olho nervosa para Quinn, que, acho, está encarando o palco impassível. Ela retribui o olhar e sorri.

– Agora vou passar a palavra para o nosso mestre de cerimônias. Por favor, sentem-se e aproveitem a noite – finaliza Russel.

Após aplausos educados, o burburinho na tenda recomeça. Estou sentada entre Quinn e seu avô, admirando o pequeno cartão branco com a caligrafia fina em tinta prateada que ostenta meu nome, enquanto um garçom acende o candelabro com uma vela longa. Russel se junta a nós, surpreendendo-me com dois beijinhos.

– Bom ver você de novo, Rach – murmura. Ele está realmente muito bonito com sua extraordinária máscara dourada.

– Senhoras e senhores, por favor, escolham um representante em cada mesa – diz o mestre de cerimônias.

– Uh... eu, eu! – diz Kurt imediatamente, quicando com entusiasmo em seu assento.

– No centro da mesa, vocês vão encontrar um envelope – continua o mestre. – Cada um de vocês deve arrumar, implorar, pedir emprestado ou roubar uma nota do valor mais alto possível, escrever o nome nela e coloca-la dentro do envelope. Os representantes da mesa, por favor, devem guardar esses envelopes com cuidado. Vamos precisar deles mais tarde.

Merda! Não trouxe dinheiro comigo. Que idiota... é um evento de caridade!

Quinn pega a carteira e tira duas notas de cem dólares.

– Aqui – diz ela.

O quê?

– Devolvo depois – sussurro.

Ela contorce a boca, e sei que não está feliz, mas não argumenta. Assino o meu nome usando sua caneta-tinteiro – preta com motivos florais brancos na tampa -, e Kurt passa o envelope pela mesa.

Na minha frente vejo outro cartão, também escrito com tinta prateada: o menu da noite.

BAILE DE MÁSCARAS EM APOIO À SUPERANDO JUNTOS

MENU

TARTARE DE SALMÃO COM CRÈME FRAÎCHE E

PEPINO SERVIDO EM TORRADA DE BRIOCHE

ALBAN ESTATE ROUSSANNE 2006

PEITO DE PATO SELVAGEM ASSADO,

PURÊ DE GIRASSOL-BATATEIRO,

CEREJAS ASSADAS COM TOMILHO E FOIE GRAS

CHÂTEAUNEUF-DU-PAPE VIEILLES VIGNES 2006

DOMAINE DE LA JANASSE.

BOLO CHIFFON DE NOZES E COBERTURA DE AÇUCAR CRISTALIZADO,

FIGOS EM CALDA, ZABAGLIONE, SORVETE DE BORDO

VIN DE CONSTANCE 2004 KLEIN CONSTANTIA

SELEÇÃO DE PÃES E QUEIJOS LOCAIS

ALBAN ESTATES GRENACHE 2006

CAFÉ E PETITS FOURS.

~

Bem, está explicado o número de taças de cristal de tamanhos variados que preenchem o espaço à minha frente. Nosso garçom está de volta, oferecendo vinho e água. Atrás de mim, as aberturas da tenda pelas quais entramos estão sendo fechadas, e à nossa frente dois garçons erguem o toldo, revelando o pôr-do-sol sobre a baía Meydenbauer.

A vista é tirar o fôlego: as luzes cintilantes de Seattle a distância e a calmaria alaranjada e sombria da baía refletindo o céu azul. Uau. É um cenário sereno e pacífico.

Dez garçons, cada um segurando um prato, surgem entre nossos assentos. Numa largada silenciosa, servem as entradas em completa sincronia, em seguida desaparecem novamente. O salmão parece delicioso, e percebo que estou faminta.

– Com fome? – murmura Quinn de forma que só eu possa ouvir. Sei que ela não está se referindo à comida, e os músculos dentro de mim respondem.

– Muita – sussurro, ousadamente mirando seus olho; ela entreabre os lábios e inspira.

Rá! Está vendo? Também sei brincar.

Imediatamente, o avô de Quinn começa a conversar comigo. É um senhor incrível, orgulhoso da filha e dos netos.

É tão estranho pensar em Quinn quando era criança. A memória de suas queimaduras me vem espontaneamente à cabeça, mas eu a afasto depressa. Não quero pensar nisso agora, embora, ironicamente, elas sejam a razão por trás desta festa.

Queria que Santana estivesse aqui com Britt. Ela iria se enturmar tão bem – o impressionante número de garfos e facas diante dela não assustaria -, iria comandar a mesa. Eu a imagino disputando com Kurt quem deveria ser o representante. A ideia me faz sorrir.

A conversa na mesa tem seus altos e baixos. Kurt é divertido, como sempre, e praticamente ofusca o pobre Sebastian, que fica quieto a maior parte do tempo, como eu. A avó de Quinn é a que mais fala. Também tem senso de humor ácido, geralmente às custas do marido, sinto um pouco de pena.

Quinn e Carl falam animadamente sobre um aparelho que a empresa de Quinn está desenvolvendo, inspirado no conceito E.F Schumacher de que o Pequeno É Bonito. É difícil acompanhar. Quinn parece decidida a capacitar comunidades carentes em todo mundo usando tecnologia a corda: aparelhos que não precisam de eletricidade ou de baterias e requerem manutenção mínima.

Vê-la tão à vontade é surpreendente. Ela é apaixonada e dedicada a melhorar a vida dos menos afortunados. Por meio de sua empresa de telecomunicações, está decidida a ser a primeira do mercado a lançar uma celular a corda.

Uau. Eu não tinha ideia. Quer dizer, eu sabia de sua paixão por alimentar o mundo, mas isso...

Carl parece incapaz de compreender o plano de Quinn de distribuir a tecnologia sem patenteá-la. Pergunto-me vagamente como Quinn conseguiu tanto dinheiro, sendo tão disposta a dar tudo de bandeja.

Durante o jantar, um fluxo constante de homens em smokings elegantes e máscaras escuras passa por nossa mesa, interessados em conhecer Quinn, cumprimentá-la e trocar amenidades. Ela me apresenta a alguns, mas não a todos. Fico intrigada, querendo saber como e por que ela fez a distinção.

Durante uma dessas conversar, Kurt se debruça sobre a mesa e sorri para mim.

– Rachel, você pode ajudar no leilão?

– Claro – respondo, muito animada.

No momento em que a sobremesa é servida, já anoiteceu, e eu me sinto realmente desconfortável. Preciso me livrar dessas bolas. Antes que eu possa pedir licença, o mestre de cerimônias aparece em nossa mesa, e com ele, se não estou engana, vem a Srta. Europeia das Maria-Chiquinhas.

Qual o nome dela?

Ela está de máscara, é claro, mas sei quem é porque não tira os olhos de Quinn. Ela fica vermelha, e, em meu egoísmo sinto-me mais do que feliz em ver que ela não parece nem notar sua presença.

O mestre de cerimônias pede nosso envelope e, com um floreio muito praticado e espalhafatoso, pede a Judy que sorteie o vencedor. É Sebastian, e ele ganha a cesta embrulhada em papel de seda.

Aplaudo educadamente, mas estou achando impossível me concentrar em qualquer coisa.

– Com licença – murmuro para Quinn.

Ela me olha atentamente.

– Você precisa ir ao toalete?

Concordo com a cabeça.

– Eu lhe mostro onde fica – diz ela, sombria.

Quando me levanto, todos os homens da mesa se levantam comigo. Nossa, quanta educação.

– Não, Quinn! Você não vai levar Rach... Deixe que eu vou.

Kurt fica de pé antes que Quinn possa protestar. Ela cerra a mandíbula, sei que está contrariada. Francamente, eu também estou. Tenho... necessidades. Dou de ombros, desculpando-me com ela, e ela se senta depressa, resignada.

Ao voltarmos, sinto-me um pouco melhor, embora o alivio de remover as bolas não tenha sido tão imediato quanto eu esperava. Agora elas estão guardadas na segurança de minha carteira.

Como eu pude achar que poderia aguentar a noite inteira? Ainda estou ardendo de desejo... talvez possa convencer Quinn a me levar até o ancoradouro mais tarde. A ideia me faz corar, e lanço um olhar para ela enquanto me sento. Ela me encara, a sombra de um sorriso cruzando seus lábios.

Ufa... não está mais com raiva pela oportunidade perdida, embora talvez eu esteja. Sinto-me frustrada, irritada mesmo. Quinn aperta a minha mão, e nós ouvimos atentamente o discurso de Russel, que voltou ao palco para falar de Superando Juntos. Quinn me passa mais um cartão, com a lista dos prêmios em leilão. Dou uma olhada.

ITENS E GENTIS DOADORES DO LEILÃO

PARA A SUPERANDO JUNTOS

BASTÃO DE BEISEBOL ASSINADO PELOS JOGADORES DO SEATTLE MARINES

– DRA. EMILY MAINWARING

BOLSA, CARTEIRA E CHAVEIRO GUCCI – ANDREA WASHINGTON.

CUPOM DE UM DIA GRÁTIS PARA DUAS PESSOAS NO ESCALA, BRAVERN CENTER – CHARLIZE THERON

PAISAGISMO E DECORAÇÃO DE JARDIM – GIA MATTEO

CAIXA COM SELEÇÃO DE PERFUMES E PRODUTOS DE BELEZA COCO DE MER – ELIZABETH AUSTIN

ESPELHO VENEZIANO – SR E SRA. J. BAILEY.

DUAS CAIXAS DE VINHO ALBAN ESTATES À ESCOLHA – ALBAN ESTATES.

DOIS INGRESSOS VIP PARA XTY IN CONCERT – SRA. L. YESYON

CORRIDA AUTOMIBILÍSTICA EM DAYTONA – EMC BRITT INC.

PRIMEIRA EDIÇÃO DE ORGULHO E PRECONCEITO, DE JANE AUSTEN – DR. A.F.M. LACE-FIELD

DIRIGIR UM ASTON MARTIN DB7 POR UM DIA – SR. & SRA. L.W.NORA

INTO THE BLUE, ÓLEO SOBRE TELA DE J. TROUTON – KELLY TROUTON

AULA DE PILOTAGEM EM PLANADOR – SOCIADADE DE PLANADORES DE SETTLE

FIM DE SEMANA A DOIS NO HOTEK HEATHMAN, PORTLAND – HOTEL HEATHMAN

FIM DE SEMANA EM ASPEN, COLORADO (PARA SEIS) – SR. R.FABRAY

UMA SEMANA A BORDO DO IATE SUSIECUE (SEIS LEITOS),

ATRACADO EM SANTA LÚCIA – DR. E SRA. LARIN.

UMA SEMANA NO LAGO ADRIANA, MONTANA (PARA OITO) – SR.&DRA. FABRAY

~

Puta merda. olho assustada para Quinn.

– Você tem uma propriedade em Aspen? – sussurro. O leilão já começou, então tenho que manter a voz baixa.

Ela faz que sim com a cabeça, surpresa e irritada, acho, com meu espanto. Com o dedo nos lábios, pede-me silêncio.

– Você tem mais algum imóvel? – pergunto.

Ela faz que sim de novo e inclina a cabeça, numa advertência.

O salão inteiro explode em gritos e aplausos, um dos prêmios foi vendido por doze mil dólares.

– Eu lhe conto depois – diz Quinn em voz baixa. – Queria ter ido lá com você – acrescenta, aborrecida.

Bem, mas não foi. Fico amuada e percebo que ainda estou irritadiça, sem dúvida é o efeito frustrante das bolas. Meu humor piorou depois que vi o nome da Mrs. Robinson na lista de generosos doadores.

Olho ao redor, procurando por ela, mas não consigo identificar o cabelo revelador. Certamente Quinn teria me avisado se ela estivesse sido convidada para festa. Fico remoendo, aplaudindo quando necessário, enquanto cada lote é vendido por quantias chocantes.

O leilão passa para o fim de semana na casa de Quinn, em Aspen, e já chegou a vinte mil dólares.

– Dou-lhe uma, dou-lhe duas – grita o mestre de cerimônias.

E então, não sei o que dá em mim, mas de repente ouço minha própria voz soar claramente por sobre a multidão.

– Vinte e quatro mil dólares!

Cada umas das máscaras na mesa se vira para mim, com espanto, e a maior reação de todas vem do meu lado. Ouço sua respiração profunda e sinto sua ira me dominar como uma onda.

– Vinte e quatro mil dólares, para a bela senhorita de vestido prata, dou-lhe uma, dou-lhe duas... Vendido!

Notas finais
Próximo postarei em breve!! Então quero saber se ainda tem alguém aqui? Kkk Desculpem-me mais uma vez... Juro q não vou demorar tanto assim pra postar o próximo.