Mundo dos Demônios
5 Casa nova
Notas iniciais
Entrei em minha nova casa. A decoração era muito bonita. Havia quadros grandes e bem pintados pelas paredes. O carpete era de um azul escuro que combinava com a cor das paredes da sala. A casa parecia ser daquelas antigas, mas estava nova como se tivessem acabado de construí-la. A sala, bem espaçosa, continha alguns sofás de cor vinho, uma mesa e uma TV bem grande. Em cada lado dela havia uma escada, com corrimões que pareciam feitos de pequenas caveiras, e degraus com desenhos de rosas.
Thed me chamou para ver o andar de cima antes de continuar explorando a sala.
Subi calmamente, com as mãos deslizando pelo corrimão tão bem decorado.
No andar de cima, tinha quatro portas diferentes. Duas grandes e duas pequenas. As maiores eram nossos quartos. Um para cada um, é claro. As menores eram os banheiros.
– Este é o seu quarto. — Disse Thed me dando a chave da porta.
A porta, tão grande e larga, feita de vidro espelhado, tinha a maçaneta em forma de guitarra. Era linda. Combinava bastante com o meu estilo.
– Se gostou da porta, espere só até entrar!
Olhei para Thed sorrindo e ele sorriu de volta. Que sorriso bonito ele tinha...
Abri a porta e fiquei de boca aberta.
O piso parecia ser feito de penas, de tão macio que era. No centro do quarto estava minha cama. Uma cama de casal roxa com lenções pretos de renda. Nas paredes, tinha desenhos de flores pretas, muito bonitas e desenhadas delicadamente a mão. Do lado da cama estava uma pequena mesinha com poucas gavetas, onde tinha um abajur e o controle da TV.
– Meu Deus! — Eu arregalei os olhos ao ver o tamanho daquela televisão.
Eu não tinha noção de polegadas, mas sabia que eram muitas. Muitas polegadas. Ela cobria metade da parede que ficava em frente a cama. Era perfeito.
De baixo da TV, havia uma guitarra vermelha e um violão.
Na parede vazia, estava meu guarda-roupa, cheio de roupas novas e esquisitas, mas que eu rapidamente me acostumaria a usar.
Do lado da TV gigante tinha uma porta. Ali ficava o meu banheiro. Ele era todo delicado e enfeitado. Algumas maquiagens e batons estavam devidamente guardados dentro das gavetas. Logo abaixo, no armarinho, tinha tudo o que eu precisaria para manter minha higiene. O espelho cobria uma parede inteira, e a banheira parecia muito confortável.
Saímos pela segunda porta do banheiro e fomos ver o quarto de Thed.
Eu fiquei completamente chocada com meu novo quarto. Era perfeito para mim como se tivessem pego ideias da minha mente. Era o tipo de quarto que eu nunca teria na Terra, então estava extremamente grata áquilo.
– Talvez o meu quarto seja bastante desconfortável para você... Então, te aconselho a não entrar, mas se quiser, a porta nunca estará trancada.
Dizendo isso, ele abriu a porta. Logo senti o cheiro forte de sangue e carne podre. Foi aí que percebi que meu quarto tinha um perfume muito agradável, que eu não sabia de onde vinha. Já o quarto de Thed, parecia mesmo apropriado para ele, já que era um demônio.
Sua cama ficava no canto do quarto e era quase igual a minha. Logo acima, tinha algumas prateleiras com todo tipo de coisa nojenta imaginável. Havia olhos, pedaços de corpos humanos, tripas, sangue... Só de ver, fiquei enjoada.
– Pode sair se quiser. Não precisa ficar! — Ele disse piscando pra mim.
Nós então saímos. Realmente não era nem um pouco agradável para mim.
– Não sei se você percebeu, mas a casa tem ar condicionado em todos os cômodos, e em alguns, filtradores de ar. No seu quarto, no meu, na sala e na cozinha, tem ambos. Os filtradores servem para tirarem o cheiro de carne podre das minhas comidas. Assim, viveremos em paz!
Fiquei alguns segundos pensando e percebi o quão inteligente aquilo era. Thed até que parecia saber o que fazer, e saber como cuidar de mim. A partir dali, comecei a rever meus pensamentos sobre ele.
Voltando para o primeiro andar, vi que tinha mais um banheiro no canto da sala e fomos para a cozinha. Chegando lá, fui tomada por mais explicações.
– A cozinha é dividida entre a minha, e a sua parte. Onde estamos agora é "neutro", digamos assim. Por isso, tudo o que temos é essa mesa — ele disse se apoiando nela — e essas cadeiras, para o caso de querermos comer juntos. — Olhando para cima ele completou: — Ah, e é claro, um filtrador também.
No lado direito tinha uma porta preta, e no esquerdo, uma roxa. Entramos na roxa.
– Essa é a sua cozinha. Aqui você vai encontrar tudo o que uma cozinha normal na Terra tem. Você pode cozinha nesse fogão se precisar, usar o microondas e guardar as coisas na geladeira e nos armários. Eu só espero que você não suje muito por aqui, porque quem terá que limpar será você mesma! — Ele riu.
Eu só concordava com a cabeça para entender tudo corretamente. Não queria sem querer algum dia entrar na porta preta e acabar comendo uns olhos humanos.
– Essa é minha cozinha. — Ele disse do lado do fora, apenas apontando para ela. — Você já pode imaginar o que tem por aqui... Não vamos entrar.
– Obrigada.
– E então... Essa é a nossa nova casa. — Ele disse enquanto caminhava até o sofá da sala. — O quê achou?
Fiquei procurando as palavras certas para não parecer uma criança dizendo o quanto eu havia gostado.
– Eu amei! Ela é perfeita! Meu quarto... Nem se fala! A decoração é perfeita e esses filtradores... É a melhor coisa que poderia ter, já que vou conviver com um demônio que come minha espécie. — Eu disse e ri, para ele não se sentir ofendido.
Após dizer isso, algumas perguntas vieram a minha mente. Se eles comiam humanos, haveria chances de me devorarem também? O fato de serem "bonzinhos" já não era tão relaxante depois desse pensamento.
Todas as minhas dúvidas eu tiraria com certeza mais tarde, depois de um banho quente e uma boa noite de sono.
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