Must be love
1 The neighbor
Notas iniciais
Capital Cities — Safe and sound
Capítulo 1 — The neighbor
– Ah, Beatrice! Faça-me o favor! Você. Não. Pode. Ir. Com. Essas. Roupas. Para. O. Primeiro. Dia. De. Aula.
Ainda não era nem hora do almoço e Christina já estava me empanturrando de sermões de “como minhas roupas são feias, cafonas, largas demais, e que eu deveria mostrar mais o meu corpo blá blá blá”. Na verdade, o mínimo que eu deveria fazer era me acostumar com isso já que Christina me diz isso todos os dias desde... Desde que Christina existe? Sim! Desde que Christina Johnson se conhece por gente! Mas não. Eu ainda fechava a cara e fingia não escutar o que ela dizia, porque cá entre nós, isso irrita qualquer pessoa.
– Christina, pela milésima vez! Eu não preciso de roupas novas, de sapatos novos, de um cabelo mais legal e nem de usar maquiagem. Por favor, eu sempre fui assim e não é por que estamos no segundo ano do colegial que eu vou mudar tudo isso! Sério cara, isso já tá enchendo. – E esse era o meu discurso que fazia Christina calar a boca e aceitar que eu nunca, nunquinha iria usar um salto alto, batom vermelho ou mini saia. Porém dessa vez o discurso salva-beatrice pareceu falhar.
– Você não entende mesmo, né? Caramba, Tris! Se você continuar desse jeito o seu ensino médio vai ser resumido á matemática avançada e ensaio da banda-nerd-super-chata – ela bufou e se sentou ao meu lado na cama passando seus braços por cima do meu ombro – Eu só estou tentando fazer o seu bem, Tris. Para você ter um colegial memorável e não um que quando seus netinhos perguntarem “vovó, como foi o seu colegial?” você contar uma historinha pra criança nanar.
De certo modo ela estava certa, eu passava dois horários por dia na aula de matemática avançada e a tarde inteira enfiada em uma sala com nerds tocando violino. É, esse nunca foi o meu colegial dos sonhos.
Mas mesmo assim eu não conseguia esconder o meu orgulho e dizer que ela estava certa e iríamos ao shopping depois do almoço.
Assim que eu abri a boca para responder minha mãe grita que o almoço está pronto e Christina dá um sorriso já que eu não respondi nada – para ela isso significa que eu aceito todos os termos e que irei me tornar uma patricinha fresca.
– Depois do almoço nós vamos ao shopping, e você vai refazer todo o seu guarda roupa! – ela se levantou animada e me arrastou para a cozinha.
***
– Último ano no colegial, ein, Caleb? – meu pai cutucou Caleb orgulhoso enquanto se servia de molho de peixe – Depois, Universidade de Stanford!
Caleb é o meu irmão mais velho – apenas um ano de diferença -, ele está no seu último ano do colegial, mas desde o segundo ano ele está tentando uma vaga na Universidade de Stanford, e como ele é super-hiper-mega inteligente, conseguiu facilmente uma bolsa de 50% já que meus pais não tinham como pagar toda a mensalidade.
– É, eu estou bastante ansioso pra falar a verdade. – Caleb falou sorrindo. Estudar em Stanford sempre foi o sonho de Caleb.
– Mãe, eu e Christina vamos ao shopping depois do almoço – eu disse mudando de assunto, eles falavam tanto de Caleb e Stanford que aquilo já se tornou o assunto oficial do café da manhã, almoço e jantar – Tudo bem?
Minha mãe adorava que eu saia, para ela era um prazer me ver saindo da frente dos meus livros e tendo uma vida social como todos os jovens normais da minha idade costumam fazer, porém, meu pai era totalmente contra á idéia de eu “gastar” meu tempo saindo enquanto eu poderia estar fazendo outras coisas, como por exemplo, estudando.
– Por que você vai ao shopping? – meu pai perguntou ríspido antes da minha mãe abrir a boca para responder – Segunda começa as aulas e você deve estar pronta, Tris, você já deve estar sabendo pelo menos as duas primeiras matérias de matemática e você já leu aqueles livros para a aula de inglês que eu te dei? O seu professor...
– Professora. – corrigi-o.
– Certo, a sua professora vai pedir esses livros, com certeza, com certeza Tris! – meu pai explicou como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo, e para ele realmente era.
– Andrew, ela só vai sair com a Christina, não é nada de mais, e eu aposto que pelo menos Moby Dick ela já leu, não é mesmo, Tris?
– Sim, é, eu já li três vezes. – o que era mentira, porque eu não havia lido aquele livro desde quando meu pai me deu no natal passado, muito menos três vezes!
– Que ótimo! Então você gostaria de conversar á respeito? – meu pai perguntou animado, aquele era o livro favorito dele, ele citava, tipo, umas 10 frases dele por dia, quando nos deixava no colégio, no café da manhã, almoço, jantar, na hora de dormir e em outras horas aleatórias. Era realmente chato! Mas eis o problema: eu nunca havia lido aquele livro e meu pai queria conversar sobre ele, agora.
– Na verdade Sr. Prior, vocês poderiam conversar sobre isso mais tarde? Agora a gente tem que ir ao shopping, é a primeira vez que eu consigo levar Tris á um shopping e eu não posso perder essa chance! – Christina disse rapidamente se levantando da cadeira e me puxando junto com ela. Agradeci mentalmente por Christina ser tão cara de pau, mesmo que meu prato ainda houvesse metade de comida.
– Ta bem, mas volte cedo, hoje o filho de Marcus Eaton mudou para a casa do pai e iremos fazer um jantar em comemoração. – minha mãe disse enquanto eu pegava meu casaco – Christina, você irá jantar aqui, querida?
– Não. Já prometi ao meu irmão, Uriah, que farei uma maratona de filmes com ele. – Tina disse abotoando sua jaqueta – Mas obrigada mesmo assim, Natalie.
Christina sempre fora, digamos, amiga da minha mãe. Minha mãe sabe segredos de Christina que nem mesma EU sei.
– Vamos?
– Vamos. – eu respondi – To indo, tchau! – gritei aos meus pais e á Caleb enquanto fechava a porta.
– Você sabe alguma coisa sobre o filho desse tal de Marcus Eaton? – Christina perguntou assim que bati a porta.
Havia um fusion prata parado em frente á sua casa, com algumas caixas ao lado do carro e o porta-malas estava escancarado me permitindo ver outras caixas e um violão. Até o momento eu pensava que esse tal de ‘Thomas’ – ou seja lá qual for o nome desse filho de Marcus – era um garoto de no máximo 10 anos, do tipo que ficava brincando a tarde inteira de bicicleta na rua, mas pelo visto um garoto de 10 anos não dirigiria um fusion prata, e não era um carro de Marcus, porque eu conhecia muito bem o seu carro, e ele não tinha nada a ver com um fusion.
– Eu sei tanto quanto você. – eu disse continuando a encarar o carro prata.
– Bem, parece que ele tem a nossa idade, ou mais. – eu não olhava para Christina, mas dava para perceber que ela estava sorrindo, sorrindo de um jeito nada inocente.
– Christina, você tem namorado! – eu disse repreendendo-a, mas eu estava rindo.
– O que Will não vê, Will não sente. – ela disse mordendo o lábio inferior me puxando para andar.
***
O shopping principal de Chicago ficava á uns trinta minutos de caminhada, mas Christina insistiu em ligarmos para Will ir nos encontrar na entrada do meu condomínio de carro.
Dez minutos depois Will chegou na sua chevrolet tahoe preta – que foi comprado com o dinheiro que Will iria usar na faculdade, mas já que ele é modelo e tem um futuro promissor pela frente ele pensou “foda-se a faculdade, eu tenho 16 anos e sou modelo, eu preciso é de um carro!”. Ele desceu do carro e parou na nossa frente colocando seus óculos escuros e cruzando os braços na frente do peito.
– E ai, gatinhas? Por acaso as donzelas tem namorados? – ele riu.
–Tenho, mas infelizmente ele é mais feio que um filhote do Shrek e de um zumbi de the walking dead juntos. – Christina revira os olhos e abraça Will. Ele dá língua pra ela e me pergunta:
– E você, lindinha? Ta livre?
– Para de ser idiota, Will. – eu disse dando um murro de leve em seu braço e entrando no carro.
– Ai! Ta mais fortinha, hein? Andou comendo mais? – ele perguntou batendo a porta.
– Não, ela está escrevendo resumos de seus livros entediantes e fazendo cálculos de matemática. As férias todas. – Christina sussurrou a última parte como se fosse algo tenebroso e macabro, algo que para mim era normal, como jovens passarem 90% da sua vida bebendo e fazendo sexo.
– Tris, você me assusta! – ele disse rindo e dando partida no carro.
Dez minutos depois chegamos ao shopping mais movimentado de Chicago, ainda não entendi porque não podíamos ir ao menos movimentado e mais barato, mas Tina sempre dizia as mesmas falas “Se um lugar está movimentado, significa que tem coisas boas, e coisas baratas são, urgh!, sério Tris, você não tem nenhum senso de moda?”. Então eu e Christina saímos do carro e Will disse que iria à casa do Albert – duas quadras do shopping – e que ligássemos quando terminássemos.
***
– O.k Tris, primeiro temos que comprar jeans, jeans são algo essencial na vida de uma garota. – Christina disse olhando uma calça jeans preta com alguns rasgados na perna. Meu pai nunca deixaria eu vestir algo assim.
– Mas eu estou de jeans, eu tenho bastantes jeans Tina. — eu disse na defensiva.
Ela gargalhou alto e depois disse:
– Tris, isso está mais para uma calça de ginástica do que para um jeans. Sério Tris, tenta colaborar.
Eu não achava que a minha calça parecia uma calça de ginástica, tudo bem que ela era bastante surrada e não era completamente colada ao corpo, mas também não era certo dizer que ela parecia uma calça de ginástica!
– Eu to tentando, mas seria ótimo se você parasse de falar mal das minhas roupas. Eu agradeceria. – Eu disse talvez ríspida demais, e sai da loja com direção ao Mcdonalds, graças á Deus ela não veio atrás de mim, eu estava se saco cheio dela ficar me atormentando por causa das minhas roupas e do meu estilo de vida “ah, Tris, você quieta demais” “Tris, que roupa é essa?” “você deveria parar de estudar tanto e se divertir um pouco!”
Pedi batatas fritas, um milk shake e me sentei um uma mesa vazia – o que era um milagre já que era horário de almoço e a praça de alimentação costumava ficar apinhada de gente. Eu não estava com raiva de Christina, só estava de saco cheio de tanto mimimi. Eu provavelmente só a veria na segunda, na volta ás aulas, mas tudo bem, quando nós temos um mal entendido ou coisa parecida, a gente nunca chega uma na outra e pede desculpas, as coisas simplesmente se acertam, em um dia a gente está brigada e no outro estamos saindo juntas. Então decidi não me preocupar com isso.
Eu já estava ali á dez minutos, então deduzi que Christina não iria me encontrar e que iria ligar para Will a buscar. Então eu decidi de última hora ir á livraria, mesmo sendo o último lugar que Christina iria querer que eu fosse. Mas ela não estava ali.
Comprei o último CD dos Beatles que faltava na minha coleção – eu não era fã dos caras, mas sempre gostei das músicas deles – e um exemplar de Dom Quixote e fui para o ponto de ônibus, já era quase cinco horas e minha mãe provavelmente já estaria começando á separar os legumes, colocar a lasanha no fogo e coisas do tipo, e quando ela dizia para eu não demorar que teríamos um jantar especial, ela queria dizer para eu não demorar porque ela iria querer ajuda para preparar o jantar especial.
***
Graças ao bom Deus o ônibus estava meio vazio, então peguei um lugar no fim do ônibus e coloquei meus fones de ouvido, um garoto mais ou menos de uns dezoito anos se sentou ao meu lado e sorriu para mim. Eu não sorri de volta.
***
Toquei a campainha cinco vezes até Caleb abrir a porta com a cara amassada e sem camisa.
– Se você estava dormindo porque a mãe ou o pai não abriram a porta? – perguntei me jogando no sofá.
– Mamãe está na cozinha preparando um pato com laranja, ela está ouvindo músicas então obviamente não escutou, e papai está na casa do nosso vizinho, Marcus, ele estava ansioso para conhecer Tobias. – Caleb revirou o olho ligando a TV e colocando em um canal de documentários, onde agora passava um programa sobre tubarões.
– Tobias é o nome do filho dele? Meio zoado, não? – perguntei rindo, Tobias era o nome perfeito para um filho do Marcus.
– Totalmente zoado, mas eu não tenho coragem de mexer com aquele cara. – Caleb disse meio sério.
– Por que? Ele é algum psicopata igual ao pai? – perguntei mudando de canal.
– Marcus não é um psicopata! – minha mãe, sabe-se lá como, estava parada ao lado do sofá com os braços cruzados e uma carranca – E eu não quero saber de vocês falando desse modo quando ele chegar. “Zoado”? Ah, por Deus, vocês são melhores que isso!
– Desculpa. – eu e Caleb dissemos um uníssono, era um saco.
– Ta, tudo bem – minha mãe desfez a carranca e relaxou mais os braços – Tris, eu preciso da sua ajuda na cozinha. – dito isso ela se dirigiu de novo á cozinha.
Levantei-me e fui para a cozinha.
– Como foi no shopping? Comprou alguma coisa?
– Um saco. – disse picando uma cenoura.
– Por que? Você não comprou nada novo? – ela perguntou olhando o frango no forno.
– Briguei com Christina, e a única coisa novidade é que eu finalmente consegui terminar a minha coleção de CD dos Beatles. – respondi sem paciência e comecei á picar a cebola.
– Brigou com a Chris? Qual motivo? – minha mãe perguntou finalmente olhando para mim.
– Ela ficou me perturbando sobre as minhas roupas, como sempre. — respondi colocando a cenoura e a cebola no molho de carne.
– Você pode pegar o hambúrguer de peru na geladeira, por favor? – essa era uma das qualidades da minha mãe, ela não se aprofundava no assunto porque ela sabia que eu odiava falar sobre minhas brigas com a Christina.
Peguei os hambúrgueres e lhe entreguei.
– Que horas é o jantar? – perguntei colocando o molho no fogão.
– Ás seis, mas as coisas já estão bastante adiantadas, eu só tenho que esperar 30 minutos até o frango assar e esperar o molho ferver.
– Eu tenho que fazer mais alguma coisa?
– Tem, você tem que se arrumar. Sobe e se arrume, se precisar de ajuda no cabelo me chama. – ela respondeu me dando as costas e mexendo o molho.
***
Tomei um banho e vesti um vestido preto simples, nada de mais, ele ia até o joelho e tinha uma manga até os cotovelos, justo apenas na cintura. Christina dizia que esse era a minha melhor roupa. Coloquei uma sapatilha preta e deixei meu cabelo solto. Não passei maquiagem nenhuma.
***
Ás seis horas minha mãe já havia posto a ceia na mesa e só estávamos esperando pelo meu pai, Marcus e seu filho, Tobias.
– Ótimo, já está tudo pronto. Lembrem-se de cumprimentar Marcus e o seu filho. – minha mãe dizia á mim e á Caleb como iria ser o jantar, para ela, tudo tinha que estar perfeito. – Caleb, sua camisa está um pouco amassada, e troque esse terno cinza pelo seu preto, por favor. – Caleb subiu as escadas revirando os olhos – Tris, seu vestido está perfeito, eu sempre gostei dele sabia? – ela disse passando as mãos no meu cabelo colocando alguns fios soltos no lugar.
– É, ele é legal.
– Olhe, eu quero que você seja muito legal com esse garoto, está bem? – ela disse colocando meu rosto entre suas mãos – Eu sei que você não é muito de fazer amizades, mas eu quero que você seja amistosa com ele, tudo bem?
Concordei com a cabeça e a campainha tocou. Caleb que estava descendo as escadas foi abrir.
Minha mãe me puxou para a sala e me deu aquele olhar que diz “por favor, não faça não de errado, seja amigável e por favor, seja amigável!”
Quando Caleb abriu a porta meu pai entrou usando uma camisa social azul escura, logo atrás dele veio Marcus – usando uma camisa social branca que o deixou mais pálido e magricela.
– Boa noite! – ele se cumprimentou beijando a mão da minha mãe, minha e dando um aperto na de Caleb.
Então atrás dele entrou um garoto alto, meio moreno, com feições duras, o lábio superior fino e o inferior grosso, ele era bonito, ele era muito bonito!
– Marcus, você não gostaria de apresentar seu filho? – meu pai perguntou apontando para o garoto, para Tobias.
– Ah, certo, certo. Este é Tobias – Marcus se postou ao lado do filho e eu pude perceber o quanto Marcus era baixo, ele pegava nos ombros de Tobias – Tobias estes são Natalie Prior, Beatrice Prior e Caleb Prior.
– Prazer, Tobias. – ele se apressou á apertar a mão de Caleb e beijar a minha e a da minha mãe. Talvez seja coisa da minha cabeça, mas eu juro que vi ele sorrindo para mim.
– Agora que as apresentações foram feitas, podemos jantar? – meu pai perguntou sorrindo.
– Ah, claro! Vamos, eu fiz um pato com laranja que você vai amar, Tobias! – minha mãe disse pegando na mão de Tobias e o levando para a cozinha. Meus pais têm essa mania de além de dizer tudo sorrindo, pegar nas mãos das pessoas. É algo adorável e irritante.
– Ela está certa, Tobias, é uma delícia! – Marcus afirmou indo logo atrás do filho e da minha mãe.
Sentei-me ao lado da ponta da mesa, ao lado do meu pai e de Caleb, minha mãe sentada na minha frente, Marcus sentado na outra ponta da mesa e Tobias ao seu lado e da minha mãe. Então comecei á jantar.
Meu pai e Marcus falavam sobre o trabalho – eles trabalhavam juntos no conselho da cidade, Marcus era supervisor e meu pai vice conselheiro. Minha mãe sorria ouvindo a conversa dos dois, Caleb conversava com Tobias sobre Chicago, e eu estava comendo meu pato com laranja.
– Onde você irá estudar, Tobias? – minha mãe perguntou.
– Na Middle, dizem que lá é muito bom. – ele respondeu dando um gole no seu suco.
– Oh! A mesma escola da Tris e do Caleb, não é mesmo? – meu pai perguntou parando de conversar sobre delinqüentes menores de 18 anos.
– Sim, é a mesma escola. Está no segundo ano também? – minha mãe perguntou sorrindo, de novo.
– Sim, estou.
– Você vai para o segundo ano também, não é, Tris? Parece que vocês vão ser colegas de classe. – meu pai disse pegando uma laranja do pato com laranja.
– É, parece que sim. — eu disse esboçando um pequeno sorriso.
Tobias me encarava com um sorriso de lado, fiquei corada e voltei a atenção ao meu pato.
– Se vocês aceitarem eu posso levar Tris e Caleb para o colégio já que eu tenho um carro e estudamos no mesmo colégio. – Tobias ofereceu ainda olhando para mim. Calma aí, ele acabou de me chamar de Tris? Oi?
– Se não fosse incomodo, adoraríamos! – minha mãe disse batendo palmas.
– Não, não seria incomodo algum. – ele disse finalmente parando de me encarar, ufa!
***
Já eram nove horas e Marcus disse que já estava na hora dele e de Tobias irem embora.
– Mas já? Está cedo ainda! – minha mãe protestou.
– Sim, eu vou levar Tobias para aproveitar o domingo de Chicago! – Marcus respondeu animado.
– Eu já disse que eu posso conhecer a cidade sozinho, eu tenho 16 anos e não 6. – Tobias respondeu revirando os olhos.
Marcus fingiu não ter ouvido, se despediu e foi embora. Mas Tobias ficou.
Minha mãe, meu pai e Caleb – Caleb depois de muita relutância – subiram e me deixaram sozinha com Tobias na sala de estar.
– Eu vou sair mesmo em um “tour” pela cidade amanhã, mas eu gostaria que fosse comigo, não meu pai. – ele disse sorrindo, mas diferente de todos os outros sorrisos da noite, aquele era um sorriso normal, nada de malicia.
– Ah, o.k. – foi tudo o que eu consegui responder. O garoto só me conhece á três horas e me chama pra sair? Quer dizer, não é bem um encontro, mas a gente vai sair juntos.
– Eu vou estar pronto ás nove. – dito isso ele me deu um beijo na bochecha e foi embora.
***
Recapitulando o meu dia: Fui ao shopping com Christina, briguei com Christina, conheci o filho gato do meu vizinho, o filho gato do meu vizinho me encarou o jantar inteiro, o filho gato do meu vizinho me chamou para sair com ele por Chicago e o filho gato do meu vizinho me deu um beijo na bochecha! O.k, foi um beijo na bochecha, mas eu só estava acostumada a levar beijos na bochecha da minha mãe.
Coloquei um pijama largo e deitei na cama com meu notebook, entrei no Skype e Christina estava online, eu tinha que contar o que aconteceu á alguém, mas eu não era tão cara de pau á ponto de contar para Christina.
Cinco minutos depois Cara – minha segunda melhor amiga – entrou, mas mesmo assim eu decidi não contar, seria uma traição com Christina. Então fechei o notebook e coloquei meu relógio para despertar ás oito horas do dia seguinte.
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