Mundo em Chamas

1 Capítulo 1


“O mundo é injusto” — penso logo que acordo em mais uma manhã que tenho que fingir. Fingir que concordo com a maneira que o mundo funciona, apenas porque meu pai é um daqueles que contribuem para que ele funcione assim. Ele é o prefeito de nossa cidade.

Meu mundo é muito diferente do mundo que ele era antes, ele é dividido. Não, não vivo em uma distopia como leio em muitos livros. O mundo antigo, como pensamos da época antes da divisão, não foi destruído por uma guerra nuclear, nem por desastres naturais. Meu mundo é diferente porque a humanidade possui habilidades que antes não tinham. Não sei como surgiu, tenho certeza que algum cientista deve saber ou pelo menos ter uma ideia, e porque surgiu, mas a humanidade passou a nascer com habilidades um tanto...especiais. E aí que entra a divisão.

“Nossos” poderes são divididos em 7 grupos hierarquizados nomeados a partir das joias que são dadas quando se entra nesse grupo: Os Topázio, que é o grupo mais comum, que é composto por aqueles que possuem afinidade com a Terra; Os Esmeralda, composto por pessoas com afinidade com o elemento ar; Os Rubis, composto por pessoas que possuem afinidade com o elemento fogo; Os Safira, que é composto por pessoas que possui a afinidade com o elemento agua, Os Ametistas, que é composto por pessoas com afinidade com o elemento espirito, que juntamente com os Safira e Rubis, são os mais raros. Porém de dentro de cada grupo ainda possui outra hierarquia, aqueles que possui a Habilidade primaria: que conseguem controlar os elementos em si, além de algumas habilidades secundarias, e os que possuem uma Habilidade secundaria, que não preciso nem dizer que é a mais comum. Esses 5 grupos fazem parte do mesmo nível, eles aceitando ou não. Os outros grupos que completam a hierarquia são os mais peculiares, Os Opala, são aqueles que não possuem poder nenhum, passaram pelas duas fases que é possível o desenvolvimento e desenvolveram nada. Os Diamantes, que são compostos por pessoas com afinidades com dois elementos, o que é muito raro pois a afinidade é muita mais do que a palavra deixa entender, é mais uma ligação, conexão que leva em consideração sua personalidade, seu ser, o seu “Eu”. E o último grupo que é tão raro, tão raro que só possuiu apenas 4 membros em toda a sua história e que atualmente só possui 1, Os Alexandrita, que possuem afinidade com TODOS os elementos e possui muitas das habilidades secundarias.

Suspiro ao olhar para minha pedra opala em meu pescoço e lembro do dia em que a ganhei no 1º teste quando tinha 10 anos e da expressão do meu pai e irmãos, todos Rubis, quando eles viram. As pedras não definem sua classe social, desconfio que quando foi imposto isso alguns dos legisladores faziam parte do meu grupo, mas é pesadamente impactante na sua influência.

Meu pai é um Rubi possuidor da Habilidade primaria e se orgulha muito de ter passado sua “genética superior” para meus dois irmãos mais velhos e para minha irmã mais velha, além da habilidade característica de minha família, O Ressurgimento da Fênix, que é uma versão mais pomposa de dizer que minha família possui a habilidade de se auto curar e viver muito tempo, tenho um parente que vive há 200 anos e segundo ele ainda vive mais 200, o que discordo porque ele já não aquente nem manter a dentadura na boca.

Minha mãe morreu quando eu tinha 9 anos, era uma Opala, ela sempre disse que eu era como ela, mas toda vez que ela mencionava isso eu começava a chorar porque eu queria ser como meu pai e meus irmãos, desprezava a Opala de minha mãe, o que ela achava graça e não se ofendia. Todos amavam minha mãe e deve ser por isso que ninguém de minha família me descrimina por eu ser um Opala. Sempre percebo os olhares carregados de pena de meus parentes, mas finjo que não vejo.

Hoje completo 19 anos, e estou a um ano de fazer meu 2º teste. Todos estão muito confiantes que eu me tornarei um Rubi como todos, e fazem questão de vocalizar isso em toda oportunidade que tem. Não consigo nem olhar em seus olhos quando penso que nunca serei um Rubi como eles esperam.

— Eric acorde ou irá atrasar para a escola! – Grita a única outra pessoa Opala da casa, nossa governanta, Sra. Opplin, metendo a metade superior do seu corpanzil pela porta de meu quatro e começando a sair.

— Já estou acordado Op – respondo deixando minha tristeza evidente em minha voz. Fazendo com que Op parasse de sair, e sentasse em minha cama.

— Outra vez preocupado com o teste? – Pergunta com aquele olhar que juro que ela consegue ver minha alma.

— Sim – respondo ao sentar na cama

— Você sabe que não tem o que se preocupar, não precisa fazê-lo por mais um ano

— Eu sei, mas é que cada dia que passa ele se aproxima mais. Preferia mil vezes fazer logo e acabar com isso de uma vez. Meu pai está me enlouquecendo, fica me perguntando todas as manhãs quando meu poder despertou e quando ele vai me contar — falo de uma vez, em um suspiro bastante exagerado.

— Eu sei meu menino, eu sei. Sua mãe passou pela mesma coisa que você está passando – falou Op me fazendo lembrar que foi ela que cuidou de minha mãe depois que a família dela a abandonou.

Op é o mais próximo de família materna que tenho. Minha mãe foi abandonada em porta de sua casa quando não tinha nem um ano de idade, ela a criou como filha, desde então e esse é um dos vários fatores que fizeram meus pais se apaixonarem: eles moravam na mesma casa. Em alas diferentes, é claro, mamãe morando com os empregados na casa anexa e papai na casa principal que é de nossa família desde os tempos antigos.

Papai, que fala isso toda vez que menciona mamãe, sempre foi apaixonado por ela. Iam para a mesma escola pois vovó Mary sempre falou que “Aurora foi uma filha para mim” e de certa forma era, mais filha de que a própria filha dela, Tia Scarlet. E mesmo com todas as garotas possuidoras da Habilidade primaria, das famílias mais influentes da cidade de Los Angeles, aos pés dele, ele só tinha olhos para a Opala órfã com quem se apaixonou. Porém a paixão não durou, e depois de 4 filhos, papai começou a se ressentir de mamãe por ela ser uma Opala, mesmo ela dando a ele 3 filhos Rubis e outra criança que até então tinha tudo para seguir no caminho dos irmãos. Esse ressentimento levou a mamãe a arrumar as malas e dos filhos e ir nos pegar na escola para sairmos de casa, mas ela nunca chegou a nos pegar. Um caminhão a atingiu com tanta força, que não houve nada para cremar, como é tradição em minha família.

Percebendo onde meus pensamentos iam, Op se inclinou sobre mim, tocou minha testa com a sua e falou: — Sua mãe teria muito orgulho de você. – e se levantando, ao mesmo tempo de enxugar suas lagrimas, as mesmas que aparecem quando lembra de sua filha amada.

— Mas levante logo que seu pai lhe espera na mesa

Me levanto sem muita vontade, me arrumo, arrumo minha coisas e começo o dia, nada desejado, de meu aniversário.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.