My Bulletproof Heart
43 42-The answer "no" to avoid death
Notas iniciais
Não vou falar muito porque não estou de bom humor.
Enjoy!
Minhas primeiras semanas morando com Frank foram ótimas: ele não criava problema, fazia o suficiente para ajudar na arrumação da casa, não ficava perturbando minhas ideias (diferente de Mikey)... Era simplesmente o companheiro de quarto perfeito. As duas semanas de experiência que tivemos não podiam ter sido melhores.
Só as duas primeiras mesmo.
A partir da terceira, já não aguentávamos mais olhar para a cara um do outro. Começou com pequenas discussõezinhas aqui e ali, mas todas giravam em torno de um mesmo assunto que, um dia, acabou virando o assunto principal de uma de nossas brigas:
Queríamos espaço. Queríamos o nosso próprio espaço. Não queríamos ter que dividi-lo um com o outro. Sabíamos que nos amávamos e tudo o mais, mas até o casal mais apaixonado (acredito que sejamos nós) precisa de espaço de vez em quando.
E esse “de vez em quando” teria de ser agora.
-FRANK IERO. – gritei, pela quadragésima vez só naquela tarde.
-Que é, porra?! – disse ele, levemente alterado.
-Posso saber o que você está fazendo no meu notebook? – rosnei.
-Ah, sei lá, quem sabe... Fazendo dever de casa?!
-Faz-me rir! Você nunca faz dever de casa!
-Dessa vez eu resolvi fazer, com licença?!
-Ah é? – arqueei uma sobrancelha – Deixe-me ver a página que estava aberta, então.
-Não! – suas bochechas ficaram levemente coradas.
-Não? Não o quê?! O notebook é meu e eu faço o que bem entender com ele! Agora me dá essa merda aqui agora que eu quero ver!
-CALA A BOCA, GERARD! VOCÊ NÃO É MEU PAI PRA FICAR VIGIANDO TUDO O QUE EU FAÇO, OK?! ME DEIXA EM PAZ!
-NÃO SOU SEU PAI? É VERDADE, MAS PARECE! VOCÊ É SÓ UM ADOLESCENTE MIMADO QUE NÃO SABE RESPEITAR REGRAS, NÃO É?!
-OLHA QUEM FALA, O EX-POPULARZINHO!
Aquilo foi covardia da parte dele. (In) Felizmente, tocar no meu ponto fraco só me faz ficar mais irritado.
-ARGH, FRANK! CHEGA! NÃO CONSIGO MAIS CONVIVER COM VOCÊ, OK?! NÃO DÁ MAIS! VOCÊ... VOCÊ É MUITO... ARGH!
-Sou muito o que, Gerard Way? – seu tom era gélido.
-Nada, esquece.
-Fala.
-Não.
-Fala logo, cacete.
-Não!
-FALA.
-NÃO VOU FALAR!
-FA...
-ARGH, OK! VOCÊ É MUITO INFANTIL, OK?! NEM TUDO SE RESUME A COLOCAR FONES DE OUVIDO E ESQUECER O MUNDO. VÊ SE CRESCE E COMEÇA A AGIR COMO DEVE!
Frank estava estático, encostado no armário. Nenhuma palavra saiu de sua boca. Minha respiração ofegante era o único som que preenchia o quarto.
-Ah. – ele finalmente disse.
-Ah?! Eu digo tudo isso e tudo o que você tem a dizer é “Ah”?!
Ele arqueou as sobrancelhas.
-É melhor não falar mais nada também, não é? Só saem coisas infantis da minha boca, afinal.
Bufei audivelmente.
-ARGH, EU ODEIO VOCÊ!
Ele arregalou os olhos cor de avelã. Foi só aí que eu me toquei da burrice que eu havia feito.
-Ah, não, não... Não, Frank, me desculpa, eu... Eu não quis dizer isso... Eu... Por favor, me perdoa, Frankie...
-NÃO ME CHAMA ASSIM, GERARD! – gritou ele.
-Frank, eu...
-NÃO, ESQUECE. VOCÊ NÃO ME ODEIA? POIS BEM! AGORA ESTÁ LIVRE DE MIM. TCHAU. – ele bateu a porta com tanta violência que várias coisas que estavam em cima da minha mesa tremeram um pouco. Encostei-me à parede e escorreguei para o chão.
-O que foi que eu fiz... – sussurrei, com a voz triste.
POV Frank
Aquele... Aquele... Argh! Não consigo nem completar minhas falas!
Diz que me ama, diz que vai ficar comigo para sempre e depois faz o quê? Me joga fora!
Parece que as mulheres estavam certas: homens são realmente imprestáveis!
Passei pela sala, onde encontrei Mikey jogando videogame. Subitamente, tive uma ideia que até que não parecia ser tão má.
-Ei Miks, quer dar uma volta?
Ele demorou alguns segundos para pausar o jogo e olhou para mim.
-Como disse?
-Perguntei se quer ir dar uma volta. Você passa dia e noite jogando seu jogo, menino! Vai lá ver o mundo lá fora!
-Mas o mundo daqui é legaaaaal! – choramingou ele, apontando para o tal jogo.
-Vamos logo, Mikey...
-Deixa só eu terminar essa fase!
Bufei e falei:
-Não tenho escolha, né...
Joguei-me no sofá e aguardei ele terminar. Ao finalmente ver que ele passou de nível, Mikey levantou-se, ajeitou os óculos e falou:
-Agora podemos ir!
-Graças a deus... – eu já estava ficando nervoso. Gerard podia aparecer ali a qualquer momento e seria uma visão um pouco embaraçosa.
Praticamente arrastei Mikey para fora de casa e eu podia jurar que vi ele piscar com a claridade do sol. Fomos conversando animadamente, até que ele choramingou que estava com fome.
-Ok, ok. O que quer comer?
-Sorvete!
-Sorvete? E isso lá é coisa pra se comer quando está com fome?
-Para mim, é!
Revirei os olhos.
-Ok, ok! Vamos tomar sorvete então.
E lá se vai minha mesada.
Pelo menos é melhor gastar minha mesada em uma criaturinha fofa como aquela do que com... Sei lá... Com valentões te extorquindo?
É, é bem melhor.
Fomos até a sorveteria mais próxima que, infelizmente, era...
... A que eu e Gerard fomos logo após nosso último dia de detenção.
Ao entrar na sorveteria tão bem iluminada, meus olhos arderam um pouco, mas tentei disfarçar. Porém, quanto mais nós entrávamos no estabelecimento, mais eu sentia uma dor no peito. Eu não queria ter brigado com ele... Mas o que ele tinha dito realmente tinha doído...
... Ah, eu não queria ficar de mal com ele...
Mas eu tinha que ser forte. Ele tinha me magoado e eu não ia lá pedir desculpas por algo que eu não fiz.
-Tio Fran? – chamou Mikey, puxando a manga de meu casaco.
-Hmm?
-Tá tudo bem?
-Claro, por quê?
-Já faz cinco minutos que eu estou te chamando e você não responde.
-Ah, desculpe, Miks... Você quer sorvete de que?
Ele abriu um sorriso enorme.
-Chocolate, é óbvio!
Ri baixinho e escolhi sorvete de menta com chocolate.
O mesmo que eu escolhi naquele dia...
Argh, Frank! Para de pensar nisso!
Pedi os dois sorvetes e puxei Mikey para um dos bancos do fundo, tentando me afastar o máximo possível dos casais se beijando apaixonadamente. Fechei os olhos e franzi um pouco a testa. Que ótimo dia para os casais saírem por aí...
-Os sorvetes chegaram! – ouvi a vozinha de Mikey exclamar.
Abri meus olhos novamente. Eu fiquei devaneando tanto tempo assim?!
-Ah, er... Obrigado... – murmurei para o homem que trazia os sorvetes.
-Obrigado! – exclamou Mikey, recebendo um sorrisinho agradável do homem. O pequeno enfiou a colher no próprio sorvete e começou a comer, enquanto eu estava ali, comendo pequeninas colheradas enquanto devaneava sobre Gerard.
-Tio Fran?
-Sim?
-O que aconteceu? – sua voz era preocupada – E não adianta dizer que não é nada. Eu sei que aconteceu alguma coisa.
-Ah, Miks... Eu não quero te chatear com isso... – abri um sorrisinho.
-É sobre o Ger, não é?
Meu sorrisinho desapareceu.
-Pode me dizer. Eu sei que ele é irritante e não é tão fácil de conviver. É ele, não é?
-Eu... Bom... – acabei desistindo – É sim.
Mikey suspirou, ajeitou os óculos e chegou mais perto da mesa.
-Olha, tio Fran... Sei que Gerard pode ter exagerado um pouco...
-Um pouco?! Ele falou que me odeia!
-Ok, ele pode ter exagerado bastante, mas ele te ama... Ele não quis dizer isso, foi só por causa do calor do momento. Conheço o Gerard faz anos e sei que ele nunca diria isso se vocês dois não estivessem brigando... Aposto que, nesse minuto, ele está lá se lamentando por ter dito aquilo para você... Mas, por favor, acredite em mim... Ele gosta de você sim... E eu também gosto de você. – disse ele, um pouco tímido – Não quero que você vá embora, tio Fran... Eu gostei muito de você e fiquei o tempo todo torcendo para que o namoro de vocês dois desse certo... Por favor, não se separa do Ger... – pediu ele, com os olhinhos brilhando. Suspirei. Era praticamente impossível negar algo àquele pequenino.
-Ok, farei... Farei o possível, Miks.
-Obrigado, tio Fran... – ele abriu um sorrisinho. Devolvi-o e voltei a encarar meu sorvete. Ao levantar o olhar, vi que Mikey olhava para baixo com uma carinha triste.
-Hey baixinho, o que foi?
-Nada... É só que eu não gosto de ver vocês dois assim, brigados...
Suspirei.
-E eu não gosto de te ver assim, triste. Olha, eu prometo que vou conversar com o Gerard, ok?
-Promete? – disse ele, um pouco desconfiado. Ri baixinho.
-Prometo sim, Mikey. Pode deixar.
-Oh... Então tudo bem! – ele sorriu e voltou a comer seu sorvete, com uma expressão feliz.
-X-
Após algum tempo, eu e Mikey voltamos para... Bom... Para a casa dele. Eu estava decidido a ter uma conversa com Gerard até nós resolvermos tudo aquilo. Eu estava bem confiante, para falar a verdade, mas a confiança toda se dissipou no momento em que pisei no quarto de Gerard.
-Gee, eu queria con... Ah meu deus, Gerard! – arregalei os olhos. Gerard estava com uma faca em uma das mãos, sentado no chão e recostado na parede. A faca estava quase sendo pressionada contra o próprio pulso. Sua expressão era determinada. Ao me ver, ele arregalou os olhos.
-Gerard, larga essa faca agora. – sussurrei, com a voz fraca. Ele não me obedeceu, simplesmente ficou me olhando como se eu fosse uma miragem.
-Frankie... Você... Você voltou...
-Eu sempre voltarei... Agora larga essa faca, pelo amor de deus...
Dessa vez, ele me obedeceu. Corri a seu encontro e ele beijou cada parte de minha face.
-Ah meu deus, Frankie... Obrigado por ter voltado... Obrigado, obrigado, obrigado... Achei que minha vida estava arruinada, não sei por que fiz isso, eu sou tão idiota!
-Shh, calma, meu amor... Sei que você não falou nada daquilo por mal... – acariciei sua face pálida – Agora, por favor, me diga que você não fez nenhum corte, pelo amor de deus...
-Eu... Er...
Arregalei os olhos.
-Você fez?! Ah meu deus do céu! – puxei sua manga mais para trás e, realmente, pude identificar dois cortes finos em seu antebraço – Ah não, Gee... Não, por que fez isso?
-Porque eu achei que tinha te perdido... – lamentou-se ele.
-Não, meu amor. – beijei-lhe a testa – Você nunca vai me perder. Agora deixa eu ver esses cortes. – passei o dedo em um dos cortes e ele gemeu de dor – Desculpe.
-N-não, tudo bem...
-Você precisa lavar isso aí, se não vai infeccionar... Eu vou com você até lá.
Levei Gerard até o banheiro, murmurando-lhe palavras reconfortantes em seu ouvido, dando-lhe a certeza de que eu estava lá para ele e que nunca iria deixá-lo.
-Pronto... Agora vai ali lavar e eu espero aqui, ok?
Ele fez que sim e entrou no banheiro. Aguardei por poucos minutos até que ouvi outro gemido de dor. Corri até o banheiro.
-O que houve?
-D-dói muito, F-Frankie-e-e!
-Devia ter pensado nisso antes de se cortar... Calma, vai ficar tudo bem. – acariciei a área em volta dos ferimentos. Segurei seu braço e pus novamente debaixo da água, recebendo um grito de dor. Beijei-lhe o rosto, tentando distraí-lo da dor. Alguns minutos depois, ele parou de sentir dor e começou a corresponder meus beijos em seus lábios. Separei-me dele e olhei novamente para os cortes. O sangue havia parado de escorrer, apesar da área machucada ainda estar vermelha. Me ajoelhei, abri a porta do armário e peguei dois curativos. Pus um em cada corte, tomando o máximo de cuidado para não machucá-lo mais ainda.
-Pronto, você já vai ficar bem. – sorri.
-Frankie... Me desculpe... – vi lágrimas se formarem em seus olhos – Sou um idiota, não devia ter feito isso...
-Shh, calma, ok? Só me prometa que não vai mais fazer isso e tudo vai ficar bem. Promete?
Ele fez que sim com a cabeça. Seus olhos verde-oliva estavam cheios de dor e arrependimento e aquilo praticamente cortava meu coração.
E pensar que, horas mais cedo, eu estava querendo matá-lo.
Levei-o de volta para o quarto, ainda segurando-o em meus braços. Se eu tentasse me soltar dele, provavelmente Gerard voltaria a me agarrar.
Além do mais, por que eu iria querer me soltar dele?
Pus Gerard na cama novamente e sentei-me ao lado dele, ainda abraçando-o.
-Frankie? – chamou ele.
-Sim?
-Eu não te odeio. – seu tom era inocente. Ri baixinho e disse:
-Eu sei que não.
-Que bom que sabe. Não sei por que disse aquilo... Foi a pior mentira que eu já contei... Perdoe-me, Frankie.
-Não tem como não te perdoar... – beijei-lhe a face levemente e afastei a franja de seus olhos.
Passamos mais algum tempo recostados na cama, apenas trocando beijos e carícias, até que adormecemos e só acordamos de noite.
Notas finais
Beijos.
Fale com o autor