My Beating Heart Belongs To You
10 Serie Of Unfortunable Events
Notas iniciais
A latina acordou aquela manhã com uma dor de cabeça pior do que a que tinha dormido, levantou e se vestiu, mas assim que desceu as escadas, a atmosfera quase palpável a atingiu, era como se eu pudesse tocar o ar, olhou o relógio em cima da bancada, tinha perdido o primeiro horário e agora, provavelmente Jade e Kay já estavam na escola e Fernando estava se arrumando para a faculdade.
A casa estava silenciosa como um túmulo e Santana passeou olhando todos os cantos, procurando por indício de que houvesse algum ser vivo, ela não gostava de sua casa assim e não lembrava da última vez que aquilo aconteceu, a morena começou a suar frio e se sentia extremamente apreensiva, sentindo que algo de ruim ia acontecer.
Ela pegou uma maçã e foi comê-la na sala, já que tinha perdido o primeiro horário mesmo e não se importava porque naquele dia, a primeira aula era espanhol, e ela tirava de letra, mas assim que entrou na sala, sentiu uma pontada atingir todo o seu corpo, seus pais estavam sentados no sofá, o pai tinha a cabeça entre as mãos e a mãe olhava o nada com os olhos inchados, ela arregalou levemente os olhos e toda a cor de seu rosto foi embora.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou, e os dois a olharam com desanimação, seu pai parecia enojado e com raiva, o que a deixou com medo e ela sentiu como se seu olhar pudesse atravessá-la.
- Santana... querida, sente-se. – a mãe pediu docemente, ela parecia apenas abatida, a latina mais nova foi com cautela e se sentou na poltrona em frente ao sofá. – Seu pai... recebeu um DVD ontem de tarde... um DVD seu. – a mulher falou, e Santana gelou até a espinha e deixou a maçã cair, aquilo não estava acontecendo... aquilo não podia estar acontecendo...
- C-Como assim meu?! – a morena perguntou assustada, e milhões de possibilidades passavam pela sua cabeça.
- Seu e da Brittany. – complementou Eleanor, dando o controle da TV para Santana, ela relutou, mas percebeu que a mãe não desistiria e pegou o controle, apertando o play, primeiro a música de abertura do Fondue For Two tocou, e Brittany apareceu entrevistando Tina e Mercedes, ela já tinha visto isso, mas não conseguia tirar os olhos da televisão, Brittany falando que ela jogava em outro “time”, e então, a cena muda para uma câmera com menos resolução, parecia ter sido colocada no canto do vestiário, no começo da última semana, o coração da latina parou ao perceber as duas figuras que podiam ser vistas minimamente em um canto, eram ela e Brittany, a loira a prensava contra a parede e elas se beijavam ardentemente, a câmera deu um zoom e o rosto das duas foi pego, então a tela ficou escura.
Santana estava começando a hiperventilar e pensava em milhões de formas de se safar daquilo, seu corpo estava paralisado e ela não conseguia tirar os olhos da televisão, suas mãos tremiam e ela sentia como se fosse morrer, Antonio respirou fundo, tentando se controlar.
- Há quanto tempo isso vem acontecendo? – ele perguntou, com repulsa, e Santana o olhou, triste com a ideia de decepcionar o pai, que com certeza não ia gostar da ideia.
- Foi só... só uma vez... eu estava meio bêbada e... – a morena mentiu, não estava pronta para aquilo, não se sentia pronta, mas o pai bateu a mão com toda a força na mesa de centro, assustando as duas ali presentes.
- A VERDADE, SANTANA! – o pai gritou, parecendo com raiva e frustrado.
- Há... cinco anos, pai. – falou a morena, começando a chorar e com muito medo, o homem assentiu como se já devesse saber. – Eu... eu ia te contar, mas...
- SEM MAS! EU NÃO CRIEI NENHUMA SAPATONA! – ele esbravejou, levantando de uma vez, com raiva.
- Antonio! Antonio se acalme! – pediu Eleanor, tentando segurar o marido, que estava furioso.
- Eu a quero fora da minha casa! Nenhuma sapatão mora debaixo do meu teto! – ele gritou, e Santana chorava muito agora, quando ele empurrou Eleanor com força e ela bateu as costas na parede, ele virou e avançou pra cima de Santana com violência, estava possesso e já ia acertá-la com um tapa bem forte quando Fernando entrou na sala e o empurrou com força contra a parede.
- NÃO VAI BATER NELA! – ele gritou, e Santana se encolheu, ela estava com medo e triste, nunca tinha imaginado uma reação assim do pai, ergueu uma mão e pensou em levantar para segurar Fernando, mas viu que uma veia do pescoço do irmão estava muito dilatada e seu rosto estava vermelho, tinha medo de tocá-lo e ele partir pra cima dela.
- VOCÊ SABIA DISSO, NÉ? ESTAVA CONSPIRANDO COM ELAS! MEU PRÓPRIO FILHO! – gritou o homem, tentando se soltar do aperto de Fernando, que não o soltava e continuava ameaçador.
- QUER SABER? EU ESTAVA DO LADO DELAS SIM! Mas não venha falar em conspirar como se fosse algum crime! – gritou Nando, sabendo que não seria capaz de bater no pai. – Se a Santana sair, eu saio também! – o moreno avisou.
- Que saia! Não quero mais nenhuma desonra nessa família, se for perder meu único filho para isso, que seja! – gritou Antonio. – mas leve essa vagabunda com você! Eu dei tudo do bom e do melhor para ela e tem a coragem de envergonhar minha família desse jeito!
- Vamos Santana. – Fernando a chamou, a ajudando a levantar.
Os dois irmãos saíram da casa atônitos e entraram no jipe de Fernando, ele dirigiu até um prédio de tijolos até bonito, era ali que estava arrumando o apartamento para se mudar desde que entrou no ensino médio, agora só faltavam alguns toques para que ele se mudasse. Ele levou a irmã para cima, a latina estava em choque e não sabia o que fazer, nunca imaginou uma reação assim, ela só queria que o pai entendesse que ela não tinha culpa de ser gay, ninguém tem, e não é algo vergonhoso ou nenhuma doença.
Assim que ela se sentou no sofá, ainda com o olhar vago, seus olhos encheram de lágrimas e ela chorou como uma criança, abraçada ao seu irmão, estava em choque e estava assustada.
Já em casa, Antonio mirou em um vaso de cristal caríssimo e o derrubou no chão com um murro, começou a quebrar as coisas, com raiva, Eleanor já estava farta daquele comportamento infantil e partiu pra cima dele.
- VOCÊ TEM ALGUMA IDEIA DO QUE FEZ? NOSSOS FILHOS! VOCÊ QUASE BATEU NA SANTANA! – ela reclamou, decidida a fazer com que ele a ouvisse, então gritou.
- ELES NOS DESONRARAM! EU NÃO CRIEI NENHUMA SAPATONA! – gritou, enfurecido, e Eleanor lhe deu um tapa realmente forte.
- EU NÃO QUERO SABER DE HONRA! VOCÊ NÃO ME OUVIU? SÃO NOSSOS FILHOS, EU SÓ QUERO QUE ELES SEJAM FELIZES! SEJA COMO FOR! E EU NUNCA TIVE TANTA VERGONHA DE SER CASADA COM VOCÊ! – ela esbravejou, pegando a bolsa e saindo pela porta.
- Aonde vai!? – ele perguntou, enquanto ela entrava em seu Prius cinza.
- Vou atrás deles! – afirmou, e ele ainda tentou pará-la, mas a mulher dirigiu pelas ruas molhadas da chuva da noite anterior, as lágrimas começando a sair em seus olhos, ela estava angustiada, queria o melhor para a filha, queria que ela fosse feliz, mas só de pensar no tanto que ela sofreria, ser renegada pela sociedade... ter que passar por ceninhas como aquela de minutos atrás... Eleanor gostaria de poder mudar isso, mas se a filha era assim, ela iria aceitar, estava planejando ligar para Amy, juntar Brittany e Santana em uma sala e conversar como pessoas normais, saber se aquilo não era só uma brincadeirinha adolescente nem nada do tipo.
Estava tão determinada a chegar até o apartamento do filho, que era o lugar mais provável para eles estarem que não viu quando uma Dodge Ram 4X4 preta invadiu a estrada em alta velocidade, ela virou a direção do carro o mais rápido possível, mas o carro entrou no acostamento e o prius cinza foi atingido em cheio.
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