_Bom criança, já está acordada há essa hora, hoje é domingo e você pode dormir até tarde! fala Dora quando me vê entrando na cozinha, ela me serve chá e pega o pote dos biscoitos:
_Dormi mal a noite inteira e acordei com o cantar dos passarinhos. Falando nisso a senhora que deveria estar na cama descansando, como quer se curar dessa gripe se não para nunca?
_Preciso colher as ervas crianças, e tem que ser assim que o sol sai, por que vão estar fresquinhas!
_Pode deixar que hoje eu colho as ervas, você cuida da Marina!
_Está bem criança, como você quiser!
Pego um chapéu e a cesta dos legumes e vou para a horta, o calorzinho dos primeiros raios de sol me fortalecem e me fazem esquecer as preocupações que não me deixaram dormir direito.
Ao olhar em direção a casa vizinha, percebo alguém sentado debaixo de uma árvore, com uma tela na sua frente sendo pintada por ele, era um homem, mas não parecia ser o Senhor Marcos, era muito jovem para ser ele, além do mais, o Senhor Marcos falou que não tem nenhum talento para pintura, ao contrario do filho...
Esse deve ser o filho que vem morar aqui:
_Sofia, a Marina acordou e está chamando por você! Dora me tira do meu estado de transe. Nesse momento o homem parece ter percebido minha presença e olha em minha direção:
_Bom dia! fala ele.
_Oi! me levanto e entro em casa. Marina se acalma assim que me vê e pede colo, lavo as mãos e a pego. _O que foi minha pequena?
_Medo do bicho! ela fala chorosa.
_Não vou deixar nenhum bicho te pegar meu amor! ela me abraça colocando a cabecinha no meu ombro. _Você já comeu?
Ela faz que não com a cabeça ainda no meu ombro:
_Então vamos comer, e depois levo você para brincar lá de fora!
Acabo comendo de novo, já eram oito horas e eu acordei as seis. Como havia prometido para Marina, fomos brincar lá fora.
Um tempo atrás, o senhor Marcos montou um balanço na num galho da árvore de romã, pois Marina e eu sempre estávamos sentadas debaixo dela.
Fomos brincar no balanço, sento-me com Marina no colo, virada de frente para mim:
_Mais alto mamãe, mais alto! pedia ela.
_Se formas mais alto vamos acabar machucando o bumbum no chão! e ela ria com a minha resposta.
Paramos um pouco de nos embalarmos e ficamos só sentadas ali, apóio minha cabeça na dela, com forma de carinho, e ficamos conversando:
_Quando vou pra escola?
_Quando tiver idade!
_ Por quê?
_Por que você ainda é pequenina!
_E quando vou crescer e ficar grande como mamãe?
_Com o tempo você vai crescendo, e quando tiver 22 anos vai estar do meu tamanho!
_Falta bastante?
_Falta, mas aproveita que você é bebê ainda! Já sei, vamos medir sua altura a cada aniversário!
_Como?
Levanto do balanço e a escorro no tronco da árvore, pego uma madeirinha que possa cortar um pouco o tronco para deixar a marca:
_Você é dessa altura, depois eu pego uma fita métrica para medir!
_O que é fita medica?
_Quantas perguntas meu amor?
Voltamos para o balanço e dessa vez é Marina que se escorra em mim:
_Está com soninho?
_Não mamãe!
Senti que Marina adormeceu ao pouco no meu colo, embalei bem fraquinho o balanço:
_Oi, desculpa! fala alguém, me assusto e dou um pulo, quase acordando ela:
_Oi! era o mesmo rapaz que estava horas antes pintando o quadro.
_Desculpa eu não queria assustar você!
_Tudo bem, eu que estava distraída!
_Me chamo Miguel! ele estende a mão através da cerca.
_Prazer sou Sofia! tento equilibrar Marina enquanto também estendo a mão.
_E como é o nome da pequena?
_Marina! Ela é minha filha!
_É muito parecida com você! Mora há muito tempo aqui?
_Seis meses! E você vem morar pra cá?
_Estou me mudando essa tarde! Minha mãe falou tanto desse lugar. Falou sobre uma casinha, deve ser a sua, disse que era muito linda, que o lugar era perfeito... Em fim ficou falando uma tarde inteira sobre esse lugar e me convenceu a vir para cá!
_Esse lugar é o máximo mesmo! Dora mora aqui há muitos anos!
_Ela é uma senhora muito querida para você não é!
_Ela é a mãe que eu nunca tive! Mas você pinta quadros? resolvi mudar de assunto.
_Sim, pintei um esta manhã no amanhecer, vou pendurar na parede da sala, primeiro quadro desse lugar! Foi à hora que você estava colhendo legumes!
_Também pinto quadros, vou abrir um ateliê na cidade para dar aulas! As inscrições começam daqui uns dias e as aulas daqui a duas semanas!
_Apareço por lá para dar um oi!
_Parece que já conheceu meu filho, Miguel! E você conheceu Sofia e Marina!
_Oi Litielle!
_Oi mãe!
_Querida preparei uns biscoitos para Dora e vocês duas!
_Obrigada, melhor levar para dentro!
Tento levantar do balanço segurando Marina e a bandeja de biscoitos:
_Deixa que eu lhe ajudo! Miguel abre o portão que separa nossas casas e pega a bandeja das minhas mãos.
Entramos na casa:
_Pode colocar a bandeja na mesa!
_Oi crianças! Miguel vejo que já conheceu minhas meninas!
_Oi Senhora Dora, como vai?
_Me chame só de Dora querido. Estou ótima!
_Ela está com gripe e não quer ir ao médico, nem ficar de repouso! corrijo.
_Ah menina, já falei que estou muito bem, você está preocupada por nada criança!
_Você tem que ir ao médico Dora, gripe não é sinal de boa saúde!
_Obrigado pela preocupação de vocês dois, mas estou bem!
_Ela sempre fala isso!
_Criança!
_Ta bom, com licença, vou levar Marina para o quarto pra ela dormir mais confortável!
Miguel me acompanha com os olhos enquanto subo as escadas, coloco Marina no berço e volto a descer, ele continuava lá!
_Convidei Miguel para almoçar conosco querida!
_Ah! Então é melhor eu arrumar a mesa!
_Eu ajudo! se oferece ele.