Musa
1 Tons pastel
Notas iniciais
Leopold nunca gostou de cores pastel. Elas pareciam querer sugar-lhe a vida, fazer desaparecer o espírito e a alma, com seus tons apagados de mais. Nivelar todos, homens, mulheres, crianças, sobre a tristeza do ocre.
Porque tudo perto das cores pastel parecia perder gradativamente a vivacidade, até tornar-se impessoal. Desumano, inexpressivo.
Até que Leopold conheceu Lily. Nunca viu uma moça usar tantos vestidos claros, com aquelas rendas delicadas e bordados bem feitos. Mesmo sua tez era imaculadamente branca, sem sequer uma coloração nas maçãs do rosto — não, não possuía rubor na face!
Não seria ela o exemplo perfeito de cores pastel, com seu cabelo demasiado loiro? E por que então a imagem de Lily resplandecia, isenta de impessoalidade, como o Sol numa manhã clara?
Tornou-se a musa de Leopold. O seu passatempo favorito, admirá-la. Pintar seus traços delicados, os seios discretos sobre o vestido de seda cor creme, a expressão gentil de mais para qualquer ser terreno. Ela não era desta terra. Pura de mais para este mundo, bela de mais para esta vida.
"Eu gosto dos seus quadros..." Lily dizia, vez ou outra, com um sorriso no rosto. Sempre falava muito baixo, tinha a voz de um anjo "Gosto de como me dá cor."
Leopold passou a amar tons pastel. E ela. Adorava-a como adorava sua própria arte, os pincéis e todos os seus quadros. Gostava dela até mais do que as outras cores existentes, porque o mundo com Lily era simples e puramente colorido, com as tintas naturais que só ela possuía. Amava-a como nunca amou ninguém, nem nada, antes.
E seria eternamente grato por tê-la a colorir sua vida com tons pastel.
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