Mutant World
41 Desesperadas Lembranças
Notas iniciais
Sua garganta estava seca, completamente seca. Sequer o ar expelido de seus pulmões chegava a sua traqueia. Seu rosto encharcado denunciava a insuportável dor que atingia seu coração. Harry estava a quase meia hora encarando o rosto inerte da irmã, o corpo gélido e endurecido de Clove ainda estava deitado sobre o seu colo.
— Harry, eu sinto muito. — Luna lentamente retirou suas mãos das bochechas de Clove. A mutante da cura tentou por minutos a fio despertar qualquer reação na irmã do amigo, mas não teve jeito. Luna não conseguia trazer Clove de volta, e aquilo significava a real morte da garota. Clove estava morta.
Engolindo mais uma lágrima que escorria sem rumo por seu rosto, Harry deu um leve balanço com a cabeça, permitindo que Luna cessasse as tentativas. Luna baixou a cabeça e soltou um soluço inaudível, enquanto uma gota de lágrima pulava de seus olhos e batia contra a terra fria embaixo de seus joelhos.
A sensação daquela perda atingia o peito de Luna avidamente, ela simplesmente não conseguia acreditar que Clove não estava mais com eles, e nunca mais estaria. Erguendo o olhar, a loira fitou o rosto de Clove por mais vários segundos. Os olhos fechados, a boca entreaberta, os fios de cabelo ensanguentados sujando as bochechas brancas. Era tão surreal a forma como a expressão no rosto dela parecia tranquila, Luna não conseguia acreditar que Clove estaria em paz. Não, ela não estaria. Havia sido obrigada a deixar Harry, deixar Cato, todos os seus amigos, e deixar aquela batalha que ela tanto precisava vencer. Clove ao menos teve chance de reagir, e Luna tinha a certeza de que ela nunca escolheria deixar todos eles desamparados daquele jeito. Clove poderia estar morta e ter partido daquele inferno, mas a batalha dentro dela viveria pra sempre, porque ela não teve a chance de vencer as provações que a vida havia lhe dado.
Mesmo com as vistas embaçadas, e sem deixar de olhar Clove por um segundo sequer, Harry percebeu Luna se levantar cautelosamente do chão. A loira tocou o ombro do amigo, suspirando pesadamente. Frustrada e derrotada, a mutante da cura se afastou dali de perto, e retornou para o grupo, que, reunido, observava Harry durante todos os árduos minutos que se passaram.
— Não funcionou, né? — Hermione apertava fortemente a mão de Rony; chorava silenciosa e de modo incessante. Luna negou, balançando levemente a cabeça e mordendo seu lábio inferior, sentindo o gosto salgado da lágrima que há poucos escorrera por ali.
— Você tentou. — Draco abraçou-a fortemente, quando percebeu a garota começar a chorar. Luna agarrou o pescoço do loiro, escondendo seu rosto por entre os fios platinados do cabelo dele. A pele molhada de suas bochechas tocou parte da nuca de Draco, então ele a aconchegou ainda mais naquele abraço. Sem controle da ardência em seus olhos vendo Harry tão imóvel como o corpo de Clove, Draco cessou aquele olhar e encarou o chão enquanto acalentava Luna pelos cabelos. — Você fez o que pôde.
— Cato não disse uma palavra até agora. — Narcisa observava o filho distante do grupo e chorava. — Acho melhor o trazermos pra cá.
— Não, mãe. — Draco respirou fundo, soltou o corpo de Luna e secou o rosto dela com os polegares. — Ele não sabe como reagir. É melhor deixá-lo sozinho. — Então, Draco foi até a mãe e a abraçou, pois que sabia que ela estava ainda mais frágil depois de tudo que viu.
— Eu também não saberia. — Rony confessou, alisando os dedos de Hermione. A cabeça dela repousava sobre o ombro do ruivo; ele sentia uma ardência enorme dentro de seu próprio corpo.
— Gina, vem ficar com a gente. — Hermione deixou mais uma lágrima cair enquanto fitava a amiga, que também estava afastada deles. Com uma mão enfiada entre os cabelos, Gina sequer conseguia piscar, já que não deixava de olhar Harry nem por um segundo.
— Melhor deixar ela quieta também. — Scorpius disse em contrapartida ao silêncio que Gina deu em resposta. Ao menos havia escutado o que Hermione falara. Ela estava completamente impotente.
— Não posso imaginar como Harry está se sentindo. — Rose lamentou, entre um soluço. — Não consigo acreditar que ela está morta. — A garota então voltou a chorar. Scorpius tirou as madeixas ruivas molhadas que se misturavam novamente com as lágrimas de Rose de sobre os olhos da menina. Ele sabia que estava sentindo uma dor inexplicável com aquela situação, mas não sabia dizer o que mais doía: ver Clove morta ou ver a garota que alegrava seu coração tão abalada daquela forma. Ela era... — Rose ofegou e cerrou os olhos. — ela foi a garota mais forte que eu conheci.
— Ela sempre vai ser. — Scorpius baixou o tom de voz, na tentativa de acalmar Rose. A ruiva voltou a abrir os olhos e encarou o rosto dele frente a ela. O loiro segurou as bochechas de Rose suavemente, deixando uma lágrima cair do seu olho esquerdo. — Nós vamos honra-la. Não vai ser em vão.
xx
Existe uma teoria no mundo que supõe o surgimento de uma clarividência dançando pela mente nos instantes em que alguém está morrendo. Dizem que, na hora da morte, quase todos os momentos vividos pela pessoa passa sobre seus olhos. Ela relembra as tristezas, ouve de novo os sons das melhores risadas, sente o conforto dos abraços mais desejados...
Então Harry talvez estivesse morrendo também. Ele observava os traços detalhados do rosto da irmã, e poderia jurar estar vendo os lábios dela se curvando em um sorriso debochado. Harry teve a certeza de que o sorriso debochado de Clove, sempre que ela se saía melhor do que ele em algo, ou quando o provocava com alguma piadinha irritante, seria sua melhor lembrança da garota. Chacoalhando os ombros dela em mais uma tentativa de reação, o moreno torceu pela aparição daquele sorriso de deboche. Mas os lábios arroxeados de Clove permaneceram inertes.
Harry fungou e respirou fundo. Talvez ele estivesse viajando para outra dimensão a procura de uma desesperada solução, talvez ele estivesse fugindo dali e se arriscando em labirinto sem saída a procura de respostas, mas a mente de Harry não aceitava o fato de que Clove não reagia, e não reagiria mais. Ele não soltaria o corpo da irmã enquanto não sentisse a respiração dela. Harry não desistiria de Clove.
Ela não estava morta.
— Lembra quando você enfrentou aqueles garotos idiotas da escola que viviam implicando com a gente? — A voz de Harry soou extremamente rouca e baixa, enquanto ele deslizava a mão direita pelo rosto frio da irmã. — Eu sei que lembra. Você foi genial, sabia? — Harry sorriu fracamente, em meio ao choro. — Eu nunca te disse, mas você foi genial.
O sorriso quase invisível de Harry se fechou, e ele mordeu os lábios quando o choro voltou feroz. O polegar do moreno passeou por toda a pele sensível dela, o sangue já seco na mão do irmão já não a sujava mais. As bochechas avermelhadas em decorrência do sangramento que correu por grande parte do corpo de Clove, foram beijadas pelos lábios trêmulos de Harry. As lágrimas dele se misturaram com o seu sangue.
— Lembra quando você se machucava e ficava tão irritava que começava a atacar todo mundo com sua mente, mas eu te acalmava? — Entre o choro, Harry continuou a falar. Seus lábios ainda estavam pressionados contra a bochecha esquerda de Clove. — Eu era o único que conseguia te acalmar, maninha. — Harry deitou seu rosto no dela. — Você não vai se lembrar do que vou te contar agora, porque era bem pequena... mas me escuta com atenção. — Harry pediu, como se ela, de alguma forma, pudesse ouvi-lo e entendê-lo. Ele ergueu brevemente seu rosto de sobre o dela e fitou os olhos fechados da irmã, continuando a alisar a pele dela com o polegar. — Uma vez você se escondeu na nossa casa, e nem eu, nem nossos pais estávamos conseguindo te achar. Mas eu te encontrei dentro do armário da cozinha, e você estava chorando muito. — Harry relembrou dos detalhes, enquanto contava a história. — Eu te perguntei o que tinha acontecido, mas você não me disse... você só pulou nos meus braços e chorou alto. Você tinha três anos e eu tinha acabado de fazer seis, você era muito apegada em mim. Papai e mamãe vieram até nós, mas você não queria contar de jeito nenhum o que tinha acontecido. Então eu pedi pra ficar sozinho com você, e quando ficamos você me contou. Disse que estava sentindo sua cabeça doer muito, e era uma dor que não acabava... eu entendi, porque eu também sentia o mesmo. Éramos apenas duas crianças, e não sabíamos o que estava acontecendo com a gente, mas eu te entendia porque sentia o mesmo. Você não estava sozinha e eu prometi que sempre iríamos sentir o mesmo, passar pelas mesmas coisas, e que sempre estaríamos juntos.
Quando Harry terminou seus sussurros, não quis saber de controlar o choro agonizante. Envolveu os braços contra o corpo de Clove e a abraçou fortemente.
— Você tá sentindo a mesma dor que eu agora? — Ele perguntou entre os soluços do choro, agarrado ao corpo da irmã. — Você está sentindo, Clove? — O choro desesperado aumentou. — Temos que ficar juntos! — Harry chacoalhou o corpo da garota a quem ele estava abraçado. — Diz alguma coisa, por favor! CLOVE! — E ele conseguiu gritar em meio ao choro, e então, gritou o nome dela de novo, e de novo.
— Harry! — Gina, não aguentando mais aquele desespero incontrolável de Harry, correu até o garoto e caiu no chão atrás do corpo dele, logo agarrando-o pela cintura e chorando junto ao moreno.
— A MINHA IRMÃ NÃO MORREU! — Desesperado, ele continuava a gritar e percebia, de alguma forma, o acalento que Gina tentava transmitir para ele naquele abraço.
— POR FAVOR! POR FAVOR! — Os gritos de Harry proporcionavam à Gina a sensação de cortes nas partes mais sensíveis de seu corpo. Ela não conseguia explicar a dor que o desespero dele estava proporcionando-a, mas não aguentava mais vê-lo daquela forma. Apertando o corpo do garoto, Gina deitou sua cabeça sobre as costas dele e chorou por igual.
— Gina... — E foi então, que Harry conseguiu deixar o corpo de Clove repousar ao chão, e se virou abruptamente para agarrar Gina em um abraço desesperado. Chorando sem controle, o garoto buscou o máximo de contato que podia ter com ela, e Gina retribuiu imediatamente, apertando-o em seus braços no maior acalento que podia dar-lhe.
— Eu tô aqui, eu tô aqui. — Ela chorava junto a ele, e sentia seu coração doer com mais força vendo de tão perto o corpo de Clove, morto ao chão. Minutos se passaram e aquele abraço não chegou ao fim, mas Gina percebeu a aproximação de Cato; e então soube que agora era ele quem precisava de um momento final com Clove. — Harry... — Cautelosa, ela saiu do abraço e olhou o garoto nos olhos, as íris esverdeadas não eram reconhecidas, de tão vermelhos que os olhos do mutante estavam. Harry, percebendo Cato em pé ao lado deles, ergueu o olhar e encarou o rosto molhado do loiro.
Harry prendeu a respiração quando deu uma última olhada em Clove. Ela permanecia exatamente como estava quando foi deixada no chão: imóvel. Tocando a mão da irmã, Harry então percebeu que dali ela não se levantaria mais. Dali ela não esboçaria nenhuma reação sequer e, daquela maneira, ela dormiria para sempre.
— Eu te amo. — Harry sussurrou, bem próximo ao ouvido da irmã. Apertou a mão dela entre seus dedos e beijou os longos cabelos negros. — Nunca se esqueça disso, tá bom? — Ele pediu baixinho. Quando se afastou do rosto de Clove, tocou a mão dela com os lábios e depositou um último beijo ali. Sentiu Gina segurar sua mão esquerda que estava livre e, segundos depois, ela o ajudava a se levantar dali.
— Vem... — Pediu Gina, puxando-o pela mão e levando-o de volta para o grupo, deixando Cato sozinho com Clove para se despedir.
*Cato então, se agachou no chão, e sentou-se extremamente próximo do corpo da morena. Segurou cautelosamente os ombros dela, que estavam ensanguentados, e puxou-a até deita-la sobre seu colo. O rosto de Clove repousouse nas pernas de Cato, e ele deixou uma lágrima cair sobre o peito dela.
— Ei, morena... — O loiro tocou o queixo de Clove com os dedos, fitou-a por longos segundos a fio. — Acho que se estivesse acordada, provavelmente me bateria agora... — Ele sorriu, sem vida. — mas eu não me importaria. — Confessou, fungando em seguida. — Sabe, em meio a tantas coisas, nós dois nunca tivemos como conversar sobre o que sentimos um pelo outro, né? Bom, pelo menos eu sempre senti algo por você. — Cato continuou sua confissão, tocando o rosto dela com as pontas dos dedos. A verdade é que eu nunca tinha sentido isso antes... então eu não sabia como reagir... ainda não sei. — Entre o choro, ele mordeu os lábios. — Mas é tão forte, tão incontrolável, e eu simplesmente nunca quis controlar, eu só queria que você correspondesse. E quando nos beijamos, eu soube que você correspondia. Garota, eu poderia passar o resto dos meus dias em qualquer inferno como esse, se eu estivesse com você. — Baixando o tom de voz ao nível de sussurro, Cato se aproximou do rosto de Clove e analisou-a atentamente. — Você é tão bonita. — Ele estava sendo completamente sincero, e a dor por saber que ela nunca saberia daquelas confissões só o rasgava ainda mais por dentro. — É tão bonita, e é tão forte... por que você não reage?
Cato voltou a chorar. Ele não se lembrava de quando havia chorado pela última vez, mas sabia que seu estoque de lágrimas esgotaria pelos próximos vinte anos. As lágrimas esgotariam, mas a dor não. Cato não entendia por quê, mas não precisava entender pra ter a certeza de que nunca se esqueceria de Clove. Nunca se esqueceria dela, muito menos do sentimento que nutria por ela, tão forte... e muito menos da dor que a ausência dela lhe causaria até os seus últimos dias de vida. O sentimento por Clove foi tão de repente, mas o atingiu com tanta força, que ele não o deixaria com facilidade, nem se quisesse. E ele não queria. Tudo o que ele queria, segurando-a pelo rosto naquele momento, olhando-a tão de perto, era poder ouvir alguma batida no coração da garota, ou sentir a sua respiração quente de novo. Ele a queria viva.
— Por que está me deixando? — O loiro indagou, apalpando a pele das bochechas de Clove com as mãos, enquanto chorava próximo ao rosto dela. — Você é forte, você pode voltar. — Cato estava vivo em seu desespero interno. — Por favor, volta pra mim. — Implorando, Cato beijou os lábios de Clove, sentindo-os gélidos, endurecidos, inertes. — Não pode ser tarde demais, morena. Por favor!
As lágrimas de Cato entraram em contato com os lábios de Clove quando ele os beijou pela segunda vez. Céus, Cato precisava urgentemente dela, e não conseguia aceitar a sina de continuar naquele inferno de ilha sem aquela garota. Clove era quase como sua fortaleza, e ele só chegou àquela plena certeza quando sentiu o corpo morto dela em seus braços.
Clove não podia partir.
Cato a abraçou forte.
Chorou alto.
Implorou por um sinal, mas nada recebeu em troca.
Ele a apertou ainda mais forte em seus braços, e assim ficou, por longos e dolorosos minutos.
Talvez esse seria o destino final de cada um deles, e a morte de Clove fosse um alerta: se continuassem, as mortes chegariam em maior frequência, e a dor nunca chegaria ao fim. Mas Cato não podia desistir, sua mãe precisava sair daquela ilha e ir para um lugar seguro. Além disso, Draco era seu irmão, e Cato sequer imaginava perdê-lo, não suportaria. Cada um daqueles mutantes tinha uma razão para continuar naquela missão suicida, e caso se separassem, ou desistissem, não teriam a menor chance. Cato precisava continuar.
Clove não poderia ter morrido em vão.
Morte: uma palavra tão forte, mas com um significado tão simples.
O subconsciente de Cato não se entregava ao fato da partida sem retorno de Clove daquele lugar, e quando ele teve a certeza que sentiu um vento bater contra a curva de seu pescoço, enquanto ele ainda abraçava o corpo da garota, a ideia de que Clove era forte o suficiente para não o deixar lhe veio à tona.
— Ei, você fez alguma coisa? — Estupefato, Cato segurou-a pelos ombros e fixou seu olhar no rosto de Clove, ainda da mesma maneira como estava. — Foi sua respiração, não foi? — Cato vidrou-se em Clove. — Se quer me fazer alguma coisa, tem que ser agora, por favor. — Então Cato chacoalhou a garota pelos ombros, e no mesmo instante, uma tosse seca escapou pelos lábios de Clove, e os olhos verdes da morena se abriram abruptamente.
— Cat-to. — Ela tossiu freneticamente, mas reagiu ao abraço extremamente apertado que em que o garoto lhe envolveu. As mãos de Clove agarraram o pescoço de Cato e ela se sentiu em um aconchego sem fim naquele momento.
— CLOVE! — Cato estava completamente estupefato. — CLOVE, OH DEUS!
Os passos dos outros mutantes começaram a se embolar um no outro, no instante em que viram que Clove tinha reagido e estava nos braços de Cato, viva. A perplexidade e o choque que atingiu os amigos de Clove foi indescritível, enquanto Harry só corria de encontro a irmã, que foi levantada do chão com a ajuda de Cato e logo envolveu o irmão num desesperado e necessitado abraço.
— OH, MEU DEUS! — A emoção de Harry se misturou com suas palavras e suas lágrimas.
— Você está viva! — Rose teve a certeza de que nunca se surpreendeu tanto na vida, como naquele momento.
— Eu tive tanto medo. — Clove confessou, e aquela confissão trouxe a Harry um alívio jamais sentido antes por ele; ele soube que ela estava de volta, e sendo tão sincera ao ponto de confessar seus medos.
— Nunca mais me abandone desse jeito. — Ordenou Harry, apertando-a ainda mais no abraço. Clove balançou positivamente a cabeça, sentindo lágrimas involuntárias correrem por seu rosto. Quando se separou do abraço com Harry, a garota olhou o irmão nos olhos, e sentiu uma paz absurda adentrar seu peito. — Você tá viva, maninha! — Harry abriu um sorriso caloroso, tocando o rosto de Clove. Ela sorriu no mesmo instante.
E então, Clove procurou por Cato. Ele estava bem ali, de pé, ao lado deles, e ainda assim parecia tão longe. E Clove o necessitava perto, bem perto dela. Sem insultos por se pegar submissa à presença dele, ou explicações por ter de sentir o calor dele, Clove abraçou Cato na maior entrega que podia oferecer. As mãos do loiro a envolveram pela cintura, e o pescoço dela se escondeu na curva do pescoço dele; e agora eles estavam perto o suficiente. Perto o suficiente naquele momento, e assim estariam dali por diante, e por diante até o fim.
— Voltei pra você. — Ela sussurrou para Cato, e percebeu que ele abriu o melhor sorriso que podia.
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