Must Be The One
29 The Sides
Notas iniciais
LA, California. 1997
Mandy's POV
Bom, era início de ano. As primeiras aulas do meu último ano no colégio iriam começar daqui a alguns dias. Eu iria fazer 18 anos esse ano e eu estava sentindo que isso me traria algum tipo de liberadade. Ou era a sensação de se livrar da escola.
Ao contrário de todo mundo da minha série, eu não me encaixava com nenhuma área nas faculdades. Eu odiava biologia, sempre dormia nas aulas de história, sou péssima em matemática, não sei desenhar, mal sei a minha língua e como é que eu vou saber espanhol? Eu não tinha afinidade com nenhuma matéria. Mas uma coisa que me fascinava era música. Já sabia tocar guitarra e David havia me ensinado tanta coisa sobre esse mundo mágico. O estágio que eu estava fazendo no estúdio dele estava rendendo muito. Eu via David como um pai. Afinal, ele era o único homem presente na minha vida e ainda trabalhava com coisas que eu adorava.
Tá, ele não era “o único homem presente na minha vida” mas ele é o único que servia de exemplo porque tinham os peppers (eles são fodas mas vamos combinar que eles não agiam feito pais exemplares) e os garotos da minha escola. Os garotos da minha escola se resumia em Josh e seus amigos. Aliás, risca o Josh da lista. Aquele cretino. Eu soube que como ele não se drogava há tanto tempo quanto o John, ele provavelmente iria sair da clínica mais rápido. Idiota. Eu ainda chorava por ele não sei por quê.
Voltando para os amigos: Conhecia o Bob, Andrew e Chris, os amigos de banda dele. Ou ex-banda. Sei lá. Ah, não posso esquecer do John. Eu não havia o conhecido completamente depois de tantos anos mas toda vez que ele olhava para mim parecia que ele me conhecia desde quando eu nasci. Ele passava tanta informação em um olhar... E a guitarra? Ele era um dos meus ídolos! Aprendi vários solos e compus alguns inspirados no estilo funk punk rock dele. E ele me consolou na clínica, parecia meu pai apesar do meu pai verdadeiro nunca ter feito isso. Mas esse negócio das drogas me fazia perder as esperanças às vezes.
Nesse meio tempo eu me aproximei das minhas amigas como uma algema. Eu não conseguia passar o dia sem falar com as 3: Emily, Thereza e Stella. Elas me ouviam e me consolavam, me brigavam e me abraçavam na hora certa. Já tínhamos se tornado inseparáveis.
- Mandy, você está aí? — gritou Sophie.
- Tô aqui em cima.
Ouvi minha irmã subindo as escadas. Ela chegou no meu quarto e a vi com um vestido preto tubinho tomara que caia.
- Tô indo para uma festa, quer ir comigo?
- Que festa é essa? — perguntei curiosa.
- Ah, é uma festa de um amigo de um amigo de um amigo do David. Ele não quer ir porque se sente meio tímido e tal mas a festa é tipo uma celebração de alguma coisa de uma gravadora, não sei direito..
Eu estava toda maltrapilha mas podia dar um jeito. Depois do que aconteceu comigo e com o Josh eu só queria saber de ir em todas e curtir muito. Queria dançar até cair e essa era uma oportunidade perfeita.
- Aah, você me espera? — disse já levantando – Me arrumo rapidinho.
- Tá, mas não demora.
Ela saiu e fui correndo para o meu guarda-roupa. Eu tinha uma pele meio branca meio morena e era perfeita para usar o vestido que havia comprado semana passada: laranja, só com uma manga, curtinho e com umas ombreiras. Eu amava aquele tipo. Prendi meus cabelos num rabo-de-cavalo bem alto, coloquei uma sombra laranja, lápis preto, blush bronze e batom nude. Perfume aqui sapato alto ali e eu já estava pronta. Desci e fui logo entrando no táxi. Engraçado que minha irmã era uns 9 anos mais velha que eu mas eu ainda era mais alta e ela parecia ter minha idade. Chegamos na festa e parecia que nós roubávamos a atenção de alguns rapazes. Eu nem liguei. Tinha 17 anos, um ex-namorado e um coração partido: eu queria é dançar. Fui para a pista e um garçom chegou com um martini dizendo que um homem havia pagado para mim. Estiquei o martini na direção do homem num gesto de “saúde” e bebi num gole só. O cara ainda piscou pra mim. Ousado. Nem liguei e fui logo dançando.
Sophie já tinha se perdido da minha vista como de costume. Continuei na pista até umas 2 da manhã. Meus pés estavam me matando então eu fui sentar um pouquinho. Bebi um pouco e fiquei observando as pessoas. Era uma disputa para ver quem se mostrava mais. Uma tinha um cabelo super grande (ajuda de um aplique), a outra tinha um sapato de salto alto tamanho montanha-russa, uma outra parecia mais uma piriguete com um vestido rosa neon (falou a menina que está com um laranja, mas pelo menos eu não estava com os peitos pulando do vestido) e ainda tinha uma loira que aparentemente não tinha nada demais mas estava acompanhada de um homem super musculoso e com tatuagens nos braços. Ele estava sem blusa e percebi que ele roubava os olhares das mulheres no local mas não dava direito para ver seu rosto de onde eu estava. Bateu uma curiosidade mas ainda estava com vontade de dançar. Parecia que dançar era a nova bebida e que isso iria me fazer esquecer o Josh.... Não sei, só sei que a música alta fazia meus pensamentos sumirem.
Ignorei meus calos e voltei para pista. Tocou uma música bem dançante e o lugar lotou. Era um esfrega esfrega em todo mundo ali. Até eu estava esfregando em um cara – foi sem querer. O cara já estava me enconxando quando eu resolvi olhar para ele. Era Dave. Mais conhecido por mim pelo apelido de Dave Navestranho. Ele ainda tinha um olhar assustador e suas sobrancelhas super pretas junto com os seus cabelos e o piercing no mamilo não ajudavam muito.
- E aí, gata? — disse Navestranho.
- Ah.. — disse meio sem-jeito e já me afastando – Oi.
- Vem dançar com o papai – obviamente ele estava bêbado.
- Acho que não hein.. Você não devia estar fazendo shows por aí com a banda?
- Ué, isso aqui é a nossa comemoração!
Como assim nossa? Ele se referia a mim e ele? Mas o que que eu iria comemorar com ele? Mal o conhecia.
- Você vem para uma festa e não sabe nem quem é o anfitrião.
- Ahn.... Você? — disse em dúvida.
- Sim, eu e a banda – disse dando uma risadinha.
- Mas que porra... — ainda estava confusa.
- Você está mais desligado que o Chad hein.. A nossa gravadora resolveu fazer uma festa para celebrar a venda dos nossos discos..
- Ahh, e essa festa seria essa que eu estou? — idiota pra que eu tava repetindo o que ele tinha acabado de falar?
- Garota esperta! Agora venha dançar um pouco..
Ai credo. Que nojo. Navestranho era tão estranho que me dava arrepio. E eu tinha a sensação que ele era desses de pegar uma menina para cada noite... ou mais né, vai saber.
- Er, me desculpa mas eu já tenho que ir... Tchau.
Saí de lá sem olhar para trás. Fui procurar por Sophie. Perguntei do barman e ele disse que a viu entrando num cômodo com um homem. Perguntei se era mesmo a menina que eu descrevi. Ele disse que tinha certeza. Será que David mudou de ideia e foi para a festa? Fui para o cômodo que o cara apontou e quando abri fiquei paralisada. Não conseguia me mover nem falar nada.
- Mandy.. — disse Sophie surpresa.
Ela estava nua e havia um cara por cima dela, também nu. Eu não estava surpresa por estarem transando mas pelo fato de com quem ela estava fazendo aquilo. E ela não estava bêbada. Porra!
Notas finais
Gente, fiquei muito feliz por vcs terem me respondido nas reviews! Agradeço de novo se vcs me mandarem com as estipulações e sugestões!
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