Must Be The One
7 Breaking the girl
Josh's POV
O que que eu fiz de errado? Será que eu tô com mal hálito ou coisa assim? Chequei. Não estava. Ela disse que era algo que ela não podia.. mas não podia por quê? Ah, sou um babaca. Por que fui roubar um selinho dela? Não quero que a nossa amizade acabe. Quer dizer, eu tava morrendo de vontade de fazer isso há um tempo mas não podia ter feito isso outro dia? A menina está sofrendo por causa da irmã dela e ela ainda se deparou com o John naquele estado hoje.. Acho que ela se abalou com aquilo. Pode ser extremamente ciúmes mas às vezes sinto que Mandy tem uma quedinha por John, mas eu acho que é besteira da minha cabeça.. É melhor eu ir pro quarto de hóspedes e dormir. Acho que amanhã ela vai estar mais calma.
–
Mandy's POV
Depois de alguns dias, já estava em todas as revistas de música que o John havia saído da banda. E me disseram que a banda estava desesperada para encontrar logo um guitarrista. Senti pena do pessoal. Mas isso logo passou porque senti uma raiva forte por John. Eu não sabia porque estava sentindo aquilo, eu não o conhecia direito — depois de anos — e o problema era dele se ele se drogava ou não. Ele tinha 22 anos, sabia se virar — ou pelo menos devia.
A minha apatia por John era tão grande que não conseguia ouvir mais Red Hot Chili Peppers como antes. Quer dizer, eu amava o som dos caras mas me sentia estranha ouvindo. Era como se eu não entendesse mais a música, como se fosse um ET ouvindo um francês falar. Ouvia mais Beatles e Nirvana.
Estava pensando em tudo que havia passado na minha vida nos últimos anos quando alguém tocou a campainha. Olhei no olho mágico e vi Josh. Estranhei. No dia em que ele me deu um selinho, aparentemente dormiu aqui em casa mas quando acordei, ele já tinha ido embora. Não retornava mais minhas ligações e nem atendia a porta quando ia a sua casa. E além disso ele nunca toca a campainha e sempre me liga quando está vindo. Josh era meu melhor amigo e já estava depressiva por passar 6 dias sem falar com ele.
– Caramba Josh, pensei que tivesse morrido.
Ele riu e mostrou o seu sorriso mais sincero. Sorri também.
– Eu sou um idiota por não ter falado contigo depois daquilo — ele olhou para baixo num ato de timidez — mas é que eu pensei que você, sei lá, me odiaria depois ou alguma coisa assim..
– Ah, Josh, nã...
– Me desculpa por favor? — falou num tom de desespero — Eu não quis fazer aquilo, simplesmente aconteceu e... ah, toma, comprei flores para você.
Eram orquídeas. As mais lindas que eu já tinha visto. As minhas preferidas.
– Josh, elas são lindas! — não aguentei a tensão e dei um abraço nele.
Ele me abraçou de um jeito aliviado. Convidei-o para entrar e começamos a conversar. Coloquei as plantas num vaso com água, até que ele perguntou:
– Você quer sair comigo? — Josh não parecia nada nervoso e me olhava nos olhos. Gostei daquilo.
– Claro, mas tipo num encontro? — já estava curiosa.
– Hmm, é. Como se fosse. Vamos ter um encontro de brincadeirinha.
Rimos. Até que eu gostei da ideia. Era um encontro mas não tinha aquela pressão de encontro de verdade. Ficamos conversando um pouco mais até anoitecer. Quando ele estava indo embora, ele me abraçou e disse no meu ouvido:
– Te pego às 20 hrs amanhã. — a voz suave dele fazia meu coração praticamente pular.
Depois ele deu um beijo na minha bochecha e me despedi dele. Ainda não tinha certeza se sentia paixão por Josh mas definitvamente sentia alguma coisa. E já fazia tempo que o olhava como se fosse "mais que amigos".
Fui saltitando para meu quarto mas esqueci completamente que iria fazer uma outra perseguição com a minha irmã. Já tinha descoberto alguns pontos favoritos dela mas precisa descobrir os seus "melhores amigos" para poder fazer alguma coisa. Dessa vez eu ia sem Josh, às vezes era melhor sem ele porque não precisava ouvir um "não acho uma boa ideia" no meio do plano. Eu já estava meio insegura — e com um pouco de medo — e se ele continuasse com aquilo, eu ia acabar desistindo. Enfim, peguei meu disfarce e arrumei minha bolsa. Já sabia aonde ela estaria — ouvi ela no telefone mais cedo — e já tinha ido naquele lugar algumas vezes então sabia exatamente aonde ela se encontraria. Sempre ia com um cigarro na boca para me sentir mais "enturmada" mas nunca acendia. Todo mundo que experimentou diz que é ruim mas no fim acaba ficando viciado. Então, não era melhor nem tentar.
Fui andando e quando cheguei na espelunca, alguns me cumprimentaram. Tive que formar algumas amizades para frequentar ali, todo mundo me conhecia como Lola — mais uma identidade. Outro dia tinha até conseguido falar com Sophie mas foi como uma conversa de elevador, nada demais. Comecei a beber um pouco e conversar com um cara que aparentemente parecia legal e um pouco drogado. Naquela posição poderia ver de quem Sophie recebia as drogas. Ela subiu para um quarto com um cara feio e já sabia exatamente o que ela iria fazer. Então esperei ali mais um pouco.
O cara com quem eu conversava já estava cansado de eu tirar a mão dele da minha coxa até que o cara feio com quem minha irmã supostamente transou, desceu e gritou para todo mundo que estava na sala:
– GALERA, ME AJUDA! TEM UMA GAROTA PASSANDO MAL LÁ EM CIMA, ELA PARECE QUE VAI VOMITAR MAS NÃO ME RESPONDE. ELA FICA SE MEXENDO E COM OS OLHOS ARREGALADOS E — ele ficou repetindo a mesma coisa enquanto chamava o pessoal para subir.
Fui correndo e quando cheguei lá vi Sophie. Ela estava semi-nua e com olhos fundos. Ela parecia estar morrendo. Um cara que tinha muitas tatuagens no braço gritou para outro:
– Chama a ambulância! Rápido!
Todo mundo ficou desesperado e não sabiam o que fazer. Eu só ficava ali do lado dela, chamando, tentando fazer com que ela me responda. Ela não poderia ter uma overdose. Ela não poderia me abandonar!
A ambulância chegou e fui com ela. Um outro cara também foi junto. Ele perguntou se eu era amiga dela e eu disse que sempre fui sua melhor amiga. Peguei na mão de Sophie e comecei a rezar.
Chegamos no hospital e a levaram rapidamente para uma sala restrista. Gritava, chorava mas ninguém parecia se importar. Fiz de tudo para entrar mas não consegui. Não conseguia sentar. Já estava aos prantos quando o cara que me acompanhou na ambulância perguntou se eu não tinha algum amigo (a) que pudesse vir para ficar ali comigo no hospital. Josh. Peguei meu celular desesperadamente, minha mão tremia. Só na quarta tentativa consegui digitar o número certo. Chamou, chamou, chamou e ninguém atendia. Resolvi ligar de novo. No segundo toque ele atendeu:
– Alô, Mandy?
– JOSH PELO AMOR DE DEUS! SOPHIE TÁ NO HOSPITAL, TÔ AQUI COM ELA! ELA TÁ MUITO MAL, ELA ESTAVA TENDO CONVULSÕES, JOSH — comecei a chorar novamente.
– Mandy, Mandy, não chora! Já tô indo, em que hospital você está?
– Saint Joseph, por favor venha rápido!
– Estou indo! Tchau.
Cada minuto era uma tortura. Ninguém mais saía e ninguém entrava naquela sala. Queria saber como Sophie estava. Já tinha rezado todo o terço quando Josh apareceu.
– Josh, a Sophie..- não conseguia controlar mais as lágrimas.
– Calma Mandy, vai ficar tudo bem.
Nessa hora ele me abraçou. Me deu aquele abraço de amigo. Aquele reconfortante sabe? Que você sabe que pode contar com a pessoa a qualquer momento. Josh era meu anjo da guarda. Sentamos no banco de espera e ficamos ali juntinhos enquanto eu rezava. Já tinha prometido até que ia ler livros para os cegos e cozinhar sopa para os pobres. Só queria minha irmã, o meu único parente ainda vivo. Era pedir demais?
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