Mundos Colidindo
4 Princesa IO
Notas iniciais
P.O.V. IO.
Ele contou-me. Contou-me o que houve com sua mãe, o que planejavam fazer com ele e a irmã.
—Bem, não me parece agradável. Passei por algo assim, mas deveria ficar feliz. Ao menos você tem a sua irmã e não está sozinho.
—O que aconteceu?
—Não vai me deixar em paz até eu contar não é?
—Não.
—Bom, era um dia de festas. Aqui, vocês chamam de... feriado. Um dia santo. Todos estávamos reunidos na arena para ver um confronto. Era a nossa tradição, todo ano neste dia os mais bravos e ferozes guerreiros travavam batalhas em honra ao Criador. Aquele que sobrevivia ganhava o direito de entrar no templo.
—O Templo era como uma Igreja?
—Sim. Mas, o Templo era o local mais antigo de Astória. Estava lá desde antes dos primeiros Isos. Os guerreiros mais fortes e mais virtuosos eram os únicos além da Realeza e das sacerdotisas que podiam entrar. Lutas na gravidade zero foram travadas o dia todo. Mas, quando o confronto se aproximava do fim... a invasão começou. Os Morganianos sabiam que neste dia a maioria dos guardas exceto os guardas reais estariam desarmados.
—Foi um massacre sem tamanho. Eles mataram civis, homens, mulheres, crianças. Atiraram bebês dos muros. Destruíram a câmara de gênese. Crianças não nascidas. Ainda posso ouvir o barulho do vidro estourando, aqueles fetos morrendo.
Ela começou a tremer.
—Eles abriram fogo contra pessoas desarmadas. Os guardas do meu pai, me levaram para dentro do templo. Abriram um portal para este planeta totalmente desconhecido e me enfiaram lá dentro.Vi eles matarem a minha mãe pouco antes do Major Alderan me atravessar. Eles cortaram a garganta dela.
—Nossa!
—Minha mãe sabia que os Morganianos iriam tentar algo assim. Tentou avisar o meu pai, mas ele era cabeça dura. Achava que os vizinhos eram nossos amigos.
—Mas, se os Isos são gerados espontaneamente quer dizer que vocês não...
—Fazem sexo? Eu sei o que sexo é. Mas, não. Não fazíamos isso. Isso não existia em Astória.
—E como foi o seu primeiro dia na Terra?
—Foi... confuso.
P.O.V. IO.
Flashback On.
Não sei onde estou. Só vejo um interminável campo cheio duma coisa amarela que pinica.
Quando finalmente consegui sair daquele monte de... sei lá o que é isto, acabei numa estrada. Minha cabeça ainda está girando devido á viagem.
Felizmente estou armada. Segui a estrada até um local que parecia uma construção. Entrei e todos me olharam como se eu fosse alguém de outro planeta.
—Ei! Moça, você está bem?
Não conseguia entender o que ele dizia. Que lugar é este?
Podia ver as ondas de energia ao meu redor. Então, um dos indivíduos levou-me para fora. Ele parecia gentil.
Colocou-me num transporte e fomos parar num lugar mais calmo.
—Então, qual é o seu nome, gatinha? Parece que veio de uma convenção de Sci-Fi.
Ele começou a tocar em mim. Quem ele pensa que é?
Coloquei-o para dormir. Então, ouvi um barulho. Um som esquisito. Vinha de um aparelho. Não levei muito tempo para entender como funcionava. Então, comecei a fuçar naquele negócio. IPHONE.
Encontrei algo chamado Google. E na tela estava escrito... digite algo para busca. Como não sabia a língua deste lugar, me transportei para dentro do aparelho e acessei o banco de dados de forma mais direta. Rapidamente aprendi a língua dominante, descobri onde estava. Terra. Sistema Solar, á milhões de anos luz de casa.
Descobri o tipo de vestes que uma terráquea usaria e as obtive.
Interrupção do Flashback.
—As obteve? Como as obteve?
—Eu peguei.
—Você roubou.
—Em minha defesa, não sabia que era roubo.
Reinício do Flashback.
Depois de estar devidamente vestida e ter uma mala para carregar o meu vestido e a coroa. Tinha que arrumar um local para passar a noite, então descobri que era necessário pagamento. Então, tive que arranjar dinheiro.
—E você roubou?
—Sim.
—E não sabia que era roubo?
—Não. Pelo menos até ser atacada por transportes que faziam barulho, apitavam e piscavam.
—Você foi presa?
—Fui. Mas, não fiquei presa por muito tempo. Consegui me conectar com a frequência do Detetive. E apaguei as memórias de todo um departamento de polícia.
—E conseguiu descobrir onde estava?
—Sim. Louisiana.
—Louisiana? Lá só tem pântanos e caipiras burros.
—Ignorantes. O parco conhecimento deles não é nada comparado ao meu.
—Uau! Alguém tem um ego grande.
—Talvez, mas estou dizendo a verdade. Desde aquele dia eu vago de um lugar para o outro. Os Morganianos vieram atrás de mim e dos outros herdeiros das outras casas.
—Casas?
—Sim. Em Astória haviam distritos e cada distrito era destinado a uma Casa. Uma família. Haviam as Grandes Casas e depois as casas menores. Éramos do mesmo povo, mas não da mesma linhagem. Para evoluir haviam casamentos arranjados, eram alianças. E usavam o código raiz do pai e da mãe para criar outro Iso.
—Então você não fica grávida?
—Eu possuo aparelho reprodutor. Então sim, posso carregar um filho. Mas, carregar um filho trás uma série de inconveniências. É difícil caminhar, o corpo muda para sempre sem chance de retorno, há todo o fator hormonal, então como nós éramos Monarcas, diplomatas etc, etc... usávamos as câmaras de gênese. Já não haviam mais nascimentos naturais.
—E como sabiam qual filho era de quem?
—Cada código raiz era diferente. Havia uma máquina que identificava o código raiz do recém-nascido e o entregava para seus pais. Nem mesmo as plebeias ficavam grávidas.
—Impressionante.
—Com o tempo, os Morganianos me acharam. Então tive que começar a me mover, mudar-me de um lugar para o outro, fugir. Eu treinei mais e mais e um dia, mandei esse negócio de fugir para o inferno e comecei a matar Morganianos. Eu os matava porque eu podia, porque eu queria, por vingança. Portanto, acho que isso me torna uma vilã.
—Como você está conectada com o disco? É tipo... bluetooth?
—Mais ou menos. Então, o que vocês fazem para se divertir neste lugar?
—Bailes.
—Nunca estive num baile.
—Bom, hoje teremos um. Traje de gala. Sabe o que é?
—Sim.

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