My Consigliére

11 Chapter 11 Fisic.


Ruki acordou atordoado.

Sua cabeça doía.

Não...Não era a cabeça...

...

ERA A ORELHA.

-Poxa, ele disse que ia doer só um pouquinho. — bufou, coçando a nuca, vendo o resultado da orelha no espelho.

Estava um inchada e avermelhada, mas não tirava a beleza do alargador.

Sorriu e desceu as escadas.

Bom, não era nenhuma surpresa ele estar sozinho em casa.

De novo.

Sempre.

-Oh baby! Não se vá! Nãooo! — o moreno cantava, divertido.

Continuou folheando a revista enquanto mordia seu piercing, analisando as novas tendências musicais.

-Caramba, meu, como essa banda lixo tá aqui nessa revista? — Aoi disse para si mesmo, fazendo uma careta engraçada. -Um dia minha bandinha de fundo de quintal vai estar nessa revista, man! — riu.

Continuou lendo a revista.

O movimento no estúdio estava bem razoável, mas dessa vez seu ajudante não estava de folga, deixando Aoi bem...Desatarefado.

-Porra, Aoi, onde você enfiou o catéter? To precisando fazer um piercing, sabia? — o ajudante bufou.

-Ah! — o moreno riu, se virando. — Na parte de baixo do armário.

-Que armário, infeliz? — o outro fez cara de tacho.

-O do lado do balcão onde fica a estufa, Ishihara. — Aoi revirou os olhos.

-Ah, verdade. — o rapaz piscou, voltando a atender o cliente.

Aoi riu mais.

Miyavi, o apelido do assistente, era meio lerdo, mas era um ótimo funcionário.

O moreno voltou a ler a revista.

-Caraaaaaaalho! — sorriu, vendo uma matéria de uma de suas andas favoritas.

Sentiu seu celular vibrar em seu bolso.

Atendeu ansioso.

-Moshi moshi, Aoi desu nee. — enquanto segurava o celular com uma das mãos, a outra trabalhava em folhear a revista.

-Aoi-san, sou eu, o Ruki. — ouviu a voz do mais novo no aparelho.

-Ah...COMO VOCÊ CONSEGUIU MEU CELULAR?! — Aoi disse, perplexo.

-Er...Seu número vem no cartão comercial que você me entregou. — riu sem jeito. — Não podia ligar?

-Ah! Claro, eu sabia. — riu, disfarçando a gafe. — Podia sim, o que houve?

-...Como eu faço para parar de doer essa porra? — Ruki disse, sua voz doce contrastando com o palavrão.

-Ah sei lá, quando pus o meu, eu fiz compressa de água fria. — sorriu.

-Como assim \'sei lá\'?! Você não é body piercer?!

-Sou, mas não médico. Não posso receitar nada para você passar aí, só pomada cicatrizante. — Aoi suspirou, continuando a dar umas olhadas na revista.

-A-ah, sim...Então...Vou fazer a compressa, tá? Bai.

-Bai bai, Ru-chan. — Aoi sorriu, desligando o aparelho.

Manteve o sorriso no rosto por um bom tempo.

Não se sabe se era por causa da ligação ou por causa da revista.

-Aoiii! Cadê o catéter?!?! — Miyavi gritou.

-Qual o princípio da Lei da Inércia de Newton?

-O corpo permanece estável, em repouso, enquanto nenhuma outra força é exercida sobre ele, o fazendo sair de sua posição inicial. — Reita suspirou. — Certo?

-Bem...Aqui no livro está diferente, mas essa é a idéia da Inércia. Agora faz esse quatro exercícios e depois a gente continua estudando as teorias.

-Okkei. — o loiro suspirou, pegando o livro das mãos de seu pai, começando o primeiro exercício.

Não havia conversado com Ruki naquele dia.

Haviam desmarcado o passeio deles naquele dia, Reita estava...De castigo.

Só poderia sair na outra semana, então logo combinaria de sair com o pequeno de novo.

Estava estressado.

Muito estressado.

Uruha não o respondia.

Reita sentia uma falta enorme do loiro, mesmo que eles só haviam se visto, no máximo, cinco vezes.

Mandava SMS todos os dias, esperando que talvez o loiro o respondesse, mas ele não respondia, nunca.

Tentara ligar, mas ele nunca o atendia.

-Muito difícil aí, filho? — sua mãe o observava fazer os exercícios.

-Não, achei que fosse ser mais. — sorriu, arrumando os óculos. Não usava lente em casa.

-Então tá. — a mulher sorriu, ouvindo a campainha da porta. — Vou atender a pota, já volto.

Reita acenou com a cabeça, vendo sua mãe se afastando, até chegar no hall de entrada de sua casa e abrir a porta.

Não viu mais nada, estava fora do campo de visão.

Só ouvia as vozes.

-Olá. — sua mãe dissera.

-O-olá. A senhora deve ser a Suzuki-san, mãe do Akira-kun, certo? — Reita ergueu uma sobrancelha ao ouvir seu nome.

-Sim, sim. Gostaria de falar com o Akira?

-Sim, por favor.

-Ah, ele está na cozinha, fazendo alguns exercícios de Física, entre...?

-Ah, meu nome é Kouyou, desculpe. — sorriu sem jeito, entrando o local.

Reita prestava atenção na conversa, tentando adivinhar onde ouvira aquela voz.

Ele nem conhecia nenhum Kouyou.

-Aki, o Kouyou quer falar com você. — sua mãe sorriu, saindo da cozinha e dando espaço para o rapaz entrar.

-Kouyou...?

Reita ficou olhando para a porta, vendo um loiro entrar, sorrindo.

-Meu nome verdadeiro é Kouyou, Uruha é meu nome de...Guerra. — riu, sem jeito. — Podemos conversar?

-K-kouyou...? — Reita piscou, se levantando de súbito, puxando a cadeira pro outro sentar à mesa. — V-você não recebeu minhas mensagens? E-eu...

-Recebi todas... — sorriu, mostrando no display do celular, vinte e cinco SMS.

-Ah sim...Mas por que...Não me respondeu?

-Vim aqui para te responder, Reita.