Notas iniciais
Desculpem a demora, mas cá estou eu. Depois de muito tempo coloquei o nome do capítulo em inglês, já que foi essa a palavrinha mágica que eu encontrei pra descrever o capítulo. É isso, aproveitem. Soundtrack pro capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=v8foTMjFqIk

O laboratório estava um caos. Havia muito sangue pelo chão, as paredes dos corredores e das salas de pesquisa de Bellatrix estavam manchadas, e o porão secreto que a médica criou estava completamente destruído.

Ouvia-se muito barulho por lá. Vez ou outra o rugido de felinos furiosos ecoava por entre as paredes e celas, entretanto, o barulho mais frequente que podia ser ouvido no laboratório era de tiros; isso desesperava os mutantes ainda mais.

A polícia com certeza havia invadido o laboratório e estava lutando contra os seres que foram mantidos presos naquele lugar por anos, sob as ordem de Bellatrix.

Rony, Harry, Clove, Draco, Scorpius, Rose e Snape estavam juntos. Eles procuravam pelo resto do grupo; cada movimento deles pelo laboratório era minucioso e todos estavam de prontidão se caso fossem atacados. Sabiam que podiam esbarrar com qualquer um que fosse naquele lugar — fosse policial, fosse outro mutante, e até mesmo Bellatrix Lestrange — e também sabiam que quem os atacasse não tentaria outra coisa, a não ser matá-los. Atacar de volta já era caso de sobrevivência para eles, não podiam hesitar.

Draco tinha seu rosto bastante machucado, e aquilo estava enfraquecendo-o. Mesmo com o tratamento de Severo na enfermaria, as feridas no rosto de Draco, profundas demais, voltaram a sangrar e a causar dor. Ele tentava esquecer da dor enquanto caminhava apressado e a passos largos ao lado dos amigos; ele torcia para encontrar o resto dos amigos logo, pois sabia que quanto mais tempo passassem dentro do laboratório, mais risco correriam, e eles já estavam em grande desvantagem: machucados como estavam, cansados e desidratados, chegar ao fim da noite vivos seria muita sorte, ou um milagre muito grande.

Clove também possuía diversos ferimentos pelo corpo, em consequência da luta contra a horda de mutantes que a atacou, junto de Draco, antes de Severo Snape aparecer e salvá-los. A garota mancava um pouco, já que algo havia rasgado a barra de sua calça e ferido sua canela — e ela só percebeu isso quando começou a procurar os outros amigos, porque seus passos rápidos começaram a causar um ardor na ferida -.

– Vem cá, vou te ajudar. — Harry enlaçou a cintura de Clove e fez a irmã se escorar nele para continuar.

– Eu tô legal. — Clove foi displicente, mas Harry sabia que ela estava sentindo dor; a feição da garota denunciava isso. O irmão mais velho soltou um riso fraco com a atitude dela; mesmo toda ferrada, Clove continuava sendo durona e focada nos objetivos. Harry tinha que confessar para si mesmo que se orgulhava da irmã.

– Eu não tô gostando desse barulho. — Rony andava ao lado de Scorpius e Rose. Um barulho estranho cortava o ar que eles respiravam; o ruivo não conseguia descrever, mas sabia que já havia escutado aquele som diversas vezes antes.

– É, eu também não. — Scorpius tinha sua mão enlaçada na de Rose.

Era estranho pra ele tudo o que estava sentido, era como se um novo Scorpius estivesse nascendo no meio daquela encrenca toda. Ele nunca entendeu bem o sentimento da paixão que muita gente comentava sobre, ele nunca entendeu sequer a paixão que sua mãe sentia pelo seu pai, e vice-versa. Era estranho, porque na visão de Scorpius, para uma pessoa apaixonada ser feliz, ela dependia do outro, dependia do tão conhecido e inexplicável amor correspondido. E ele não queria se sentir assim, nunca.

Scorpius jamais quis ser dependente de alguém. Ele tinha sim suas dúvidas sobre a vida, às vezes sentia medo do futuro desconhecido — mesmo que não admitisse isso para si mesmo -, mas o garoto sempre foi seu próprio dono, sua própria âncora. Ele era um garoto impulsivo, ele gostava de ter razão nas coisas, não gostava de ser mandado; sua personalidade era forte.

Mas desde que Scorpius conheceu Rose, os sentimentos dentro dele começaram a mudar, assim como sua forma de pensar e agir. Não era como nos filmes, onde o mocinho conhece a mocinha e eles vivem uma história de amor, e enfrentam turbulências causadas por ciúmes e insegurança. Não, era diferente! Eles estavam presos numa ilha no meio de um nada, a cada novo minuto que se passava todos eles eram obrigados a enfrentar um perigo, lutando para sobreviverem, e fazendo coisas que, se eles pensassem nas crianças que já foram, sabiam que essas crianças jamais se orgulhariam daqueles atos. Entretanto, eram obrigados a lutarem para sobreviver. E qual a razão de enfrentarem tudo aquilo?

Claro que eles precisavam desvendar a história de seu passado, desvendar o mistério da criação dos mutantes, mas depois de um tempo, todo o grupo convivendo junto, não era apenas a busca pela verdade que valia a pena.

Eles criaram um laço de amizade.

Scorpius sabia que aquilo era muito forte. Ele sabia disso porque quando estava ao lado de Rose, presava profundamente pela vida da garota. Ele não gostava de se afastar dela, ele a irritava para ver ela reagir, ele fazia de tudo para que Rose permanecesse do seu lado. E Scorpius também sabia que o que estava sentindo por Rose não era apenas um sentimento de amizade; ele não conseguia entender direito, já que nunca havia se sentido daquela forma antes, mas o garoto sabia que queria aquela ruiva ao lado dele durante todo o tempo do mundo.

Rose era especial. Ela era a mais nova do grupo, e mesmo assim podia pensar por todos eles, como uma adulta experiente. A habilidade especial que a ruiva possuía era fantástica, e Scorpius era secretamente fascinado com a clarividência da garota. Os olhos dela já eram azuis brilhantes por natureza, mas quando ela estava conseguindo enxergar o futuro, sua íris cintilava, o tom azulado intensificava significativamente, e a garota ficava ainda mais linda. Scorpius se fascinava com aquilo — apesar das dores que Rose sentia, e que o garoto não gostava de vê-la sentir -.

E Rose fazia Scorpius sentir esperança nas coisas. Apesar da impulsividade dele, da revolta pelo que estavam sendo obrigados a viverem, e pela falta de fé, Scorpius conseguia sentir esperança ao lado da ruiva. A força da esperança dele era a visão de um futuro digno de ser vivido, e a chance de poder desfrutar dos bons sentimentos que ele tinha por Rose, longe de todo aquele inferno. É, Scorpius queria ter uma vida com Rose lá fora.. esse era seu segredo, que já não estava sendo tão secreto mais.

– Não está chateado? — Claro que Clove queria implicar, já que ela e Harry viram Scorpius e Rose caminhando de mãos dadas em sua frente.

– Por que eu estaria? — Harry deu uma olhada na irmã, e ela trespassava um braço ao redor do pescoço do garoto, para se apoiar melhor.

– Sua namoradinha tá com outro. — Debochou a garota, brincando. Harry rodou os olhos e riu. Era bom poder rir de coisas estúpidas em meio ao caos.

– Não é ela que mexe com a minha cabeça. — Retrucou o moreno, e dessa vez foi Clove quem rodou os olhos, ainda assim sorrindo. Era bom poder ver que o irmão estava sentindo algo bom por alguém. Era bom porque Clove se sentia assim por Cato, e ela realmente sabia que era algo bom.

– Esse barulho realmente não tá bom. — Rony elevou a voz quando aquele som estridente e arrepiante surgiu mais alto por entre o grupo. Ele tinha certeza que era o som que escapava pelo boca de um vampiro quando esse arregaçava suas presas para as vítimas.

– Parece que tá perto daqui. — Draco respirou fundo. Todos agora estavam em alerta e tinham parado no caminho; o som vampírico surgia por entre as paredes em alto tom.

– Vampiros, não é? — Rose olhou para Severo Snape, quem era de poucas palavras. Havia crescido alguns pelos no rosto do homem desde os últimos minutos em que Rose pôde olhá-lo. Ela estranhou aquilo, e estranhou ainda mais o fato dos caninos na boca de Severo terem crescido improporcionalmente.

– Provavelmente. — A voz de Snape saiu falhada, e quando os outros o olharam, o homem guardou seus caninos em sua boca.

– Mas o quê? — Scorpius arregalou os olhos com a cena.

– Ele é mutante, mas é do bem. — Draco avisou os amigos, e Clove assentiu em concordância.

– Lobo. — Snape complementou, sabendo que todos estavam um tanto chocados. — Mas não vou atacá-los, se eu quiser fazer isso já tinha feito.

– Simpático você, hein? — Scorpius debochou, e recebeu uma leve cotovelada na costela, vindo de Rose. O loiro contraiu os ombros quando ela o repreendeu com o olhar.

O grunhido vampírico mais uma vez ecoou no laboratório, e a força daquele som, que se intensificava ainda mais a cada minuto, alertou os mutantes, que trataram de sair dali. Eles precisavam encontrar o restante do grupo e sair do laboratório o mais rápido que pudessem. Só não sabiam como fariam isso, já que aquele lugar estava infestado de policiais e criaturas violentas que tentaria matá-los.

É claro que eles estavam correndo perigo e sentindo medo. A noite começava a cair e provavelmente eles teriam de enfrentar mais uma madrugada naquele labirinto de perigos. Mesmo se conseguissem fugir do laboratório, precisariam sobreviver aquela noite inteira na ilha, que provavelmente estava ainda mais macabra depois que Bellatrix libertou todos os seus mutantes secretos.

Tudo aquilo parecia um beco sem saída. A cada minuto eles tinham mais certeza de que eram arrastados para uma armadilha enorme, da qual não conseguiriam escapar. Mas seus instintos não permitiria uma desistência àquela altura do campeonato. Eles precisavam fugir do laboratório e daquela ilha!

Mas nada seria fácil.

Tiveram problemas pelo caminho.

Um vampiro surgiu entre o grupo quando eles cruzaram mais um corredor caótico; e Severo Snape se meteu naquela luta, quando o vampiro fez questão de atacar Draco e por pouco não abocanhou o braço do loiro. Snape usou seus caninos de lobo e garras afiadas que cresceram de suas unhas para enfrentar o vampiro; e por último, Rony deixou sua arma de lado e conseguiu materializar um facão para cortarem fora a cabeça do vampiro. Só assim ele estaria realmente morto e não causaria problemas de novo.

– Você foi rápido. — Rose parabenizou Rony quando o garoto se ergueu do chão; o facão em suas mãos estava coberto de sangue, e grande parte dos dedos de Rony também. O ruivo respirou descompassadamente por longos segundos.

– Tive que ser. — Rony olhou Rose nos olhos e a garota balançou a cabeça positivamente. No mesmo instante, Rose arregalou os olhos e Rony se virou de supetão, para ver o que estava acontecendo.

– Ah, que merda. — Scorpius rangiu os dentes e soltou a mão de Rose. Uma dúzia de mutantes, aparentemente todos vampiros, vinham em direção a eles. O corredor extenso poderia dar algum tempo para o grupo pensar, mas os vampiros estavam correndo, e a maioria deles tinha a boca ensaguentada, provavelmente por terem atacado vítimas recentemente.

– E agora? — Clove gritou e desprendeu seu braço do ombro de Harry, sendo solta por ele também. Os vampiros estavam tão próximos que os paralisaram; eles não tinham reação.

Rony ergueu o facão em suas mãos. Eles não tinham tempo de fugir, os vampiros já estavam praticamente em cima deles. Teriam que lutar. Mas aquilo seria um banho de sangue, Rony sabia disso. Draco estava machucado demais para enfrentar quem quer que fosse, e Clove também não estava nas melhores condições. Rose sabia lutar, todos eles sabiam, mas o poder da garota não a ajudava em nada naquele momento. Scorpius podia tentar hipnotizar os vampiros, mas caso não funcionasse, o grupo estaria ainda mais enrascado. Os poderes de Harry também não os ajudaria naquele momento, e Snape era o único quimérico que teria forças para vencer algum vampiro furioso; mas o bando era grande demais.

Talvez eles estivessem perdidos. Talvez eles seriam atacados e se transformariam em vampiros violentos, e assim ficariam presos no laboratório de Bellatrix, virando novamente cobaias da mulher.

Ou talvez, só talvez, alguém apareceria para tirá-los daquela enrascada.

Clove ficou meio tonta quando viu a aparição de um garoto alto, com cabelos loiros e porte físico simétrico, atrás dos vampiros. O garoto mirou uma arma no ar e praguejou um "abaixem-se" para que o grupo se desvencilhasse dos tiros. Então a pistola na mão do loiro começou a disparar; ele mirava cada vampiro na cabeça e, um a um, os vampiros foram caindo ao chão, desacordados. A última vampira a cair e sujar de sangue o chão bem próximo do corpo de Clove, foi uma garota de cabelos pretos e pele morena. Clove imediatamente se arrastou pelo chão, para se afastar da poça de sangue que escorreu pela nuca da vampira.

Eles estavam chocados. Não sabiam se aquilo que acabara de acontecer havia sido muita sorte, ou se o destino queria realmente que eles escapassem vivos daquela história. Só o que sabiam era que Cato Malfoy estava ali próximo a eles, e logo atrás vinha o restante do grupo, juntos de várias mulheres e Bellatrix Lestrange sendo carregada com a ajuda de Gina Whotsley e Luna Lovegood.

Eles estavam vivos, e estavam bem.

– Cato. — Boquiaberta e com os olhos ardendo, Clove se ergueu do chão com o máximo de habilidade que conseguiu ter e saiu pisando por entre os corpos dos vampiros desacordados, para logo quebrar a distância entre ela e Cato. O loiro agarrou o corpo da morena quando se abraçaram. Mesmo sentindo um pouco de dor decorrente de seus ferimentos entrando em contato com o corpo do garoto, Clove não se importou e não reclamou. Abraçou Cato fortemente da mesma maneira e enterrou seu rosto na curva do pescoço dele. Os lábios machucados da morena tocaram a pele do loiro, enquanto ele envolvia a cintura dela de forma aconchegante em seu corpo.

– Você tá legal? — Ele indagou, demonstrou toda preocupação do mundo em sua voz, e ela se sentiu bem por isso. Clove mexeu nos cabelos de Cato com os dedos, ainda abraçada a ele.

– Tô. — Ela sussurrou, contra a pele do ombro do garoto. Cato respirou fundo e fechou os olhos, sorrindo levemente. Céus, como ele gostava garota... — E você?

– Tô bem. — Cato despreocupou-a quando saíram do abraço. O loiro encarou os olhos esverdeados dela e soltou um suspiro. Era bom vê-la tão perto, mas era difícil vê-la machucada. Mas ele sabia que ela ficaria bem.

– Não acredito. — Rose estava imensamente aliviada por ver os amigos; mas sua visão ainda estava um pouco embaçada em consequência do susto que levou quando o bando de vampiros tentou atacá-los. Ela se levou do chão e Scorpius também fez o mesmo; assim como Harry, Draco, Rony e Snape.

Rony deixou o facão no chão e procurou por Hermione. Ele não conseguia ver mais nada, só precisava encontrar aquela garota e se certificar de que ela estava bem. Mas ele não teve muita dificuldade em encontrá-la, porque Hermione foi de encontro ao ruivo.

Ele não conseguiu descrever a sensação que sentiu quando encontrou o olhar da morena, e viu que ela estava bem. Ela parecia ainda mais forte e ainda mais bonita, e Rony precisava urgentemente tê-la em seus braços. Quando se abraçaram, Hermione soltou um longo suspiro e se envolveu no corpo dele o máximo que pôde. Rony era o porto seguro dela, e ela sentia-se totalmente entregue a ele. Ela era dele.

As mãos de Draco tremeram involuntariamente quando ele viu Luna. Um choque elétrico balançou o corpo do loiro quando ele conseguiu ficar frente a frente com ela. Desde que Luna foi sequestrada ainda lá fora na ilha, e trazida para dentro do laboratório, Draco sentia aflição e medo de que algo de ruim pudesse estar acontecendo com aquela garota. Luna era incrível, merecia todas as coisas boas do mundo, e Draco não podia sequer imaginar que ela pudesse estar sofrendo. Ele só precisava dela bem. E ela estava ali frente a ele, bem. E parecia ainda mais radiante. Quando Luna o abraçou, Draco deixou com que o sentimento incompreensível e surreal invadisse seu peito: ele tinha a certeza de que estava apaixonado por aquela garota.

Harry também pôde rever Gina. Ela parecia tão forte mas ainda assim tão frágil, e tudo que ele queria era poder cuidar dela. Harry sabia que Gina havia enfrentado algo de muito ruim; ela não possuía ferimentos, mas estava sem blusa e com alguns rasgados pela calça. Gina o olhou nos olhos e soube que ele estava se perguntando o que aconteceu, mas tudo o que ela precisava fazer era abraçá-lo. Ela precisava abraçá-lo e se sentir em terra firme, ela precisava sentir o corpo dele, a pele dele, sentir a proteção dele. Gina precisava se sentir dele. E foi o que ela sentiu quando Harry abraçou-a o mais envolvente que pôde. Ele só precisava sentir que ela ainda era dele.

Não era como se o reencontro do grupo estivesse deixando-os cegos, eles estavam emocionados com a reaproximação; eles estavam tendo a certeza de que aquele laço que os unia continuava firme e forte.

A luminosidade do corredor estava baixa.

Mas as mães estavam ali. Elas estavam encolhidas, estavam meio escondidas atrás dos filhos, emocionadas, mas ainda estavam ali. E aquilo foi um choque maior ainda quando eles se tocaram de que elas estavam ali.

– Você tá muito ferrado. — Cato disse, quando saiu do abraço com Draco e viu o rosto ensanguentado do irmão. Draco assentiu e contraiu os ombros. Ele não estava mais preocupado, e nem era porque a mutante da cura estava ali com eles. Ele simplesmente não estava mais preocupado porque, acontecesse o que quer que fosse, eles estavam juntos de novo, e Draco tinha Luna ao seu lado. E sua mãe também. Ele sorriu quando conseguiu vê-la. O Malfoy mais novo foi de encontro à Narcisa, e isso atraiu a atenção dos outros mutantes; que finalmente perceberam a surpresa.

Rony perdeu a respiração quando Molly deu uns passos a frente e chegou nas vistas de todo o grupo. Hermione abriu um sorriso enquanto observava atentamente a surpresa que invadiu a feição do ruivo quando reencontrou o olhar da mãe. Ele quase não acreditou.

– Rony.. — Molly abriu os braços e chamou o filho. Rony tinha os lábios entreabertos e estava totalmente extasiado com aquele encontro.

Ele correu para os braços da mãe. Mal podia acreditar que ela estava viva, mas teve a certeza de que ela estava quando foi aconchegado nos braços da mulher. Rony sentiu tanta falta da mãe, e tanto medo de que ela pudesse estar morta. Ele sentiu um medo enorme de nunca mais poder vê-la.

E era como todos ali se sentiam. A vida deles simplesmente havia sido transformada em um inferno, e eles tiveram de se separar de tudo que os fazia bem. Eles foram obrigados a se afastarem da família, enfrentaram enormes conflitos e quase perderam uns ao outro, e às vezes tudo parecia ser em vão. Mas não era em vão, e agora eles tinham um maior motivo para irem até o fim naquela história. Eles estariam vivos no dia seguinte, nem que para isso precisassem colocar aquele laboratório a baixo.

O reencontro dos filhos com as mães foi de extrema emoção. Rose pôde olhar para Deborah e ter a certeza de que, agora, a mãe acreditava nos poderes dela, e acreditava que ela era sim uma garota muito forte e especial. Deborah sentiu um enorme orgulho de Rose quando a abraçou.

Harry e Clove também eram o orgulho de Lily, e a mulher estava profundamente emocionada por ter o privilégio de ver os filhos de novo. Desde que os dois se arriscaram no mundo, fugindo de casa para proteger os pais, Lily passou a rezar todos os dias para a proteção e segurança de seus dois filhos. Quando os abraçou naquele momento, pôde agradecer a Deus pela realização de suas orações e pedidos de proteção. Clove e Harry estavam juntos e bem. Lily não podia sentir emoção maior.

Scorpius não costumava lidar muito bem com o sentimento de emoção e de carinho, mas ele estava aprendendo com Rose. Ele não renegou aquele momento sentimental e também não renegou o sentimento que invadiu seu peito quando reencontrou Astoria. Da última vez que ele a viu, havia retirado a memória da mãe, havia retirado tudo dela sobre ele: todos os sentimentos maternos e todas as lembranças. E ele fez tudo com muita dificuldade, para protegê-la. Era doloroso para o garoto abandonar os pais sem memória, se arriscar naquele mundo novo perigoso; tudo isso para evitar que seus pais fossem mortos e evitar sua própria morte. Mas ele sabia que seus poderes não durariam muito tempo, e aos poucos, os pais retomariam suas lembranças. Quando Scorpius pôde abraçar Astoria depois de tanto tempo, ele sabia que ela se lembrava completamente do filho. Astoria chorava, e só no que pensava era em não querer viver sem Scorpius mais. Nunca mais.

– Você tá bem, meu filho? — Astoria alisou o rosto de Scorpius quando se soltaram do abraço. O loiro assentiu e sorriu para a mãe, que chorava.

– Que bom que está comigo. — Ele confessou, fazendo a mãe se emocionar ainda mais. Astoria sorriu e beijou a bochecha de Scorpius.

– Vocês estão todas bem? — Rony indagou, enquanto secava os olhos. Molly era extremamente importante para ele, e o garoto não negaria nem aos céus suas emoção e gratidão por sua mãe estar viva.

– Está tudo bem. — Narcisa tranquilizou-os. Da última vez que o grupo havia visto a mulher, ela estava em condições preocupantes e agora parecia totalmente bem. Isso era realmente bom. — Luna ajudou todo mundo.

– Você ajudou? — Draco olhou a loiro, com um sorriso no rosto. Luna corou um pouco e mexeu os ombros.

– Não foi só eu. — A loira viu as mães sorrirem.

– Para de modéstia. — Gina também sorriu. — Você foi incrível.

– Ela é incrível. — Draco fez Luna sorrir intensamente. A sensação de poder vê-la de novo era maravilhosa para ele. Draco simplesmente adorava cada traço de Luna, cada palavra, cada gesto e cada detalhe que ela possuía, e que a tornava tão única.

– Então quer dizer que eu sou sogra? — Narcisa brincou; vendo Cato abraçando as costas de Clove e Draco de mãos dadas com Luna. Os amigos riram e Luna e Clove trocaram um olhar envergonhado.

– Pelo visto não é só você. — Molly também provocou. Rony, que alisava lentamente a mão de Hermione, abriu um sorriso enorme. Ele nem precisou olhar Hermione para saber que as bochechas dela ficaram vermelhas.

– Muitas coisas aconteceram. — Comentou Rony, olhando Molly. A mulher continuava com aquele semblante que tanto acalmava Rony; aquele semblante de paz que fazia o garoto parar de chorar quando se machucava na infância. Rony amava imensamente a mãe.

– Quem é ela? — Rose demonstrou curiosidade depois que encarou Gabriela por alguns segundos.

– É minha irmã. — Hermione disse, serenamente. Gabriela fez um aceno com a cabeça, cumprimentando os mutantes amigos de Hermione.

– Bom, não podemos ficar aqui mais. — Rony percebeu que eles já estavam se arriscando muito ficando parados naquele corredor por todo aquele tempo. Os vampiros não estavam mortos, apenas desacordados, e ninguém sabia quando despertariam. A pistola enfiada no cós da calça de Cato — que Hermione tinha encontrado no porão — estava descarregada, Rony tinha certeza disso. Não seria bom para eles se aqueles vampiros acordassem. Pior ainda, se os policiais aparecessem, ou outra horda de mutantes.

– Conseguiram capturar Bellatrix? — Severo Snape se pronunciou, depois de muito tempo observando o corpo da mulher escorado na parede manchada; perto de Gina, Harry e Claire. Foi quando Snape ganhou a atenção do grupo pela primeira vez; alguns até estranharam a presença dele. Mas não questionaram nada. Se Snape estava ali era porque queria ajudar; depois descobririam mais sobre aquele homem misterioso.

– Foi a Gina. — Cato disse. — Gina conseguiu capturar ela.

– Não foi assim. — Gina foi modesta. — Vocês ajudaram. Luna principalmente.

– Parece que nossa garota de ouro foi fantástica hoje, hein? — Harry brincou com a amiga, que sorriu de volta. Draco franziu a testa e olhou o moreno. — Com todo respeito, meu caro Malfoy. — Provocou Potter, fazendo os amigos rirem.

– Bom, temos que sair do laboratório. — Rony se afastou de explicou e ficou no centro do grupo, para explicar. — Esse lugar tá um caos, e não vamos sobreviver a noite.

– Você sabe um jeito de sair? — Clove olhou Severo Snape.

– Não podemos sair pela porta da frente, os policiais já invadiram aqui. — Rose completou imediatamente e os amigos a olharam, se perguntando como ela sabia. — Eu não vi, mas eu sinto. Tive a visão deles chegando na ilha, então consigo sentir se eles estão próximos ou não. Sou ligada às minhas visões. — Ela explicou, sob os olhares curiosos. Scorpius sorriu de lado; ela era realmente extraordinária.

– Vamos precisar de alguém para levar ela. — Gina se aproximou de Rony, quando o restante do grupo começou a se preparar para saírem dali. Harry foi quem pegou o facão que Rony usou contra o vampiro que os atacou há pouco.

– Eu faço isso. — Snape garantiu, e ninguém pareceu ir contra a decisão. O homem voltou a olhar o corpo inerte de Bellatrix. Pela primeira vez, Snape viu aquela mulher que causou tanto sofrimento à tantas vidas, sem defesa. Aquela cena chegava a ser estranha.

– O que aconteceu com você? — Rony se preocupou com o estado de Gina; sem blusa e bastante descabelada.

– Longa história. — Gina evitou delongas. Se olharam e Rony respirou fundo; o amigo concetrou sua mente e conseguiu fazer surgir em suas mãos um colete jeans meio surrado. Gina se surpreendeu.

– Veste. — Pediu Rony, entregando o colete para a ruiva. — Não é grande coisa, mas já ajuda a tampar e evita ferimentos fundos. — Gina se sentiu feliz com a preocupação do amigo. Ela gostava muito de Rony; ele estava com ela desde o começo de tudo. Ele era importante pra ela.

– Obrigada. — A ruiva agradeceu, vestindo o colete no mesmo instante e abraçando Rony em seguida. O ruivo se sentiu bem com o abraço do amiga. Ele realmente presava pelo bem daquela garota; ele sentia como se ela fosse quase uma irmã que ele nunca teve.

– Ah, não. Não tem outro jeito de sair do laboratório a não ser pela porta da frente. — Snape respondeu a pergunta de Clove bastante tempo depois.

– Tem que ter outro jeito. — Draco contrapôs, sério.

– Mas não tem. — Snape cortou aquele retruco. — Não tem nenhuma passagem secreta, não é como nos filmes. Isso é a realidade. E vamos ter que sair pela porta da frente, ou vamos morrer.

– Não vamos conseguir enfrentar os outros mutantes e os policiais. — Rose ficou preocupada.

– Já fizemos demais até aqui. A gente resiste o quanto conseguirmos. — Clove foi óbvia, mas a ideia não agradou parte do grupo, muito menos as mães.

– Não. — Rony pareceu bastante receoso. — Estamos em grande número, e nossas mães não são mutantes. Elas iam acabar se machucando.

– Então vamos ficar aqui pra morrer? — Scorpius seguiu sua lógica. — Sei que é perigoso, mas olha, se já enfrentamos tudo isso e ainda estamos vivos...

– Foi sorte. — Rony continuou discordando. — Não vamos ter sorte pra sempre.

– Tem certeza que não tem outra forma? — Hermione viu Snape negar com a cabeça.

– A gente dá um jeito. — Harry desfez a confusão. — Só não podemos ficar aqui. Vamos fugir pela porta da frente, e se for preciso vamos lutar sim. Não temos outra escolha, e ficar parados aqui discutindo isso não vai ajudar ninguém. Vamos dar o fora logo.

– Quem é você e o que fez com Harry Potter? — Clove ficou surpresa com a precisão das palavras de Harry. Ele era sempre o menos impulsivo, o mais cabeça, o que presava mais por paz e evitava confusões. Mas as coisas pareciam estar mudando, não é? O reencontro com os mais pareceu dá-los uma força ainda maior para lutarem por suas vidas. Precisavam escapar.

– Tá bom, tá bom. — Rony também achava uma perda de tempo aquela discussão. Eles realmente precisavam sair do laboratório e fugirem daquela ilha. Agora que tinham Bellatrix Lestrange, fora da ilha, em terra firme, eles definitivamente teriam vantagem naquele fim de história. Bellatrix seria obrigada a contar sobre suas experiências para Deus e o povo, e os mutantes seriam inocentados. As coisas dariam certo sim, mas pra isso eles precisavam escapar daquele lugar.

Severo Snape foi até Bellatrix Lestrange e colocou a tia em seus braços sem muita dificuldade. Eles começaram a se preparar para fugirem do laboratório.

– Você tá machucado demais. — Luna estava preocupada com a situação no rosto de Draco.

– Vou ficar bem. — O loiro tranquilizou-a. Ele sabia que quanto mais tempo ficassem ali, mais perigo correria. Luna poderia ajudá-lo; curá-lo; dar fim àquela sensação de queimor em sua pele, mas eles não tinham tempo. E Draco ficaria bem ao lado dela. — Só não sai de perto de mim, tá bom? — Pediu ele, olhando os olhos azuis da garota. Luna assentiu, e Draco segurou-a carinhosamente pelo queixo, depositando um leve selinho nos lábios da loira. Luna suspirou e retribuiu; seu coração palpitando mais uma vez por aquele contato que ela sentiu falta.

Subitamente surgiu uma mulher atrás deles, uma mulher de cabelos loiros desgrenhados que segurava habilidosamente um fuzil em suas mãos. Todo o grupo ficou estupefato e Harry ergueu o facão em suas mãos, em direção à mulher, que possuía um distintivo policial preso na blusa azul marinho que ela usava.

– É policial! — Harry alertou-os, desesperado.

– Calma, calma! — Fleur baixou o fuzil em suas mãos sabendo que aqueles mutantes estavam prestes a atacá-la, mas ela sabia que era para se defender, porque conhecia a imagem de muitos deles ali.

– Deixa a gente em paz! — Ordenou Gina, nervosa. Uma involuntária ventania começou a rodeá-los, em consequência da falta de controle dos poderes da garota.

– Calma! — Fleur praticamente gritou, tentando fazer com que eles a ouvissem. — Eu vim ajudar!

– Ajudar? — Hermione ficou desconfiada.

– Sim, eu vim ajudar. — Fleur respirava descompassadamente. — Não tenho tempo para explicar, mas tenho um plano para ajudar vocês. Vocês vão vir comigo ou não?

– Você é uma policial, por que quer nos ajudar em ver de ferrar com a nossa vida, igual os outros estão fazendo? — Rose não acreditava.

– Porque eu não sou como os outros. — A ventania fez a voz de Fleur falhar, mas ela foi firme com as palavras. — Eu sei quem são vocês. A garotinha loira de cabelo grande é a mutante da cura, e o ruivo é Rony Weasley. E as mulheres são provavelmente as mães de vocês. — Os mutantes se entreolharam, confusos e surpresos. — E eu sei que vocês foram sequestrados, eu vim pra cá ajudar. Vocês vão querer a minha ajuda? Porque eu preciso da de vocês.

– Não temos outra escolha. — Rony tentou ser sensato, apesar do seu receio por estar lidando com uma policial.

– A gente não vai se ferrar não? — Scorpius gritou, em meio à ventania. Gina estava bastante nervosa.

– Já estamos ferrados. — Rebateu o ruivo. — Pra onde você vai? — Ele se dirigiu à policial.

– No momento temos que nos esconder. Depois eu explico o plano pra vocês. — Fleur explicou e parte do grupo pareceu aceitar a ideia. Eles não tinham outra saída mesmo.

– Se você tentar alguma coisa contra a gente.. — Clove começou a ameaçar, quando a policial se aproximou e passou pelos mutantes.

– Eu sei, você explode minha cabeça. — Fleur parou de supetão para olhar Clove. A morena franziu a testa, encarando a policial. — Eu conheço você também. VAMOS NESSA!

Notas finais
Bom, o capítulo está sem revisão, então perdoem quaisquer erros. Gostaram? Não esqueçam de comentar. XX, Jen