Mutant World
7 Friendship?
Notas iniciais
– Paiêêêêê! — Gina gritou com pavor enquanto ouvia mais estilhaços de vidros caindo sobre o chão. Hermione se encolheu no canto da cozinha espantada, e logo Claire e Patrick apareceram. Ambos usavam trajes de dormir.
– O que aconteceu Gina? — O homem perguntou alarmado, não notando a presença de Hermione.
– Quem é você? — Claire indagou espantosamente dirigindo os olhos para a morena.
– Não façam nada comigo. — Ela pediu com temor.
– Como você chegou aqui, qual seu nome? — Questionou Patrick assombrado, enquanto Gina tratava de ficar atrás do pai. Tendo 18 anos ou não, ainda assim se sentia mais protegida perto do homem e da mãe.
– H-Hermione. — A morena gaguejou amedrontada.
– Porque você está aqui? — Perguntou Claire a fitando.
– Eu não tenho pra onde ir. — Confessou Hermione.
– Como você chegou aqui? Tudo está trancado.. — Patrick pareceu perceber que a garota não causaria perigo. Mas Hermione, nada respondeu.
– Hein? Como você veio parar aqui? — Claire ergueu as sobrancelhas.
– A janela. — Sussurrou Hermione quase inaudivelmente.
– O quê? — Gina indagou.
– Pela janela. — Concluiu Hermione agora com a voz firme.
– Mas.. mas como você.. — A ruiva mais nova se atordoou.
– Eu vim voando. — Hermione explicou e viu olhos arregalados à sua frente. Patrick riu pelo nariz.
– Voando, essa é boa.. — Antes mesmo do ruivo terminar tal deboche incrédulo, Hermione levou as mãos as costas do vestido e em instantes puderam ver aquele enorme par de asas que a morena a poucos escondia.
– Mas o qu.. — Começou Claire, espantada.
– Eu tenho asas. — Hermione voltou a explicar. Sua serenidade, ela mesma não sabia onde tinha encontrado, mas sentia que podia confiar naquelas três pessoas ali na sua frente.
– Meu Deus.. mas isso não é possível. — Falou Patrick abobado e descrente.
– Tanto é possível que o senhor tá vendo. — Respondeu Hermione com simplicidade.
– Você também é uma mutante? — Gina questionou com um sorriso, saindo de trás do pai.
– Sou. E acho que você também é.. não é? — A morena olhou os cacos de vidros no chão e ouviu a ruiva mais nova á sua frente rir pelo nariz.
– Você não tem uma casa? — Claire indagou, e a morena assentiu.
– Mas eu fugi. — Disse ela.
– Por que? — Claire perguntou, agora carinhosamente. Hermione encheu os pulmões de ar e fechou as asas, levando a mão até o laço do vestido e o amarrando.
– Porque meus pais nunca vão entender .. — Hermione suspirou e continuou. — que eu não nasci para viver presa.
– Presa? Eles te prendiam? — Gina perguntou a encarando.
– Está com fome? — Questionou Claire, já se dirigindo para a geladeira.
– Eles não me deixavam voar. — Respondeu a morena deixando de olhar Gina e soltando um sorriso enquanto observava Claire tirar da geladeira uma bandeja com pudim. — Estou morrendo de fome. — Hermione agora encarava Patrick. — Desculpa invadir a casa de vocês assim.. mas tava começando uma chuva, eu tava tão cansada.
– Tudo bem, você já se explicou. — Falou o homem com serenidade. — Só tivemos medo que você fosse alguma mutante perigosa ou algo do tipo.
– Eu não sou não. Eu também vi na televisão sobre os mutantes perigosos que estão encontrando. — Comentou a morena recebendo a xícara com o pedaço de pudim que Claire lhe entregava.
– É,e também sobre a polícia estar atrás de nós, né. — Gina completou já vendo Hermione começando a comer.
– Você não teve medo de ficar voando sem rumo por aí? — Claire indagou para a morena, que assentiu.
– Eu sabia que precisava e logo encontrar um lugar pra ficar. Por isso entrei aqui. — Hermione concluiu levando uma garfada de pudim até a boca. Ela comia com gosto e Gina não resistiu a rir.
– Não se preocupe. Você pode ficar aqui o tempo que precisar. Aqui pelo menos, é seguro. — Falou a mulher carinhosamente e Hermione lhe sorriu, soltando um sincero "obrigada" antes de voltar a comer.
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Harry, Clove e Rose já não tinham mais forças para caminhar. Não encontraram sinal algum de que ali por perto teria algum lugar que por uma benção estaria vazio para que pudessem ficar. O moreno já começava a acreditar que a irmã tinha razão. Não tinham a mínima noção de onde estavam e podia ser perigoso continuar andando os três, assim, sem rumo.
Resolveram ficar perto de uma cachoeira que encontraram. O mato não era tão grande quanto por onde andaram, as árvores cobriam tudo em volta e assim parecia que estariam seguros ali.
– Já estamos quase sem comida. — Reclamou Clove enquanto se sentava em uma das pedras que cercavam a cachoeira.
– Claro, você come demais. — Harry implicou rindo fraco.
– Vai se ferrar Potter. — A morena o lançou o dedo do meio e Rose riu.
– Sabe o que eu acho? — Indagou a ruiva. — Precisamos encontrar e rápido um lugar pra gente ficar.
– Cê tá certa. A gente não pode ficar zanzando por aí correndo esse perigo todo. — Completou Harry um tanto preocupado.
– E a essa altura, a delegacia inteira já deve saber a identidade de cada um de nós. — Falou a ruiva em um suspiro tenso.
– Perae, como assim? — Clove questionou sem entender.
– Eu esqueci de contar pra vocês.. eu tive uma visão. — Rose começou.
– Visão? — Harry indagou com as sobrancelhas erguidas.
– Vi dois policiais.. eu acho que eram mesmo policiais porque usavam colete e essas coisas assim.. — A ruiva fez a observação e Clove assentiu para que ela continuasse. — Um deles entregou um pendrive pro outro. E disse que nele tinham todas as inforamações sobre os mutantes. Inclusive onde moravam.
– Então nossos pais estão correndo perigo? — Harry concluiu se alarmando.
– Como se você já não soubesse disso. — Clove revirou os olhos.
– A sua calma me espanta. — Harry olhou a irmã que tornou a revirar os olhos.
– Alguém de nós tem que manter a sensatez né.. — A morena replicou.
– Ei, eu sou sensata! — Indignou-se Rose e Clove riu pelo nariz.
– Aham, claro. — A morena voltou o olhar para as unhas, reparando que já não estavam tão limpas quanto quando saiu de casa. Ouviram, de súbito, um barulho entre as árvores que os cercavam.
– Ouviram isso? — Rose indagou assustada, encarando Harry.
– Shiiii. — O moreno pediu para que ambas fizessem silêncio, e olhando em volta, se levantou da pedra em que se encontrava. Rose e Clove o imitaram.
– Tem algo aqui.. — Harry constatou ouvindo novamente as folhas das árvores provavelmente caídos no chão fazendo barulho.
– Ótimo, só faltava essa. — Ironizou Clove tentando esconder a tensão.
– Fiquem aqui, vou ver o que é. — Ordenou Harry sério.
– Tá maluco? Eu não vou ficar aqui sozinha não. — A morena contrapôs tratando de logo ficar ao lado do irmão. Rose a imitou.
– Muito menos eu. — Falou a ruiva.
– Então fiquem perto de mim. — Harry mandou enquanto as garotas assentiam. Caminharam, pé por pé até perto das árvores e o barulho das folhas sendo pisadas agora parecia mais alto. Alguém parecia desesperado.
– Isso tá me assustando. — Comentou Rose em um sussurro, agarrando de leve o braço esquerdo de Harry. Clove olhou "aquilo" de esguelha.
– Shiiiiiu! — O moreno voltou a pedir silêncio.
Se foi de imediato ou não, eles não podiam dizer. Deram de cara com uma garota, assustada pelo que constataram, com uma mochila nas costas e com os cabelos bagunçados. Clove não se intimidou, agora sabendo ser uma garota e tratou de usar toda a força do pensamento que conseguiu para conseguir informações.
– Quem é você? — A morena perguntou dando um passo a frente e vendo a loira à sua frente cambalear, sua cara de dor já visível.
– Ahhh! — Ela gemeu levando uma das mãos à cabeça.
– Você é uma mutante? — Perguntou a morena com voz alta e ríspida. Rose deu um passo para trás. Sentiu vontade de morrer amiga de Clove, só de ver a cara da garota que se encontrava mais a frente.
– Ohh .. meu.. Deus.. — Gaguejava a loira com a voz fraca, sentindo as pernas bambearem e a cabeça quase explodir de dor.
– Clove! — Harry repreendeu a irmã, sendo ignorado por completo.
– Responde! — Ordenou a morena sobriamente.
– Lu.. Luna. Eu sou.. Luna. — Concluiu Luna, por fim, enquanto se sentia sem forças e caía no chão. Harry foi até a loira caída no chão e a pegou pelo braço, se virando para Clove e ordenando.
– Já chega!
– Ohhh! — Luna gemeu novamente sentindo a dor deixar sua cabeça e os sentidos lhe preencherem novamente. Harry levantou a loira do chão com cuidado.
– Você está bem? — Ele perguntou com cautela, soltando o braço da garota.
– Por favor, não me machuquem. — Ela pediu assustada.
– Nós não vamos. — Rose tentou acalmá-la. — O que você está fazendo aqui?
– Eu tive que fugir de casa. — Ela explicou, ainda assim alarmada. — Quem são vocês?
– Eu sou Harry, e essa é Rose. — O moreno apresentou-os.
– E eu sou Clove. — A morena respondeu, sem demonstrar culpa.
– Ah. — Luna a olhou e voltou a levar a mão na cabeça, a massageando levemente. — Receptiva você hein.
– Como sabe que fui eu que fiz você sentir dor? — Indagou a morena.
– Talvez porque você é quem estava me interrogando enquanto minha cabeça quase explodia. — Replicou a loira.
– Ah.. me desculpe. Achei que pudesse ser alguém perigoso.. — Falou Clove com sinceridade.
– Tudo bem. Eu também tava morrendo de medo de encontrar a polícia por aí, ou até mesmo algum mutante perigoso. — A loira falou os olhando.
– E acabou que encontrou né. — Rose implicou, olhando Clove de esguelha.
– Fica na sua ruiva. — A morena mandou sem paciência e Harry riu.
– Vocês também são mutantes? Os três? — Luna perguntou com um sorriso.
– Somos sim. — Harry respondeu lhe sorrindo. — E pelo visto, você também..
– Se falar com animais é ser mutante, eu acho que eu sou. — Falou com modéstia a loira.
– Você fala com os animais? — Rose indagou surpresa.
– Pra você ver. — Luna riu pelo nariz.
– Nossa. — Harry falou um tanto espantado.
– Mas e vocês? — A loira perguntou se sentando em uma das pedras junto aos três. — O que fazem?
– Eu consigo prever o futuro.. eu acho. — Rose falou encucada fazendo Luna rir.
– Incrível. — A loira comentou.
– Eu nem preciso falar.. — Gabou-se Clove, jogando o cabelo para trás enquanto Luna ria mais, acompanhada de Rose e Harry.
– Só falta você Harry.. — A loira dirigiu o olhar para o moreno. — O que é capaz de fazer? — Perguntou um tanto desafiadoramente e o garoto ergueu as sobrancelhas.
– Eu posso falar mentalmente com você.– O tom da voz do moreno invadiu a mente de Luna, que se espantou de início, e depois soltou um sorriso surpreso.
– Uau. — Comentou abobada.
– É.. pelo visto, agora tem mais uma no bando. — Clove comentou divertida.
– O quarteto fantástico. — Rose brincou. — Já imaginaram?
– Se é que Luna vai ser a única a entrar aqui.. — Comentou o moreno.
– Será que não? — Luna ergueu uma das sobrancelhas e Harry deu de ombros.
De fato, a observação de Potter foi muito bem colocada. Será mesmo que aquele pequeno grupo de mutantes permaneceria assim, ou se transformaria em uma bola de neve poderosa?
A medida que os dias foram se passando, as coisas trataram de planejarem para mudar. Uma das diferenças que começaram a surgir era o fato de Scorpius ter conseguido encontrar um lugar -como Rose, Harry, Clove e Luna desejavam — abandonado e acolhedor para que ele conseguisse sobreviver.
Os três ainda se encontravam sem rumo, agora já começando a se desesperarem por estarem sem comida e sem esperanças de encontrarem algum lugar para ficarem. Mal sabendo eles que isso mudaria.
Gina e Hermione realmente se deram bem. Nem passava pela cabeça da morena ir embora dali, embora ela soubesse que um dia teria que fazer. As duas se tornaram grandes amigas. Amizas essa, que ambas nunca haviam tido na vida. A ruiva apresentou os poderes para a morena, que ficou de fato espantada e impressionada com tal capacidade da amiga. Mesmo já convivendo com copos sendo destraçados em segundos, panos de pratos pegando fogo e luzes ligando e apagando, queimando e explodindo, Hermione não conseguia se acostumar. Sempre se assustava. Mas não era pra menos.
Draco e Cato permaneciam presos em casa, assim como Rony. As mães de ambos nunca permitiriam os filhos soltos por aí, pelo menos não enquanto não houvesse alguma drástica situação. Na mente de Narcisa e Molly, o lar e colo de mãe ainda sim era o mais seguro para os filhos. Pobres mães.
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