Mundos Diferentes
1 Batendo de frente
Notas iniciais
Luana estava chegando em seu novo colégio. Ela tinha acabado de se mudar com seu pai após o falecimento de sua mãe. Ela era alta, quase 1’80 de altura, morena, olhos verdes bem escuros e seus cabelos eram longos. Ela gostava de jogar basquete, futebol, entre outros esportes, e era muito boa nisso.
— Bom, chegamos. — o pai de Luana diz parando no portão do colégio — Tenha um bom dia, te busco quando sair.
— Daqui uns dias eu decoro o caminho, não se preocupe. — ela diz colocando a mochila em um dos braços e abre a porta do carro — Até mais.
— Até mais. — ele acena enquanto ela fecha a porta e logo sai com o carro.
Alguns alunos já haviam reparado nela e encaravam.
— Aí, Sarah. — uma garota dizia cutucando uma menina baixinha que estava ao seu lado — Olha, uma aluna nova.
Sarah se vira e encara Luana que estava passando por elas. Sarah, que tinha cabelos pretos com apenas a franja mais comprida, jogada de lado até o queixo, enquanto o restante era bem curto, olhos castanhos, ela usava uma calça rasgada que ia até sua canela, uma regata branca e um tênis all star. Ela é esbelta, cerca de 1’55 de altura e muito bonita, tinha um piercing no nariz e alguns brincos nas orelhas, ela é a mais popular da escola, sempre atraía olhares.
Por outro lado, Luana, apesar de ser magra, era alta, usava uma calça moletom larga e uma camiseta uns dois tamanhos maiores que ela e um tênis de cano no estilo esportivo. Seu cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo, ela não usava maquiagem.
— Vejam só, metade do ano e ainda chega gente nova. — Sarah diz.
— Vai ver que temos um mistério para desvendar, não é Sarah? Quem é que se transfere no meio do ano nessa escola?
Sarah dá de ombros e observa Luana que caminhava decidida para a parte da direção da escola.
Ela nunca foi do tipo que tem vergonha ou medo nesse tipo de situação, ela costumava ser popular na escola que estudava, sempre foi vista como uma espécie de Bad Girl, que sempre falava o que pensava, jogava mesas para o alto em brigas, mas isso sempre defendendo quem precisava de ajuda. Por isso era sempre muito admirada e temida ao mesmo tempo, nunca fugiu de briga e nunca teve medo de enfrentar quem quer que seja.
Luana já estava terminando de subir as escadas para a entrada da escola quando Sarah cutuca sua amiga para as duas entrarem na escola, indo bem atrás da novata. Luana caminhava decidida, parecia que já conhecia o lugar. Ela vai até a recepção da escola para receber alguma orientação, mas não havia ninguém, então ela puxa a mochila para sua frente para pegar algo quando ouve passos logo atrás de si.
— Você não vai achar ninguém aqui agora. — uma voz feminina, suave vinha logo atrás.
Luana se vira e encara a figura baixinha logo ali olhando para ela, junto com sua amiga. Ao olhar para Luana de perto, Sarah sente a atmosfera intimidadora.
— É, eu percebi. — Luana responde, percebendo a atmosfera desafiadora e debochada da garota — Mas obrigada, com licença.
Luana passa por Sarah, que continua parada, de costas ela dá uma risada e faz um comentário.
— Olha Liz, ela até é educada. — Sarah diz com um sorriso de canto, claramente debochado e sua amiga a acompanha com uma risada.
Luana para, dá uma risada baixa e se vira, caminhando na direção de Sarah, que agora se vira para ela.
— Sei, sei fazer muitas outras coisas também. — Luana dá um sorriso malicioso. — Tipo, devorar garotas com cérebro de menos e falta de educação de mais. — Luana estava bem próxima do rosto de Sarah quando disse isso, o suficiente para que ela sentisse seu perfume e seu hálito de menta — Agora, se me der licença, preciso ir, tenho mais o que fazer. Já perdi muito do meu precioso tempo. — ela olha bem nos olhos castanhos de Sarah mantendo seu sorriso malicioso, a fazendo corar.
Luana se vira e vai embora, deixando Sarah ali, parada com sua amiga ao lado a olhando sem esboçar expressão alguma. A tensão indevida que Sarah sentia naquele momento era irritante.
"Mas o que essa garota tem...?"
— Ah, que ridícula essa garota. — Sarah diz irritada enquanto cruza os braços com o rosto ainda vermelho.
Momentos depois
O sinal toca e todos se acomodam nas salas de aula, Luana chega com uma professora, vinda da direção. Entrando na sala, ela começa a falar.
— Bom, alunos, recebam hoje uma nova colega de classe, foi transferida para nossa escola, eu sei que já estamos na metade do ano e que muitos já têm seus grupos, mas espero que vocês recebam ela de braços abertos. Quer se apresentar?
— E aí, me chamo Luana, mas podem me chamar de Lua, era como meus amigos me chamavam ou Lu, Ana... Vocês decidem. — ela sorri abertamente, fazendo todos se impressionarem — Espero me dar bem com todos. Eu juro que eu sou legal.
Alguns alunos riem, algumas garotas por timidez já outros alunos por acharem engraçada, Luana tinha facilidade em fazer as pessoas rirem, mas apenas uma não esboçou uma reação sequer. Ao olhar pela sala, ela logo vê a baixinha que havia discutido mais cedo. Um arrepio sobe por sua espinha.
"Ah, droga." — ela pensa.
— Ela era jogadora dos times da escola em que estudava, vai se dar bem com os rapazes do time de basquete, assim espero. — a professora olha para Luana e ela sorri amigavelmente — Pode se sentar, Luana.
Ela ajeitou a mochila no ombro e caminha pelas carteiras até chegar ao fundo onde havia alguns lugares vagos, infelizmente ambos estavam ou ao lado direito ou ao lado esquerdo de Sarah. Ela olha para a garota que a encarava com um olhar mortal.
— Ei, senta aqui. — alguém chama por Luana.
Ela se vira e vê um garoto tirando a mochila de uma carteira que aparentemente estava vaga. Os olhos de Luana brilham, era uma carteira de distância de Sarah, o que ela menos queria no momento é sentar ao lado de uma pessoa que aparentemente iria atrapalhar a vida dela.
— Achei que tinha alguém aqui. — ela diz colocando a mochila na mesa.
— Ah, não. Só colocava minha mochila aí. Seria legal não sentar ao lado da princesa da escola pra variar, ainda mais sendo novata. — ele diz sorrindo.
— Ela tem essa má fama? — Luana diz intrigada.
— É... Sim. Mas quando quer, até que ela é bem legal. Me chamo Pedro — ele estica a mão em forma de punho e Luana responde com um soquinho.
— Prazer. — ela sorri.
— O senhor Pedro pode conhecer a aluna nova melhor na hora do intervalo. — a professora chama a atenção de Pedro e ele rapidamente olha para ela.
— Certo, professora, desculpe. — ele sorri e olha para Luana novamente — Depois eu te mostro a escola.
Luana acena positivamente com a cabeça e pega seu caderno para a aula.
— Muito bem alunos, vamos lá.
Luana se vira para colocar a mochila nas costas da cadeira e percebe um olhar sobre si. Sarah a encarava. Luana não aguenta, dá um sorriso e pisca. O rosto de Sarah queima e ela faz uma expressão de irritação e se vira para frente, desviando o olhar.
"Haha... Até que vai ser divertido." — Luana pensa.
No intervalo
— Eu só queria saber porque meus pais resolveram viajar logo agora... — uma voz suave passava pelas costas de Luana que estava guardando cadernos no armário — Provavelmente vou querer dar uma festa, lógico, mas poxa, poderiam ter me levado, Roma parece ser legal, não parece?
Sarah passa por Luana e a olha de canto. Ela queria falar mais coisas para ela depois de ser deixada desconfortável mais cedo, mas resolve seguir seu caminho.
"Ela sabe me deixar sem palavras..." — pensa.
— Luana! – um garoto chega ao lado dela, sorrindo.
Ela vira o rosto para ele e o reconhece, era Pedro. Ele era bonito, tinha cabelos cacheados, era moreno e muito carismático, tinha praticamente a mesma altura que Luana.
— Ah e aí — ela termina de guardar uns cadernos e pega outro e alguns livros, para as próximas aulas.
— Então... Você é bem diferente das garotas, sabe? — ele diz escorado ao lado do armário de Luana.
— Ah – ela dá uma risada — Você é bem direto.
— Desculpa. Achei você legal e tipo, vai ser do time de basquete, eu sou do time do basquete. — ele sorri.
— Entendo. — ela sorri — Uma das coisas boas dessa escola. Aceitam meninas nos times masculinos. Gosto dessa coisa de misturar gêneros.
— É, sabe, essa cidade é bem assim mesmo. É difícil as pessoas sofrerem algum tipo de preconceito, aqui todos são mente aberta para as diferenças.
— Isso é ótimo. — ela coloca a mochila no ombro — E então, vai ou não me mostrar a escola?
— Achei que nunca ia pedir. — ele sorri e desapoia do armário, agora caminhando ao lado de Luana.
Eles caminham pelo corredor, Pedro mostra a cantina da escola, os pátios que são três, um interno que fica ao centro da biblioteca que é localizada no segundo bloco da escola. Nesse jardim havia vários bancos nas sombras das árvores, um na parte de trás, ao lado das quadras e do ginásio de esportes e um que ficava na lateral do primeiro prédio da escola.
— Perfeito demais, gosto de escolas grandes. — Luana sorri ao caminhar até um dos bancos do pátio do primeiro prédio.
Ela se senta e Pedro logo ao seu lado.
— Ah, é ótimo. Tem muito lugar que dá pra ficar meio isolado.
— Você gosta de ficar meio isolado? — ela coloca a mochila no colo e pega sua maçã, dando uma mordida.
— Às vezes é legal, sabe, muitas vezes ficar cercado de pessoas que só querem sua atenção por causa da popularidade... Eu até parei de usar a jaqueta do time por causa disso.
Ele diz enquanto Luana estava na segunda mordida da maçã e assim que termina faz uma pergunta.
— Você é capitão do time ou algo assim? — ela sorri.
— Haha! Sou sim, você adivinhou. — ele sorri.
— Nossa, estou com o capitão do time! — ela dá um sorriso aberto — Isso é bem legal, vou ser extremamente popular. — ela ri.
Pedro acompanhou na risada.
— Ah, sabe, assim que te vi eu percebi que era parecida com a minha vibe, sabe... Pode ser minha primeira melhor amiga. — ele olha para ela sorrindo.
— Pois eu quero me apresentar apropriadamente. ela estende a mão que não segurava a maçã, Pedro a pega sem entender — Muito prazer, Luana Rodrigues, ex-capitã do time feminino de basquete da liga Júnior do Mississipi.
— Ah! Você era capitã? — ele fica maravilhado — Isso é maneiro.
— Fica tranquilo, eu não vou roubar sua posição no time. — ela diz e depois continua comendo sua maçã.
— Seria legal. — ele diz sorrindo, fazendo com que Luana o encarasse — Você mal chegou e as pessoas ficam passando e olhando, sei que não é pra mim. Você devia ser popular e parece não ligar muito.
Ela o encara por alguns segundos. "Entendi." — pensa e então ficam em silêncio por alguns instantes.
— Por que veio pra cá, Lua? — pela primeira vez ele usa o apelido dela.
Ela, sem olhar para ele suspira e quando acaba de mastigar o pedaço da maçã responde.
— Minha mãe morreu, meu pai e eu concordamos que não iríamos seguir em frente se a gente continuasse vivendo na mesma casa, no mesmo bairro, na mesma cidade, indo aos mesmos lugares. O fantasma dela estava por todo lado, era irritante...
Ela diz isso sem esboçar nenhuma expressão. Pedro a olhava agora com uma expressão de tristeza.
— Sinto muito, eu não sabia... — ele ia se desculpar por fazer ela tocar no assunto, mas Luana interrompe.
— Tudo bem, é bom poder falar isso pra alguém. Meu pai e eu nunca tocamos no assunto, é bem chato. — ela suspira e dá mais uma mordida na maçã.
— É, eu acho que é bom desabafar as vezes, isso nos deixa mais fortes e prontos para superar.
Luana sorri e encara Pedro. A animação e o otimismo dele eram encantadores. Luana gostava da chance de poder ser amiga dele.
O sinal toca e eles se levantam, Luana coloca a mochila nas costas e eles seguem para a sala enquanto ela termina sua maçã.
[...]
— Pedro. — Sarah sorri se aproximando dos dois no corredor — Como vai?
— Ah, e aí Sarah. — ele sorri tentando ser simpático.
— Amiga nova? — ela olha para Luana com desdém.
— E olha, uma das melhores e não é nem meio dia. — ele diz sorrindo.
Luana dá uma risada, colocando a mão na frente da boca, Sarah faz um bico de lado, cheia de irritação enquanto Luana dá a última mordida na maçã e a joga na lixeira que estava longe, acertando em cheio.
— Boa, Lua! — ele comemora animado.
— É sério isso, Pedro? — Sarah cruza os braços.
— Foi mal meio metro, temos aula, o sinal já tocou. Vamos. — Luana diz puxando Pedro.
— Você me chamou de que?! — ela protesta.
Luana, ao passar por Sarah, bagunça seu cabelo. Ela sente seu rosto queimar.
— Ei! — ela se vira ajeitando o cabelo — O que pensa que...
Quando ela encara Luana, a vê sorrindo de lado, igual fez mais cedo. Ela não consegue dizer nada até que os dois entram na sala de aula, a deixando ali no corredor.
"Essa... Que raiva!" — Sarah passa a mão no rosto e segue para a sala de aula.
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