Notas iniciais
Mais um capítulo postado bem rapidinho pra vocês! Estou sendo legal, hein? Haha Dedico o capítulo para a leitora Kakah Granger, que fez aniversário ontem. Parabéns de novo florzinha! Ouçam o soundtrack ao verem o sinalzinho * https://www.youtube.com/watch?v=8epNGb_HvIk&index=25&list=PLJM_Ua1-Ut1w2SDkiO2kub0BjbeGVg6Tk

– É por ali! — Hermione avisou, assim que avistou pelo visor do capacete, a floricultura que seu pai e sua mãe cuidavam há vários anos. Rony assentiu ao entender, logo freou a moto e a estacionou próxima à estradinha que levava até a estufa de flores. Hermione desceu primeiro, logo tirou o capacete que cobria seu rosto, seus cabelos cor de mel estavam assaranhados, mas ainda tinha cachos formosos.

Rony desligou a moto e desceu, também descobrindo seu rosto do capacete e o colocando sobre o guidão, junto ao capacete de Hermione. Olhou a garota que agora estava longe dele, já se aproximava da floricultura, que tinha os portões abertos, mas parecia estar vazia. Não havia pessoas lá.

– Estranho.. — Hermione comentou, quando Rony se posicionou ao lado dela. Ambos os olhares observavam as flores da estufa dentro da floricultura. — Papai e mamãe não estão aqui.. eles nunca deixam a floricultura sozinha. — Olhou Rony, demonstrando preocupação.

– Vai ver, com tudo isso acontecendo, eles estão com medo de ficar aqui. — Supôs o ruivo, seus olhos brilhando em razão da claridade do dia.

– É, mas eles não deixariam a floricultura aberta, de qualquer jeito. — Continuou a morena, sensatamente. — É melhor a gente ir, eles podem estar precisando de ajuda.

– Certo. — O ruivo viu a morena dar-lhe as costas e caminhar por entre a estradinha adornada de pedras, que logo mais, os levariam até a casa de Hermione, que já podia ser vista. — Espera. — Ele pediu, e a garota girou o corpo, olhando subitamente.

Viu Rony adentrar a floricultura, e um pouco mais, invadiu a estufa que também estava aberta. Colheu de lá de dentro uma tulipa branca, a flor mais pura que Hermione conhecia. A morena o observou fazer, sem ao menos perceber, já tinha um sorriso em seus lábios.

– Acho que seus pais não vão se importar por eu ter pegado. — O ruivo encolheu os ombros e semicerrou um pouco os outros, pois o sol batia contra suas íris azuis esverdeadas. Estendeu a mão para Hermione, entregando-lhe a flor. A garota sorriu, balançou a cabeça sem jeito, e aceitou a tulipa que ele havia lhe colhido. — São pra combinar com suas asas. Branquinha iguais a ela.

– Obrigada. — Agradeceu, com certeza estava toda sem jeito. Hermione, a garota que vivera presa a vida inteira, não era a melhor pessoa do mundo para lidar com as emoções. Principalmente com a emoção de parecer ter borboletas voando dentro de si.

– Vamos lá.

Rony a acompanhou pela trilha de pedras, e os dois não demoraram minutos para chegarem até a casa da garota. A porta de madeira, que a convidava a entrar, fez o coração da garota se descompassar um pouco. Ela respirou fundo ao levar a mão até a maçaneta. Rony a olhou por sobre o ombro, parecia estranho pra ela voltar pra casa. Era como se estivesse tudo bem. Mas nada estava bem.

* Hermione girou a maçaneta, como sempre, a casa estava aberta. Os pais nunca se preocuparam muito deixá-la trancada durante o dia, era tudo sempre tão calmo. Mas dessa vez, a calmaria tinha virado tempestade.

– Não! — O desespero invadiu Hermione no momento em que deu o primeiro passo dentro de sua casa. Como sempre, como de costume em tão pouco tempo, toda revirada. Móveis caídos, objetos quebrados pelo chão. E sem ninguém. — NÃO! — Ela gritou, em desespero. A tulipa perdeu contato com sua mão e logo caía sobre o chão empoeirado. Rony enfiou a mão entre os cabelos enquanto tinha a respiração presa. — MÃE, PAI! GABI! — A morena vasculhou todos os cantos em que podia, ou tinha esperanças, de encontrar qualquer um deles escondidos. Foi até a cozinha, olhou o quintal, não tinha um rumo. Rony sabia o quão abalada ela estava, e subiu correndo atrás da garota que tropeçava os degraus para chegar nos quartos no andar a cima.

– Hermione! — Ele a chamava, percebia que a garota chorava enquanto abria as pressas o quarto dos pais, vasculhava canto por canto.

– OS MEUS PAIS, CADÊ OS MEUS PAIS? — Ela gritou e encarou Rony por segundos a fio, enquanto sentia uma lágrima quente molhar seu rosto. Rony simplesmente não tinha o que dizer. Mal percebeu o momento em que a morena passou por entre ele e a porta, e logo correu até o quarto em que a irmã dormia.
E nada dela lá.

Estava tudo tão arrumado. A roupa de cama bem lisinha, os portas-retrato sobre a estante. Tudo no lugar. Tudo, menos nada.

Rony adentrou o quarto segundos depois. Sentiu a voz falhar, sua garganta queimou, seu sangue pareceu esfriar enquanto via Hermione caindo sobre a cama, agarrando o travesseiro da irmã, chorando sem emitir nenhum som.

– Mione.. — Ele tentou chamá-la, mas sabia que era em vão. Ela estava desesperada e ao mesmo tempo tão imóvel. Tão sem vida. O ruivo semicerrou os olhos por alguns segundos, sabia a dor que ela estava passando. Caminhou sem pressa até a garota, que havia fechado os olhos, seu rosto completamente molhado.

Rony se sentou na cama e a primeira coisa que sentiu, ao tocar a pele do braço da morena, foi um abraço completamente apertado e desesperado dela. As mãos de Hermione agarraram o corpo de Rony como se buscasse enlouquecedoramente uma proteção. Ela só precisava de proteção. O ruivo a abraçou como se quisesse poupá-la de todo aquele sofrimento, de todo o mal daquela guerra. Ela era uma garota incrível que não merecia nada daquilo. E ele sabia, mesmo que não quisesse aceitar, que as chances dos pais dela e da irmã estarem mortos eram grandes. Assim como as chances de sua própria mãe estar morta.

Não. Não podia ser. Não era verdade. Ele não aceitaria.

– Calma. — Ele pediu, enquanto a ouvia soltar um soluço. — Eu tô aqui.

– Eles se foram. — Disse, chorosa, entre o abraço.

– Vamos achá-los. Eu te prometo. — O ruivo deu as suas palavras à Hermione.

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– Muito bem. Dessa vez deu tudo certo. — Comemorava Bellatrix, sentada frente aos policiais Andrew e Lewis. — Vocês trouxeram todos.

– Eu disse pra chefia que conseguiríamos. — Lewis se gabou.

– Mas nenhum policial daquela delegacia está sabendo da ligação que nós três temos, não é isso? — Bellatrix subitamente mudou sua expressão, ficou séria.

– Não. Eles trouxeram os mutantes até a ilha, mas só até a praia. Despachamos os outros e ficamos só Andrew e eu. Somente nós dois temos comunicações com você, chefia. — Explicou Lewis, olhando Bellatrix atentamente.

– Eu acho muito bom. Ninguém pode saber o paradeiro dos outros mutantes. Ninguém pode me descobrir aqui. Caso contrário, eu vou pra prisão. — Alertou a mulher, pensativa. — Isso não pode acontecer nunca. Ainda tenho muitos planos pra geração mutante.

– E o que você pretende fazer com eles? Os que trouxemos? — Andrew se manifestou.

– Por enquanto eu não vou fazer nada. — Bellatrix mexeu em uma mecha de seus cachos embaraçados. — Vou deixar eles se divertirem um pouquinho.

– Se divertirem? — Lewis arqueou as sobrancelhas.

– Vou soltar alguns mutantes pela ilha. — O sorriso maldoso nos lábios dos dois policiais foi automático. Bellatrix sorria de lado, enquanto rodava seu dedo em sua mecha morena de cabelo. — Tenho certeza que Clove vai adorar lidar com eles.

– A mutante que causa dor? — Andrew indagou.

– O termo certo é projetora de rajadas psíquicas. — Corrigiu-o, prontamente. — E sim, ela é uma das minhas mais belas criaturas. Tem a personalidade perfeita pra esse tipo de dom.

– Você acompanhou o crescimento deles, chefia? — Quis saber Lewis. — Digo, dos mutantes.

– De cada um deles. — A mulher falou, assentindo. — Alguns deles viviam aqui comigo na ilha, os mais perigosos. Mas os que viviam pela cidade, eu acompanhei desde o nascimento.

– E eu posso perguntar como você fazia isso? — Lewis continuou.

– Eu tinha várias pessoas os vigiando. — Bellatrix entrelaçou as mãos sobre a mesa. — Eu sempre pensei em tudo, em cada detalhe.

– Quantos mutantes você criou? — Andrew, o loiro, questionou.

– Ao todo? — Bellatrix os olhou. — Trinta e oito. Bem, mas isso é sem contar as contaminações.

– Contaminações? — Andrew arqueou as sobrancelhas.

– É, os mutantes-leões, mutantes-panteras, os vampiros.. — Explicou a mulher, e foi cortada por Lewis.

– Vampiros? Você criou vampiros, chefia? — O homem se surpreendeu.

– Lewis, querido.. — Bellatrix abriu um sorriso maldoso. — Eu sou uma médica, uma cientista. Eu criei todas as espécies possíveis de ogm.

– Ogm?. — Andrew franziu a testa.

– Organismos geneticamente modificados. — Bellatrix explicou, orgulha. — Mutantes.

– Você tem uma mente brilhante. — Comentou Lewis, impressionado.

– É, eu sei. — A mulher não se impressionou com o elogio. — Mas bem, agora eu preciso de mais um trabalho de vocês. Na verdade, são dois. — Ela encarou os dois policiais. — Primeiro, preciso saber onde está cada mutante que vocês trouxeram pra ilha.

– Mas isso não é problema. — Andrew se adiantou. — Já checamos isso.

– A garotinha lá da dor, a Clove, ela está com o tal do Cato. — Avisou Lewis.

– Cato, ah aquele menino. — Bellatrix sorriu. — Tão poderoso. Pode se regenerar de qualquer ferimento.

– Então ele é imortal? — Andrew se desentendeu.

– Não, ele tem um ponto fraco. — Explicou a doutora. — Mas somente eu sei dele.

– Então.. O garoto telepático e o da hipnose também estão juntos. — Lewis continuou explicando. — E a menina e o menino loiro também.

– Quero que separem Cato e Clove. — Ordenou a mulher, se levantando da cadeira. — Os dois juntos são muito poderosos, os mutantes aqui da ilha talvez não os venceriam.

– Então, a chefia quer que eles morram? — Lewis imitou-a e se levantou da cadeira onde se sentava.

– Eu quero que os mais fortes sobrevivam. — Explicou Bellatrix. — Eu quero os mais fortes do meu lado.

– Muito bem. — Andrew também se levantou. — Mas e os outros?

– Podem deixá-los juntos. São poderosos mas os poderes não combinam, então não há problema. — Continuou explicando.

– E quanto às duas garotas no laboratório? — Lewis arqueou as sobrancelhas.

– Elas são por minha conta. — A doutora sorriu de canto.

– O que pretende fazer com elas? — Perguntou Andrew, franzindo a testa.

– Não interessa. — Retrucou Bellatrix, prontamente. Andrew e Lewis se olharam de esguelha. — Agora, o segundo trabalho de vocês é avisarem Serena Brandon para capturar Hermione Granger e Ronald Weasley.

– Por que não nós a capturarmos eles? — Lewis pareceu curioso.

– Porque eu quero fazer essa surpresinha para os dois. — Bellatrix mordeu o lábio. — Serena está sempre na clínica, ela é de confiança.

– Como ela irá encontrá-los? — Andrew perguntou, sem entender.

– Ah. — Bellatrix sorriu ainda mais. — Ela vai sentir o cheiro deles de longe.

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– Eu sabia que isso podia ter acontecido. — Hermione olhava os próprios pés, ainda sentada sobre a cama. — Eu sabia. Eu só não queria acreditar.

– Ainda bem que você fugiu quando conseguiu. Se não, teriam levado você também. — Rony comentou, parecia ter o pensamento vago. Tinha o corpo escorado sobre a cabeceira da cama, Hermione havia deitado sua cabeça no ombro do ruivo, e ele, alisava os cabelos dela.

– Rony.. — Ela ergueu o olhar, mas não conseguia o olhar nos olhos, apenas observava os pequenos fios da barba — que ele não tinha mais como fazer — em seu rosto. — Onde você acha que Gina pode estar?

– Quer sinceridade? — O ruivo olhava o teto, enquanto seus dedos mexiam nos cabelos da morena. Ela não disse nada, apenas balançou levemente a cabeça, em um aceno que ele entendeu ser sim. — Ou eles estão fazendo alguma maldade com ela na delegacia, ou eles a levaram pra ilha.

– Mas a gente não pode ir até a delegacia. — Pareceu desanimada ao falar.

– Mas podemos ir até a ilha. — Rony argumentou. Sentiu Hermione afastar o rosto da curva de seu pescoço, a morena logo voltou a se sentar, e agora puderam se olhar.

– Mas você viu o que o Severo disse. — Hermione o encarou. — Lá deve ser perigoso.

– Temos outra saída? — Rony a deixou sem resposta. — Eu andei olhando o computador nessa madrugada.. Eu acho que sei onde fica essa ilha.

– É muito longe daqui? — A morena quis saber.

– Fica ao norte de Manchester, acho que há umas duas horas daqui. — Rony explicou, viu o olhar vago de Hermione correr pelo quarto.

– Tudo bem, a gente vai. — Ela se convenceu. — Não temos mais o que perder mesmo.

– Ei, temos sim. — O ruivo pegou a mão dela jogada por sobre o lençol branco da cama, tocou os dedos dela com os seus. Hermione o olhou nos olhos, sentiu aquela estranha sensação de novo. O engraçado era que era somente com ele que sentia-se daquele jeito. Talvez, porque fosse o único garoto com quem tivera contato na adolescência. E hormônio de mutante não devia ajudar, né? — Temos um ao outro agora.

– Eu sei. — Hermione abriu um pequeno sorriso. Pequeno, mas suficiente para deixar Rony com sensações estranhas pelo corpo. E não era o caso dela. Ele já havia tido contato com outras garotas na sua adolescência. Mas com ela estava sendo diferente, e ele não podia negar. — Temos que cuidar um do outro.

– Isso mesmo, passarinho. — O ruivo a fez sorrir mais.

– Então, não acha que já passou da hora de cuidarmos desse ferimento no seu pulso? Hein? — A morena observou o corte sobre a pele branca.

– Eu nem lembrava mais disso. — Rony brincou, soltaram as mãos, Hermione tocou a pele ferida com os dedos. Rony não sentia mais dor. — Não dói mais.

– Mas temos que cuidar. Se infeccionar, pode ficar feio. — Ela o repreendeu, e o ruivo pareceu se dar por vencido. — Qualquer detalhe é importante nesse mundo agora, entendeu?

– Sim, senhora. — Ele brincou, fazendo-a rir. Era estranhamente boa a sensação de vê-la rir. Há uns trinta minutos atrás viu-a chorando desesperadamente e o ruivo sentia uma queimação horrível dentro de si. Mas agora, vendo-a sorrir, era como se a calmaria tivesse voltado. Pelo menos, naquele momento. — Ei, eu posso te perguntar uma coisa? — Despertou a atenção da garota novamente, que fixou-o.

– Pode. — Disse, singela.

– Como você sabia que os policiais estavam invadindo a casa de Gina? — Rony fitou os olhos castanhos dela. Hermione pareceu ficar pensativa.

– Eu não sei. — A morena confessou. — Eu só senti. Sabe? — Rony a encarava. — Eu sinto as coisas.

– Como assim? — O ruivo quis entender um pouco mais.

– Eu sinto quando algo bom vai acontecer. Ou quando algo ruim vai acontecer.. — Hermione explicou. — Eu senti que algo estava estranho quando chegamos na floricultura. E quando eu fui abrir a porta aqui de casa.. meu peito doeu. Era sinal de algo ruim.

– Talvez você tenha essas sensações por você ser mutante. — O ruivo supôs, tentando entender.

– Você tem essas sensações? — A morena o viu negar.

– Não.. — Respondeu, com sinceridade. Viu Hermione suspirar.

– Por que lembrou disso agora? — Ela quis saber.

– Qualquer detalhe é importante nesse mundo agora, lembra? — O ruivo relembrou a morena de suas próprias palavras, fazendo-a sorrir.

– É verdade. — Ela concordou. — Mas vamos, aqui em casa deve ter remédios pra passar nesse ferimento pra ele não infeccionar. — Hermione voltou sua atenção para o pulso de Rony. — E depois podemos também tomar um banho, podemos comer..

– Estou sonhando com isso há horas. — O ruivo confessou entre uma risada, acompanhado de Hermione. — Aproveita e pega algumas roupas suas pra guardar na minha mochila. — Rony avisou, vendo a garota se levantar da cama.

– Você tem as suas? — Hermione o encarou.

– Não, eu não coloquei. — Explicou, desanimado. — Queria trocar essa calça e essa camisa, e também lavar o moletom que você tá usando.

– Eu lavo sua roupa, pode deixar. — Hermione tranquilizou-o. — E eu também posso olhar as roupas do meu pai, algumas devem servir em você.

– Não, assim não. Você pega as roupas do seu pai e eu lavo essas. Se quiser me dar seu vestido pra lavar também.. — O ruivo propôs, assim que se levantou da cama e ficou de frente pra garota.

– Não precisa, eu tenho vários outros. — A morena se sentiu agradecida. — Sabe, estava lembrando.. — Ela comentou, enquanto olhava pelo quarto. — Não encontrei meu coelhinho aqui.

– Você tinha um coelhinho? — Rony sorriu de lado.

– Sim. Papai comprou um pra mim e pra minha irmã brincarmos. Já fazia algum tempo que ganhamos ele. — Hermione explicou, pensativa. — Mas ele deve ter fugido.

– Sinto muito pelo seu coelhinho. — O ruivo viu a morena suspirar. — Mas, talvez, a gente ache ele em algum canto da casa.

– É, talvez.. — Falou, sem muita esperança. — Estamos perdendo tudo o que temos..

– Então a gente vai logo pra ilha e descobre tudo de uma vez. — Rony continuou, viu-a assentir de prontidão. — Passarinho, nós vamos encontrar os seus pais e sua irmã. Eu tenho certeza.

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A mente de Gina estava focada em apenas um objetivo. Desamarrar aqueles nós que feriam seus pulsos, e a livrar daquele laboratório. Era difícil, ela sabia. Não tinha muito controle de seus poderes e precisava os usar naquele momento mais do que em qualquer outro. Precisava escapar dali. A ruiva mantinha o olhar fixo ao outro lado da sala, ao menos piscava, sentia algumas fisgadas na cabeça.

– Se concentra.. — Pediu Rose, a voz baixa, com receio de atrapalhar a garota.

– Minha cabeça. — Gina reclamou em dor, segundos depois perdendo a concentração que tinha em desatar aquele nó das cordas que a amarravam. — Parece que vai explodir.

– Você não conseguiu? — Rose soltou a respiração pesada, tinha uma expressão tensa em seu rosto.

– É complicado. — Gina olhou rose de esguelha, a respiração da ruiva parecia descompassada. — Eu não tenho controle.

– Mas é a nossa única chance. — Insistiu a ruivinha. Gina respirou fundo, sentia sua cabeça latejar. Naquele momento, desejou ser tão poderosa quanto Bellatrix Lestrange havia dito. A garota assentiu, semicerrando os olhos por alguns segundos. Rose concentrou seu olhar na mais velha. Instantes depois, os olhos de Gina já estavam abertos, vivos, as íris azuis pareciam brilhar, era como nos filmes. Super-poderosa.

Na medida em que a mente de Gina se forçava a desamarrar aqueles nós, a ruiva sentia a força pressionada contra seus pulsos ir diminuindo. Sentia que as cordas estavam se afrouxando. Estava conseguindo. Rose tentava virar o rosto para o lado o máximo de tempo que conseguia, os olhos da mutante tentando procurar os braços presos de Gina.

– Você está conseguindo. — Disse Rose, aliviada, enquanto forçava seu pescoço a olhar na direção da garota. Viu Gina esfregar um braço contra o outro, segundos depois, Gina soltou um gemido de dor e alívio por conseguir se soltar daquelas cordas.

– Até que enfim. — Comemorou a garota, pra si mesma. A dor que latejava sua mente pareceu não ser um incômodo naquele momento. Levantou com dificuldade do chão, passou os olhos rapidamente por seus pulsos. Estavam avermelhados e feridos. Correu o olhar até Rose, que parecia ter um olhar extremamente surpreso naquele instante.

– Como você é capaz de fazer isso só com a mente? — A ruiva mais nova pareceu abobada, automaticamente começou a esfregar seus pulsos quando Gina foi até ela e começou a desamarrar as cordas presas em seus braços.

– Vamos perguntar tudo isso a Bellatrix, depois que encontrarmos os outros. — Gina sorriu de canto, acompanhada de Rose, assim que a garota também se soltou. As cordas caíram no chão ao lado das correntes presas à parede onde as meninas estavam presas. Eram cordas enroladas à correntes.

– Esse lugar me dá arrepios, eu confesso. — Rose comentou, soltando a respiração, assim que ficou de pé frente à Gina.

– É, a mim também. — Gina vasculhou o laboratório com o olhar. — Acha que vai ser fácil sair daqui?

– Não vamos ficar aqui pra saber. — Rebateu Rose, Gina assentindo de prontidão.

– Vamo dar o fora, vem. — A ruiva mais velha puxou Rose pelo braço, dando às costas ao laboratório, rumo ao caminho da ilha, mas parou sem ao menos dar três passos por ali, desperta por um grito de dor vindo de Rose. — Rose! — Gina pareceu desesperada, segurando Rose pelos braços e vendo a expressão de dor da garota, que parecia estar vagando por outro mundo apenas com o olhar.

"Diz que você tem uma ideia brilhante que vai fazer a gente sair vivos dessa.." A voz de tensão de Clove latejou a mente de Rose, que soltou mais um grito curto e agonizado.

– Rose, fala comigo! — Gina sacudiu a ruiva, sem obter respostas.

"Clove!" Rose reconheceu aquele grito como partindo de Cato Malfoy, o último mutante que havia se juntado ao grupo. "Deixa ela em paz!" A mente de Rose reconheceu aquele tom autoritário, e ao mesmo tempo desesperado, vindo do garoto, que segundos depois, gritou, ficando a mente da ruiva, que automaticamente gritou junto. Sentiu sua mente rodar, não conseguia enxergar nada além da imagem completamente distorcida de Gina Whotsley segurando-a.

– Eles estão em perigo! — Ela se desesperou. — Meus amigos!

Notas finais
Deixem comentários, por favor! Leitores fantasmas, a opinião de vocês é muito importante pra mim, hein.. Xoxo, Jen