My Boys
20 Cap. 20 - Estranho
Notas iniciais
Patrícia suspirou antes de começar a me contar o que aconteceu na noite passada. Eu já tinha varias preocupações na cabeça – minha morte, os lobisomens – e mais uma iria me deixar louca. Mas ouvi pacientemente a explicação da outra loira. Patrícia era mais alta do que eu, a baixinha da sala, seus cabelos loiros terminavam nos ombros, com um leve movimento para os lados, ao invés dos meus cabelos dourados que terminavam em minha cintura e a franja para o lado, ao invés da retinha dela. Seus olhos eram azuis, pouco raro perto dos meus olhos esmeraldas. Eu sei, estou sendo um pouco preconceituosa contra ela pela aparecia e até superior, não gosto disso, mas eu tinha que estudar a aparência dela, ver se ela poderia mesmo conquistar o Tom.
Mas foi ai que lembrei de algo que Kwimii me disse... Tom era pegador, ele usava as garotas apenas por alguns dias para depois terminar e partir para outra, o que me fez estudar suas ações. Porém, meus pensamentos foram interrompidos quando ela começou a falar:
- Eu estava com um grupo de meninas dançando quando vi o Tom sozinho. Todas já sabiam que eu amava aquele garoto e eu realmente o amo... – “Não vou me estressar, não vou me estressar” – Elas começaram a me empurrar para perto dele e comecei a conversar com ele, comecei a dar em cima dele para ver minhas chances... – “Talvez eu possa tirar esse cabelo oxigenado dela... Não! Esse lado não vai aparecer! Eu não sou assim!” – Então perguntei se ele estava solteiro e ele disse que estava namorando com você, então comecei a recuar, querer escapar, mas ele começou a me encostar na parede, começou a passar as mãos no meu corpo, começou a querer a me beijar e falando que eu era a coisa mais linda, que eu ganhava de você... Mas sei que não ganho! Você é a garota mais linda desse colégio! Todos os meninos só falam de você! Então foi ai que você e o outro garoto chegaram... Yui? – Ela tinha terminado de falar, mas eu não percebi, meus pensamentos voavam, passando por varias cenas e se eu ainda fosse humana, eu cairia ali no chão e começaria a chorar... Mas eu não iria dar esse gostinho para ele. Olhei para Patrícia e ela ainda estava me olhando preocupada e com medo, como se eu fosse pular no pescoço dela a qualquer minuto. Bom, eu iria fazer isso se ela tivesse abusado o Tom, mas o que aconteceu foi o contrario... O Tom que a abusou! Suspirei, concentrando-me para que meus olhos continuassem esmeraldas e não passassem para vermelho, a cor que ficava quando eu estava nervosa. Abri meus olhos e olhei para a garota novamente com um sorriso.
- Obrigada por me contar Patrícia. Seria melhor você voltar para a sala, eu vou ficar mais um pouco aqui fora. – Então naquele momento bateu o sinal para a segunda aula.
- Mas a aula agora é laboratório... Você vai faltar na aula em que você não perde uma? – Ela me perguntou incrédula. Eu realmente amava as aulas de biologia no laboratório, mas... Hoje não era um bom dia por dois motivos. Primeiro, eu estava completamente descontrolada por causa do que ouvi do Tom e precisava falar a sós com o Thalles e segundo, hoje era típagem sangüínea e eu não posso ter contato com sangue humano, não hoje.
- Vou ficar aqui fora... Preciso de ar... Você avisa o professor que estou passando mal e tenho pavor de sangue. – A primeira parte era verdadeira, a segunda eu já menti... Mas ninguém iria descobrir mesmo – E se encontrar com o Thalles, fala pra ele me encontrar naquela arvore que tem um balanço, ok?
Ela concordou e depois já correu para a sala. Pelo andar dela, estava mais aliviada depois de me contar o que aconteceu.
Eu estava sentada no balanço da arvore quando Thalles apareceu atrás de mim me dando um susto. Seu passo foi tão silencioso que eu não consegui ouvir, mas por mais que eu tentasse, não consegui rir, não naquele dia e ele pareceu que estava naqueles dias ruins também.
- O que queria conversar comigo? – Perguntou um tanto curioso, sentando-se encostado no tronco da arvore e abrindo os braços para que eu sentasse no seu colo, o que fiz rapidamente.
- Você ficou ontem até tarde na festa, não ficou? – Ele concordou com um leve aceno com a cabeça
- Até quando os garotos foram embora.
- E o que viu?
Ele suspirou pesadamente antes de responder. Ele não esconderia algo de mim... Esconderia? Não... Eu acho que meu melhor amigo iria ser sincero comigo.
- Pe... – Ele disse passando sua mão forte em meu rosto, ele ganhou músculo nas férias do primeiro ano para o segundo e agora estava mais lindo do que já era. “Nexo Yui Tenshi Magnum!” – Tom só não te traiu porque você não aceitou namorar com ele e porque eu o impedi de chegar perto demais de qualquer garota, a ponto de fazer o que fez com a Patrícia... – Eu deveria estar pasma e ter tido um ataque de nervos, mas a presença dele sempre me acalmava e porque ele tinha razão... Eu não estava namorando o Tom e eu acho que não o amava, apenas tinha atração. Então o melhor a se fazer era já deixa-lo livre para qualquer garota, além de não o meter na confusão que eu iria ter que enfrentar.
- Obrigada por me contar Tah... Agora eu já sei o que fazer... – Eu dei um sorriso forçado para ele e ele correspondeu com um sorriso mal-humorado.
- Vai me contar o que esta pensando? – Ele deu um sorriso torto, era mais lindo do que o sorriso de Edward.
- Se me contar o que te deixou tão mal-humorado assim. – Sim. Sou chantagista quando quero.
Ele hesitou, fazendo uma expressão nervosa e logo virou o rosto, olhando para o outro lado.
- Tah? – Eu o chamei, minha voz estava um pouco cautelosa. Não conseguia entender a frustração que ele tinha. Ele suspirou e voltou o olhar para mim.
- Estou com raiva da minha família e com raiva desse Tom – Olhou para frente, uma expressão de raiva no rosto. Entendi a raiva com o Tom, mas não entendi o motivo de ter a raiva com a família.
- Por que esta com raiva da sua família?
- Problemas. – Ele disse em um tom de voz que não iria discutir comigo.
Continuamos em silencio, mas eu estava começando a ficar com sede. Fazia 16 dias que eu não bebia sangue, não sei como tinha agüentado tanto tempo. Talvez... Pelo fato de eu passar quase um mês no hospital, depois mais 15 dias de observação e depois mais dois dias com problemas na cabeça... É... Eu realmente estava mergulhada em problemas. Lembrei que meus olhos ficavam da cor ônix quando eu estava com fome e talvez e eles já estivessem dessa cor ou começando a mudar.
- Tah... Que cor meus olhos estão? – Perguntei olhando para o garoto
- Estão um verde escuro... Não o esmeralda de sempre, mas esta mais escuro porque? – Ele me perguntou curioso
- Nada... Geralmente ficam nessa cor quando estou cheia de coisas na cabeça... Só pra saber se não tem nada mudando em mim – Disse um pouco tímida. Era o sinal que eu precisava, pena que teria que caçar sozinha já que Edward estava caçando essa manha. Ele apenas murmurou um “Hmmm” e depois virou o rosto e eu encostei mais no seu peitoral, me aconchegando naqueles braços que me deixavam protegida, mesmo eu sendo uma vampira.
Então tocou o sinal para o intervalo. Era assim na escola, duas aulas, intervalo, duas aulas, almoço, mais duas cansativas aulas, saída. Os alunos começaram a sair das salas de aula, alguns corriam para o refeitório para comprar algumas coisas ou para conversarem, outros ficavam em outras partes da escola como a que eu e Thalles estávamos. Fiquei chamando Edward pelo pensamento para ver se meu irmão aparecia, mas nem sinal dele. Olhei por todos os lados para ver se ele sairia de algum lugar, mas não.
- Procurando alguém? – Thalles me perguntou curioso
- O Di... Ele disse que viria no intervalo ou no almoço... – Uma pontinha de esperança ainda estava na minha voz
- Onde ele foi? – Me senti um pouco mais apertada em seu abraço e vi as veias de seus músculos ressaltarem. Eu sabia onde ele tinha ido, ou um dos lugares que ele ia, mas eu não podia contar isso ao Tah, nossa existência não podia ser revelada, por isso a família Magnum escolheu esse local para poder viver, Forks. Uma cidade onde havia mais sol do que chuva e poucos habitantes. A mesma cidade que havia no livro Crepúsculo, que inventava bastante coisas sobre os vampiros, e que eu pouco acreditava na existência de lobisomens, bom... Isso até hoje de madrugada.
- Ele não me disse... – Falei tentando ser sincera e acho que consegui.
- Hmm... – Respondeu ele com desinteresse, ou foi o que percebi. Parecia que nossos destinos estavam ficando cada vez mais próximos com o decorrer desses dias que eu tinha que inventar algumas mentirinhas para poder guardar o segredo da nossa existência.
O resto do dia eu e Thalles passamos em silencio. Edward não apareceu como havia prometido e quando eu e o Tah nos despedimos ele me perguntou um tanto curioso:
- Vai vir amanha?
- Vou... Por que não viria? – Perguntei sem entender
- Nada. – Ele estava estranho, mas decidi deixar passar. Fui para casa e não havia ninguém em casa. Apenas meu pai, Akuma, que estava dormindo por ter passado a noite inteira conversando.
Subi para meu quarto e fiz lição, dar uma olhada nos meus e-mails. Havia uma mensagem de Tom dizendo que queria se encontrar comigo fora da escola no fim de semana, que seria não amanha, mas depois. Fiz meus deveres, jantei e decidi que iria caçar amanha à tarde, já que já se foi o meu dia e eu precisava descansar depois de não dormir quase nada noite anterior.Nove horas da noite deitei na cama e dormi, em um sono sem sonhos.
Notas finais
Yui: HEY! Da pra esperar? è.é Eu ainda to indecisa se vc não sabe
Paty: Td bem... No final ele vai ser meu
Yui: Quem garante?
Tah: Opaaa... Eu iria colocar lenha na fogueira mas... decidi nao colocar xD O que acharam? :3
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