My Bulletproof Heart
8 7-I'll hand you the drug if you hand me the money
Notas iniciais
E falando nisso, eu quero agradecer a LINDA da apataeavaca pela recomedação *-------------------------*
Não.
Não.
Isso não podia acontecer. Não comigo. Não agora.
Não nesse momento onde eu estou a ponto de explodir por qualquer coisa.
-Ele disse alguma coisa? – perguntei com a voz fraca. Senti o quarto rodar e me sentei na cama.
-Ele disse q-que ia falar conosc-co quando volt-tasse do trabalho hoj-je a noit-te.
Assenti, tentando ficar calmo e não desmaiar.
-Não se preocupe, mãe. Tudo vai dar certo. – tentei sorrir, mas não consegui. Por isso, apenas a abracei.
Ficamos ali, abraçados, por um longo tempo, até que minha mãe disse:
-Você d-deve ter coisas pra faz-zer. Pode ir f-fazer seus dev-veres de c-casa.
-Ok.
Minha mãe achava mesmo que eu ia fazer dever depois desse choque imenso? Nunca que eu ia conseguir me concentrar naquela merda de dever!
Peguei minha jaqueta de couro e pus minha carteira no bolso para sair de casa.
Vaguei pelas ruas, aparentemente sem destino. Porém, na verdade, eu já sabia para onde ir.
Fui virando várias ruas até chegar em um bairro meio obscuro e com má fama. Sem me importar com as pessoas me olhando chocadas, virei a esquina para me encontrar com um beco.
O beco era grande e escuro, “enfeitado" com alguns latões de lixo. As paredes eram manchadas e pichadas e o chão era molhado, frio e ocasionalmente manchado com um pó branco.
Sim, aquele pó branco é exatamente o que você está pensando.
Andei pelo corredor grande até encontrar o que eu queria: O grupinho encostado no fim do beco.
O tal grupinho era uma gangue de New Jersey, famosa pelo contrabando de drogas. Era composto por Markus Twain, o líder, e seus dois “amiguinhos” Ernie Sand e Ken Luther.
Ernie tinha o cabelo loiro até o ombro, olhos verdes e era magrelo e fraco, mas era extremamente convincente. Apesar disso, era burro como uma porta.
Não, é brincadeira. Comparar uma porta com o Ernie é maldade com a pobre porta.
Enfim, o Ernie servia para convencer os outros a comprar as drogas e para convencê-los a não falar nada para a polícia em troca de basicamente qualquer coisa.
Ken tinha os cabelos pretos e curtos e os olhos, da mesma cor, transmitiam certo medo. Era mais alto e forte e servia para tirar as tripas de qualquer um que não fosse convencido por Ernie e por acaso abrisse o bico e falasse sobre a gangue. Já ouvi falar que ele foi preso por matar o próprio pai usando uma faca de passar manteiga, mas não é possível saber se foi apenas um boato ou se foi verdade. Só sei que qualquer um que se atrevesse a fazer piadinha de que “Ken estava com a faca na mão passando a manteiga no pai” era automaticamente posto na lista negra dele.
O que não era muito agradável.
Markus era loiro como Ernie e tinha olhos azuis. Não era nem muito alto e nem muito baixo. Nem uma massa de músculos e nem um fracote. Ele era regular. Algumas meninas diziam até que ele era bonito se não fossem os dentes amarelados por causa do consumo constante de drogas.
Ele era tipo o “cabeça” da gangue. Era ele que planejava os assaltos, os contrabandos, tudo. Às vezes ele mesmo se encarregava de vender as drogas, mas normalmente deixava esse e outros trabalhos sujos para seus outros dois colegas.
Andei diretamente até Markus.
-Quem é você e o que você quer? – perguntou ele ríspidamente enquanto desencostava da parede, sendo imitado por Ernie e Ken. Este último estalou os dedos para me intimidar.
-Não se preocupem, sou eu. – pus as mãos para cima como um gesto de rendição.
-Ah, é você, Iero. Relaxa aí, Ken. – a montanha de músculos relaxou – Você não aparece aqui faz um tempo, hein?
Dei de ombros.
-Não tive muitas complicações.
-Ah, mas essas belezinhas não são só para complicações. – ele deu uma risadinha e eu bufei.
-Tá, tanto faz. Tem cocaína?
-Tem grana?
-Tenho.
-Então eu tenho.
Ele me entregou um saquinho com o mesmo pó branco que havia no chão. Entreguei-lhe algumas notas e ele sorriu.
Funguei o ar um pouco.
-Andou fumando maconha?
-Talvez. – ele sorriu novamente, um sorriso lunático e enigmático que eu respondi com um simples revirar de olhos.
-Foda-se. Falou, Markus, até.
-Até logo, Iero. Você vai voltar logo. – ele riu – Todos voltam
-Tá, tanto faz.
-Ah, e... Iero.
-Oi.
-Sabe, depois de amanhã daremos uma pequena... Festinha, sabe? – Ernie e Ken sorriram. Mas era um sorriso maldoso.
-Sei. E o que eu tenho a ver com isso?
-Se você quiser... Sei lá... Aparecer por aqui, seria bem-vindo.
-Haha, tô fora. Nós dois sabemos o que aconteceu da última vez que me meti em suas festinhas.
-Ora, o que é isso, Iero. Faz tempo isso.
-Faz dois anos, Markus.
Markus piscou para Ernie.
-Ah, vá, Iero. Apareça por aqui pelo menos por alguns minutos! Não vai machucar. – disse Ernie com sua voz rouca e convincente.
Suspirei. Maldito seja você, Ernie. Espero que vá para as profundezas do inferno e que nunca mais volte.
-Tá legal, que merda. Eu vou ver se dou um pulo aqui. Mas só por alguns minutos, ouviram?
-Será o suficiente. – ouvi Markus sussurrar. Por uma fração de segundo, pensei que pudesse existir um duplo sentido nessa frase, mas resolvi esquecer por agora.
Pus o saquinho dentro do bolso da jaqueta e saí do beco, novamente debaixo de olhares chocados. Virei algumas esquinas até chegar em uma estação de metrô abandonada.
-Olá novamente, velha amiga. – sussurrei, admirando a entrada para a estação.
Me agachei para evitar as placas de madeira que fechavam a passagem e desci as escadas velhas e sujas.
Olhei em volta. Ainda haviam as mesmas roletas empoeiradas, os mesmos caixas fechados e a mesma central de ajuda escura. Do outro lado das roletas era possível ver os trilhos vazios que não eram usados ha anos.
Passei debaixo de uma das roletas, desci as escadas e me sentei perto dos trilhos.
Muitos achariam que aquela estação era meio macabra, mas eu achava toda aquela escuridão e aquele silêncio muito reconfortantes. Principalmente com tudo o que estava acontecendo agora.
Peguei o saquinho com o pó branco e comecei a inalá-lo.
É.
Eu não sentia aquela sensação fazia muito tempo.
E como foi bom me sentir mais uma vez livre de problemas.
Era como se o Way não existisse. Como se meus pais não estivessem se separando. Como se minhas notas fossem perfeitas.
Era como se minha vida fosse completamente diferente.
Como de costume, comecei a rir feito um bobo e a ver alucinações, entre elas, um unicórnio, por alguma razão.
Subitamente me lembrei de que eu tinha comprado apenas um saquinho.
Corri, com muita dificuldade, para fora da estação. Foi difícil não tropeçar, mesmo na área lisa, por causa da minha visão embaçada. As pessoas me olhavam sem disfarçar o medo, mas meu objetivo não era machucar ninguém.
A não ser eu mesmo.
Virei novamente no beco, batendo nos latões de lixo e tropeçando nos meus próprios pés, até que cheguei novamente ao fim do beco.
-Já de volta, Iero? – surpreendeu-se ele.
-Não, imagina, ainda estou lá. – repliquei ironicamente.
-Wow, calma aí, baixinho! O que você quer?
-Você tem mais aí? – segurei o saquinho vazio.
Ele retribuiu o sorriso.
Notas finais
Enfim, só pra deixar claro, o motivo disso tudo não foi só os pais se separarem. Existem muitos outros motivos por trás disso, mas não vou estragar a surpresa, é. Bom, beijos, até o próximo e não me odeiem por isso, eu imploro.
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