Mutant World
54 A Liberdade (Parte II)
Notas iniciais
Seguindo as ordens de Bill e Fleur, os pilotos dos helicópteros levaram o grupo de mutantes com suas famílias para Manchester. Eles não demoraram quase nada para chegarem na cidade. Os pilotos deixaram os helicópteros na área restrita e reservada que a polícia da cidade tinha. Alguns carros aguardavam pela chegada dos resgatados da ilha, e haviam motoristas contratados por Bill para levarem os mutantes para a delegacia; afinal, os pilotos tinham que voltar nos helicópteros para a ilha, para resgatar o restante de pessoas de lá, e os policiais que lá ficaram para finalizar o caso.
Eram quase 3 da manhã e, para Bill, não existia horário melhor para terminarem de resolver o caso. Os policiais do bem queria ter a certeza de que, pela manhã, aqueles mutantes que estavam há tanto tempo longe de suas casas, vivendo em condições precárias e desumanas, estariam em casa. Pela manhã, todos estariam em casa, e estariam bem.
— Eles chegaram! — Hermione, que olhava fixamente pela janela da sala do policial Bill, sentiu seu coração disparar quando quatro carros estacionaram frente a porta da delegacia, um atrás do outro. Hermione não tinha dúvidas de que eram seus amigos.
— Vamos até lá. — Bill mal terminou de falar e a mutante passou por ele às pressas, e os dois logo saíram da sala.
Quando chegaram à recepção da delegacia, Hermione correu para abrir a porta, mas fizeram isso antes dela. Um homem vestido de terno preto adentrou a delegacia, e recebeu um sorriso satisfatório do policial Bill no mesmo momento.
— Eles estão aqui. — Avisou o motorista. — Já vamos voltar para o aeroporto particular para esperarmos os outros.
— Bom trabalho, Gabriel. — Bill parabenizou-o. Claro que os motoristas contratados pelos policiais eram simples trabalhadores da sociedade de Manchester, e se assustaram com a ideia de trazer dezenas de mutantes para a delegacia. Mas Bill tranquilizou-os de que tudo daria certo, e o cachê seria bom. Aceitaram.
— Nos vemos mais tarde. — Gabriel se despediu do policial e da garota ao lado dele, que olhava ansiosa para a porta, esperando seus amigos.
O motorista se afastou da porta e liberou espaço para que os resgatados da ilha entrassem. Todos começaram a entrar, e foram recebidos por Hermione com um abraço apertado. Ela abraçou um por um, calorosamente, e seu peito se aliviava cada vez que ela via um rosto conhecido, e percebia que eles estavam bem. A garota ficou abraçada com sua mãe por um longo tempo, e fez o mesmo com sua irmã, que, para Hermione, tinha crescido muito e só agora ela havia percebido.
Mas estava faltando alguém, e quando todos entraram e Cato levou a mão na porta para fechá-la, Hermione fechou seu sorriso e olhou atordoada para os amigos.
— Cadê ele? — Ela arregalou os olhos e suas pernas estremeceram. Os amigos se entreolharam, com um ar entristecido, o que fez Hermione começar a se desesperar. — Cadê o Rony? — Ela praticamente gritou. — Mãe, cadê ele? Molly? Ele tá vivo, não tá? — A morena enfiou a mão entre os cabelos e seus olhos ficaram molhados. — CADÊ ELE?
— Hermione, o Rony... — Gina começou a falar, mas não conteve um sorriso involuntário. Hermione arqueou as sobrancelhas e então a porta da delegacia se abriu.
Rony apareceu com um sorriso.
Os amigos começaram a rir e Hermione quis socar um por um. Mas tudo o que ela fez foi pular no colo do ruivo, em prou da sua extrema necessidade de abraçá-lo e sentir o corpo dele no seu. As mãos de Rony agarram o corpo da morena fortemente, e o sorriso no rosto de ambos foi contagiante entre os presentes na delegacia.
— Você quase me matou de susto! — Ela praguejou, ainda no colo dele, com as pernas enlaçadas pela cintura do garoto. Rony a olhou nos olhos com um sorriso sacana no rosto. Os olhos azuis dele admiraram a beleza do rosto dela. Ela era extremamente linda. Rony não conseguia descrever o que sentia quando estava com Hermione. Inclusive, naquele momento, Rony estava sentindo uma das maiores emoções de sua vida. Indescritível.
— Teve medo de me perder? — Ele brincou. Hermione sorriu de canto e alisou o rosto do ruivo.
— Muito. — Ela confessou, e deu um selinho em Rony. — Nunca mais faça isso.
— Não se preocupe. Eu não vou mais sair da sua vida. — Rony garantiu e eles sorriram intensamente.
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Já estava amanhecendo.
Bill explicou aos mutantes como as coisas procederiam dali pra frente. Todos os pais, que, perante a sociedade, tinham culpa da existência de criaturas geneticamente modificadas, seriam inocentados e não seriam perseguidos pela polícia. Os mutantes também não.
Como aqueles mutantes presentes na delegacia não haviam sido criados no laboratório e não apresentavam perigo para a população de Manchester, eles poderiam voltar às suas rotinas e viveriam normalmente. Assim que Fleur voltasse com a captura dos mutantes perigosos da ilha, toda a cidade seria avisada de tal acontecido. Seria decretado que a polícia não aceitaria nenhum tipo de violência contra os mutantes, exatamente porque os que ofereciam perigo às pessoas ficariam presos em clínicas e seriam tratados. Se o tratamento não desse certo, a delegacia criaria uma ala exclusiva nas carceragem para a vigia desses mutantes perigosos.
Os policiais que haviam cometido injustiças contra os mutantes inocentes e suas famílias responderiam processo e provavelmente seriam presos.
Bill liberou a ida dos mutantes para suas casas, já que o policial sabia que esses não mereciam passar mais uma noite perambulando, com fome, sede e cansaço. Eles estavam livres e poderiam agora ter paz.
— Vocês podem ir. — Bill avisou. — Estão totalmente livres. Vou ligar para um dos motoristas para voltar pra delegacia e levar vocês em casa. Não se importam se tiverem que esperar um pouco, não é?
— Claro que não. Só de poder ir pra casa, nossa... — Hermione agradeceu internamente. Ela realmente precisava descansar e acordar no dia seguinte pronta pra viver em paz, viver coisas boas. Ela queria uma vida normal, e ela teria.
— Eu não sei mais o que é uma cama. — Scorpius lamentou e Rose riu do garoto, enquanto Bill pegava um celular em seu bolso e discava alguns números.
— Enquanto vocês esperam, vou trazer água, café e alguns biscoitos. — Bill afastou rapidamente o celular do ouvido para falar. — Acho que temos uns pãezinhos de queijo também. Estão meio murchos porque foram comprados ontem, mas não devem estar tão ruins. Além disso, vocês devem estar precisando muito se hidratar e se alimentar. — O policial constatou, e todos concordaram de imediato. Bill sorriu, voltou à ligação e deu as costas para providenciar o mínimo de reforço alimentício e a água, que era ainda mais essencial.
..........
— Como vai ser daqui pra frente, hein? — Rony conversava sozinho com Hermione, os dois sentados distante do resto dos amigos.
— Você pode ir na minha casa. — Hermione sorriu, alisando a mão do garoto. — Sabe onde é. Seus poderes de teletransporte já voltou a funcionar?
— Já. Lá no laboratório eu consegui. — O ruivo falou, orgulhoso. A morena sorriu ainda mais.
— Então, você pode ir lá. Minha mãe não vai se incomodar. Além disso, nós vamos sair. Não só eu e você, mas o nosso grupo. Vamos ter uma vida normal. — Ela estava realmente feliz em poder dizer aquela palavra.
— É, vamos sim. — Rony sorriu e depositou um selinho demorado nos lábios de Hermione.
..........
— Ei, por que está assim? — Draco já percebia há alguns minutos que Luna estava cabisbaixa e e pensativa.
— Não é nada. — Ela balançou a cabeça e respirou fundo.
— Você sabe que pode me falar. — O loiro entrou na frente da garota. Luna voltou a baixar a cabeça. — O que foi, loirinha? — Ele suspirou e tocou o rosto dela com as mãos.
— É que.. — Luna engoliu em seco e continuou de cabeça baixa. — não tenho pra onde ir. Na verdade tenho, mas não quero ficar sozinha. Ainda tenho medo.
— Não precisa mais ter medo. Não vamos precisar ter mais medo. — Draco ergueu o rosto dela gentilmente. — Acabou. Vamos viver em paz agora. Mas é claro que você não vai ficar sozinha.
— Como não? Eu não tenho mãe e mataram o meu pai. — Luna lamentou, com os olhos lacrimejados. Draco respirou fundo e alisou a bochecha dela, olhando a loira nos olhos.
— Eu sinto muito por isso. — Confessou ele. — Mas eu nunca te deixaria sozinha. Você vai morar comigo.
— Com você? — Luna ficou um tanto surpresa.
— Comigo. — Draco sorriu para ela. — Eu nunca te deixaria sozinha em lugar nenhum, e do meu lado você vai ficar mais protegida. Além do mais, vai ter o Cato lá em casa, minha mãe... aposto que a Clove vai estar sempre lá. Vamos ficar todos juntos agora.
— Mas sua mãe, ela pode não gostar.. — Luna tentou desviar o olhar, vendo impaces naquela ideia, mas Draco impediu-a de deixar de olhá-lo. Ele continuou vidrando-a intensamente.
— Ela vai adorar. — O loiro garantiu. — Você é incrível, minha loira. Qualquer pessoa adoraria conviver com você... mas o sortudo sou eu. — Gabando-se, Draco fez Luna sorrir. Talvez ele estivesse certo. Talvez eles pudessem viver juntos. Talvez ela pudesse estar segura ao lado dele, todos os dias. Era incrível demais de imaginar.
— Tem certeza? — Um pouco receosa, mas já gostando da ideia, Luna indagou. Draco não respondeu. Ele nem precisava responder com palavras. Ele precisava beijá-la e provar para ela que era o que ele queria, e era como tinha que ser.
.........
— Ela vai ficar presa, não vai? — Severo se dirigiu a Bill — que já havia terminado a ligação, chamando o motorista para levar os mutantes em suas casas. — O policial trazia uma bandeja em suas mãos com biscoitos e pães de queijo, além de equilibrar uma jarra de água no centro da bandeja. Bellatrix tinha realmente sido afetada pelo líquido contido na seringa, e parecia ter efeitos muito fortes, até porque ela era uma humana e o metabolismo dela era inferior. A médica estava realmente em condições deploráveis; mas ainda conseguia xingar por terem destruído sua carreira de pesquisas genéticas.
— Vai sim. Ela vai ser essencial para o encerramento do caso, afinal ela é a criminosa. Vamos esperar ela melhorar, né? — Bill desdenhou um pouco do destino da mulher. Mas ela merecia.
— Certo. — Snape deu as costas para o policial, mas Clove entrou subitamente em sua frente.
— Onde você vai? — A mutante cruzou os braços, estranhando.
— Vocês já tiveram sua justiça, e eu já tive a minha. Estou dando o fora. — Explicou Snape, calmamente, com sua voz arrastada e seu semblante carrancudo de sempre.
— Dando o fora? Vai sair da cidade? — Clove arqueou as sobrancelhas.
— Ainda não sei. Mas pretendo recomeçar a vida longe daqui. Minha única família era essa louca. Preciso recomeçar agora, igual a todos vocês. — Snape foi sábio e Clove assentiu.
— É, faz sentido. — Ela torceu os lábios, descruzou os braços e respirou fundo. Então esticou sua mãe para Snape e o homem franziu a testa. — Boa sorte ai na sua nova vida. Você é meio carrasco, mas ajudou a gente. É um cara bacana.
— E você é bem maluca, garota. — Snape apertou a mão de Clove e a morena riu.
— Sempre me dizem isso. — Ela se despediu com a surpresa de um sorriso surgindo no rosto de Snape. Quando o homem passou por ela e lhe deu as costas, Clove teve a certeza de que nunca o veria novamente.
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¹— Ei, mãe... — Rony, que tinha deixado Hermione conversar um pouco com Katy e Gabriela, agora se aproximava de Molly, que estava escorada sobre o balcão de recepção da delegacia, onde as pessoas geralmente faziam suas queixas de atos ilegais, e eram orientadas sobre o que fazer e como proceder em relação às queixas. A matriarca Malfoy segurava uma xícara com café com a mão direita e mastigava um pedaço de pão de queijo. Ao lado de Molly estava Narcisa Malfoy, que bebia um gole de café.
— Filho. — Molly sorriu e engoliu o que mastigava.
— Eu tenho uma coisa pra te dar. — O ruivo segurava apenas uma alça de sua mochila, que estava pendurada quase arrastando no chão. Molly franziu a testa e deixou a xícara de café sobre o balcão.
— Eu vou deixar vocês sozinhos. — Narcisa avisou, distribuindo um sorriso aos dois. Rony assentiu e sorriu de volta, enquanto Molly voltava a olhar o ruivo, estranhando um pouco.
— O que você tem pra me dar, Rony? — A mulher observou Rony abrir o zíper da mochila e enfiar o braço lá dentro, procurando por algo.
— Algo importante pra você. — O ruivo garantiu. Ele mexeu mais um pouco dentro da mochila, recebendo um olhar ansioso da mãe. Rony então retirou de dentro da bolsa uma pulseira dourada arrebentada, mas em condições de concerto, já que a jóia era em ouro. Molly ficou totalmente surpresa.
— A minha pulseira. — Comentou emocionada a matriarca, recebendo seu objeto de volta, depois de tanto tempo. — A pulseira que sua avó me deu quando eu fiz 15 anos. Sempre serviu em mim. — Molly analisou a pulseira arrebentada. Rony assentiu e encolheu os ombros. — Achei que eu nunca mais veria ela. Eu a perdi quando os policiais invadiram..
— A nossa casa, eu sei. — O ruivo completou a frase, respirando fundo. — Eu estive lá com a Hermione e com a Gina, pouco tempo depois. Tava tudo revirado, mas eu encontrei a pulseira na cozinha. Tá arrebentada mas dá pra mandar soldar.
— Obrigada, filho. — Molly sorriu extremamente agradecida. — Você sabe que essa é umas das poucas lembranças que eu tenho da sua avó. Ela morreu antes de você nascer, e na época não tínhas muitas fotos.
— Eu sei... — Rony sorriu sem mostrar os dentes. — Eu sei que a pulseira é importante.
— É sim. — A mãe do ruivo sorria para ele. — Obrigada mesmo.
— Senti sua falta, mãe. — Rony abraçou Molly e ela apertou o filho em seus braços.
— Eu também senti a sua, Rony. — Confessou a mulher, com lágrimas nos olhos. — Senti muito a sua falta, meu filho. Nunca mais vou deixar você. Eu prometo.
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Como planejado pelos policiais Bill e Fleur, o dia amanheceu e tudo aconteceu de forma correta na delegacia. Não foram muitos os mutantes que sobreviveram na ilha com a explosão do laboratório, mas, os que sobreviveram, foram alvos de dardos tranquilizados e foram trazidos sem complicações para Manchester. Muitos policiais sobreviveram, como Fleur tinha previsto. Eles eram espertos e logo conseguiram sair do laboratório quando os explosivos começaram a detonar; mas claro, alguns foram infelizes e tiveram o azar de cruzar o caminho de algum mutante selvagem. Não sobreviveram.
Fredo sobreviveu e Fleur teve o prazer de vê-lo atrás das grades. Era óbvio que todos os policiais que tinham sobrevivido estavam revoltados, tanto por serem presos, quanto por evidentemente perderem o cargo de policial na delegacia. Tudo tinha dado errado para Bellatrix, seus melhores comparsas: Lewis e Andrew, e os restantes dos policiais fiéis a eles. Na verdade, todos eles tinham se ferrado — essas foram as palavras de Fleur -.
Os efeitos do líquido da seringa aplicado por Gina em Bellatrix estavam passado. Ela ficou horas e horas com um certo retardo, mas, segundo ela, a seringa era somente prejudicial aos mutantes. Por azar dela, seu plano tinha sido invertido e ela fora quem acabou vitimizada. "Merda de vida."
A médica agora estava presa na delegacia de Manchester (que voltou a ter o seu nome comum), sobre constante vigia dos policiais que eram aliados à Fleur e Bill, aliados do bem.
As coisas na cidade foram tomando controle. Tudo o que aconteceu foi explicado para a população, que aparentou ficar mais calma com o passar dos dias. Bellatrix foi obrigada a confessar tudo; afinal, o que ela tinha a perder? Perdeu seu aliado, Lewis, que inclusive foi seu amante durante anos; o soro da juventude que a mente brilhante da médica havia criado estava para deixar o corpo dela, e as rugas em seu rosto já começavam a aparecer; ela já não tinha e nunca mais teria o apoio de Severo Snape, seu sobrinho e sua única família. Bellatrix simplesmente perdera tudo, em consequência de seus próprios atos.
A clínica Delart continuava funcionando, mas agora com supervisão da polícia, semanalmente, e com novos funcionários administrando o lugar. O que quer que fosse de suspeito que acontecesse lá dentro, chegaria à delegacia. Mas estava tudo tranquilo pela clínica, apesar de que poucas mulheres agora se tratavam lá. Claro que o medo de serem cobaias ainda existia, mesmo com a prisão de Bellatrix Lestrange.
A bomba da gravidez das mães que ficaram presas no laboratório, sendo usadas por Bellatrix, não surgiu exatamente como uma bomba. Ainda na ilha, Narcisa tinha perdido o bebê e não teve tempo de explicar o que estava acontecendo, mas os mutantes acabaram associando um detalhe ao outro. Suas mães não tinham mais do que 45 anos, então ainda podiam ter filhos, mesmo que de modo arriscado. Porém, Bellatrix não se importava com o risco e precisava continuar suas experiências.
Claro que era assustador o fato de que existiam essas mães estavam gerando novos mutantes em seus ventres, mas aborto não era nem uma questão. Além disso, Rose conseguiu usar seus poderes de clarividência e acabou descobrindo que nenhuma das mães teriam filhos quiméricos; ou seja, com genes animais. Todos teriam apenas alterações na glândula pineal, assim como a própria Rose, Luna, Scorpius... Um alívio para todos!
E no fim das contas, quem mais agonizava com toda a reviravolta da vida era Bellatrix Lestrange. O feitiço definitivamente tinha se voltado contra a feiticeira. Ela ficaria enjaulado por muito, muito tempo.
— Bellatrix. — Bill bateu na grade da cela onde dormia apenas Bellatrix — ela era considerada perigosa demais para dividir a cela com outros detentos -. A mulher levantou da cama desconfortável, seus cabelos negros estavam totalmente desgrenhados (ainda mais do que como de costume) e por baixo dos olhos dela existiam grandes olheiras. — Visita pra você.
— Visita? — Bellatrix, com a voz falha, se espantou. Já havia meses que ela estava presa ali, e ninguém nunca foi visitá-la. Até porque, todos a odiavam. Ela chegava a odiar a si mesma.
— Sim. Disse que era uma amiga sua. — Bill deu de ombros, questionando internamente se aquela mulher ainda tinha amigos. O policial abriu a cela de Bellatrix e a guiou até a sala de visitas. Só existia uma pessoa lá dentro.
Uma mulher, recostada sobre a mesa, de costas para a porta. Bellatrix entrou e Bill trancou a porta. Pela janelinha, o policial avisou: "Vocês tem 10 minutos."
Bellatrix tentou reconhecer aquela mulher, mesmo de costas, até porque, a ex-médica era bom em guardar lembranças. Mas foi em vão; Lestrange não soube quem era. A visita era uma mulher alta, de pele bem clara, e cabelo loiro. O cabelo era cortado em formato chanel, e pouquíssimo abaixo dos fios, na nuca, existia uma marca quase cicatrizada; mas aparentando ser impossível de cicatrizar. Impossível porque Bellatrix sabia que aquele tipo de marca não cicatrizava. Não sem uma mutante da cura para curá-lo. Na testa de Serena também existia uma marca estranha, um círculo arroxeado, que era disfarçado pela franja da mulher.
— Lembra de mim? — A mulher se virou para Bellatrix e viu o espanto nos olhos da ex-médica. Era Serena Brandon, a vampira espiã de Bellatrix na clínica Delart. A vampira que Bellatrix usava para saber tudo sobre os pacientes e mutantes da cidade, enquanto trabalha no laboratório da ilha. A vampira a quem Bellatrix prometeu uma boa vida, mas que tinha se ferrado tanto quando Lestrange.
— Serena. — Bellatrix estava pasma. Os olhos de Serena tinham a costumeira cor de sangue, aquele vermelho vivo cheio de ódio. E Serena parecia totalmente cheia de ódio. — Eu achei que você estivesse morta.
— É, eu quase morri mesmo. — Serena foi sarcástica e fria. — Esperei por um sinal seu, mas parece que você trocou meus serviços por aqueles policiais ridículos, não é?
— Não foi assim. Tudo saiu do controle. Eu iria te encontrar, no final das contas.. — Bellatrix viu Serena rir em deboche.
— Mas no final das contas você acabou no xadrez, não é? E eu agora tenho que viver clandestinamente. — A vampira mostrou as presas em sua boca. Bellatrix se assustou e recuou alguns passos. — Você mentiu pra mim!
— Eu não menti! — Bellatrix tentou ser séria, mas estava assustada. Serena parecia outra pessoas; uma vampira recém-criada.
— Mentiu sim! — Serena ergueu o tom de voz, esbravecida. — Você prometeu tudo pra mim! Pra mim e pra todos os mutantes do laboratório! Disse que se a gente nos unisse a você, teríamos uma vida boa. Teríamos controle do mundo! Mas eu acabei como? Sozinha. E ainda tenho que carregar essa maldita marca de tiro na testa, que me lembra todos os dias da merda que você fez a minha vida se transformar. Foi um dos seus mutantezinhos, sabia? — Serena afastou a franja de sua testa e mostrou a marca para Bellatrix. A vampira se lembrava bem do confronto que teve contra Rony Weasley, quando invadiu a casa da mutante Hermione Granger, há longos meses atrás.
— Deu tudo errado. A gente ia sim ter o controle do mundo, e os meus mutantes perfeitos teriam uma boa vida, uma vida superior! As coisas é que deram errado... os mutantes aqui de Manchester, que eu modifiquei geneticamente com todo o cuidado e perfeição, me traíram! Rony Weasley está incluído, e você já sabe disso. Eles deviam ser como você e os mutantes da ilha. Vocês tinham que ser a espécia superior! — Bellatrix viu Serena se enfurecer ainda mais.
— Mentira! — Você só queria nos usar como cobaias, queria que a gente fosse a raça superior apenas pra você ficar no pedestal. É, no pedestal. — Serena rangiu as presas. — Você queria ser a superior, você sempre quis. Usou seu amante pra ter controle na delegacia, pra não ser presa. Usou os mutantes do laboratório que foram criados em condições desumanas lá dentro. Me usou dizendo que eu teria uma vida boa. Como você queria que eu tivesse uma vida boa sendo vampira? — A mutante socou a mesa e Bellatrix estremeceu seu corpo. — Eu não posso chegar perto das pessoas que tenho vontade de atacá-las. Eu tinha uma vida boa antes de você usar aquele maldito Krum pra me transformar. Eu era uma boa médica, sua vaca!
— Você está sendo irracional. Está me culpando por algo que eu não tenho culpa. Eu não tenho culpa se meus planos saíram do controle e...- Bellatrix tentou falar mas Serena a interrompeu.
— Não tem culpa? — Ela foi ainda mais sarcástica. — Você me transformou nisso. Você destruiu inúmeras vidas, sua desgraçada. Você destruiu a minha vida! Eu matei a minha mãe, Minerva, por causa dessa sua maldita vontade de ser superior e de criar pessoas superiores. Você tem noção disso? Eu tive que matar a minha mãe porque você disse que ela não era confiável, e estava contra mim. Você me manipulou para matá-la, sumiu com o corpo dela e me fez dizer para as pessoas da clínica que ela tinha sumido. Você é um monstro. Você não é Deus, Bellatrix. — A vampira praguejou, furiosa. Bellatrix se irritou com a comparação.
²— Eu sou melhor que ele. — A ex-médica fez Serena rir maldosamente.
— Você é uma doente. Mas fica tranquila... — A vampira sorriu calorosamente e mostrou suas presas vampíricas afiadas para Lestrange, aterrorizando-a. — você vai poder discutir isso com Deus, lá em cima. — Bellatrix arregalou os olhos e Serena subitamente se aproximou da mulher. A vampira agarrou a ex-médica pelo pescoço e a prendeu contra a parede. — Ah, que pensa, me esqueci que você vai pro inferno.
— SOCORRO! — Bellatrix gritou para que os policiais a ouvissem, mas eles não foram rápidos o suficiente para evitar o ataque contra a mulher.
Serena usou suas presas para sugar todo o sangue de Bellatrix. Ela não queria transformar Bellatrix em algo igual a ela; ela queria ver Bellatrix se afogar em seu próprio sangue. Quando Serena bebeu sangue o suficiente e teve noção de que só restara pouco dentro das veias da ex-médica, a vampírica sugou com mais força e encheu sua boca dos restos sanguíneos de Bellatrix. Satisfeita de sua vingança, Serena largou o corpo de Bellatrix e a mulher caiu no chão, morta; então, Serena cuspiu o sangue de sua boca sobre o corpo da mulher, e foi nesse momento que os policiais invadiram a sala de visitas e encontraram Bellatrix morta.
Serena Brandon atacou os policiais apenas com golpes para conseguir fugir da delegacia.
Ela não matou mais ninguém, e nem nunca mais foi vista.
Porém, semanas depois disso, correram boatos pela cidade de que uma senhora de 60 anos encontrou uma mulher loira que possuía presas grandes na boca com a cabeça decapitada. O facão usado na decapitação estava caído sobre o corpo da própria vítima.
Esses foram os relatos dos jornais e noticiários.
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