Notas iniciais
*Capítulo editado. Espero que gostem =3 Boa leitura! :>

Abri os olhos e senti um vento bem forte na minha direção. Tinha um ventilador virado pra mim, o Thed me abanando do lado esquerdo e o tal cara novamente com a máscara, o jaleco e os óculos na minha frente me observando. Estava novamente na sala em que acordei na primeira e segunda vez.

– Eita menina pra desmaiar, viu... – Thed diz quando me viu de olho aberto.

– O quê aconteceu dessa vez? – Perguntei ainda sonolenta esfregando os olhos.

– Como esperado, você desmaiou logo depois que viu o Doutor Bxo, e observou a sala. Fazia parte dos exames...

– O quê? Fazia parte dos exames me matar do coração? Uma pessoa com problemas cardíacos poderia ter morrido, vocês estão cientes disso?! – Comecei a suar frio lembrando da cena que vi lá dentro.

– Relaxe Sthefania. Thed tem autorização para lhe contar tudo o que está acontecendo. – O cara mais velho disse pra mim. – Ele será seu guia e seu responsável de agora em diante.

No momento eu pensei "Como assim 'seu guia e seu responsável'? Meus pais morreram?! Não acredito! Então era isso? Meus pais morreram e eu estou em um hospital para doentes mentais, para ver se não fico traumatizada?"

– Meus pais morreram?! – Arregalei os olhos ao pensar alto.

– Seus pais? Bom... Você não vai mais vê-los... Thed te contará tudo logo mais. Por favor, acalme-se até lá.

Acalmar-me até lá. Isso era fácil já que não estava acostumada a ser hiperativa e histérica. Já calma, eu me levantei e comecei a andar de um lado para o outro. Thed e “Doutor Bxo” como Thed o chamou, estavam me olhando confusos. Me lembrei da sala novamente e fiquei toda arrepiada. Sentei e olhei para Bxo.

– Você! O que você é? – Apontei para ele de forma acusadora.

Ele não pareceu surpreso com a pergunta. Calmamente o médico respondeu:

– Sou apenas um sujeito normal.

– Normal?! – Arregalei os olhos de novo e comecei a rir de nervoso. – Normal? Você, normal? Normal onde, meu filho?!

Ele ficou parado por três segundos. Olhou para Thed que me observa calado, olhou para mim e respondeu:

– Se tem alguém diferente ou incomum por aqui... É você.

Não entendi o que ele queria dizer. Olhei pra baixo tentando me observar, como se fosse possível. Não via nada de diferente em mim, então me levantei e comecei a andar novamente.

– Por que está rodando pela sala de um lado para o outro?

– Não é da sua conta, Thed. – Não sei por que falei assim com ele, então me desculpei. – Foi mal, to me lembrando daquela sala. Pensar nessa me dá arrepios.

– Normal... Você não está acostumada com isso, mas é melhor se acostumar, viu.

– Hã? Porq...

– Tome! – Ele me interrompeu de novo. – Escreva tudo o que viu e tudo o que acha daquela sala nessa folha. Caso precise de mais, tem folhas na mesa. Ficaremos aqui no canto para você pensar e escrever. – Ele sorriu.

Andeo até a mesa e peguei o bloco de folhas todo. Fui até Thed e ele fez uma careta de confuso, com aqueles olhos de filme de terror olhando profundamente nos meus. Segurei as folhas com força e dei um tapinha fraco na cabeça dele.

– Ei, porque fez isso? – Ele esfregou a cabeça enquanto eu botava as folhas no lugar em que estavam.

– Para aprender a não me interromper.

– Para uma menina que desmaia tanto, você é até durona, Sthef!

– Cale-se agora e deixe-me escrever.

– Sim senhora! – Ele se calou e ficou esfregando a cabeça por alguns segundos.

Bxo riu e eu comecei a escrever como em minha redação sobre Autobiografia.

“Para começo da história, não sei como vim parar aqui. Em um minuto estava atravessando a rua e em outro, estava em um quarto ou uma sala que nunca vi. Parece um hospital, mas não tenho certeza. O médico responsável por mim é uma criança que usa lentes de filmes de terror. De repente, aparece um cara e me leva pelo braço até uma sala. A sala estava escura até então... Nada se via. Quando as luzes acenderam, pude ver coisas terríveis, mas no meu ponto de vista, fascinantes, mesmo sendo assustadoras.
O que vi?
Ossos de pessoas, corpos mortos, cérebros em potes, olhos na estante, cabeças decepadas. O ‘banco’ em que sentei era uma pilha de ossos dentro de uma capa transparente de plástico grosso.
O cara que me levou até a sala sinistra não é uma pessoa. Com os óculos, a máscara de médico e o jaleco, ele parece uma pessoa normal, como todas as outras... Mas acho que seres humanos não tem olhos pretos daquele jeito, dentes afiadíssimos, garras nas mãos e espinhos pelo corpo.


Não sei se fiquei apavorada, se gostei, se achei maneiro... Eu até curti algumas coisas mas foi um choque para mim ver tudo aquilo de uma só vez. E o Thed ( o cara que cuid”

Parei de escrever. De repente levei uma espécie de choque e tudo o que escrevi me veio à mente. O que estava fazendo lá? Eu deveria estar indo para casa. Meus pais nem deviam se dar conta de que eu não estava lá com eles, mas quando dessem, iriam me bater com certeza. Eu não deveria estar fazendo o que dois caras doidos, desconhecidos, estranhos e anormais me pediram. Por que estava tão tranquila quanto a isso tudo? O cara tinha espinhos no corpo, seus olhos eram apenas bolas pretas! O que estava acontecendo? Onde estava?

Larguei a folha do jeito que deixei e me levantei. Olhei em volta em busca da porta e dei uma olhada pra ver se encontrava algo que seria útil na minha volta pra casa, como dinheiro, minha própria mochila, minhas roupas sumidas...

– Ok, foi muito bom estar com vocês, mas agora preciso ir... — Eu disse apressada já com a mão na maçaneta.

– Sthef, aonde vai? – Me perguntou Thed.

– Vou para minha casa! Posso?

– Você sabe onde fica sua casa, Sthef? – Ele levantou as sobrancelhas como se duvidasse do que eu tinha dito.

– O quê? Mas é claro que sei... – Girei a maçaneta e abri a porta. – Bom, muito obrigada pela ajuda, por cuidar de mim, pelas roupas novas, pela atenção e cuidados. Obrigada mesmo!

Botei o pé pra fora do quarto e quando virei o rosto, sinti a ponta do nariz de alguém encostado no meu. Era o de Thed! Mas como era possível, se segundos atrás ele estava sentado no canto da sala?

– C-como você fez isso? – Eu eu três passos para trás.

– Tem muitas coisas que você precisa saber, Sthef...

Ele estava sério. Eu realmente não estava mais admirada com tudo aquilo. Estava assustada de verdade. Queria ir embora, queria ficar com meus pais. Thed bloqueou a porta e não me deixou sair.

– Por favor, me deixe ir!

– Você não tem para onde ir, Sthefania. – Disse calmamente Bxo.

– Como não? Minha casa... Meus pais...

– Eles não estão aqui. Esqueça-os.

Pensei: "Esquece-los? Como assim? Não estou entendendo nada. Minha cabeça está confusa, não sei de nada mais.".

Olhei para Bxo por alguns segundos. Depois olhei para Thed. Se eu nunca os tinha visto até hoje, por que me tratavam como uma conhecida? Queria voltar para minha casa, mas não me deixavam ir.

– Droga! – Resmunguei como de costume. Eu nunca fiquei tão confusa em toda minha vida.

Peguei uma cadeira, arrastei até o cento da sala e sentei ali mesmo. Na minha frente estava Thed encostado à porta, bloqueado a passagem. Do meu lado esquerdo estava Bxo, apenas observando os acontecimentos.

– Eu quero saber a verdade. O que está acontecendo?

– Bom, Sthef... A única coisa que pode ser dita agora é: — Thed fez uma pausa de mais ou menos um minuto. Comecei a suar novamente. Uma gota escorreu pela minha testa. Estalei os dedos e penteei os cabelos com as mãos. Esfreguei os olhos, respirei fundo, expirei o ar, tussi, olhei para o chão e em seguida para o teto. Enfim, ele continuou. – Você não está mais na Terra. Você está em Gothic Dark.

Desabei no chão. Não desmaiei, não chorei, não me desesperei. Apenas comecei a rir loucamente como se fosse a piada mais engraçada do mundo. Me revirei no chão como uma minhoca por um longo tempo.

Depois de tanto rir, fechei o sorriso com muita dificuldade e antes que eu dissesse “bela piada, Thed!”, alguém entrou na sala às pressas. O sujeito que entrou era uma mulher, com 2 metros de altura, três olhos cinzas e os cabelos azuis que iam até sua cintura.

– É sério? – Fico de boca aberta. Aquela mulher não poderia estar de maquiagem nem fantasia...

– Com certeza! – Ele sorri.

Meu queixo foi até o chão.