My Calling

7 A love no one could deny.


– Eu só tenho mais uma coisa pra falar. — Paul falou me encarando. Arqueei a sobrancelha como se falasse para continuar. — Vamos voltar a morar aqui e quero que você passe os fins de semana comigo.

– Qual? — ele me olhou confuso. — A chance? Você acha que é assim? Que fica dez anos sumido e depois volta achando que eu ia te receber sorridente e feliz? E quem é "vamos"?

– Eu, a Jenny e a filha da Jenny. Eu não entendo quando você se tornou tão amarga, minha filha...

– Talvez tenha sido quando meu pai abandonou a mim e a minha mãe por um rabo de saia, ou pelo fato de que estou morrendo. Faça suas apostas. — falei fitando-o.

– Eu tenho o direito de passar os fins de semana com você!

– Que direito? De pai é que não é porque você nunca foi um. — comecei a me sentir tonta e senti Wes me segurar para não cair deitada na cama.

– Acho melhor você ir embora, não ta fazendo bem a ninguém aqui. — Stromberg falou e fiquei muito orgulhosa dele, that's my boy.

– Quem é esse garoto?

– Alguém muito mais importante na minha vida do que você. — falei com dificuldade.

Paul finalmente foi embora, mas antes disse que ia falar com o advogado porque ele é meu pai e que isso não vai ficar assim, bla bla bla. Uma enfermeira injetou algum remédio na minha veia para que eu me acalmasse e funcionou, fiquei deitada assistindo televisão com o Wes deitado do meu lado.

– Posso entrar? — uma voz feminina falou abrindo a porta.

– Vou até a lanchonete, já volto, amor. — disse beijando minha testa e saiu.

– Eu ainda não morri, sabia? — falei sentando na cama.

– Me desculp... — Chloe foi interrompida pelas lágrimas que começaram a escorrer por seu rosto. — Eu só não podia enfrentar tudo isso de novo, eu não conseguia imaginar você aqui e lembrar toda a angustia que passei.

– Chloe, eu preciso de você comigo.

– Eu sei, eu sei... Mas se põe no meu lugar, não é fácil ver você aqui e não poder fazer nada. Eu me sinto horrível, inútil.

– Quem tem que fazer algo são os médicos, eu só quero minha melhor amiga comigo. Até o Keaton veio aqui...

– Eu sei, eu pedi pra ele vir e me falar como você estava e ele ficou bem preocupado também.

– Eu te amo e desculpa por você ter que passar por isso. Quer dizer, você não tem que, mas...

– Xiu... Eu também te amo. — ela me abraçou.

– Posso entrar? — Wes disse abrindo a porta e nos observando.

– Pode, cunhadinho. — Chloe disse.

– Cunhadinho? — perguntei.

– Keats me pediu em namoro. — falou como se não fosse nada.

– Como assim? Me conta tudo.

– Ah... Ele foi super fofo, a gente estava sozinhos na minha casa assistindo um filme e ele começou a beijar meu pescoço e subiu até a minha orelha e sussurrou "Quer namorar comigo?".

– Meu irmão é péssimo. — Wes disse, tinha até esquecido que ele estava no quarto.

– Eu achei meigo. — falei. — Finalmente arrumou um homem e agora vai parar de encher minha orelha falando que ta carente, que quer um namorado e etc...

– E pelo visto eu não vou ter que aguentar você xingando o Stromberg né... — Chloe disse olhando para o Wes e depois para mim.

– Até parece que ela me xingava. — disse sentando ao meu lado na cama.

– Magina, eram só elogios. — falei rindo.

– Eu tenho que ir pra casa, ver o Keaton e também vou deixar o Wes ter o tempo dele com você, se não ele me estrangula.

– Eu tava pensando em te jogar pela janela, mas estrangular é uma boa. — Wes disse.

Chloe se despediu de nós e foi embora. Wes trouxe o notebook dele para assistirmos um filme decente, acho que nem ele aguentava mais os canais que tem na televisão do hospital. Ele disse que tinha um filme que ele gosta muito e queria que eu assistisse com ele e por incrível que pareça era romance e não terror, ação e essas coisas que eu não gosto nem um pouquinho.

– Nick and Norah. — ele disse finalmente quebrando o suspense sobre o nome do filme.

– Ai meu Deus, eu amo esse filme.

– Você já viu? — ele pareceu desapontado.

– Sim, mas tudo bem, assistir com você vai ser perfeito. — falei sorrindo.

– Eu adoro esse filme. — ele disse me encarando. — Sabe... hoje eu parei pra pensar que eu nunca pe...

– Desculpa interromper o momento casal, mas tenho novidades. — Doutora Fell entrou no quarto sorrindo. — A mocinha pode voltar pra casa hoje e só volta daqui um mês pra iniciarmos a radioterapia, por enquanto, os remédios estão dando conta do recado.

Olhei para o Wes que me olhou de volta e me abraçou forte sorrindo. Eu queria muito saber o que ele ia me falar aquela hora, mas depois que a médica me deu alta foi a maior correria e eu mal consegui falar com ele direito. Quando cheguei em casa, ele foi pra casa dele para que eu e minha mãe — na verdade, apenas a minha mãe — pudesse arrumar tudo. Aproveitei pra tomar banho e finalmente consegui comer direito, o remédio era praticamente milagroso.

Já eram quase nove da noite e o Stromberg não tinha dado sinal de vida ainda, tava assistindo Teen Wolf e comecei a ouvir alguém me chamando. Perguntei se era a minha mãe, apesar da voz não ser parecida com a dela e ela disse que não, achei que era loucura minha.

– Cora, aparece na varanda. — ok, não deve ser apenas loucura.

– Wes? — disse quando cheguei até a varanda.

– Como eu estava dizendo no hospital e fui interrompido pela médica, eu nunca pedi você em namoro formalmente e acho que já passou da hora. — ele pegou o violão que estava no chão. — Pode descer, por favor? Isso aqui tá muito Romeu e Julieta e eu curto coisas mais originais. — ele falou olhando pra cima.

– Um minuto. — disse rindo e desci o mais rápido que consegui. — Oi. — disse abrindo a porta e fitando-o.

Ele sorriu e começou a tocar. Era uma música que eu nunca tinha escutado, mas achei que a letra se encaixava perfeitamente ao momento e eu queria pular nele, mas me controlei e deixei-o terminar a música.

– But you look so good, it's hard to put together a sentence. So if you could just imagine, what's goin' through my head and all the fun we havin, if you give me a chance, I can promise you this: you won't be singing break up songs like that Taylor chick.

Mas você esta tão bonita, que é difícil montar uma frase. Então se você pudesse imaginar, o que está acontecendo na minha cabeça e toda diversão que estamos tendo, se você me der uma chance, eu posso prometer-lhe isso: você não vai estar cantando músicas de fim de relacionamento como aquela garota Taylor.

– Quer namorar comigo, Cora? — ele disse me olhando quando terminou a música.

– Eu te amo tanto! — disse chegando mais perto dele e o abraçando. Afastei nossos corpos e o encarei, em seguida colei nossos lábios e dei um beijo longo nele.

– Acho que isso foi um sim. — falou quando nos afastamos. Beijei-o novamente. — Com certeza foi um sim. — sorri para ele.

– É óbvio que eu quero namorar com você, é o que eu mais quero ultimamente, mas... — ele me olhou preocupado. — Você sabe que eu to doente e eu não quero que você sofra quando...

– Shh... — falou colocando o indicador na minha boca. — Eu não me importo que você esteja doente, até porque eu sei que você vai viver muito ainda. Eu quero passar cada segundo ao seu lado, eu não me vejo mais sem você, Cora.

– Eu também não me vejo sem você, é como se tivesse uma necessidade de Wesley. — falei rindo e ele concordou.

– Vamos aproveitar o agora, ok? O que tiver que ser, será, mas não vamos pensar no "será" por enquanto.

– Por mim tudo bem. — falei sorrindo.

– Por mim também.

– Vamos entrar, tá frio aqui e eu quero assistir Nick and Norah com você.