My Daddy Is Zeus
5 V – Conversas
Notas iniciais
Confesso que fiquei um pouco decepcionada pelos poucos comentários do ultimo capitulo e espero que esse tenha bastante.
Boa leitura!
– Capítulo Cinco –
Conversas
O time azul não irrompeu em alvoroço pela vitória. Eles não debocharam e muito menos esfregaram a bandeira na cara do time vermelho; ficaram lá parados com os olhos arregalados, olhando do céu para mim e de mim para o céu como se buscassem uma explicação lógica para o que eu tinha acabado de fazer. Só que tem um pequeno problema: eu também não fazia idéia! Meu corpo ainda formigava pela enorme descarga carga elétrica e minha cabeça latejava por conta do golpe que tinha recebido. Tudo a minha volta girava. Eu perdia o foco por alguns segundos e depois ele voltava.
Karin tinha sido jogada no chão pelo impacto da espada. Não estava morta, mas parecia inconsciente pelo que minha visão permitia ver. Minha espada ainda fazia um zumbido estranho cravado no meio do Punho de Zeus. Os campistas nesse exato momento deviam estar me achando uma aberração cor de rosa eletrizante; cuidado, ela vai incinerar todos nós! Estava tão assustada que nem ao menos percebi quando Quiron se aproximou galopando, seguido por Sai, que parecia tão perplexo quanto eu.
Quiron olhou para Karin, para a espada e depois para mim. Seu rosto estava neutro, impedindo que eu lesse seus reais pensamentos, mas dava para perceber que ele não parecia muito contente. Ele suspirou entediado.
– Alguém, por favor, carregue Karin para a enfermaria? Ótimo! Ótimo!
Duas garotas parrudas do chalé de Ares pegaram Karin pelos braços e pelas pernas – igual a um frango –, e levaram embora. Eu teria rido em outras condições, mas esperava imensamente que não fosse nada grave. Não conseguia suportar mais a idéia de ser expulsa de algum lugar pelas burradas que eu fazia.
– Senhor Quiron... Eu juro que não tive a intenção de fazer isso.
– Acredito em você Sakura. – Ele apontou para o topo da minha cabeça onde uma águia de holograma flutuava bruxuleante. Sai baliu nervoso e Gaara, o garoto ruivo, soltou um gemido agudo.
Eu tinha acabado de ser proclamada. Não precisava ser a mais inteligente para saber aquilo, mas o momento que deveria ser feliz transformou-se um pesadelo. Águia era o símbolo de Zeus, então aquelas benevolentes estavam certas sobre mim; Eu era uma filha de Zeus. E sentia que o Hades tanto temia, talvez, estivesse próximo demais de acontecer. Os campistas antes silenciosos entraram em completo alvoroço, discutindo e gritando entre si, fazendo tudo parecer um terrível engano. Aquilo não deveria acontecer. Eu estava terrivelmente envergonhada e ofendida. Meus olhos se serraram e meu rosto de fechou em uma careta nada amigável.
– Bléerrrrr... Pelos Deuses, isso não é possível! – Sai disse.
– É muito possível Weyne. – Quiron sorriu. – Filha do Deus dos céus, Rei dos Deuses, Zeus! Meus parabéns!
–Parabéns?! Colé, isso não está ficando nada bom. – Gritou Gaara. – Primeiro o esquisito do Uchiha, depois o Naruto e agora tem mais essa esquisitona! Faça alguma coisa Quiron!
– Zeus prometeu não mandar mais deles para cá. Qual é o problema dele hein? – Uma voz feminina gritou chamando a atenção de todos. Eles gritaram um “é isso ai” em resposta, e até mesmo eu, sussurrei baixinho como uma boboca. Parecia estar sendo controlada.
O céu, que se tornou incrivelmente escuro, sacudiu em um raio. Certamente o Deus dos céus – pois vai ser difícil me acostumar com a idéia de chamá-lo de pai – não tinha gostado nadinha do tom esganiçado com que a garota usou. Ao contrario dos outros campistas, ela vestia um vestido rosa bebê e uma sapatilha branca. Parecia uma modelo do Victoria’s Secrets com seus longos cabelos loiros presos em um rabo de cavalo alto e a maquiagem exagerada.
– Zeus não prometeu nada, Ino. Por que não cala essa boca antes que você morra incinerada? – Suigetsu respondeu aos berros a garota cujo nome era Ino. Esta recuou com medo da possibilidade.
– Qual é o problema com vocês? – Ouvi Naruto gritar destacando-se na multidão. Ele parecia estar furioso, e aquilo, de certa forma, o deixava muito mais bonito. Se isso lá era possível. – Ela é como nós! Aqui é a casa dela!
Alguns campistas vaiaram Naruto indignados, provavelmente achando aquilo uma completa ofensa a eles. Eu não conseguia compreender o que estava acontecendo e o machucado em minha cabeça não estava ajudando. O jeito com que Ino tinha se referido aos filhos de Zeus não tinha me agradado nada. Algo ruim tinha acontecido a eles, mas ninguém parecia aberto para me falar o real motivo. Uma onda de terror percorreu o meu corpo, se eles não me aceitassem ali, eu teria que voltar para o lar de adoção até completar os meus dezoito anos, voltaria a explodir escolas e a me mudar de tempos em tempos. O meu sonho de ter um lar onde as pessoas me compreendiam parecia muito distante agora e eu comecei a achar que era uma desolada. Um número ímpar. Alguém que nunca teria nada a se apegar. Mas Quiron acalmou a multidão.
– Silêncio! – Ele gritou e todos se calaram. – Primeiramente declaro o time azul vencedor da primeira captura da bandeira deste verão! O time perdedor lavará as louças com as Harpias e também limpará o anfiteatro. – Os vermelhos resmungaram porem Quiron prosseguiu. – Quanto a Sakura, é evidente que a acolheremos, afinal é esse o propósito de existir um Acampamento. Entrarei em mais detalhes na próxima reunião. Estão todos dispensados! Obrigado!
Soltei todo o ar dos meus pulmões de uma vez, deixando meus ombros relaxarem. Todos iam me odiar para sempre, mas pelo menos eu tinha um lugar onde ficar. Sai parecia extremamente emocionado quando me abraçou, tentei argumentar sobre minha blusa estar um pouco molhada, mas ele dizia que sátiros eram durões e nunca choravam – o que eu sabia que era mentira, só que não discuti. – Ele afrouxou o braço e me olhou com o canto dos olhos marejados, então deu tapinhas em minhas costas e saiu trotando agitado. Talvez estivesse apertado, ou com muita pressa. Naruto tentou vir falar comigo, mas Quiron apontou para o refeitório e ele seguiu para lá de cabeça a baixa. Queria muito falar com ele e agradecer pelo gesto que tinha feito, afinal querendo ou não ele parecia excluído do pessoal mesmo sendo capitão do time azul. Por fim, aos poucos os campistas deixaram as clareiras, e logo estava apenas eu e Quiron.
– Não vou demorar. – Quiron disse parecendo ler minha mente. Ele apontou para minha testa e automaticamente minha mão passou pelo local.
– Ah sim... Karin... Bom, acho que ficarei bem. – Dei de ombros.
Ele pegou algodões dentro de uma pequena bolsa de couro que carregava ao longo da cintura, passou um pouco do mesmo liquido que eu tinha bebido na enfermaria e então puxou algumas talas. Limpou o ferimento com o algodão, fazendo boa parte da minha visão voltar ao normal e enrolou com as talas minha testa. Quiron parecia alguém muito sábio e integro exatamente como os mitos diziam. Mas eu não entendia porque ele estava ali sendo o diretor de atividades, se era um filho de Cronos, um dos titãs e deveria estar jogando suas maldades pelo mundo. Talvez assim como eu, ele não fosse especial como o pai. Definitivamente eu não me sentia uma filha de Zeus.
– Pronto. Pode ir agora. Mais tarde conversaremos. – Ele disse.
– Quiron é possível haver um engano em uma proclamação? – Perguntei, ignorando sua ordem.
– Impossível. Os deuses são rigorosos quanto a isso... – Seus profundos olhos castanhos penetraram em mim. – Ora criança, deveria estar orgulhosa de seu pai ser Zeus.
– Sim... mas eu não forte ou inteligente como os outros. Eu não me encaixo! – Admiti.
– É muito cedo ainda para dizer uma coisa dessas – Quiron suspirou – Ainda não conhece seus poderes Sakura. Se quiser um conselho, mesmo não se encaixando, honre seu pai. Os deuses costumam ficar ofendidos quando rejeitados.
– Alguns deles fizeram mal a vocês não foi? Digo... os filhos de Zeus – Comecei, sabendo que aquele assunto era delicado.
Quiron hesitou por um momento talvez pensando se fosse certo mesmo falar sobre aquilo comigo. Ele sorriu de canto e voltou seus olhos para o céu, que aos poucos se limpava.
– Se não me engano, você é a única filha de Zeus aqui.
Quiron sutilmente tinha mudado de assunto.
– O que? Achei que eu tivesse irmãos como os outros! – Falei indignada.
– Os três grandes. Zeus, Poseidon e Hades. – Ele contou nos dedos. – Eles há muito tempo juraram não ter mais filhos, pois estes nasciam com poderes demais e isso pode ser algo muito perigoso. Só que aparentemente essa promessa foi quebrada e de vez em quando um filho dos três grandes nasce. – Quiron bateu os cascos no chão fazendo um barulho engraçado. – Faz muito tempo que um filho de Zeus não aparece por aqui. Muitos morrem no caminho.
– Você não me respondeu ainda. – Insisti.
– Acho que isso basta por enquanto. Você descobrirá mais em um futuro próximo. Que tal ir conhecer seu chalé? É o numero um, logo ali. – Apontou. Pelo tom de sua voz a conversava estava encerrada, então não insisti. – Sasuke pode te levar até lá.
Olhei por cima do ombro a tempo de vê-lo pular do galho da arvore e pousar no chão sem muita dificuldade. Naruto era muito bonito, mas Sasuke conseguia superá-lo. Eu não tinha dado falta dele até agora, também acho que não deveria afinal nós aparentemente não nos dávamos muito bem. Só que Sasuke tinha algo que me fazia querer desvendá-lo. Iguais aos enigmas que minha professora de português da quarta série passava, mas que eu nunca conseguia resolvê-los por conta da minha dislexia. Os olhos feitos noite dele tinham um brilho tão diabólico que pensei estar vendo almas gritarem, iguais o sobretudo que Hades usava em meu sonho. Ele tinha grandes olheiras abaixo dos olhos, iguais as minhas quando ficava muito tempo sem dormir, mas isso não o fazia ficar feio. Sasuke caminhou até mim com as mãos no bolso e o cenho franzido em deboche rindo internamente da recepção calorosa que me deram. E pelo pouco que sabia, ele parecia estar incluído no grupo de esquisitões. Talvez soubesse o que eu estava sentindo.
Quiron se despediu com um aceno de cabeça singelo, dizendo que precisava se reunir com os conselheiros. Ele deu uma ultima olhada para Sasuke como se mandasse uma mensagem telepática para ele, o moreno afirmou com a cabeça positivamente. Seja lá o que for Sasuke havia entendido. Nós descemos a pedra, e atravessamos a clareira em direção aos chalés sem pronunciar uma palavra. Meus olhos estavam perdidos no por do sol. O dia tinha passado muito rápido e o tempo ali parecia bem maluco, Sai tinha dito que sempre fazia sol no Acampamento, e que só chovia e nevava se quiséssemos isso. Isso de certa forma me intrigou, pois se fosse para escolher, que houvesse chuva todos os dias. Eu simplesmente adorava a sensação das gotas de chuvas na minha pele, elas faziam cócegas e de alguma forma lembravam vagamente minha mãe, embora eu não soubesse nada sobre ela. Bom, sabia sua aparência e seu nome, mas isso não bastava para mim. Mais do que nunca, naquele momento, queria que ela estivesse ali para dizer o quanto boba eu estava sendo ao temer o que realmente era.
Os chalés em formação de U eram bem maiores do que eu imaginava visto lá de cima da colina. Todos tinham os símbolos de seus perspectivos parentes gregos e a personalidade de cada um. No centro no U ficavam três chalés destacados. Zeus, Poseidon e Hera. Sai havia me explicado que antigamente Hades não possuía um chalé ali, portanto, quando este foi obrigatório passou a ser o chalé 13.
O chalé 1 se assemelha a uma grande caixa de mármore branco com colunas pesadas na frente. Dentre todos os chalés era o maior e mais magnífico. As portas de bronze polido cintilavam como um holograma, de modo que, visto de ângulos diferentes, raios parecem atravessá-las. Bem acima do número 1 de latão está ostentado o símbolo de uma águia.
O chalé 2 assim como o 1, é feito de mármore. Mas, em relação a este, era muito mais gracioso. Com colunas finas encimadas com galhos e frutos de romã e flores diversas. As paredes eram entalhadas com imagens de pavões. Sobre o número 2 de latão na fachada uma pena indica que esse local é protegido pela deusa do matrimônio.
E o chalé 3, possuía uma forma mais comprida, baixa e sólida. As paredes externas eram feitas de pedras marítimas cinzentas e rústicas, salpicadas de pedaços de conchas e coral, como se tivesse sido cortada diretamente do fundo do mar. Sobre o número 3 de latão se encontra um símbolo de um tridente.
Estiquei o meu pescoço para poder olhar o chalé de Hades, mas estava longe demais e desisti.
– Você é filho de Hades. – Disse a Sasuke.
– Sim, sou. – Respondeu.
– Você também não é de falar muito. – Observei.
– Falo apenas o necessário e o indispensável.
– Obrigado por me salvar das fúrias...
– Benevolentes, por favor. – Corrigiu – Ao menos que você as queira aqui.
– Entendi. Ei, o que aconteceu para todos odiarem filhos de Zeus? – Perguntei na esperança de que ele fosse me responder.
– Não é o momento certo para falarmos disso. – Bufei estressada. – Entre no seu chalé. – Ordenou. Os braços dele me encurralaram contra a porta, e quando pensei que ele acertaria a espada na minha cabeça, Sasuke destrancou a porta me fazendo cambalear para dentro.
O lugar todo era sinistro. Sinistro no sentindo de arrepiante e sombrio. Há muitos anos ninguém colocava os pés naquele lugar, por que o chão estava cheio de poeira e isso me fez espirrar. As paredes eram brancas e sem graça. Dois beliches no canto esquerdo pareciam nem um pouco confortáveis. A direita do lado oposto, a janela com as cortinas cinza chumbo balançando com o vento vindo da praia, dava uma visão dos estábulos. O teto era uma projeção perfeita do céu em uma tempestade produzindo em tempo real o som dos raios cortando o céu. Bem no centro, majestoso e impotente, uma grande estatua de três metros de Zeus fazia o lugar ter uma áurea poderosa. Ele estava vestido para a batalha; com sua armadura grega, seu escudo e espada em mãos. Sua boca estava aberta em um grito e nos pés da estatua uma oferenda mofada parecia ter sido jogada ali de qualquer jeito. A estatua estava inclinada para a direita, ficando de costas para os beliches como se a pessoa que antes residira ali não gostasse de olhar nos olhos do pai.
A raiva aos poucos começou a me consumir. Não tinha como eu ficar orgulhosa por meu pai ser Zeus. Se ele fosse um bom pai, ele teria sido presente na minha vida. Pelo menos uma ajuda ele poderia ter me dado, ou um sinal para o caminho certo a ser seguido. Ele tinha me largado por dezesseis anos e então finalmente decidiu dar um sinal e ainda queria minha honra? Ora, que ele se dane! Aquilo parecia tão errado quanto comer dunutts no café da manha. Um raio cortou o céu-teto do meu chalé e Sasuke sorrateiramente se encolheu para fora. Talvez o menino misterioso tivesse medo de Zeus tanto quanto a pessoa que tinha morado ali, afinal ele era filho de Hades e pelo que eu sabia ambos os deuses tinham uma pequena rixa. Olhei mais uma vez para a estátua e então fechei a porta do chalé com toda a força que tinha. Zeus despertava a fúria em mim.
Sasuke estava escorado da porta do meu chalé girando um colar de contas no dedo indicador parecendo terrivelmente entediado. Ele tinha cheiro de cemitério e aquilo me deu anciã de vomito. Só uma vez em minha vida estive em um cemitério, e foi quando a minha vizinha gorducha havia morrido e o porteiro tinha praticamente obrigado todo o prédio ir ao enterro. Mas algo me dizia que Sasuke não tinha sempre aquele cheiro, por isso evitei fazer uma pergunta idiota.
– Odiando ser uma cria de Zeus? Bom, eu também odiaria. – Ele disse casualmente exibindo a voz grave e rouca.
– Não quero falar sobre isso. – Decidi. – Que tal me levar pra comer? Estou com fome.
– Acho que você pode ir sozinha até o refeitório. O idiota do Naruto deve estar te esperando.
– Ele não parece gostar muito de você. – Comentei.
– Isso não me abala – Deu de ombros. – Alem do mais, não gosto dele também.
– Por quê? – Perguntei curiosa.
– Você faz perguntas demais. – Sasuke disse, bocejando em seguida. – Até logo. – Ele já tinha se virado para ir até o seu chalé, mas eu o parei.
– Desculpe ter machucado a sua namorada. Não fiz de propósito.
– Poderia tê-la matado. Eu te agradeceria. – Grunhiu com os lábios e identifiquei aquilo como sendo sua risada.
– Não vai comer? – Perguntei. Eu não sabia o que estava acontecendo para estar puxando tanto assunto, mas não queria que ele fosse embora. Não queria mesmo.
– Estou sem fome. – Apontou para as olheiras. – Dormir...
Eu enrubesci por tamanha vergonha. Como não tinha percebido que ele estava querendo se livrar de mim de um jeito sutil? Ponto para você Sakura! Legal!
– Certo... Que tal tomar um banho também? – Sugeri. – Você está com cheiro de...
– Morte. – Completou. – Isso é bem normal quando se passa muito tempo no Mundo Inferior. – Sasuke disse, mas pareceu se arrepender logo após.
Troquei o peso do meu corpo para a perna direita. Sasuke ainda estava com a mão na maçaneta em um conflito interno de ficar ou ir embora, e parecia que ir embora estava ganhando em disparada,pois seus pés batiam agitados no chão da pequena estradinha. Eu olhei por cima dos ombros notando o começo de uma pequena comemoração no refeitório. O time azul tinha começado sua festa.
– Essa é a minha deixa. – Sussurrei. – Boa noite morto-vivo.
(...)
– Sakura-chan! Aqui! – Naruto gritou assim que entrei no refeitório.
O lugar não era muito grande. As mesas eram divididas pelo numero de chalés, contando ao todo doze mesas de piquenique de madeira escura. Em um pedestal mais alto, parecido com um palco, uma mesa larga compostas por cinco cadeiras vazias, exceto por uma, onde um homem barrigudo com uma camisa floral havaiana e barba por fazer bebia uma coca diet e jogava vídeo game. Ele parecia estar de divertindo com a bagunça, pois seu rosto exibia um sorriso de esplendor. Seja lá quem ele for não parecia alguém de autoridade como Quiron.
– Você demorou. Onde estava? – Naruto franziu o rosto.
Ele estava sentado na mesa de Poseidon repleto por muitas pizzas de calabresa e coca-colas. Tinha uma barba de farelos de massa de pizza que me fazia ter vontade de apresentá-lo ao guardanapo. Naruto jogou a cabeça para trás fazendo seus olhos azul-mar encontrar-se com os meus.
– Fui ver o meu chalé. – Disse. Ocultando que tinha sido com Sasuke.
– Ele é bonito? Porque o meu... Nossa, é um saco! – Ele disse sem entusiasmo.
– Não tem nada. Só uma estatua gigante do meu... De Zeus. – Tentei dizer que ele era meu pai, só que aquilo parecia muito errado.
– Oferendas – Resmungou Naruto. – Como se não bastasse dar metade da minha pizza na fogueira. Senta aí Sakura! – Ele apontou para o banco ao lado dele.
– Não acho que seja certo.
– Papai é legal. – Ele deu de ombros. – E é muito ruim festejar sozinho enquanto os outros têm irmãos com quem fazer isso. – Apontou para as outras mesas. – Sasuke costuma sentar aqui comigo, mas ele sumiu depois de perder feio. Deve estar choramingando o quanto nós somos poderosos.
– Achei que vocês não se dessem bem. – Disse confusa. Há poucos minutos Sasuke tinha me dito que não gostava dele.
– Ele me odeia porque tem medo de... – Naruto se interrompeu. – Não acho que devo falar sobre isso. A questão é que o Dobe é difícil, mas eu me viro.
Por fim acabei por sentar-se à mesa. Nada de ruim aconteceu como eu esperava e ninguém olhou para nós exasperados. Naruto contava histórias sobre o quanto o pai dele era poderoso e importante para o mundo. Isso mostrava que ele gostava muito do pai que tinha, e apesar de parecer um hiper ego, tudo que saia de seus lábios carnudos e avermelhados – sim, eu fiquei olhando para os lábios dele. – parecia extremamente preciso e verdadeiro como se tivesse presenciado cada acontecimento. Naruto exalava naturalidade. Tudo nele parecia ser muito verdadeiro que fiquei me questionando porque todos ali pareciam ter algo contra a ele. Comi cinco pedaços inteiros de pizza, dando um para a oferenda obrigatória sem muita vontade. Contei um pouco da minha história para Naruto enquanto o via rir amostrando seus dentes incrivelmente brancos quando contava algo engraçado. Em uma das vezes, ele ergueu o copo e este se encheu de coca diet como mágica. Naruto me disse que era só pedir que aparecia. Tentei algumas vezes e a sensação foi ótima.
Quando nós demos por si, o refeitório estava quase completamente vazio. Restando só alguns campistas do chalé de Hermes e de Dionísio que pareciam não ter em seu vocabulário a palavra “acabou”. Naruto se despediu com um abraço e um beijo estalado na bochecha. Alguma coisa me dizia que aquele seria nosso ultimo dia de paz. Algo muito ruim estava para acontecer.
Continua....
Notas finais
Beijinhos!!!!
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