My Bulletproof Heart

22 21-Because this things will change


Notas iniciais
Após uma onda de solidão (o que gerou duas darkfics, aliás), estou de volta, e bem mais feliz que antes *-*

POV Frank

No dia seguinte, Gerard não falou comigo. Tentei me aproximar dele e ele deu uma desculpa para sair de perto de mim. Até Bob e Ray estranharam.

-E aí, seu namoradinho está passando por uma crise? – perguntou Ray, rindo. Bob e eu permanecemos sérios.

-Ray, o caso é sério. – respondeu Bob, dando um tapa na cabeça do imbecil.

-Não, não é. Vai ver ele só precisa de um pouco de espaço. – dei de ombros, mas eu não estava muito convicto disso. Geralmente era eu quem me esquivava e dava respostas evasivas.

De repente, lembrei-me de uma coisa.

-Acho que já sei o que aconteceu... – gemi.

-O que? – perguntaram Bob e Ray, curiosos. Mordi o lábio. É claro que eu não podia contar a eles, se não eu seria zoado pelo resto da minha vida. Eu tinha duas opções: Ou eu contava a eles a verdade ou eu escapava dessa pergunta.

Optei pela segunda opção.

-Ah, acho que foram umas coisas que aconteceram ontem na detenção... – respondi vagamente, correndo até o lugar onde ele estava sentado. Gerard levantou uma sobrancelha e perguntou:

-O que quer?

Sentei-me ao seu lado.

-Gerard, o acidente de ontem não mudou nada. Você sabe disso, não é?

Ele assentiu, sem dizer palavra alguma.

-Ouça... Foi sem querer, Gerard. Isso pode acontecer com qualquer um, não precisa ficar com vergonha ou se sentir mal por isso.

Ele me olhou nos olhos. Suas orbes verdes transmitiam tristeza e vergonha intensa. Abri um sorrisinho confiante e ele abriu um meio sorriso.

-Tem certeza?

-É claro!

-Me desculpe. – murmurou ele.

-Não tem problema. Só quero que pare de tentar fugir de mim. Ok?

Ele assentiu.

-Maravilha. – abri um sorriso e me afastei dele.

-Já resolveu as coisas?- perguntou Bob.

-Aham. Foi fácil, foi só conversar com ele.

-Vocês dois... Vocês dois são estranhos. – notou Ray.

-É, nós temos uma relação complicada. – abri um sorrisinho.

O professor de química entrou na sala.

-Bom dia. Você. – ele apontou para mim – E você. – ele apontou para Gerard – A diretora quer ver vocês.

-Mas o que que eu fiz dessa vez?!

-Pergunte isso a ela, Sr. Iero, não a mim. – ele arqueou as sobrancelhas. Bufei, levantei-me da cadeira e saí em direção a sala da diretora, seguido por Gerard.

-O que será que ela quer? – perguntou ele, apreensivo.

-Vou saber?

Andamos o caminho todo em silêncio. Ao chegarmos na sala da diretora, bati na porta e abri-a levemente.

-Entrem. – disse ela. Obedecemos, fechamos a porta atrás de nós e nos sentamos nas cadeiras. A diretora passou o olho de mim para Gerard diversas vezes, até que finalmente disse:

-Por favor, eu imploro, me digam que estão se dando melhor.

Direcionei meu olhar para Gerard.

-Acho que sim... – murmurou ele, incerto.

-É... Quem sabe... – passei a mão pelo cabelo, sem saber o que dizer. Ela suspirou com alívio.

-Graças aos céus. Escutem, meninos, eu vou diminuir a detenção de vocês, ok? Vocês só vão ter esse dia e mais dois de detenção.

Senti que eu podia dançar em cima da mesa naquela hora mesmo.

-Ah, graças a deus. – murmurou Gerard, em alívio. Fiz o mesmo.

-Muito obrigado, diretora. – eu disse, com um sorriso no rosto. Ela abriu um pequeno sorrisinho e fez um gesto para que nós fôssemos embora.

Ao fechar a porta, Gerard jogou as mãos para cima, como um gesto de agradecimento.

-Nem me fale. – murmurei – Até que ela não é tão chata assim, viu?

-Não mesmo. – disse Gerard, quase saltitando de felicidade.

-X-

Na aula de história, eu e Gerard tivemos uma surpresa. O professor chegou dizendo que nós teríamos um trabalho sobre a Segunda Guerra Mundial e que valeria metade da nota. Obviamente, vários entraram em pânico e logo relaxaram ao ouvir as palavras “em dupla” sair da boca do professor. Todos começaram a falar sobre como seria o trabalho deles, outros levantaram para falar com seus colegas para perguntar se eles queriam fazer com eles, etc.

-Não pode ter um trio? – perguntou Ray.

-Você sabe o que em dupla significa, Sr. Toro? É óbvio que não pode ter. – ele estreitou os olhos. Ray revirou os olhos e olhou para mim e para Bob. Nós sempre tínhamos aquele problema nos trabalhos em dupla: Um ficava sozinho.

-Er... Da última vez fui eu e Frank... – disse Ray.

-Isso quer dizer que... Agora sou eu e você. – disse Bob, olhando para mim com cara de desculpas. Sinceramente, não me importei muito.

-Sem problemas, eu faço com o Gerard.

Eles arquearam as sobrancelhas enquanto eu caminhava em direção a minha dupla.

-Oi.

-Oi... – disse ele, desconfiado.

-Quer fazer comigo? – convidei.

-Er... Claro... Eu acho. – disse ele, franzindo a testa.

-Ótimo! Na sua casa, amanhã?

-Pode... Ser... – disse ele.

-Ok! – voltei a me sentar no meu lugar perto de Bob e Ray, com a expressão tranquila.

-Cara, você é muito estranho, na moral. – disse Ray.

-Vai se fuder, Ray. Na moral, você não tem coisa melhor pra fazer?

-Não. – ele sorriu – Eu vivo pra te irritar, anão de jardim!

Bufei e revirei os olhos.

-Por que não irrita o Bob?

-Porque ele é inocente demais pra isso.

Bob sorriu, vitorioso, e eu dei uma gargalhada.

-Aham, tá bom que ele é inocente! Em que mundo?!

De repente, o professor pediu silêncio e começou a explicar como seria o trabalho.

Enquanto ele explicava, comecei a pensar se esse negócio de fazer trabalho com o Gerard ia dar certo. Tudo bem, é verdade que nós estamos nos dando bem melhor do que antes, mas amizades são frágeis como um balão: Podem explodir a qualquer momento. Sabe-se lá se nossa relação poderia “explodir” enquanto fazíamos esse trabalho.

Vamos encarar a realidade: Eu precisava de nota de história. E brigar com Gerard enquanto fazíamos o trabalho, considerando o fato de que ele é bem mais inteligente que eu, não seria a melhor coisa que poderia acontecer.

-Frank, acorda! – disse Bob, me chacoalhando.

-Oi... ?

-O sinal já bateu.

Olhei para frente e não vi mais o professor, nem suas coisas em cima da mesa. Olhei em volta e todos estavam em pé, enfiando os materiais de qualquer jeito nas mochilas e indo embora apressadamente, loucos para aproveitarem o fim de semana.

Suspirei e comecei a guardar o meu material.

-Cara, Franks, o que tá acontecendo com você?

-Como assim, Ray?

-Sei lá... Você anda meio aéreo, não presta atenção em nada...

-Desculpa... É que eu estou com muitas coisas na cabeça... – abri um sorrisinho.

-Ok. – ele deu de ombros e virou para conversar com Bob. Suspirei mais uma vez. Outra prova de que eu, Ray e Bob não éramos propriamente amigos.

Eu já estava subindo para a biblioteca, quando ouvi meu nome.

-Sim?

Era Ray e Bob.

-Vemos você amanhã?

Franzi a testa.

-Amanhã?

-É, amanhã é sábado e nós marcamos de jogar D&D amanhã!

-Puta que pariu, é mesmo! Mas eu preciso fazer o trabalho de história!

Bob deu de ombros.

-Tudo bem, leva o Gerard contigo.

-Mas eu vou pra casa dele, seu imbecil.

-Vai mesmo furar com a gente? – perguntou Ray, arqueando as sobrancelhas.

-Eu... Eu... Eu vou ver! Eu ligo pra vocês depois, já estou atrasado pra detenção!

Eles deram de ombros e se afastaram. Bufei audivelmente. É sério que eles vão começar a fazer eu escolher entre eles e o Gerard?!

Corri até a biblioteca, para encontrar um Gerard tranquilo, pondo livros no lugar.

-Está atrasado. – comentou ele, sem tirar os olhos da estante.

-Eu sei, desculpe. – murmurei. Ele não disse nada – Está chateado comigo?

-Não. – ele olhou para mim e sorriu, indicando uma pilha de livros que seriam dispostos na estante do seu lado. Sorri internamente. Ainda me lembrava do primeiro dia de detenção, onde ficamos em lados opostos da biblioteca.

Como as coisas podem mudar em poucos dias, não é?

Notas finais
That's it for today. Beijos \õ