Notas iniciais
Essa é a introdução da história. Espero que gostem.

Era hoje o grande dia. O dia em que iria para o campus da faculdade pela primeira vez em toda a sua vida, o dia em que iria começar a realmente viver. De dentro do ônibus ela conseguira logo avistar as pessoas que se aglomeravam no extenso gramado. Havia uma construção grega que mais parecia uma mansão de sete andares do que uma Universidade. Aquela não era a Universidade em si, era apenas uma parte dela, a parte principal. Já podia imaginar o que esperar das outras edificações.

A menina foi tomada de ansiedade, saltando para fora do ônibus com sua bagagem nas mãos. Os olhos percorreram os rostos aleatório, á procura de alguém que conhecesse, apesar de saber que só conhecia uma pessoa ali, porém não tinha ideia de onde esta estaria. Tirou um papel amassado do bolso de sua jaqueta jeans, analisando seu destino. Era um mapa, onde indicava aonde estavam localizadas as fraternidades. Por motivos de não ter dinheiro para comprar uma casa e morar longe da Universidade, Victoria decidira ir para uma das fraternidades, pois ir para uma república estava fora de cogitação. Não ia para a fraternidade porquê queria criar laços, não gostava nem um pouco daquela besteira de “irmãs da fraternidade”, porém, as fraternidades no geral eram grandes e cômodas, quase todas tinham piscinas e comida á toda hora. Era só isso que ela procurava, comodidade.

O mapa, a coisa toda parecia uma pequena cidade, só que dentro da faculdade. Era como se fosse um grande condomínio de luxo, cheio de pequenas mansões, bibliotecas e salas de aulas. O mapa não era muito detalhado, havia o desenho das ruas e apenas o símbolo da Fraternidade no local em que a mesma se localizava. Mas esse era o problema, Victoria não sabia o símbolo da sua Fraternidade, só sabia o nome. Talvez porque nem se preocupara em conhecer o lugar para onde se inscrevera, só procurara o nome das fraternidades e clicou na mais popular, pois em sua visão, a mais popular só podia ser a melhor. Talvez não devesse ter feito isso.

— Com licença, você sabe aonde fica a Gamma Phi Beta? — Victoria ouviu uma menina perguntar para um garoto ao seu lado.

A menina era baixinha, tinha provavelmente a mesma idade que ela, os cabelos eram louros e ondulados, ela usava uma camiseta cor de rosa que dizia: “Eu sou Gammada”. Gamma Phi Beta. Era essa a Fraternidade na qual ela se inscrevera também. Porém ela não usava nenhuma camiseta que fazia referência á tal, afinal, nem mesmo sabia se seria aceita. Será que seria possível ela ser rejeitada por não ser fanática pela fraternidade?

Como Victoria não queria entrar no meio da conversa, decidiu ir seguindo a menina e o menino de longe, almejando que ele á levaria para o caminho certo. Victoria não chegara a andar nem dois minutos quando um bando de meninos vestindo camiseta de Futebol Americano á abordou, fazendo-a perder a garota de sua visão. Ela praticamente não ouviu nada, pois eles falavam todos ao mesmo tempo. Coisas do tipo: “A gatinha mora aonde?”.

— Eu preciso achar minha Fraternidade. — Falou, abrindo espaço entre eles com um empurrão.

Enquanto andava, conseguiu ouvir ainda alguns dizerem: “ Tá estressadinha heim? Pode deixar que eu te dessestresso” acompanhado de gargalhadas. No geral, ela ficaria irritada com a situação, porém ela já se preparara psicologicamente com o que iria ver ali, então nada podia a surpreender. Continuava com sua expressão despreocupada, como se nada estivesse acontecendo. Sentiu então alguém colocar a mão sobre o seu ombro esquerdo.

— Quer ajuda?

Victoria virou-se para checar de quem era aquela voz. Era um dos jogadores de Futebol Americano. Ela não tinha prestado atenção nele, mas olhando agora ela conseguia enxergar o quão bonito ele era. Ele era alto, seus cabelos negros e perfeitos se contrastavam em sua pele clara. E os olhos. Ora, os olhos era a melhor parte que ele tinha: azuis. Tão azuis quanto o céu naquela tarde. A jaqueta de futebol vermelha estava aberta, e na camisa de baixo Victoria pôde ver um símbolo de alguma Fraternidade.

— Você sabe aonde é a Gamma Ph...

— GAMMA PHI BETA? — Interrompeu o menino, com tamanha animação que ela chegou á se afastar dele. — A Fraternidade das melhores meninas do campus... — Continuou ele, como se estivesse dando a introdução de um filme.

— Só sei que lá tem piscina e uma TV de 42 polegadas.

Ele riu. Talvez estivesse ficando louca, mas tudo o que conseguia pensar naquele momento era em quão bonito ele era. Sentia vontade de tirar uma foto dele e ficar admirando-o para o resto de sua vida. Não que ela fosse do tipo de menina que saia com todos os caras, muito pelo contrário, ela era do tipo de garota difícil de ser conquistada. Em toda sua vida, só tivera um namorado. Vários ficantes, mas isso não vem ao caso.

— Eu sei aonde é, é do lado da minha. — Ele acenou para ela o acompanhar, e ela assim fez.

Não demoraram muito para chegarem á rua Grega. Um bando de mini mansões — algumas quase do tamanho de verdadeiras mansões — em uma só rua. Essas mansões eram as Fraternidades. A rua estava cheia, tão cheia que ficava até difícil de se andar, mas depois de alguns minutos de caminhada, a aglomeração de pessoas ficara para trás, e agora conseguia andar sem ter que empurrar ninguém.

— Eu me chamo Ryan, sou da Kappa. — Disse ele em meio á um sorriso, esperando que a garota se apresentasse.

— Eu me chamo Victoria. — A menina analisava ele mais uma vez. — Você é veterano?

O menino franziu o cenho, como se não entendesse o porquê da pergunta.

— Não. Eu entrei aqui esse ano, mas cheguei uma semana antes para os treinos. — Ele sorria, com orgulho de si mesmo. — Sabe como é, tenho que manter a bolsa. Aliás, pode deixar que eu carrego sua mala. — Disse ele, tirando a alça dos ombros de Victoria e colocando em seus ombros.

Então era isso. Ryan entrara para a faculdade ganhando uma bolsa em meio aos esportes. Se ela dependesse dos esportes para ganhar uma bolsa, estaria totalmente ferrada. Mas ela não precisava de esportes, ela estudara a vida inteira para fazer a faculdade que ela bem quisesse.

— Você se matriculou para que curso? — Ryan dirigiu a pergunta á Victoria.

Isso á fazia se sentir estranha, como se estivesse em um talk-show ou sendo interrogada por um detetive. Mas não o culpava. Ela o fizera uma pergunta, ele apenas retribuíra.

— Jornalismo. — Disse ela.

Fora difícil escolher o que queria ser da vida. Talvez porquê era muita pressão, o que quer que fosse que ela decidisse, seria o que ela faria pelo resto de sua vida. De vez em quando ela sentia que não quisesse ser nada. Talvez não tivesse nascido para nada. Ela não tinha nenhum talento em especial. Exceto, quem sabe, cantar. Era uma coisa que ela simplesmente gostava de fazer, mas não levaria isso para o seu dia-a-dia. Escolhera então Jornalismo, pois no ensino médio ela editava o site da escola e suas matérias eram uma das melhores. Mas ela sabia que podia mudar se quisesse, tinha ainda algum tempo para decidir. Talvez mudasse, quem sabe?

— Eu vou fazer Arquitetura.

Victoria parou por um segundo para ver se tinha entendido direito. Ele não tinha cara de quem faria arquitetura. Era tudo muito complicado em arquitetura. Ele parecia gostar mais das coisas simples e práticas.

Ela balançou a cabeça, tentando espantar esses pensamentos. Não tinha o direito nenhum de julga-lo só porque ele era jogador de futebol.

— Aqui é a Kappa. — Falou o menino, tirando Victoria de seus pensamentos.

Ele apontava para outra mini-mansão, porém essa era duas vezes maior do que as outras. O gramado era tão verde que seus olhos chegavam á doer. A casa era tão grande que parecia mais ser outra parte da faculdade, como se fosse a parte do curso de Medicina (a melhor parte). A casa era branca, tinha aparentemente três andares. Sua frente era enfeitada com pilastras Gregas e podia-se ver vultos passando atrás da porta de entrada. Alguns meninos conversavam na varanda do último andar, onde atrás deles estava pregada uma grande faixa escita: “Bem vindo Kappas!”. Ouvia-se gritos de motivação vindo do fundo, e alguns “splashs”. “Eles têm uma piscina”, pensou Vic.

Viu então uma figura sair do fundo da Kappa. Era um garoto de shorts vermelho que passava a mão sobre o cabelo molhado. Parecia um filme. Não entendia como os meninos daquela Universidade eram tão bonitos daquele jeito. Porém ela se arrependera das utopias que estava tendo com o menino assim que vira o rosto dele.

— Vic!

— Avan!

Victoria nunca ficou tão feliz em sua vida por ter encontrado Avan. Ele correu em sua direção e lhe deu um abraço. Um abraço molhado.

Avan era seu melhor amigo desde o primeiro ano do ensino médio. Eles passaram por poucas e boas juntos, já pegaram várias detenções e ás vezes parecia que ele era o único que á entendia. Mas isso era só de vez em quando, pois eles quase sempre entravam em um impasse.

— Você é da Kappa? Por que não me contou?

— Eu ainda não tinha certeza. E adivinha só? Entrei para o time de futebol.

Ele riu enquanto pressionava a testa dela com o dedo indicador. Ótimo, pensou ela. Avan já tinha uma fraternidade, uma atividade extra-curricular e provavelmente um monte de amigos. Ela se sentia na miséria. Até agora tudo o que conseguira fora conversar com Ryan.

Ryan, por um momento se esquecera dele. Porém quando a menina se virou, ele continuava lá, de pé, sorrindo.

— Ah, vejo que já se conhecem. — Disse Ryan.

— É, minha melhor amiga. — Disse Avan, indo em direção á Victoria para mais um abraço.

— Chega, eu tenho que achar minha fraternidade. Depois falo com você.

Ela acenou para ele, como se dissesse “sai logo daqui”. A vida social de Avan já estava feita, mas a de Victoria ainda não tinha nem começado. Assim que Avan sumiu nos fundos da fraternidade, ela e Ryan voltaram á andar.

— É bem ali. — Ele apontara para a casa ao lado.

Victoria nunca ficara tão abobada em sua vida. Era uma arquitetura Grega, quase igual á da Kappa, porém era muito mais bonita. Ao invés de ser branca, era pêssego. Sua frente era maior e adornada por flores. Não conseguia ver muito pela frente, mas sabia que tinha muito mais no fundo. Uma menina morena de cabelo Channel correu em sua direção.

— Victoria Justice?

— S-sim? — Não tinha certeza se deveria responder ou não.

— Eu estava á sua espera. Sou a veterana que vai cuidar de você...

— Cuidar de mim? — Repetiu Victoria. Ela não era um cachorro, não precisava de cuidados.

— Sim, sabe como é, te apresentar a casa, as normas, as irmãs. Vem!

Só então que a menina percebera a presença de Ryan no local. Ela mandou um sorrisinho para Victoria enquanto tirava a mala dos ombros do garoto.

— Pode deixar que eu cuido dela a partir daqui doçura.

E ela andou rapidamente até a porta principal, esperando que Victoria á acompanhasse.

— Obrigada. A gente se vê por aí? — Ela não tinha certeza do que dizer. Deveria dar um beijo nele? NA BOCHECHA, na bochecha...

Mas pensara tarde de mais, o menino sorria enquanto se afastava da casa. Pode ouvir ele falar “boa sorte” enquanto voltava para a Kappa.


Era isso. Todo o seu destino na faculdade estava em jogo agora. Se ela não conseguisse entrar para a fraternidade provavelmente teria que voltar para a casa ou morar em algum banco da Rua Grega, pois já era tarde de mais para tentar ingressar em outra Fraternidade.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.