Mutant World

19 Trovoadas e Tempestades


Notas iniciais
Gente, como assim? Capítulo novo de novo? Ontem e hoje? Hahaha aproveitem hein! Dedico esse soundtrack pro capítulo inteiro: https://www.youtube.com/watch?v=V5cWpaHPSSY&index=3

– O que tá acontecendo aqui? — A voz aguçada de Bellatrix correu pelos corredores do laboratório, Gina ainda segurava Rose pelos braços. Sacudiu a garota, ela precisava despertar-se daquele desespero.

– Temos que ir, Rose! — Avisou Gina, completamente estupefata. Rose pareceu entender, pois ignorou a lágrima que queimou seu rosto enquanto assentia e concordava com Gina.

As duas deram as costas para o laboratório, procuraram desesperadamente por uma saída, longe dos corredores de onde surgia as vozes de Bellatrix.

– Elas fugiram! — Bellatrix se alarmou no momento em que não avistou as duas garotas presas às correntes. Olhou pela porta do laboratório, viu o vulto dos cabelos ruivos voando contra o vendo. Lewis e Andrew logo chegaram até a médica. — Peguem elas agora, andem! — Ordenou, completamente nervosa. Os dois assentiram de prontidão e correram ao alcance das garotas. — Elas duas não podem fugir!

– Corre Rose, corre! — Gina gritou, enquanto as duas começavam a ser perseguidas pelos policiais.

Logo os quatro já corriam pela mata, aquela ilha era puro matagal aos olhos de quem não conhecia ali. Gina e Rose corriam lado a lado, a ruiva mais velha ainda conseguia sentir o quanto a mais nova estava desesperada. Mas Rose não podia se abalar naquele momento, elas tinham que despistar os policiais. Não podiam se separar.

– Por ali, por ali! — Gritou Lewis, enquanto ele e Andrew desviavam de um galho caído sobre o chão, e as garotas se distanciavam ainda mais.

– Rose, mais rápido, eles estão vindo. — Gina pediu, estava percebendo os passos de Rose diminuírem a velocidade. Pelo o que percebeu, quando a ruiva tinha uma visão, sua mente ficava completamente embaraçada. Não, Rose não podia prever nada naquele momento, eles só tinham que conseguir escapar.

– Mais rápido Andrew! — Ordenou Lewis, aumentando os passos na correria.

– Gina! — Rose chamou a atenção da garota, no momento em que se aproximou para correr lado a lado com a ruiva. — Temos que despistá-los, cada uma vai pra uma direção.

– Mas depois voltamos pra esse mesmo lugar. — Gina era contra a ideia, internamente ela era. Não queria ficar sozinha naquele lugar, aliança era tudo. Mas os policiais estavam muito perto, e se separar de Rose agora era a melhor opção para distraí-los e despistá-los. Então, não tinha o que descutir.

– Tá, tudo bem, eu vou pra esquerda. — Rose avisou.

– Eu vou pra direita. — Gina pronunciou, descompassadamente.

– No três. — A ruiva começou a contar. — Um..

– Dois.. — Gina olhou pra trás o mais rápido que pôde, eles estavam muito perto.

– TRÊS! — Rose gritou, seus pés correram por entre a parte esquerda da mata, logo seu corpo se perdeu de vista.

– Vai atrás da novinha que eu pego a poltergeist. — Lewis mandou, e Andrew ao menos respondeu, correu ainda mais rápido atrás de Rose, entrando pela mata a fora. Gina tomou a direção direita da ilha, estava correndo o mais rápido que podia.
Precisava se livrar daquele maldito policial.

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– Agora é você que está quieta demais pro meu gosto. — Cato comentou enquanto observava Clove, que recostava o corpo sobre a casca de uma palmeira, os dois já estavam bem distantes da praia, praticamente dentro da mata.

A morena ainda podia lembrar da agonia que foi ver seu irmão ser torturado, sem ela ao menos poder fazer nada para ajudá-lo. Tinha sido apenas um pesadelo, ela tinha quase certeza disso, mas ainda assim, parecia real.

– O que você viu? — Clove subitamente se pronunciou, desviou o olhar do céu claro daquela tarde quente, e fitou Cato. O loiro à frente dela ainda tinha os pés pouco atolados sobre os últimos grãos de areia do final da praia. — No pesadelo.. — Ela explicou, enquanto soltava a respiração.

– Minha mãe. — Cato engoliu em seco. — Eles matavam ela. Os policiais. — Disse o loiro, vagamente. Clove balançou levemente a cabeça, contraindo seus próprios lábios. — Draco também..

– É, eu também via o Harry. — Clove semicerrou os olhos. — Foi horrível.

– Foi como se a gente pudesse sentir a dor dele, né? — Falou o loiro, olhando os olhos verde-escuros de Clove. A morena assentiu. — Sabe, garota.. — Cato deu um passo à frente, ficando bem próximo de Clove, que não se mexera do lugar, ainda tinha as costas apoiadas na árvore, mas o olhava fixamente nos olhos. — Eu também senti a sua dor.

– A minha? — Ela pareceu surpresa, mas tentou não demonstrar emoção.

– É. — Ele assentiu. — Eu acho que é porque estamos ligados.

– E nós estamos ligados? — A morena indagou, arqueando as sobrancelhas. Viu Cato prender o corpo dela entre os braços dele, apoiando cada braço em volta do pescoço dela, arranhando as próprias mãos contra a casca da palmeira.

– Não acha que estamos? — Cato perguntou, olhava-a nos olhos, com a boca entreaberta. Clove podia sentir a respiração quente dele.

– Essa é a hora que eu chuto você e digo pra você não se aproximar mais de mim. — A morena alertou, sorrindo de canto, de uma forma maliciosa.

– Eu não tenho medo de você. — Cato sorriu cúmplice, viu-a franzir a testa.

– Ah não, é? — A morena fixou ainda mais seu olhar no dele. — Mas devia. Você está falando com uma mutante.

– Curioso.. — O loiro baixou o tom de voz. — Então acho que devo conhecer essa mutante melhor, né? — Falou, mexendo uma das sobrancelhas. Viu Clove rolar os olhos e morder o próprio lábio inferior. Cato sorriu com a cena, ela tinha um tipo de maldade naquele sorriso, algo surreal.

Foram subitamente despertados pelo barulho de trovões, Cato afastou seu corpo do da morena em prontidão. Olhou para os céus, percebeu a garota fazer o mesmo. Pela praia distante, raios corriam por sobre as águas.

– Vai chover? A essa hora? — Clove pareceu atordoada.

– É o Draco. — O loiro respirou fundo, falou demonstrando um alívio enorme. — Eu tenho certeza. — Olhou-a, confirmando o olhar receoso dela. — Ele faz essas coisas, ele deve estar querendo me encontrar.

– E o que a gente faz? — Clove enfiou uma mão entre seus cabelos que estavam bem embaraçados, os jogando pra trás.

– A gente segue os raios. — Explicou o loiro.

– Claro, senhor brilhante, aí a gente é atingindo por um e morre. Fim da história. — Clove debochou.

– Tem outra ideia melhor? — Retrucou o loiro.

– Pode nem ser ele. — A morena contrapôs. — Pode ser outro mutante com o mesmo poder.

– Eu conheço o meu irmão. — Cato rebateu, prontamente. — Eu tenho certeza que é ele. — Sentiu que a garota não estava convencida, pelos segundos de silêncio sendo cortados apenas pelo som dos relâmpagos. — Clove! — Ele insistiu.

– Tá bom, a gente vai. — Falou, levantando um dedo em direção ao loiro. — Mas depois vamos atrás do Harry.

– Garota, você é linda. — Cato comentou, vendo-a rodar os olhos e rir, involuntariamente.

– Cala a boca. — Retrucou, sem jeito. Não, não estava sem jeito. Segundo seu ego infalível e sua razão mais que sensata, ela não tinha ficado sem jeito diante daquele comentário sem fundamento que Cato havia feito.

– Onde pensam que vão? — A voz que mais soava como rugidos de leão despertou a atenção de Cato e Clove, que se viraram subitamente, encarando o mutante já familiar à eles.

– De novo não. — Reclamou Clove, se alarmando.

– Você de novo. — Cato deixou a respiração já acelerada correr por entre seus lábios entreabertos.

– Você.. de novo. — O mutante-leão sibilou, sombrio. — Cato Malfoy.

– Como sabe meu nome? — O loiro franziu a testa, recuava junto à Clove na medida em que o mutante dava passos lentos, se aproximando.

– Eu sei de tudo. — Argumentou o homem, abrindo sua boca e rugindo, suas presas crescendo rapidamente, junto às garras de leão em suas mãos. — Inclusive, que dessa vez você não escapa.

– Cato! — A morena pareceu se desesperar, enquanto tentava a todo custo se concentrar e usar seus poderes contra o mutante. Mas estava sendo em vão. — Não tô conseguindo.

– Ah, é verdade. — O mutante rangiu os dentes. — Seus poderes só funcionam com humanos e semi-humanos. Não com os contaminados.

– Contaminados? Do que você tá falando? — A morena se viu completamente sem saída.

– Clove, vai embora daqui. — Ordenou Cato, logo entrando na frente da garota no momento em que o mutante-leão se aproximou, com fúria. — VAI! CORRE! — Ele ordenou, lançando rápidos olhares pra trás de seu corpo. Por instantes, Clove pareceu hesitar. A ideia de deixar Cato sozinho ali não lhe agradou. Afinal, ele era do grupo. Ele era do bem. Um amigo, apesar de tudo. — FOGE CLOVE! — Cato gritou mais uma vez, sentindo seu corpo cair sobre o chão quando o mutante pulou sobre si, arranhando seus braços com as garras de leão.

Clove não entendeu o porquê de ter obedecido, ela não costumava obedecer ninguém. E Cato estava a mandando sair dali. Mas, talvez, por medo de não sair viva dali, ela obedeceu. Ou talvez, por medo de atrapalhá-lo, e o garoto não sair vivo dali. Sim, ela estava se preocupando com ele. Mas ele era um mutante. Ele era rápido, era praticamente invencível. Ele poderia não morrer, mas ela era mortal. E era por isso que havia saído correndo por entre as matas o mais depressa que pôde.

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Gina já estava praticamente sem conseguir respirar, corria tão rápido que ao menos tinha tempo pra fazer isso. Já estava toda machucada, em consequência dos galhos de árvores caídos pela terra ou pendurados sobre as árvores, que a arranhavam de surpresa. Estava correndo há tantos minutos, fugindo o mais depressa que podia.

Mas Lewis continuava perseguindo-a. Com certeza era o policial mais filho da puta de todos, Gina pensou nisso no momento em que sua cabeça latejou e sentiu os braços do homem agarrá-la pelo corpo.

– ME SOLTA! — Ela gritou, em desespero, enquanto se debatia contra o corpo do homem.

– Te peguei sua monstrinha. — Comemorou o policial, rangindo os dentes. Segurou os braços de Gina contra as costas da garota, de uma força violenta. Estava machucando-a.

– VAI SE FERRAR, ME SOLTA! — Ela gritou, tentava chutar alguma parte do corpo de Lewis, mas em vão. Estava presa.

– Agora eu vou levar você pra titia Bellatrix. — Lewis comentou maldosamente ao pé do ouvido de Gina. A ruiva se arrepiou com o tom de voz dele. — E ela vai brincar muito com você.

– Eu odeio vocês. — Gina cuspiu as palavras, seu desespero interno estava fazendo toda a fúria da garota exalar. — ODEIO! — Ela gritou, e como se o grito emitisse uma energia forte e poderosa, o corpo de Lewis voou no ar. Agora livre, Gina girou o corpo para olhar Lewis caído ao chão.

– Desgraçada. — Lewis praguejou, sua mão alisava sua coluna vertebral, parecia ter machucado-a.

– Acho bom você não se meter mais comigo. — Gina ordenou, rangindo os dentes, em fúria. O homem tentou se levantar do chão em um movimento rápido, mas a ruiva subitamente ergueu sua mão em direção à Lewis e o corpo do policial voltou a bater em um baque contra a terra vermelha. — Eu sou uma mutante.

– Eu vou te matar. — Enfurecido, Lewis balbuciou. — Eu vou matar você.

– Não. — Gina o encarou ao chão. — Você não vai. — A garota ainda tinha o braço erguido no ar, a palma da mão estava aberta, emitindo um tipo de campo de força contra o corpo do homem. Gina fechou a mão, cerrando os punhos, e automaticamente, Lewis começou a tossir. O homem levou às mãos ao pescoço, segurando-os, arranhando suas próprias unhas contra a pele, ele procurava por ar. Não conseguia respirar. — Vai pro inferno, policial de merda. — Ela praguejou, e cuspiu sobre o corpo do policial. Cuspiu, literalmente. Lewis estaria furioso demais se não estivesse ganhando uma coloração roxa sobre o rosto, continuava sem conseguir respirar. Mas Gina não iria matá-lo. Não era uma assassina. Seu subconsiencie lembrava-a disso naquele instante. A ruiva respirou fundo, e abriu a mão, logo baixando o braço do ar. Ouviu várias tosses secas de Lewis, o homem agora inspirava e expirava profundamente.

Mas ela não iria ficar ali para enfrentá-lo de novo. Sua cabeça doía muito. Tratou logo de sair daquela parte mata. Tinha que reencontrar Rose. Tinha que voltar. Mas tudo era apenas matagal. Estava perdida.

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– Me solta! — Rose tentou gritar, mas sua voz soou embargada, tinha a boca tampada pelas mãos de Andrew. Esperneava contra o corpo do homem, estava totalmente presa e não conseguia se soltar.

– Tão bonitinha. — Lewis comentando, apertando a boca de Rose com as mãos. — Pena que é tão chata.

– Vai se ferrar. — A ruiva praguejou, estava furiosa e queria fazê-lo pagar por tudo aquilo. Não só por estar prendendo-a, machucando-a, falando merdas em seu ouvido, mas por estar atrás de mutantes inocentes que não mereciam nada do que estavam passando.

– Ainda por cima tem boca suja. — O loiro fingiu admiração, enquanto prensava seu corpo no de Rose. — Bellatrix tem que te ensinar uma lição.

– Ei, imbecíl. — A voz que Rose reconheceu de imediato despertou a atenção de Andrew, que girou seu corpo, trazendo Rose junto de si. No momento em que a ruiva cruzou olhares com Clove, o mundo de Rose naquele momento pareceu ser salvo. Sentiu um alívio imenso. Clove estava bem, estava viva. — Eu acho que é você quem tem que aprender uma lição.

A morena concentrou seus olhos nos de Andrew, as íris castanhas de Clove pareciam brilhar quando ela usava seus poderes. Rose subitamente sentiu seu corpo ser solto, quase se desequilibrou. E em segundos, Andrew já fugia dali sem dar chances à Clove de torturá-lo. Ele sabia que não era páreo pra ela.

– ISSO, FOGE MESMO FILHO DA PUTA! — A morena gritou, já via Rose à frente sorrir. Clove involuntariamente sorriu junto. Sentiu uma sensação estranha ao vê-la. Estava feliz e aliviada.

– Não acredito que é você. — Rose comentou em alívio, se aproximando de Clove e a envolvendo em um abraço surpresa. A morena entreabriu os lábios enquanto os cabelos ruivas de Rose batiam contra seu rosto. Retribuiu aquele abraço apertado, sentiu novamente uma sensação estranha dentro de si. Já era o segundo abraço que ela ganhava naquele dia e tinha de admitir que se sentiu extremamente confortável com aqueles gestos. Se sentiu como se estivesse protegida.

– Clove Sevina Potter, em pessoa. — A morena brincou, quando se separaram e se olharam nos olhos.

– Se não fosse você.. — A ruiva começou, um pouco sem jeito.

– Eu sei, você estaria perdida. — Clove jogou os cabelos pra trás. Rose observou-a fazer, rolando os olhos.

– Você não muda. — A ruiva riu de canto. Viu Clove rir junto. Que estranho. Não costumava ver Clove rir. Não daquele maneira. Foi uma risada completamente sincera e serena.

– De nada ruiva. — Brincou a morena. — Então, vamo dar o fora daqui antes que outros policiais apareçam?

– Espera. — Pediu Rose, no momento em que Clove segurou-a pelo braço tentando-a tirar daquela mata. — Precisamos voltar. Eu estava com uma garota.

– Não podemos. — Clove olhou Rose nos olhos. — Estamos só nós duas, não vamos conseguir fugir se os policiais pegarem a gente.

– Mas e se eles pegarem ela? — Rose se sentiu culpada.

– Ela é mutante? — Clove indagou e viu Rose assentir, de prontidão. — Então ela vai saber se virar. Vamo em bora, vem.

Notas finais
Gente, eu peço mais uma vez: por favor, leitores fantasmas, deixem seus reviews, é rapidinho, não custa nada e me incentiva muito. Cada capítulo está tendo muita visualização mas muito pouca opinião! Por favor, hein gente. Ah, não esqueçam de dizer o que mais gostaram no capítulo.. (E me perdoem qualquer erro ortográfico) XX, Jen.