Mutantes

4 Capítulo 3 - Desaparecimento de Pessoas.


Quinta-Feira, quase no final da semana e já aviamos caído na rotina das manhãs ensolaradas. O sol muito forte sufocava a minha alegria de ir à escola, com seus raios de calor intenso tirando minha vontade de viver, de sorrir e cobria tudo com aquela melancolia. A queda do meu desânimo o desejo avassalador de um quarto escuro e gelado com minha cama macia e vazia. Somente preenchida por mim. Me deixava nebuloso. Mas a escola, a cada dia que passava o colégio atraia mais minha atenção, não pelo fato de ser uma escola católica ou porque a quase todo estante havia uma novidade, algo que eu não conhecia. Mais pelo fato de eu e Alice estarmos cada vez mais envolvidos, uma espécie de atração que eu não havia sentido antes por nem uma garota sempre percorria por mim quando eu estava ao lado dela. Alice era arrogante e ao mesmo tempo atraente, interessante e espontânea. Cada vez que ela vinha falar comigo, sentia-me nervoso inquieto e incapaz de responder. De alguma forma ela sabia o efeito que causava sobre mim, e sempre continuava.

Ao chegarmos em casa naquela quinta-feira, minha mãe disse que eu e Isaac iriamos a nossa escola antiga pegar nosso histórico.

– Matheus vai estar ocupado, então tragam o dele também.

Suas palavras colidiram com o meu remoço de passar qualquer tempo que fosse ao lado do Isaac. Estremeci só de pensar nisso.

– Estou mandando Eduardo – vociferou-a.

– Está bem – disse na minha voz pungente.

Isaac saiu da cozinha cochichando algo para mim que não consegui ouvir direito, mas era algo com aturar.

Fiquei esperando os vacilos da minha mãe para que eu pudesse beliscar alguns aperitivos antes do almoço.

– E então como foi à aula hoje? – perguntou ela tentando mudar de assunto.

– Consegui sobreviver ao dia de hoje.

Minha mãe sorriu.

No seu primeiro descuido consegui roubar três batatas fritas.

– Conseguiu fazer novos amigos?

Fiquei em silêncio esperando pela próxima pergunta.

– Tudo bem. E os professores?

Agora ela estava mais atenta a sua comida, pareceu perceber algo.

– São legais – disse – a escola e um barato e eu vou subir algum problema?

Ela deu de ombros.

– Só espero que tenha lavado as mãos antes de pô-las na minha comida. – murmurou por fim.

...

A nossa escola antiga não ficava tão longe quanto a atual. Nossa mãe nós levou até lá e então pode seguir para o trabalho. Minha mãe era psicóloga, conhecida pelos corredores da medicina como a Dra. Carmen Versaly. Sempre pensei em seguir sua carreira até descobrir que a do meu pai e mais interessante. Advogado, essa iria ser minha carreira.

A Dra. nós deixou a um quarteirão da escola.

No caminho até o Centro Educacional Vieira Paizão, passamos por um terreno que sempre esteve abandonado, mas que agora estava murado e no muro ainda não embuçado aproveitaram para pregarem cartazes de anúncios comerciais e outras placas, havia também uma grande parte com fotos de pessoas desaparecidas e assim seguiam os portes. O que me chamou à atenção, era que todos tinham as datas próximas e a faixa etária igual ou aproximada. Todos jovens. Parei um pouco analisando a grande coincidência. Fiquei pensando qual o motivo daquilo.

No mural da escola Vieira Paizão, também havia um apelo pelas pessoas. Seguimos para direção do colégio. Os sons dos nossos sapatos faziam ecos na calmaria, a sirene ganhou vida com um solavanco, me dando um grande susto.

Na secretária eles enrolaram um pouco para liberar os históricos, principalmente o de Matheus, foi preciso que ligassem para nossa mãe para poderem liberar. Quando ela finalmente liberou os históricos a escola estava agitada. Eu pude reconhecer alguns rostos. Olhei para baixo pro meu jeans, espetado meu lado pratico de fugir.

Esperávamos o ônibus na parada – não era uma coisa que eu gostava muito de fazer, mas era melhor do que voltar andando – de súbito um carro prata parou na nossa frente, soou a buzina duas vezes até eu perceber que era comigo.

O vidro baixou.

– Ei você não é o colega da Alice – disse o cara de dentro do carro, o que andava com Alice pra cima e pra baixo na escola,.

Fiquei imóvel tentando entender se ele estava mesmo falando comigo. Só tive certeza quando Isaac me cutucou.

– Oi. – minha voz saiu meio estranha.

– Alice fala muito de você. O tal misterioso. – ele fez umas aspas com as mãos, dando ênfase – pra onde estar indo posso te dar uma carona?

– Não precisa. Valeu – disse.

– Mas é claro que precisa – Isaac disse mais alto – Eduardo está ficando doido.

Olhei-o como se ele fosse o doido. Afinal era ele que estava entrando num carro de um estranho.

– Eduardo! – exclamou ele dentro do carro – estava tentando lembrar seu nome. Me chamo Pedro – ele estendeu a mão no mesmo gesto que Alice fizera na cantina da escola.

Eu não fiquei paralisado ou nervoso, com ele não causou o mesmo efeito que Alice me fez passar. Não que eu esperasse que acontecesse. É que foi diferente.

Entramos no carro.

Ele perguntou onde morávamos, assim que abri a boca Isaac respondeu. Ele e Isaac ficaram batendo papo o caminho inteiro de vez em quando ele tentava entrosar-me, mas eu não tinha muito que falar e, o silêncio voltava a pairar. Não demoramos a chegar em casa Isaac foi o primeiro a sair do carro me deixando para trás, antes que eu descesse do carro. Pedro me parou.

O vidro do carro era coberto por um insulfilm muito escuro então deixei a porta do carro entre aberta para que entrasse um pouco da luz do sol. Não confiava muito nele. Ele riu ao perceber isso, mas mesmo assim insisti na porta entre aberta.

– Alice fala muito de você pra mim sabia? – Pedro disse assim que peguei na porta do carro.

Fiquei pensando onde ele queria chegar com aquela conversa.

– O que você é pra ela? – perguntei estupidamente, depois desejei não ter dito aquilo, mas fui em frente – o que rola entre vocês?

– O que rola? – repetiu ele – bem, eu diria amor fraternal – ele fez uma pausa estudando minha expressão – Alice e eu, nós somos irmãos.

Não era o tipo de coisa que eu esperava ou o tipo de coisa que tivesse passado pela minha cabeça, afinal que tipo de irmão são tão diferentes um do outro. Mas pelo menos, por algum motivo aquela noticia me deixou feliz.

Notei que ele ainda me fitava esperando uma resposta.

– Por que você está rindo? – quis saber ele – acho que estar rolando alguma coisa entre você e a minha irmã. Ela não para de falar de você e quando eu pergunto alguma coisa ela simplesmente muda de assunto.

Lutei para recompor minha expressão.

– Estranho na escola à gente quase não se fala.

Eu sabia que precisava pensa em algo pra dizer a ele, mas minha cabeça estava cheia das suas palavras, do ele disse sobre Alice ficar falando sobre mim. Enquanto isso os segundos se passavam.

– A gente se vê na escola. – disse por fim.

– Ok.

Sai do carro. A rua da minha casa era de duas mãos então ele deu uma volta abruptamente de 180°C com o carro e voltou pelo caminho de onde viemos.

Fui para casa, entorpecido. Nem percebi que quando entrei deixei a porta aberta.

Em casa não parava de pensar no que Pedro havia me dito. Milhares de coisas vinham na minha cabeça. Por que eu parecia tão confuso? Alice me deixava sem palavras e ao mesmo tempo com vontade de dizer um monte delas.

Desabei no sofá esperando uma absolvição dos meus pecados. Eu havia criado raiva de uma cara que eu nem mesmo conhecia, por que motivos? Eu sabia que meu rosto estava absorto em meus pensamentos e que avia um fluxo interminável de perguntas na minha cabeça que compilavam em continuar. Liguei a TV só pra ter algo para fazer. Só percebi que Matheus estava na sala, quando ele bateu a porta afugentando meus pensamentos.

– O que você tem? – perguntou.

– Nada.

– Então por que está com essa cara de besta?

Resolvi contar a Matheus o que Pedro avia me dito, mas não demorou muito para que eu me arrependesse. Matheus praticamente surto.

– Você estar apaixonado! – ele quase pulou do sofá.

Assenti uma vez. Sem conseguir ri da piada dele.

– Hã? Não, eu saberia se estivesse.

– Claro que esta, você não para de falar nela e sorri toda vez que fala dela.

Fiz uma cara de incrédulo.

– Matheus você está maluco, essa foi a coisa mais doida que você já disse. Não tem nem duas semanas que eu conheço a garota.

Ele assimilou o que eu havia dito e parou por alguns segundos para pensar.

– Amor à primeira vista!

Fiquei pensando por um bom tempo nisso. Será que ele tinha razão? Não haveria sentido nisso. Haveria? Quero dizer, por que ela? O que ela tinha de tão especial?

Procurei não pensar nisso pelas próximas horas o que foi difícil a começar pelo fato de eu não ter mais nada pra fazer pelo resto da tarde. Tentei ocupar-me com alguma coisa, revirei meu caderno, mas todos os meus deveres já estavam feitos pensei em apaga-los e refaze-los novamente, mas isso seria idiotice, peguei um livro mas aquilo me entediava.

...

Na semana seguinte chegamos à escola cedo demais, estranhei que o Isaac ainda estivesse comigo e o Matheus. O sinal ainda não tinha soado e o fluxo de alunos também era pouco. Pessoas circulavam pelos corredores da escola como se já não conhecesse o colégio o suficiente.

Eu gostava muito de usar bermudas, mas dessa vez eu estava usando uma causa jeans e uma camiseta branca esgarça e fina feito um pedaço de pergaminho de tão velha. Mas eu gostava de mais dela pra ter que joga-la fora.

A manhã havia começado de forma diferente, o sol locava-se no horizonte como sempre, mas dessa vez mais aquecido que de costume. Pela primeira vez em muito tempo eu me sentia total e inegavelmente acordado, pela primeira vez em muito tempo eu me sentia bem.

– Eduardo onde estar aquele seu amigo que deu carona pra gente? – perguntou Isaac.

Dei de ombros.

– Não sei.

Agora estávamos fora da escola, vagando pelo estacionamento, avia poucas pessoas lá fora, mas eu já havia me certificado de que Alice não estava lá dentro. Então meus olhos estavam atentos para quando ela chegasse, vasculhando cada centímetro daquele lugar.

– Se está procurando por ela, ela ainda não chego. – cochichou Matheus no meu ombro.

Mesmo que eu não quisesse continuar com aquela conversa não pude deixa de perguntar.

– Como você sabe?

– Eu vi quando você e o Isaac chegaram no carro do irmão dela. Olha em volta.

– Claro – dessa vez disse pra mim mesmo. – o carro não está aqui.

Mais meus olhos ainda continuavam insistentemente a procurarem por ela.

Isaac me cutucou.

– Eduardo aquele carro que acabou de chegar não é o do seu amigo.

Meu coração batia a todo estante até a porta prateada com os vidros escuros se abrirem e Alice passar por ela. Quando avistei seu rosto perfeito e uniforme senti-me tonto e tremulo, minhas mãos suaram e meu coração bateu mais forte e lembrei que eu tinha que respirar se quisesse continuar vivo pra falar com ela.

– E agora vai falar com ela? – sussurrou Matheus.

Um nervosismo pareceu tomar conta de mim e der repente à vontade que eu havia sentido de ir fala com ela, simplesmente desapareceu.

– Não, acho melhor deixar as coisas do jeito que estão – murmurei – pelo menos até eu ter certeza. E eu também não saberia nem o que dizer a ela.

Ainda não tinha certeza do que rolava de verdade entre mim e Alice. Mas como imas meus olhos escorregaram para vê-la. Ela estava muito bem acompanhada com o seu irmão e outras duas garotas. Perguntei-me como ela conseguia fazer tantos amigos em tão pouco tempo. Voltei a olhar pra frente.

Isaac parecia que estava bem familiarizado com os alunos da nova escola, cada pessoa que passava pela gente, acenava de forma convincente para ele. Pedro avistou agente e também acenou vindo em nossa direção. Deu para perceber seu olhar de alivio de ter encontrado alguém que não fosse às amigas de Alice.

– Eu estava agora pouco perguntando de você pro Eduardo. – Indagou Isaac.

Matheus sussurrou no meu ouvido de novo.

– Você fez amizade com o irmão dela – ele murmurou num ar de sarcasmo. – boa forma de conquistar a garota.

Reparei se Pedro e Isaac não aviam escutado o que Matheus tinha dito. Pedro me olhou de uma forma calculista.

– E aí Eduardo? – a voz de Pedro trazia um significado oculto por de traz da frase.

– Oi. – pensei em dizer algo a mais do um simples oi, mas fiquei em silêncio.

O sinal tocou.

– Perigo eminente – eu disse – eu tenho que ir pra sala, antes que seja expulso, mas dessa vez da escola.

– Agente se fala depois – respondeu Pedro.

Percebi que aquele não era um simples agente se fala, ele realmente queria falar comigo.

Olhei o estacionamento mais uma vez procurando por ela, mas ela já havia desaparecido. E estranhamente Isaac ainda continuava a andar comigo e o Matheus. Dentro da escola meus olhos vasculhavam cada lugar para qual eu os mirava. Nada.

Minha primeira aula era língua portuguesa. Quando cheguei na sala não percebi que a aula do Professor Geovane Lucena já havia começado, meus olhos dispararam direto para mesa que eu sabia que ela estaria sentada. Ignorei meus pulmões que queimavam ofegantes por ter subido todas aquelas escadas com tanta pressa.

Enquanto o Sr. Lucena explicava algo sobre verbo, eu lutava para me concentrar na sua aula. Minha segunda aula seria matemática. O professor não era tão chato, mas eu não entendia nada de cálculo o que dava no mesmo. O professor Bener havia inovado nessa aula, usava o retroprojetor para ilustrar algumas coisas antigas, algo como era feitos os cálculos na era medieval os números estranhos que utilizavam e tudo mais. A sala estava escura era quase impossível enxergarmos uns à os outros, ou se deslocar no curto espaço que as mesas ofereciam. Alguns alunos entretidos, outros assistiam à aula, e eu tentava não cair no sono. Quase tive uma síncope quando virei rapidamente e vi a figura alta e escura se esgueirando pra cima da minha mesa. Depois percebi que era só Max. Consertei-me na minha cadeira. Max era um nerd com total falta de noção que eu havia conhecido, acho que a única pessoa que havia conhecido na minha turma, fora Alice.

No meio da aula ele cutucou-me.

– E aí Eduardo?

– E aí Max. – eu disse. Não prestei atenção no tom desagradável na voz dele, então as próximas palavras de Max me pegaram de surpresa.

– O que anda rolando entre você e Alice, hein Felipe?

Fingir não ter escutado essa, até ele me cutucar de novo.

– Nada – menti – não rola nada.

Ele riu cinicamente. Depois eu suspirei e me abaixei na minha cadeira, assim ficava mais difícil de o professor Bener me enxergar.

– Não menti. Todos já perceberam – disse ele tentando salientar algo – vocês ficam trocando olhares dentro de sala... – ele fez uma pausa – e ela tá te olhando nesse exato momento.

Não respondi as acusações dele, fiquei em silêncio com a vontade de retribuir o olhar de Alice naquele exato momento.

– E então? – Insistiu ele.

– Não sei do que está falando. – minha voz havia ficado rude de uma hora pra outra. Continuei a fitar as imagens que proviam do retroprojetor.

Mais tarde o diretor passara em todas as salas para avisar que o padre Sergio Gomes o fundador da escola, iria visita-la para dar uma palestra sobre o catolicismo – presumi que o diretor João Batista já avia subido muitas escadas, sua blusa azul claro não escondia o suor que brotava de sua pele – tentei reprimir um sorriso quando sua voz ofegante chegou na minha sala. O diretor percebeu o meu sarcasmo e o reprovou com sua expressão. Desviei os olhos rapidamente.

Na hora do intervalo o sol acordara de uma vez por todas, o amarelo dos seus raios fazia algumas paredes da escola que eram brancas gritarem nos meus olhos o calor ainda me incomodava um pouco. Sempre preferir o frio, mas ainda era fevereiro e o inverno estava longe, mas de qual quer forma o dia estava bonito, encorajador. Encontrei-me com Matheus e Pedro, dessa vez Isaac não estava mais presente. Depois que meus olhos desistiram de procurar por ela pelo pátio e pelos corredores, comecei a me concentrar na conversa do Matheus e do Pedro e me perguntei quando eles aviam se tornado amigos. Senti que as coisas estavam acontecendo de forma muito rápida.

– Você não acha Eduardo? – Perguntou Pedro.

– C-como? – acho que eu não havia me concentrado o suficiente.

– Futebol, lembra? – ele riu

Tentei lembrar o que ele avia dito sobre futebol, mas não avia nada para ser lembrado, eu nem mesmo avia escutado o que ele havia dito.

– Esquece Eduardo, quando Alice se enfia com aquelas amiguinhas dela – ele fez umas aspas com as mãos – você não vai acha-la.

Será que estava tão na cara que eu a estava procurando. Recompus a expressão e tentei não ficar vermelho. Tarde demais. Abaixei a cabeça para esconder meu constrangimento.

Eles olharam pra mim e riram.

– Isso não ajuda – reclamei.

– Na verdade não. – admitiram.

Sentamos em uma das praças da escola e me distrai assistindo alguns idiotas fazendo coisas tão bizarras quanto eles mesmos. Não prestei atenção mais no Pedro e no Matheus por um longo tempo, apenas me distrair com a leseira que os três caras faziam na grama, de uma forma meio estranha, era curioso vê-los dando saltos mortais e batendo uns no outros como se ainda tivesse 12 anos de idade.

Quanto a mim, a sensação de desconforto já havia passado. Era difícil ter Alice fora de vista e da cabeça. Eu só retornei à minha atenção à conversa deles quando percebi que eles não estavam mais ali.

– É incrível como existem pessoas que fazem questão de se expor ao ridículo – a voz suave e doce da Alice fez a eletricidade que circulava toda vez entre nós, despertar, e meu desejo de tocá-la brevemente foi mais forte.

Ela aspirou de forma suave como se tivesse sentido o aroma de um perfume e sentou-se ao meu lado, e apenas então eu percebi que minha pulsação havia acelerado e minha respiração parado.

Olhei em volta para certificar-me de que Matheus e Pedro não estavam mesmo por ali. Sem sinal deles. Alice estava parada ao meu lado me olhando nos olhos, esperando que eu dissesse alguma coisa provavelmente. Me sentia tão nervoso e meu coração batia tão forte que por um segundo tive medo de abrir a boca para dizer algo e ele simplesmente pular pra fora. Isso era estranho. Mas agradeci por ela estar ali.

Ok. Sem mais erros.

Respirei fundo, até encher meus pulmões de ar o suficiente para estoura-los ou o suficiente para prender meu coração, contra minha caixa torácica. Queria ganhar tempo para pensar em algo inteligente, mas assim que abri a boca para dizer algo, ela também abriu.

– Pedro me falou que ele deu carona pra vocês, quero dizer você e seu irmão – disse ela por fim.

Limpei a garganta antes de falar.

– Pedro é legal – fui sincero.

O silêncio pairou entre agente por mais alguns longos segundos, até eu quebra-lo.

– Você e Pedro não tem muita aparência em Comum – tentei – vocês são irmãos, não são?

– Pedro foi adotado – Alice disse num tom mais alto abafando minha voz.

– Desculpa... eu...

– Tudo bem. Isso não o incomoda. Na verdade minha mãe não conseguia engravidar, então ela e meu pai resolverão adotar um filho. Meus pais se apaixonaram pelo Pedro no orfanato, quando ele ainda era recém-nascido. Dois anos depois minha mão engravidou e eu nasci.

Meus batimentos cardíacos aviam voltados ao normal. Já não me sentia mais tão nervoso agora. Pra ser sincero à tranquilidade avia se alojado em mim, como se fosse uma parte de mim. Não era mais meus sentimentos que me dominavam e sim o impulso de curiosidade de querer saber mais sobre ela.

– Alice quantos anos você têm? – perguntei como por acaso.

Ela rio virando o rosto pra disfarça.

– O que foi?

– É que você nunca disse meu nome – ela me olhou de novo e riu – soou de um jeito estranho.

– Isso a incomoda?

– Não. Não me incomoda. Você tem a voz bonita na verdade. Ah e a proposito eu tenho 15 anos. E você?

– Tenho 16 anos.

– Você é bem novo, não parece ter 16 anos.

Senti uma pontada de preconceito vindo por de traz de suas palavras, mas resolvi deixar pra lá.

Avia tanta coisa que eu queria saber e conhecer sobre Alice que eu não sabia por onde começar. Cada pergunta, cada comentário saia num jato de palavras que eu não conseguia controlar.

– O professor Geovane Lucena disse que você é novata – continuei olhando-a como se fosse à única pessoa na minha frente, tentando traduzir suas expressões – de que colégio você era?

– Não sou de Florianópolis. Não estudava aqui antes.

– E de onde você era?

– Goiás. Meu pai é médico das forças armadas então ele se muda muito. Nossa família nunca fica em um lugar por mais de três anos.

– Humm...

Ficar ali sentado à luz do sol que pendia sem pudor sobre nossas peles, fazendo com que enrijecêssemos as pestanas toda vez que olhávamos alto demais era algo que não incomodava nem a mim e nem a ela. Sua pele branca e delicada como um floco de neve, começava a ganhar um tom avermelhado. Seus cabelos estavam puxados num rabo de cavalo que prendia no alto da nuca como ela sempre usava de costume, deixando seu pescoço a mostra. Ambos ficamos conversando por um longo tempo, tempo suficiente para o intervalo acabar e eu não comer nada, mas a fome não me incomodava, estar com ela era algo impressionante, com ela eu não tinha noção do que acontecia ao meu redor, era como estar em uma sala escura onde Alice tivesse brilhando como um diamante ao sol. Eu realmente só tinha olhos pra ela.

– Nossa há quanto tempo estamos aqui? – Alice perguntou depois de um tempo – parece que todos já se foram.

Dei um suspiro exasperado. A escola toda estava vazia.

– Perdi a noção do tempo – rapidamente me levantei – caramba cadê todo mundo?

Ela riu e a risada dela me fez ri também.

E então quando estávamos nos preparando para nos despedir a Srta. Ernestina materializou-se na nossa frente.

– O que vocês fazem aqui? – Bufou a inspetora com cara de reprovação – por que não estão na sala?

Alice me olhou e o seu sorriso avia se fechado em uma linha que quebrou-se quando ela mordeu os lábios.

– Não se preocupe já estamos indo pra sala. – grunhi.

– Senhora Ernestina – choramingou Alice – desculpe a gente pela...

– Vão já pra sala! – a Srta. Ernestina quase gritou. – Agora.

Depois daquilo eu mal pude falar com Alice novamente naquele dia.

l

Quando cheguei em casa, guardei minha mochila com os livros no quarto, botando onde houvesse espaço no guarda-roupa. Esperava que Matheus viesse me encher o saco. Antes de tomar banho liguei o computador para verificar meus e-mails, não era algo que eu fazia com frequência, mas já avia muito tempo que eu não o verificava. Sempre achei meu Windows lento demais, mas hoje ele avia se superado, cinco minutos e ele ainda estava iniciando. Comecei a tirar os sapatos e os empurrei para de baixo da cama junto com as meias sujas, em seguida a blusa e a causa jeans, me enrolei na toalha. Matheus abriu a porta do quarto bruscamente esperando ver algo do tipo eu conversando com Alice pelo telefone.

– Verificando seus e-mails? – ele parecia meio na expectativa – então como foi com Alice?

Eu ri e foi uma risada convincente, acho até que ri de verdade.

– Matheus sutileza não é seu forte.

– Você sabe que não. – ele riu também.

– Nós apenas conversamos e esquecemo-nos do tempo até levar um carão da Sra. Ernestina. – olhei pra ele novamente e sua expectativa se encarrancava na decepção. Meus olhos se distanciaram e voltaram para o computador. – ela é legal.

Matheus riu, mas ele ainda não estava satisfeito.

– E... – ele ainda esperava como quem espera uma luz no fim do túnel – sem beijo? Sério Eduardo, sem beijo?

– Ainda não. – admiti.

– Então é melhor se apreçar – ele andor em direção à porta do quarto – por que se não vem outro e rouba sua garota.

Ele abriu um sorriso que desapareceu tão rápido quanto tinha surgido e depois saiu.

Pensei no que ele disse por um breve minuto, depois disso olhei o computador, ele já estava pronto para o uso, mas a minha vontade de olhar meus e-mails já havia passado, desliguei-o novamente e fui tomar banho. Depois de vesti qual quer roupa desci para o almoço, minha mãe ainda não tinha terminado de aprontá-lo, fiquei na sala, liguei a TV. Meu pai havia deixado o jornal daquela manhã em cima da mesinha, geralmente ele levava consigo para o trabalho, mas acho que dessa vez ele esqueceu. Não me interesso muito em ler jornais, mas aquela noticia me chamou a atenção.

“Já chega a 30 o número de pessoas desaparecidas em Florianópolis”

Fiquei lendo o noticiário coisa que não costumava fazer. Entretendo-me lendo o assunto, levei um susto quando o telefone tocou. Ignorei os três primeiros toques estava terminando de ler o terceiro parágrafo, esperei que alguém viesse atender. Mas ninguém veio. O telefone ainda tocava insistentemente.

Resolvi atender eu mesmo.

– Alo?

– Oi. Aqui é o Pedro Baker que fala.

Por um minuto eu não disse nada enquanto a outra pessoa do outro lado da linha dizia repetidas vezes alo. Concentrei-me na ligação.

– C-como... como você conseguiu o número da minha casa. – disse ainda espantado.

– Foi o Matheus quem me deu. Algum problema?

Claro que foi. Demorei um pouco pra responder.

– Não. Só estou surpreso.

– Agente poderia fazer alguma coisa hoje? – sugeriu ele – vocês são os únicos da cidade que eu conheço.

– Tipo o que?

Pedro demorou um pouco pra responder, talvez ele ainda não tivesse planejado nada.

– Ah não sei... Jogar videogame, talvez.

– Claro – respondi com mais entusiasmo. Dessa vez estava entusiasmado mesmo. Pedro e Alice eram irmãos, certo. Irmãos moram na mesmo casa. Eu iria ver Alice. Eu ri disso.

Quando desliguei o telefone Matheus vinha Chegando.

– Estou indo pra casa do Pedro, você vêm.

Matheus me olhou espantado. Eu quase nunca saia de casa.

– Você? – disse ele num tom duvidoso – fazer o que?

“Você eu não sei, mas eu estou indo ver a Alice.” – foi isso que eu pensei, mas não foi o que eu disse em voz alta. Em vez disso eu disse:

– Não sei. Talvez jogar videogame.

– Tô dentro.

– Pedro vai passar aqui pra nos buscar.

Matheus deu de ombros, mas eu sabia o que ele estava pensando.

Dessa vez o meu pai, passou em casa para almoçar, não era algo que ocorria com frequência ele nunca parava em casa. Todos nós percebemos a felicidade da nossa mãe ao telo sentado na cabeceira da mesa. Sorria toda vez que olhava pra ele. Aline fez questão de sentar-se ao seu lado.

Estava claro demais quando o Pedro chegou pra buscar eu e o Matheus; o sol ainda estava muito alto, mesmo assim fui pra fora quanto ele buzinou, senti o calor vim me abraçar como se tivessem ligado um secado em cima de mim. E meu corpo começou a formigar por conta disso. Matheus não se incomodou, nem mesmo quando tive dificuldade para abrir a porta do carro para entrarmos.

– Está nervoso por que estar indo se encontrar com a Alice – disparou ele atrás de mim. Seguido de uma risada.

Eu fingir não ter ouvido essa. Minhas desculpas já eram fracas o suficiente. Entrei no carro e me senti mais relaxado; o ruído robusto do motor dele se tornou minha deixa. Era um alivio estar em movimento, saber que eu estava me aproximando de Alice a cada quilometro deixado para trás pelos pneus.

Agradeci pelos vidros do carro serem escuros, pra mim aquilo era como uma capa de proteção contra o sol.

Matheus ficou de cara estupefata quando avançávamos pelo asfalto a 80 por hora.

– Esse carro é seu?

Pedro deu uma breve risada.

– Ganhei de aniversário de 18 anos. Potente né?

– Belo presente – constatei.

A casa dos Bachman´s não ficava tão longe quanto eu pensava, achei até que ficava perto o suficiente para ir a pé. Uma casa grande, branca e incrivelmente bonita, impossível de não ser notada, eu já devia ter visto aquela casa antes. Um jardim que arrodeava a casa era cercado pelo muro consequentemente branco, destacando as grades de cerca elétrica. A piscina ficava a direita com espreguiçadeiras bastante confortáveis. Olhei pro Matheus e ele estava com os olhos arregalados de novo, achei que eu também devia estar assim. Recompus a expressão. Olhei a casa mais uma vez curioso, minha própria curiosidade estava completamente insatisfeita, pra todas as varandas das sacadas que eu olhava, em nem uma delas Alice estava. Mesmo assim fiz questão de elogiar sua casa bem desenhada, luxuosa e simples ao mesmo tempo.

– Pedro sua casa é o máximo.

Ele deu uma risada arrogante, depois disso, disse confiante:

– Eu sei disso. – ele nos convidou para que entrássemos. – A gente se mudou para cá há pouco tempo, somos de Goiás.

– Alice me contou.

– Goianos! – Matheus ainda sentia-se bestificado.

Eu fiquei ali parado ainda por alguns segundos, olhando a faixada da casa, depois eu entrei.

A casa por dentro era ainda mais exorbitante. Minha curiosidade obsessiva fazia meus olhos dispararem para todos os confins dela e me sentindo cada vez mais maravilhado, cada centímetros da casa era detalhadamente arrumado, cada móvel se encachava perfeitamente com o lugar.

– Então, prontos para perderem – a voz alto confiante do Pedro inclinando a cabeça uma vez na direção do videogame. Parecia ser divertido.

Jogamos videogame por um longo tempo, depois disso já estava me sentindo entediado, eu ainda não havia ganhado uma partida. Matheus e Pedro estavam em uma disputa insaciável, quase me senti excluído por conta disso. Tentei me entrosar mais, me empenhei mais no meu jogo e consegui fazer três rodadas seguidas neles.

– Parece que alguém acordou – brincou Matheus.

– Eu sou bom nisso Matheus você sabe disso.

Os dias em que sempre passo trancado dentro de casa procurando algo pra fazer, sempre me levaram ao videogame. Passava a maior parte o meu tempo na frente de uma tela exercitando meu sedentarismo, nunca gostei de sair mesmo, pelo menos naquilo eu era bom.

De repente ouvir um barulho no corredor que achei que fazia ligação com a cozinha. Passos rápidos e altos que faziam meu corpo tremer de ânsia, chegava cada vez mais perto, podia perceber que eram sapatos altos que batiam com força contra o chão. – a sensação de que meu coração iria pular pela boca de tanta ansiedade, acabara de me pegar – virei meu pescoço o máximo que pude esperando a pessoa que presumia que fosse, aparecesse logo.

– Olá meninos – disse uma mulher com aparência de uns 36 anos, a fisionomia lembrava de leve Alice – Pedro eu fiz um lanche pra vocês está na cozinha. Estou de saída.

Minha expressão se desmoronou e eu afundei no sofá.

– Estar bem mãe – respondeu Pedro sem tirar os olhos do jogo.

Ela tinha o andar sofisticado e um jeito de se movimenta que me fez ver de onde Alice havia herdado tanta sofisticação. Uma segurança intocada. Quando ela percebeu que eu a olhava, ela sorriu de uma forma hospitaleira. Eu o retribui.

Ela assentiu e saiu.

Minutos se passaram até que novos passos ecoaram na sala, virei com menos expectativas dessa vez não queria me decepcionar. Avistei Alice descendo os degraus da escada de uma forma exuberante, no seu balé pessoal. Vinha acompanhada de mais duas garotas, consegui reconhece-las que eram do colégio. Quando ela viu-me pude notar a surpresa nas linhas expressas em seu rosto que segundos depois se desmancharam em um sorriso o que agora era o meu preferido. Alice levou as duas meninas até a porta e despediu-se delas e depois se direcionou ao corredor.

– Olá meninos – ela repetiu as mesmas palavras da sua mãe quando nos cumprimentou ao atravessar a sala.

Eu sorri de volta pra ela. Era um alivio enorme estar aqui, poder vê-la de novo. Eu percebi que não estaria totalmente à vontade se não fosse desse jeito, sentindo o formigamento a eletricidade que nunca morria quando nós encontrávamos. Eu podia dizer isso pela maneira que meu coração batia ao vê-la.

Segui-a com os olhos até que ela desaparecesse no corredor. Eu suspirei deixando a ansiedade me queimar novamente. Agora eu só precisava de uma desculpa para ir até ela.

Esperei impaciente contando no relógio de pulso que usava de costume, até que um minuto inteiro se passasse o que pra mim pareceu uma eternidade.

Respirei fundo mais uma vez antes de dizer as palavras.

– Pedro, eu preciso... quero dizer estou com sede. – minha voz ainda falhava.

– Será que pode esperar um pouco. – ele nem ao menos olhou-me.

– E que estou com sede faz um tempo.

Ele grunhiu com raiva de alguma coisa no jogo.

– Acho que Alice foi para cozinha – ele rosnou de novo – você pode pedir dela.

Fiquei grato por eles estarem entretidos no jogo e não prestarem atenção em mim.

Sai da sala.

O frio na barriga bateu, mas eu soube o controlar dessa vez. O corredor era bem longo deu-me tempo para pensar em algo para dizer. Quando cheguei à cozinha que dava duas da minha casa, era um lugar bem aberto e claro o sol entrava por todas as janelas. Alice estava mexendo na geladeira, assim que ela virou, levou um susto a o me ver parado na porta da cozinha olhando-a em silêncio.

Alice estudou minha expressão antes de falar.

– O que você faz aí parado?

– Vim beber água – respondi lentamente.

Alice abriu a geladeira novamente. Olhei pela janela, uma vista de um jardim bem cuidado, exuberante, paisagem verde em um dia ensolarado.

– Não esperava ver você e seu irmão aqui. – ela começou a encher o copo – não sabia que vocês e o Pedro estavam tão amigos – enquanto ela falava, eu ia me aproximando aos poucos – fiquei surpresa.

– É, eu pude perceber. – Agora eu estava mais perto.

Ela me empurrou o copo em seguida me olhou nos olhos, de uma maneira casual e profunda. Ela enrijeceu-se examinando minha expressão peculiar. Parecia tão inquieta quanto eu.

Peguei o copo e meus dedos tocara nos dela e demoraram-se.

O alivio de poder estar com ela me deixou mais livre.

– Alice – minha voz rouca sussurrava e falhava ao mesmo tempo – eu preciso te falar uma coisa. – Ela levantou o rosto e me olhou com mais intensidade e sorriu. Aquilo me encorajou. Seu sorriso me deixava encantado.

Dei mais um passo à frente. Fiquei a uns quatros centímetros do rosto dela, com uma vontade imensa de toca os seus lábios com as pontas dos meus dedos.

– O que? – disse ela soprando no meu rosto.

Ela esperava até então que eu a beijasse. Seus olhos pareciam gritar por isso, eles pareciam vislumbrar os meus.

Dei o primeiro passo e agarrei seu rosto com as palmas das minhas mãos, conseguia sentir o calor do seu corpo aquecerem minha mão.

– Alice acho que – minhas mãos ainda continuavam deslizando pelo seu rosto — ... acho que estou...

Os passos que eram faces de serem ouvidos quando ecoavam pelo corredor simplesmente a gente não percebeu. Só demos conta quando Pedro entrou na cozinha e se espantou a me ver tão perto da sua irmã. Tentamos desfaçar sem muito sucesso.

Retirei as mãos e os olhos da Alice. Olhando para o Pedro e Matheus que já se aproximava. Minha expressão frustada, meus lábios tremiam e meu rosto ficava cada vez mais pálido como o de um fantasma. Minha garganta parecia presa sem emitir um som.

Depois de alguns minutos de silêncio incomodativo Pedro resolveu falar.

– Você demorou. A gente veio ver.

Fiquei em silêncio procurando uma resposta.

Alice recuou dois passos, e então, quando se sentiu segura para falar, quando seus lábios não tremiam mais, ela disse:

– Um cisco caiu no meu olho – ela pigarreou uma vez – aí pedi ao Felipe... – sua voz pairou no ar quando ela percebeu que aquela era a desculpa mais piega que ela poderia dar.

Eu ri do seu jeito sem jeito.

Ela aspirou de forma rasgada.

– Humm... sei.

A situação constrangedora persistiu pelos próximos cinco minutos, até que alguém resolvesse falar algo que fugisse do assunto.

Depois de comermos alguma coisa fomos para o jardim. O dia estava perfeito o céu de um azul fantástico e sem nuvens, prometendo bastante sol. Fazia uns 28 °c em Florianópolis uma temperatura instável. Como o dia estava bom ficamos na beira da piscina conversando esperando quem seria o primeiro corajoso a se atirar na água que com certeza ela devia estar fria. Assim como nós Alice tirou os sapatos e deixou ao lado da porta. Enquanto caminhávamos pelo gramado era possível sentir a terra fofa se alojando entre os dedos dos pés. Estava suave e morna. Mas ninguém se rendeu ao azul da piscina. No fim da tarde jogamos alguns jogos de tabuleiro. Uma ou outra nossos olhos se esbarravam os meus e de Alice a gente sorria e seguia em frente. Em fim o dia acabou.

Não chegamos muito tarde em casa, Pedro avia ido nos deixar. Minha mãe já havia chego do consultório e a primeira coisa que fez foi pergunta onde eu e Matheus havíamos ido.

– Onde estavam? – seu tom de super-mãe protetora ainda me incomodava.

– Na casa da namorada do Eduardo – Respondeu Matheus num tom que só eu pude escutar.

– Na casa do Pedro – disse auto o suficiente para abafar a voz dele.

– Por que demoraram?

Abri a boca, mas não sabia muito, o que iria dizer.

– Perdemos a noção do tempo – disse vagarosamente – foi isso.

Subi direto pro quarto não esperei mais nem uma pergunta dela. Tomei banho troquei de roupa e fiquei esperando amanhecer novamente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.