Mutant World
26 O Laboratório
Notas iniciais
Seu coração batia em descompasso. Ou talvez, havia parado de bater. Não sabia se estava respirando ou não, também não conseguia pensar em nada. Se sentia tão desesperada que tudo à sua volta parecia ter parado no tempo. Luna não sabia se poderia ajudá-lo. Estava tão nervosa com suas mãos ensaguentadas pelo sangue de Draco, completamente atordoada. Foi tudo tão rápido. E agora ele mal conseguia respirar, nem ao menos pulsava direito. Seus olhos estavam se fechando, e Luna não sabia o que fazer.
– Ei, ei, Draco. — A loira balançou a cabeça do garoto, segurando em seu rosto pálido. Mais pálido do que o normal. — Olha pra mim, abra os olhos. — Pediu a garota, enquanto ouvia sua própria respiração pesada sair de seus pulmões. Percebeu Draco poder ouvi-la e entendê-la, pois o garoto forçou a abrir os olhos, mas estava fraco demais. Estava perdendo muito sangue. — Draco, não fecha os olhos, por favor. — Insistiu, enquanto soluçava entre o choro mudo.
– Fog-e daq-ui. — Draco tentou falar, enquanto lutava contra seus fracos sentidos para levantar sua mão e tocar o rosto de Luna, bem levemente. Sentiu a face molhada dela. — Vo-cê tem qu-e en-con-trálos. — O garoto, que falava entre falhas decorrentes de sua fraqueza, olhava Luna nos olhos.
– Está tudo bem. — Luna soluçou novamente, tirando uma de suas mãos do rosto dele e tocando a mão de Draco que acariciava sua própria pele. Segurou na mão do loiro, percebeu o quanto ele estava ficando frio. — Eu não vou te deixar aqui. — Disse, firme, enquanto ouvia Draco tossir, se engasgando com o próprio sangue. Ele perdeu as forças e seu braço caiu ao chão, desfazendo o contato com o rosto de Luna. A loira agarrou novamente o garoto pelo rosto, teimava em fazê-lo ficar de olhos abertos. Não podia ser o fim.
– Encont-re o m-eu irmã-o. — Fez seu último pedido, enquanto fechava os olhos.
– Draco. — Luna chamou-o, percebendo o garoto em silêncio por longo segundos. Firmou suas mãos no rosto dele, chacoalhando a cabeça do loiro. Se aproximou do loiro, a garota tentou sentir a respiração escapando pelos lábios dele. Mas não sentiu. — Draco! — Luna soltou o rosto de Draco e segurou-o pelos ombros, balançando o corpo do garoto, tentando reanimá-lo. — Abre os olhos Draco, fala comigo pelo amor de Deus!
Luna se desesperou. Não sentia a respiração de Draco, não o sentia pulsar, nem ao menos sentia o calor de seu corpo. Se o coração do loiro ainda batia, Luna não conseguia ouvir. Não, aquilo não podia acontecer. Não podia estar acontecendo. Eles passaram tanto tempo juntos, eles se interligaram. Ela sentia uma vibração desconhecida em relação a Draco, e sabia que era algo bom, pois seu corpo ainda estava quente. Ali, por ele. Luna tinha que ajudá-lo. Precisava de Draco.
– Draco! — Luna sacudiu-o mais uma vez, tentando perceber alguma reação. Draco não reagia mais. — Draco, acorda! DRACO! — A loira gritou, enquanto largava o corpo de Draco no chão, e se encolhia para chorar. Soluçou, alto, entre seu choro. Sentia como se algo estivesse a cortando naquele momento. Não conseguia olhá-lo, não estirado ao chão sem ao menos respirar, por mais fraco que fosse. — Draco, eu preciso de você. — Falou entre o choro, caminhando engatinhada no chão, se juntando ao lado do corpo dele novamente. — Escuta minha voz, eu preciso de você. — A loira segurou-o pelo rosto novamente, seus dedos quentes tocaram a pele gélida dele. — Anda, acorda, olha pra mim. — Insistiu, chorando ainda mais. Aqueles olhos fechados sem transmitir o brilho intenso do próprio "eu-interior" de Draco causavam dor. — Ei, por favor.. — A voz baixa de Luna foi em consequência à sua notória fraqueza, estava fraca por vê-lo assim: vulnerável.
Luna tirou uma de suas mãos do rosto do garoto, sem deixar de olhá-lo por nenhum segundo. Tocou o peito dele, ferido, ensanguentado e sem movimento. Os dedos da garota novamente se banharam naquele líquido vermelho-vivo, que a causava arrepios.
– Você consegue ouvir a minha voz? — Ela sussurrou, a milímetros de distância do rosto pálido de Draco. Pôde observar bem de perto os lábios do garoto, que estavam arroxeados. Sua mão massageava lentamente o peito dele. — Se você conseguir, diga alguma coisa. — Luna pediu, estava tão concentrada no rosto do loiro que ignorava as lágrimas silenciosas por sua pele. — Qualquer coisa.
Mas não ouvia nada em resposta, a não ser aquele silêncio pela mata. Se tinha mesmo o dom da cura, aquele era o momento de usá-lo, aquela era a hora de ser útil naquela batalha. Pediu aos céus para que, se ela pudesse fazer algo de bom, que fosse curá-lo, naquele momento.
Mas não o curou. Não conseguiu, talvez não tivesse aquela droga de poder. Se sentiu tão frustrada e irritada, ao mesmo tempo em que a tristeza batia em seu peito com força total. Ele estava sem vida e ela não pôde ajudá-lo. Como ela diria aquilo ao irmão de Draco, se o encontrasse? Como conseguiria continuar aquela trilha sem Draco ao seu lado?
Simplesmente, não conseguiria.
Soltou novamente o corpo de Draco no chão, não conseguia mais encontrar forças para olhá-lo, sem ter o olhar e o sorriso dele retribuídos.
Mais uma vez, não conseguia.
Luna se levantou do chão aos tropeços, suas pernas mal tinham equilibro. Olhou em volta, sua mente girava, completamente sem direção. Viu o corpo de Andrew estirado no chão, desmaiado e machucado, em consequência da descarga elétrica que recebeu. Sentiu ódio. Era a palavra certa. E, talvez, fosse a primeira vez na vida que a garota adquiria aquele sentimento. Sentimento que estava consumindo-a.
Um grito ecoou pela mata. Um grito de Luna. Um grito desesperado.
Ela não sabia o que fazer.
Correu até Andrew, se agachando no chão e pegando a arma do policial. Voltou a ficar de pé, enquanto engolia suas lágrimas. Pela primeira vez desde que tudo aquilo havia começado, Luna entendeu. Entendeu tudo o que precisava, entendeu que sua ingenuidade não poderia levá-la a lugar algum. Precisava ser forte, assim como todos os outros.
Mirou a arma em direção ao peito de Andrew. Parte dela gritava para a garota disparar o gatilho, mas sua outra parte sabia que matar não era algo com que Luna devesse sujar as mãos. Ódio não era um sentimento que devesse se apoderar dela. Ela era Luna, a garota que Draco achava delicada demais para aquele mundo. Por algum motivo, sabia que não devia deixar aquele seu "eu" morrer. Draco não iria querer isso. E, jogando a arma ao chão junto ao corpo de Andrew, Luna voltou a sentir seu rosto ser molhado. Seu coração parecia bater tão fraco, que ela nem ao menos sentia.
– Eu consigo.. ouvir a sua voz.
Por um momento, Luna achou que estivesse ouvindo coisas. Ou, imaginando coisas. Mas foi nesse momento, que ela pôde ter a certeza de que seu coração ainda estava vivo, já que percebeu que ele havia acabado de parar, quando a loira virou seu corpo e encontrou Draco se levantando do chão, aparentemente, sem reclamar de dor alguma. O sangue ainda estava em sua roupa.
– E é a melhor voz que eu poderia ouvir. — O loiro abriu um sorriso quando percebeu a expressão de Luna mudar drasticamente de um desespero eminente, procedente de uma surpresa intensa.
Em poucos passos, passos rápidos e precisos, a distância entre Draco e Luna foi quebrada. Os corpos se chocaram com força, e os sorrisos se misturaram, cúmplices. Luna não conseguiu descrever a sensação de sentir o calor do corpo do garoto reviver, de poder sentir a respiração quente dele contra seu pescoço. Foi algo sublime.
– Oh, meu Deus. — A loira parecia extremamente surpresa e incrédula. — Abraçou o garoto por mais um tempo, era totalmente retribuída naquele gesto. Draco não conseguia entender o que estava sentindo. Estava tão feliz de estar ali, com ela, e bem. Estava bem, em consequência das mãos dela. Em consequência dos poderes maravilhosos que ela tinha. Em consequência da garota maravilhosa que andava ao seu lado naquela mata e enfrentava todos aqueles perigos com ele. — Você tá bem. — Ela disse, maravilhada, enquanto se separavam e se olhavam fixamente. Mais uma sensação incrível poder ver as íris azuis acinzentadas dele.
* — Graças a você. — Draco lhe sorriu intensamente. Viu o olhar confuso que Luna o lançou. Ela estava confusa em relação aos seus próprios poderes, e Draco sabia. O garoto levantou sua blusa até o ferimento cicatrizado em sua pele. Ele estava novo em folha.
– Mas.. — Luna cobriu a boca com as mãos. Não tinha mais sangramento, nem ao menos vestígios da bala.
– Você curou. — O loiro ainda tinha o sorriso presente em seus lábios, baixou sua blusa enquanto voltava a olhá-la. — É, eu tô bem.
– Eu achei que não tinha dado certo. — Confessou a garota, ainda surpresa. — Eu.. — Ela não sabia o que falar. Era tanta mistura de sentimentos que nem ao menos conseguia falar. Tinha os olhos dele fixos em seu rosto, a loira sentia seu próprio corpo quente em consequência daquele olhar.
– Você não precisa falar nada. — O loiro percebeu-a sem jeito, e sorriu ainda mais, enquanto dava um passo à frente. Quebrou mais um pouco da pouca distância que ainda restava entre os corpos. Pôde sentir a respiração forte que Luna soltou em seguida. — Eu não sei como te agradecer.. — Draco fitou-a, atentamente. Detalhou o rosto da garota com os olhos. Suas íris azuis brilhantes, sua pele branca, seus lábios rosados. Delicados, e ao mesmo tempo, chamativos. — Mas, talvez.. eu possa tentar. — As mãos de Draco envolveram, lentamente, o pescoço de Luna. Os pelos do corpo da garota se eriçaram, sua respiração automaticamente se acelerou. — Eu posso? — O loiro sussurrou, vendo Luna entreabrir a boca em consequência de seu desejo evidente, os olhos dela caminhando pelos contornos dos lábios de Draco.
Ele não precisou de uma resposta. A resposta estavam no olhar dela.
Faíscas de desejo cortaram o ar quando as bocas se chocaram com precisão e vontade, as línguas se encontraram e se exploraram intensamente. As mãos de Luna agarraram os cabelos de Draco, enquanto as mãos do garoto agarravam-na pela cintura. Os corpos tinham o contato que precisavam, estavam colados o suficiente para transferir calor um para o outro.
O sentimento recíproco vinha dos dois. Aquela vontade e aquela sensação incrível de realização naquele momento foi dada aos sentimentos que já os consumia, bem internamente. Apesar de serem mutantes, ainda assim eram humanos. E tinham hormônios como qualquer adolescente. Tinha desejos e fetiches, tinham a necessidade daquele contato atrativo e prazeroso. Viverem sozinhos por anos ajudava para toda aquela precisão dos lábios se chupando ser ainda mais precisa. Estavam se entregando ao desejo, facilmente.
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– Ali! — Gina apontou o dedo em direção às correntes presas à parede, onde ela estava presa quando fora sequestrada. — Foi ali que Rose e eu ficamos. É melhor prendermos ele ali.
Scorpius puxou Lewis pelo braço, o homem hipnotizado, seus passos pareciam ser robóticos. Empurrando o corpo do policial contra o chão, Scorpius se agachou frente a ele e, encarando os olhos de Lewis, prendeu as correntes em volta do corpo do policial. Se levantou do chão e voltou até os amigos, que olhavam atentamente os corredores do laboratório, sombriamente silenciosos.
– Então.. — Hermione se permitiu dar um passo a frente, tentando melhor visualizar os corredores, que era escuros, mas iluminados por uma luz vermelha. — Bellatrix não está aqui.
– Ela devia estar. — Rebateu Gina, que segurava sua arma com as duas mãos, ao lado de seu corpo. — Mas talvez ela tenha um escritório.
– Vamos vasculhar. — Avisou Rony, passando os olhos pelos amigos.
– É melhor nos separarmos. — Gina sugeriu, sensatamente. — São muitos corredores, demoraríamos para encontrá-la se ficarmos todos juntos. Outros policiais podem aparecer e a gente ficaria em desvantagem.
– Ela tá certa. — Scorpius concordou, enquanto se dirigia rumo ao último corredor da esquerda. — Eu vou por aqui, e vocês deviam seguir essa ordem dos corredores.
– São quatro corredores e nós estamos em cinco. — Hermione os advertiu. — Como vamos fazer?
– Vamos nós dois no mesmo corredor. — Rony avisou-a, ficando ao lado da morena, trocando olhares com ela. Internamente, Hermione tinha que confessar que se sentia mais segura ao lado dele. Ela assentiu, concordando.
– Se alguém tiver algum problema, é melhor voltar para esse mesmo lugar, assim podemos nos reunir de novo. — Propôs Harry, encarando o olhar dos amigos, que assentiram juntos. — Vê se te cuida, pantera. — O moreno se dirigiu a Gina, e enfrentou o olhar misterioso da ruiva.
– Você também. — Gina fez Harry se surpreender com sua resposta. Se encararam por mais alguns segundos, até perceberem Scorpius sumir corredor a dentro, e um a um, começaram a se espalhar pelo laboratório.
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Tudo era extremamente sombrio. Não sabia ela se era por estarem prestes a encontrar Bellatrix Lestrange, ou prestes a enfrentarem qualquer policial, até mesmo mutantes do mal. Mas Hermione se arrepiava a cada passo que dava dentro daquele corredor. Não era tão estreito, ao contrário, era espaçoso. E haviam várias celas, de cada lado do corredor. Todas as celas trancadas e sem nenhuma visão do que estava lá dentro, se algo estiver lá dentro. Mas aquele era o laboratório da médica louca que criou mutantes, a partir de experiências proibidas. Hermione já não duvidava de mais nada.
– Que tipo de lugar é esse? — A morena comentou, Rony estava atento ao seu lado, a pistola em suas mãos estava erguida no ar, pronto para atirar caso algo os atacasse.
– Um dos bizarros, pode apostar. — O ruivo estava totalmente abismado com tantas celas naquele corredor. Talvez, Bellatrix podesse estar em uma delas. Mas, por que ela estaria? Não fazia muito sentido. Mas algo estava por dentro daquelas celas, Rony tinha a certeza.
– Se a gente sair dessa ilha.. — A morena direcionou seus olhos até Rony, seus passos eram tão lentos que quase cessavam. — Eu vou beber muita vodka.
– Que tipo de mocinha toma vodka? — Rony provocou, rindo da garota, que deu de ombros e segurou a arma com uma das mãos, a outra mão ficou livre para jogar seus cabelos para trás. Rony riu ainda mais do charme que ela fez.
– Eu. — Gabou-se a morena, rindo junto ao garoto. Era incrivelmente surreal a forma com que o sorriso do garoto iluminava todo aquele lugar sombrio. Rony em si já iluminava aquele laboratório. Apesar de tudo que estavam enfrentando, Hermione se sentia imensamente feliz por ter conhecido o garoto em meio à todas aquelas tempestades. Ele era alguém a qual Hermione não se imaginava sem estar ao seu lado mais. — E eu não sou mocinha. Posso ser malvada também.
– Ah, eu posso saber como? — Rony desafiou-a, encarando os olhos castanho-mel da morena. Hermione substituiu seu riso por um sorriso misterioso. Presa ao olhar dela, Rony sentia que aquela garota era especial demais para ele viver sem. Sentia que ela era uma espécie de sereia sedutora que o fazia ficar preso ao seu olhar e a seu sorriso. Mas foi um pensamento apenas dele, e o ruivo sorriu com isso. Os sorrisos se misturaram, cúmplices.
– Ora, ora! — A voz de Bellatrix Lestrange despertou a atenção de Rony e Hermione, que se alarmaram no susto, ambos mirando prontamente as armas em direção a mulher. Bellatrix ergueu as mãos ao ar, queria demonstrar que não lhe causariam perigo. — Hermione Granger e Ronald Weasley.
– Eu ia te perguntar como sabe os nossos nomes. Mas não preciso, né? — Rony provocou, valente.
– Claro que não meu jovem. — Bellatrix sorriu, baixando as mãos do ar. Deu um passo a frente e foi novamente mirada pelas armas. — Não se preocupem, eu criei vocês. Não vou machucá-los.
– É, já sabemos disso. — Hermione rangiu os dentes. — O que mais você fez, doutora?
– Estão todos reunidos aqui? — A mulher fingiu interesse, mas demonstrou apatia, ao mesmo tempo em que sorria ainda mais. — Que ótimo. — Continuou, ao perceber os mutantes à sua frente nada responderem. — Eu vou adorar revê-los. Foi uma grande evolução, devo dizer. — Bellatrix analisou Rony atentamente, e em seguida, Hermione. — Você ficou linda, Hermione. E suas asas, como elas estão?
– Você é louca? — Hermione rebateu, séria. — Como pôde fazer isso com a gente? Como você conseguiu fazer essas experiências com a gente?
– Eu já entendi que vocês estão atrás de respostas. — Bellatrix argumentou. — Querem que eu diga todos os detalhes, querem saber porque a polícia está atrás de vocês.. Querem poder viver em paz novamente.
– Na verdade, já imaginamos porque a polícia está atrás da gente. — Rony retrucou, demonstrando irritação. — Acho que você tem alguma coisa a ver com isso, não é doutora?
– Tão espertos. — Elogiou-os a mulher, seus cabelos negros estavam desgrenhados. — Eu criei criaturas maravilhosas.
– O que você fez com Serena, a doutora da clínica? — Rony relembrou da cena da vampira atacando ele e Hermione. — Ela era uma boa pessoa.
– Digamos que eu dei um pouco mais de diversão pra ela. — Bellatrix soltou uma risada maliciosa. — Eu sinto muito, meus amores. — A mulher encarou-os, sombria. — Mas vocês não vão sair da ilha. — Hermione olhou Rony de relance, alarmada. — Vocês vão ficar aqui, comigo.
E a risada que Bellatrix soltou causou arrepios pelo corpo de Hermione.
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Scorpius estava estranhando aquele silêncio todo. Não podia ser bom. Não naquele lugar. Nesses dias que os mutantes vinham enfrentando, silêncio e quietudade demais geravam desconfianças e perigos. Aquelas luzes vermelhas pelo corredor escuro deviam significar alguma coisa. Para Scorpius, significava mais perigo.
Erra surreal a forma com que mutantes estavam presos dentro das celas pelo corredor afora. Pelo menos naquele corredor, as portas das celas eram de vidro e podia se ver claramente o que estava preso lá dentro. Scorpius não queria acreditar que eram apenas pessoas presas ali. Talvez, Bellatrix não fosse louca o suficiente para manter pessoas inocentes à cárcere privado naquele fim de mundo.
É, provavelmente, Bellatrix era sim louca o suficiente.
Scorpius não viu manifestação de pessoas ou mutantes que tentassem falar com ele. Pedir ajuda, ou qualquer coisa que fosse. Eles apenas encaravam o garoto passar com a arma na mão, e permaneciam quietos, seus olhos atordoados e amedrontados. Já deviam terem sofridos horrores.
O loiro se perguntava a todo instante: por que estavam naquele lugar? E por que estavam enfrentando a polícia? Por que os pais inocentes de mutantes inocentes estavam sendo mortos e desaparecendo?
Talvez, uma única resposta cabível para tudo aquilo. Eles eram mutantes e estavam pagando um preço por aquilo. Um preço absurdo. Mas Scorpius sabia que quem devia pagar por tudo aquilo, era única e exclusivamente, Bellatrix Lestrange. Os policiais, esses pagariam suas contas com os próprios mutantes, disso Scorpius tinha a certeza. Mas Bellatrix pagaria de forma justa e imparcial.
Se alarmando subitamente, Scorpius girou seu corpo para o lado esquerdo do corredor, de onde ouvira um murmurio. E, imaginando coisas ou não, o garoto teve a certeza de que quem estava vendo era o mesmo homem dono da fotografia naquela cabana abandonada.
– Snape? — Scorpius correu até a porta de vidro, bateu o corpo contra ela. O homem levantou do chão com certa dificuldade, ficou o mais próximo do mutante que podia. Tinha uma aparência acabada. Ainda usava a mesma capa preta que Scorpius vira na foto, e seu cabelo, ainda oleoso, parecia completamente ressecado. O rosto demonstrava extremo cansaço, as pálpebras por sobre os olhos estavam enrugadas e as bochechas machucadas. — Você é Severo Snape, não é?
– Eu sou. — A voz de Severo soou afobada, em consequência da porta de vidro que os separava. — Você é um mutante. Foi você que encontrou o meu pendrive?
– Foi Gina, uma amiga. — Explicou o loiro, fechando o punho e batendo contra o vidro duro. — Eu vou te explicar tudo, mas tenho que te tirar daí.
– Não tem como, só Bellatrix pode destravar as portas. — Argumentou Snape, prontamente.
– Se afasta. — Pediu Scorpius, mirando a pistola no vidro da porta. Snape suspirou e assentiu, arrastando os passos para longe. Scorpius apertou o gatilho e disparou a arma, três vezes, contra o vidro, que ao menos trincou. O garoto bufou, percebeu que o barulho dos tiros atraiu a atenção de outros mutantes, que apareceram nas portas de suas celas.
– As portas são blindadas. — Explicou Snape, se aproximando novamente da porta. — Não se preocupa com isso. Vieram aqui pra..
– Sondar Bellatrix, descobrir tudo o que precisamos. — Scorpius se apressou em dizer, prontamente.
– Você deve ir, encontrar seus amigos. Não devem se separar. É um conselho que eu te dou. — Avisou o homem, seriamente. — Esse lugar é mais perigoso que a ilha, saiba disso. Aqui dentro, vocês podem arrumar muito mais problemas do que lá fora. Eu sei bem disso.
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– É ali! — Rose avisou os amigos, enquanto apontava para o laboratório onde estivera presa. — É ali o laboratório.
– É esse mesmo. — Lilá confirmou, sentindo calafrios ao voltar a ver aquele lugar.
– Então, nossos amigos estão ali dentro. — Clove se alarmou. — Harry tá lá dentro.
– Tomara que o Draco também esteja. — Cato respirou fundo, já sabia que Rose não havia visto nem o irmão e nem Luna na visão que teve. Mas, poderiam ter se reencontrados, todos novamente. Ele torcia para isso. Torcia para que o irmão estivesse bem, e vivo. — É melhor entramos, pode aparecer alguém.
– Eu não vou entrar lá dentro. — Lilá avisou-os, balançando a cabeça negativamente. — Não de novo. Lá é sombrio e é perigoso, e estamos sem nada para nos defender.
– Temos nossos poderes. — Cato rebateu, Clove ao menos se intrigou com os dois conversando. Estava preocupada demais com Harry lá dentro.
– A maioria dos poderes falham lá dentro. — Alertou-os, seriamente.
– Não importa. — Clove retrucou, de prontidão. Encarou-os, respirando fundo. — Meu irmão está lá. E eu vou lá.
– Eu também vou. — Cato disse, em seguida. — Draco pode estar lá, e nossos amigos também estão.
– Rose? — Clove olhou a ruiva, que parecia pensativa.
– Acho melhor alguém ficar de vigia. — Falou Rose. — Eu quero encontrá-los tanto quanto vocês, mas eu não confio nem um pouco nessa aqui. — Apontou para Lilá, que entreabriu a boca, demonstrando indignação.
– Muito menos eu. — Rebateu Clove, concordando.
– É melhor você ficar mesmo. — Cato tocou o ombro de Rose. — Mas toma cuidado. E qualquer coisa, você grita.
– Pode deixar. — A ruiva assentiu. — Agora vão!
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