My Calling

3 All the little things you do.


Notas iniciais
Aqui vai mais um...

Se você acha que após um excelente banho de banheira com muita espuma — minha mãe que compra essas coisas, não dá pra recusar um frasco de bubble bath da Tinkerbell — e uma pizza de quatro queijos perfeita, eu finalmente esqueci sobre o maldito beijinho está muito enganada. Eu não esqueci, nem um pouco, nem por um minuto. Nem mesmo quando eu o vi na escola e ele, pela primeiríssima vez, veio falar comigo.

– Laragnoit, entreguei o trabalho e o senhor Fitz gostou muito. Se prepare para se jogar da varanda do seu quarto. — falou me provocando e rindo, senti o olhar da Melanie, a patricinha mor, queimando sobre nós.

– Só se você tirar onze, porque ele me deu dez. — falei sorrindo vitoriosa.

– Ah, tudo bem... O importante é que vou tirar mais de cinco pela primeira vez. — ele riu. — Obrigada, Cora. — segurou na minha cintura, o que me fez estremecer, esse menino devia ser proíbido de tocar em mim, e me abraçou.

– É, de nada. — falei sem jeito.

– Próximo trabalho a gente vai fazer juntos, ok?

– Ta, até que não foi tão rui... — alguém o chamou e ele disse que tinha que ir, mas antes deu um beijo na minha bochecha.

Ok, eu odeio o Wesley Stromberg. Mas agora esse ódio não é igual ao que eu tinha anteontem, de não suportar olhar pra cara dele, é ódio por não entender o que é isso que eu sinto quando ele toca em mim, quando ele abre aquele sorriso enorme e mostra os dentes perfeitamente alinhados ou como o cheiro dele que ficou em mim por causa do abraço é extremamente agrádavel.

– Coraline Laragnoit, você ta me ouvindo? — Chloe disse estalando os dedos na minha frente.

– Tô, você fala demais, menina.

– E você fala de menos! Me conta como foi com o Wesley ontem?

– Normal, eu não matei ele. Orgulho de mim mesma.

– Não acredito... — murmurou.

– O quê? — falei olhando pra ela.

– Você não vai me contar que Wesley Stromberg te deu um selinho? — ela gritou, mas por sorte não tinha ninguém por perto.

– Xiu... Fala baixo. Como você sabe?

– O Keats me contou. — deu de ombros.

– Como o Keaton sabe? — perguntei confusa.

– O Wes contou pra ele. — não pude negar que fiquei feliz pelo fato dele ter falado sobre o que aconteceu com a gente pro irmão. — Bom, decepcionada porque você não ia me contar.

– Não foi nada demais, só queria esquecer isso. — falei sem encará-la, Chloe sempre sabe quando to mentindo.

– Sei, você odeia ele. — falou imitando minha voz.

– Isso mesmo.

– Vou passar na sua casa as duas da tarde pra gente ir pra praia. — falou me lembrando do "encontro de paz" com o Keaton.

– Ta bom, mas eu não vou ser simpática, já vou logo avisando.

– Faz um esforço, ok? Por mim.

– Tentarei. Vou pra casa almoçar e ficar te esperando. — peguei a bicicleta e fiz o caminho que faço todos os dias a uns cinco anos, mais ou menos.

Uma esperança de que Wes fosse pra praia junto com a gente surgiu, mas eu tinha que esquecê-la, eu tinha que esquecer ele e tudo o que ele me causava. Eu simplesmente não posso gostar dele, até porque ele nunca vai sentir o mesmo. Wesley Stromberg só gosta de uma pessoa. Ele mesmo. Chloe chegou um pouco antes do combinado, minha mãe ainda tava em casa e ela disse antes que eu saísse:

– Seja a filha simpática, educada e doce que você era antes de tudo aquilo.

– Obrigada por lembrar do "tudo aquilo", mãe. — dei um sorriso amarelo e saí.

Chloe, Keaton e Drew estavam no meu jardim. Drew Chadwick mora junto com os Stromberg, eles são muito amigos, mas ele é mais velho e quase não o vejo. É tão gato quanto o Wes, mas é um tipo de beleza diferente. Ele é todo da paz, gosta de passar mensagem inspiradoras pros outros, tem uma paixonite pelo Gandhi e quem o vê de longe acha que circula chá de maconha na veia dele e não sangue. Costumávamos sair e brincar quando éramos mais novos, mas não sei bem por qual razão nos afastamos. Hoje em dia eu mal sei quem ele é.

Cumprimentei todo mundo e fomos pra praia. Drew foi para o mar pegar onda e o Keaton ficou comigo e a Chloe na areia.

– Eu odeio o sol. — resmunguei.

– Você gosta de alguma coisa? — Keaton respondeu me encarando, não dava para ver seus olhos através dos óculos.

– Não, ela não gosta. — Chloe respondeu por mim.

– Você me conhece tão bem. — sorri.

– Conta pra ela logo, Chloe. — ouvi Keaton "sussurrar" para ela.

– Cora, você sabe que eu te amo mais que tudo né?

– Que merda você fez agora? — perguntei sem me mexer.

– Eu e o Keaton a gente tá ficando e eu não queria que ficasse um clima estranho entre a gente porque eu gosto muito dos dois.

– Ele roubou nosso gato. — falei novamente sem me mexer. — Como você pôde, Keaton?

– O Zuni era meu antes, mas ele tinha fugido! — ele respondeu.

– Peep! O nome dele é Peep.

– Não é não. Para de ser implicante, pelo amor de Deus, Cora. — foi a vez de Chloe falar.

– Ok, traidora. Eu vou pra casa que minha cota de sol já deu por hoje.

– Ah, não... Eu te trouxe aqui pra fazer as pazes com o Keaton e esquecer essa história do Zuni — é Peep! — de uma vez por todas.

– Tudo bem. — revirei os olhos. — Perdoado por roubar seu gato que eu havia roubado. Vê se cuida bem da minha amiga, ou...

– Desculpada, não precisa continuar a frase. — falou com medo e rimos. — Não vai embora não, meu irmão daqui a pouco ta ai...

– Ah, melhor eu ir pra casa mesmo. Já tenho que olhar pra cara do seu irmão na escola.

– Até quando ela vai continuar com essa de não gostar do Wesley? — Keaton falou para a Chloe.

– Fãs por todas as partes. — Wesley falou se aproximando. — Laragnoit, você por aqui? — disse com surpresa e sentou ao meu lado.

– É, fui meio que obrigada. — resmunguei.

– O que o Chadwick tá fazendo no mar? Não tem onda nenhuma. — Wes falou encarando o mar.

– Mas tem garotas. — Keats falou e eu achei que Wes ia levantar e ir para o mar também, porque é isso o que se espera dele.

– Tem coisas mais interessantes aqui na areia. — ele falou e olhou para mim. Ok, isso não era o esperado, nem um pouco esperado. Fingi que não escutei e continuei olhando o mar.

– Quem quer um sorvete? — Keaton perguntou levantando.

– Eu quero. — Chloe levantou também e eles olharam pra mim.

– Não, obrigada. — falei e Wes disse que também não queria e então, eles foram até a sorveteria que tem do outro lado da avenida.

Eu não queria ficar sozinha com o Wes, o beijo, aquilo que ele falou e a olhada pra mim não saíam da minha cabeça. Esse garoto ta me enlouquecendo.

– Tá tudo bem com você, Cora?

– Porque de repente você tá tão legal comigo? — o encarei.

– Eu só to tentando te conhecer de verdade.

– Nossa que profundo.

– Já parou pra pensar que você acha que me conhece e sabe tudo de mim, mas na verdade tudo o que você acha que sabe é engano seu?

– O quê? Wesley, eu conheço você minha vida toda. Eu sei tudo o que preciso sobre você.

– Não, não sabe nem um quarto. Você só conhece o que você observa e julga. Não quem eu sou de verdade.

– Você já não tem piranhas o suficiente pra encher naquela escola? Vou pra minha casa.

– Tá, tanto faz. — murmurou e eu já estava longe pra responder qualquer coisa.

Notas finais
Até o próximo...