My Calling
12 I will realize I am better off when I hit the bottom.
Esperamos ansiosos pela saída da minha mãe que nos deu uma olhada do tipo “Eu sei o que vocês vão fazer”. Quando ela finalmente foi fazer sei lá o que tinha pra fazer, confesso que não tava prestando atenção quando ela falou, nós subimos pro meu quarto.
Wes estava sobre mim enquanto seu membro entrava e saía de dentro de mim e de repente ele parou os movimentos e saiu de cima de mim.
– Cora? Você tá se sentindo bem? – falou passando a mão na minha testa pra limpar o suor.
– To... – falei nada convincente.
– Você tá branca. – ele me olhava desesperado.
– Eu sou branca, Wes. – falei fraco e dei um sorrisinho no final.
– Mais branca que o normal. – ele falou colocando a cueca. – Vem, vou te colocar em baixo do chuveiro. – ele me segurou em seus braços musculosos e me levou até o banheiro, me deitou na banheira e ligou o chuveiro deixando a água cair sobre mim.
De fato eu não estava me sentindo bem, eu não sinto que as sessões têm feito alguma diferença e eu sei que os médicos perceberam isso também. Eu só não queria admitir isso, não queria vestir a carapuça de coitadinha que todos me colocam porque eu não quero ser a coitadinha, eu não quero todos se preocupando e sofrendo comigo. O Wes, minha mãe, a Chloe, Drew, Keaton e todos os outros precisam entender que eu estou doente, eles não. Eu odeio o fato de que eles param de viver a vida deles por minha causa, por isso eu não quis contar pra ninguém na primeira vez.
Wesley me deu banho, me vestiu e depois me deitou na cama de novo. Ele saiu do quarto sem falar nada e depois voltou com um copo de água numa mão e a outra mão estava cerrada. Aproximou-se e abriu a mão, mostrando os remédios que minha mãe tinha pedido pra ele me dar às cinco horas.
– Sua mãe disse que eles dão sono. – disse após pegar o copo da minha mão.
– Uhum. – falei me ajeitando na cama.
– Cora, você não pode ficar mentindo ou escondendo como você tá se sentindo. – ele falou deitando do meu lado após largar o copo no criado mudo.
– Eu to bem, juro. – falei fechando os olhos.
– Não tá não, eu sei que você não tá. Da pra notar...
– Eu só... Só... – não consegui terminar a frase porque acabei dormindo.
Acordei ouvindo uma gritaria, Wes não estava mais do meu lado e mal consegui levantar porque tudo girava. Com muito esforço consegui chegar até a sala e vi que a gritaria acontecia entre minha mãe e meu pai.
– Você não vai levá-la pra capital! – minha mãe gritava para o homem que a abandonou alguns anos atrás.
– Os médicos lá são melhores do que aqui. Para de ser teimosa, pelo amor de deus, Ceci. – ele insistia.
– Não, Paul, não adianta. Minha filha vai ficar aqui e eu vou cuidar dela com os médicos que já a conhecem, eles a curaram uma vez e vão fazer de novo.
– Você sabe que o tratamento não tá funcionando, ela não apresenta melhoras a um bom tempo. Acha mesmo que esses médicos daqui vão conseguir fazer algo?
– Sim, eles vão. Eu não vou deixar você levar a Coraline pra longe de mim e eu tenho certeza que ela não iria com você a lugar nenhum.
– Mãe... – falei fraco, parada no fim da escada observando-os.
– Filha, você acordou. – minha mãe veio até mim.
– O que ele tá fazendo aqui? – falei caminhando até o sofá com a ajuda da minha mãe.
– Eu vim ver você. – falou agachando em minha frente.
– Já me viu. Pode ir agora. – falei quase sussurrando.
– Filha, eu quero levar você pra fazer o tratamento na capital. Você sabe que lá os recursos são melhores. – ele disse sentando ao meu lado e segurando a minha mão.
– Vocês não entendem, não é? – disse e os dois me encararam confusos. – Esses remédios, tratamentos e etc não vão me levar a lugar nenhum. Vocês sabem, eu sei, os médicos sabem que eles não têm efeito nenhum, que meu câncer está avançado demais pra isso. O que me mantêm viva, o que faz com que eu lute contra mim mesma são as pessoas que estão comigo. Minha mãe, Chloe, meu namorado, Keaton e Drew. Eles fazem mais diferença do que qualquer remédio. Se me afastarem deles, eu vou morrer no primeiro instante.
– Não fala assim, Cora. Ainda temos alguns recursos pra tentar antes de desistir. – meu pai disse alisando minha cabeça.
– Claro. Eu posso voltar a morar naquele hospital, ficar careca, com olheiras maiores do que as da minha professora de filosofia. Virar um zumbi praticamente... – resmunguei.
– Eu não vou desistir de salvar minha filha. – minha mãe disse me encarando. – E concordo com o que disse sobre seus amigos. Você não pode e nem deve ficar longe deles.
– Eu te amo, mãe. – falei deixando uma lágrima escorrer.
– Eu também amo você, bebezão. – ela falou limpando a lágrima escorrida em minha bochecha. Em outros casos eu reclamaria do apelido, mas dessa vez, eu deixei passar.
– Eu to um pouco enjoada, acho que vou voltar pro meu quarto... – falei levantando, mas acabei caindo sentada de novo.
– O Wes me disse que você teve uma crise enquanto eu saí. Acho que vou te levar ao hospital. – minha mãe disse me fazendo sentar novamente.
– Eu não tive crise nenhuma, ele está exagerando. – falei revirando os olhos.
– Bom... Acho que eu vou embora. – meu pai falou levantando e me encarando.
– Eu agradeço a tentativa de se aproximar novamente, mas você está dez anos atrasado. – falei fazendo uma expressão de lamentação que na verdade eu não sentia.
– Espero que um dia possa me perdoar. – ele disse beijando o topo da minha cabeça e minha mãe acompanhou-o até a porta.
– Você sabe que ela nunca vai superar isso. Você era o ídolo dela. – ouvi minha mãe dizer antes de fechar a porta.
– Onde o Wes foi? – perguntei deitando no sofá. A sensação de cansaço se fazia presente todo o tempo.
– Ele não me disse. – murmurei um “hm”. – Agora vem trocar de roupa que eu vou te levar ao hospital.
– Mãe, eles vão querer me internar... – resmunguei.
– Nada do que disser vai me fazer mudar de ideia. – disse se aproximando e me ajudando a levantar do sofá.
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