Mundo das sombras: Memorias de um Vampiro
4 Visita noturna
Eu segui Júlio pela rua com cuidado para não ser percebido, ele estava ansioso eu diria até nervoso, olhava para todos os lados sempre, até que avistou uma casa, correu para o portão abriu e entrou depressa. Eu fiquei esperando um tempo do lado de fora, ele não saiu mais, então sua casa era aquela mesma. Por volta da meia-noite pulei o muro com suavidade, caminhei pelo lado de fora da casa e avistei uma janela aberta no segundo andar, ele não deixaria a janela assim, antes de entrar eu devia me certificar, claro, que aquele era seu quarto. Olhei em volta:
— Vejamos- então avistei uma pedrinha- seria arriscado demais? Ahr!
Joguei ela na janela sem muita força, aí me dei conta que se ele estivesse dormindo não iria escutar. Ouvi um barulho na garagem, alguém estava saindo. Me esgueirei até um ângulo que desse para ver e escutar bem, então a vi, uma bela mulher de robe dando tchau para o marido, ela se parecia com.... não, isso é impossível. Tinha também um garoto muito sonolento ao lado da mãe, que era Júlio:
— Tchau filho, durma bem! — disse o homem que estava em pé, a frente dos dois.
— Tchau pai – ele bocejou e o homem lhe deu um beijo na testa.
— Cuidado, e boa sorte lá no hospital! — disse a bela mulher, o homem lhe deu um beijo rápido na boca.
— Obrigada- e entrou no carro.
Era minha chance todos estavam lá fora. Pulei pela janela para dentro da casa, aquele era o quarto de casal, dei uma breve olhada mas logo sai, caminhei pelo corredor até chegar ao quarto de Júlio, a janela estava fechada como eu pensei e estava escuro lá dentro. Adoraria morar naquele quarto, mas eu devia apressar na minha procura, abri o armário, vasculhei as gavetas sem fazer muito barulho, mas nada. Até que avistei a mochila e a peguei, nessa hora ouvi passos no corredor, fui para detrás da porta, alguém mexeu na maçaneta e abriu um pouco a porta. “E agora?” pensei “não tem por onde sair”.
Mas antes que a porta se abrisse por completo ouvi uma voz feminina que disse:
— Não filho. Dorme comigo!
— Ahr mãe, eu já tô bem grandinho.
— Por favor Júlio, não quero dormir sozinha.
— Está bom.
Ele fechou a porta e saiu, depois ouvi outra porta se fechar. Ufa! Suspirei um tanto aliviado, não queria machucar ninguém por enquanto. E quem eu queria mesmo era o Daniel. Abri a mochila e para minha satisfação minha agenda estava lá, peguei e sai do quarto. Ao passar pela sala vi alguns porta- retratos, um deles tinha os três, o pai de Júlio é médico pelo que constatei. Sai da casa e pulei o portão novamente.
Já na minha velha casa, sentei numa poltrona com a agenda em mãos, pensei como será que estava indo o caso do delegado, bem, na próxima noite eu ia dar a cartada final. Então lembrei de abrir a agenda para ver se estava tudo em ordem, até que...
— Não pode ser! Aqueles moleques...
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