Must Be The One
50 Dusting off your savior
Notas iniciais
Dedico esse capítulo pra tds vcs q estão acompanhando essa fic ♥
LA, California. 1999
Mandy's POV
Hoje era meu primeiro dia de trabalho. Quer dizer, trabalhar eu já trabalhei mas agora era oficial: Deixei de ser estagiária ou de fazer bicos por aí para ser a mais nova secretária do David, com carteira assinada e tudo mais. Falando assim, o cargo não parece ser muita coisa mas o estúdio dele estava crescendo cada vez mais e ele precisava de muitos secretários. Já tinha várias bandas querendo contratos com eles. Não é por menos, David começou sozinho com esse estúdio, trabalhava noite e dia, sucesso merecido. E como eu sou praticamente da família, foi fácil conseguir um emprego lá. De qualquer jeito, David me disse que já iria me dar o emprego, era só questão de tempo. Agora que tenho 18 anos e terminei o ensino médio, posso me dedicar a tempo integral para esse trabalho. Minha vida melhorou mais do eu esperava de uns anos para cá.
Antes de receber esse emprego, tirei umas férias. Não viajei para lugar nenhum, somente relaxei em casa e passei dias sem fazer nada. Era tudo que a minha mente precisava. Aquela cidade caótica, congestionamentos para tudo quanto é lado, uma sociedade que só pensa em fama, ensino médio e a pressão de entrar para uma faculdade... ARG! Era tantas malditas coisas! Eu praticamente sofria bullying quando me perguntavam que carreira eu iria seguir. Todo mundo iria ser médico, advogado, engenheiro, arquiteto, até biólogo tinha na minha sala. Mas ninguém se habilitou para seguir a carreira artística. Não que eu pretenda ser cantora ou algo do tipo. Eu só tocava baixo com as minhas amigas mas era um negócio de tipo tocar no churrasco do domingo, algo familiar, nada além disso. Eu pretendia ser empresária, assessora, coisas desse tipo. Gostava de me envolver e ficar por dentro de todas as notícias, de convencer as pessoas a ouvirem uma banda, de fechar negócios, ver os prós e os contras de um contrato, organizar as informações e etc.
Claro. Essas férias não foram só para isso. Eu resolvi tirar essas férias principalmente por causa da dúvida da minha cabeça: Eu amava Josh? Um dia eu sentia que só gostava dele como amigo, no outro eu estava suspirando pensando na sua pele macia e no seu jeito fofo de ser. Ele se focou mais na banda e graças a Deus consegui usar isso como desculpa para gente não se ver tanto assim. E eu tava morrendo de saudades dele. Que porra sou eu? Caralho, nem eu me entendo. Eu não estava evitando ele, mas como eu tinha essa porra de dúvida na minha cabeça, toda vez que o via, me sentia culpada por ele gostar tanto assim de mim e eu nem saber o que estou sentindo.
Além de tudo isso, soube só agora que John havia saído da reabilitação. Minha irmã não resolveu contar para mim porque ela sabia que eu estava tirando férias para esquecer de tudo e todos mas ela pelo menos podia me contar na mesma semana. Mas a queridinha só foi contar meses depois. Eu sentia que devia apoiar o John nessas horas. Pelas poucas conversas que tivemos, por mais estranhas que foram, eu queria ajudar o John. Ok. Ele já havia se recuperado das drogas. Ok. Ele já me beijou e ficou um clima estranho. Mas, eu ainda gostava dele. Como amigo. E a última vez que falei com ele, não foi nossa conversa mais agradável. Dei um fora nele mas porque eu estava com Josh e ele sabia disso. Eu queria continuar ser amiga dele.
Sentia saudades de todo mundo. Essa era a palavra certa: saudades. Queria ver o Josh, o John, o Anthony, Flea, Chad... Como é que aqueles tempos em que eu e o Josh ficávamos ouvindo RHCP o dia inteiro, e sonhando com o dia em que pudéssemos falar com os caras da banda passou assim tão rápido? Saudades, novamente.
Ainda bem que meu cabelo tinha acordado bonito porque eu estava levemente atrasada. Ótimo, não? Meu primeiro dia de trabalho e já iria chegar atrasada. Deixei meu cabelo meio bagunçadinho mesmo, e como ele estava ondulado, achei bonito e resolvi deixar solto. Vesti uma blusa polo branca com uma calça preta. Não tinha a mínima ideia de como ir para o trabalho e David disse que era para ir como se eu fosse para o shopping. Só que eu acho que ele não sabe como os adolescentes vão vestidos para o shopping, então vesti uma roupa que provavelmente um adulto sério vestiria para um shopping. Coloquei um cordão dourado, onde tinha um pequeno medalhão com a foto dos meus avós, herança dos meus pais, os quais só me deixaram isso. Coloquei um brinco discreto e passei uma leve maquiagem: base, rímel e batom. Perfume, relógio, minha bolsa e sapatilhas e pronto! Eu estava decente. Dava para o gasto. Não dava tempo para comer, então iria beliscar algo lá no estúdio mesmo.
Acho que o taxista entendeu a minha pressa pelo jeito que falei o endereço do estúdio e chegamos lá rapidinho. Paguei-lhe e fui correndo para dentro do lugar. Quase que tropeço. Quase que os papeis que o David mandou eu trazer iriam esgoto abaixo, mas consegui segurá-los.
Respirei fundo antes de entrar. Aquilo ali seria minha rotina a partir de hoje. Tinha que começar com o pé direito.
Entrei e fui andando, cumprimentando todo mundo ao mesmo tempo. Já conhecia boa parte do pessoal dali, eles eram gente boa. Acho que não tenho muito a perder trabalhando aqui não?
Enquanto todos da minha sala estavam indo para faculdades e conhecendo novos professores e colegas de classe, lá estava eu em um dos estúdios mais requisitados de Hollywood, o que é ao mesmo tempo praticamente minha segunda casa, onde conhecia a maior parte do pessoal que trabalhava mais e bônus: estava ganhando dinheiro pra isso. É, não posso mais reclamar tanto assim da minha vida.
Mary, a recepcionista principal me disse que David estaria me esperando na sala de gravação número 2 para eu entregá-lo os papeis que eu levava. Era algo sobre uma banda que havia acabado de se mudar de Detroit para California, e David estava fechando um contrato com ela. Passei a noite anterior estudando o contrato e tinha que discutir com ele algumas coisas sobre alguns parágrafos, coisa normal.
Para ele estar na sala de gravação, era porque ele estava junto com uma banda gravando algo, lógico. Entei abri a porta bem devagarinho para não atrapalhar nem nada.
- David, está aqui os pa... — fiquei petrificada.
Como assim eram eles? Não acreditei no que estava vendo e pisquei novamente. Olhei para David e ele sorria maravilhado com a minha surpresa. Aquilo... foi planejado?
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