Mundo Submerso

7 Eu sou Absolem, Menina Burra


Notas iniciais
"Mas uma conversa sem destino Mais uma Batalha que não foi vencida E cada Lado é um perdedor Então, quem se importa com quem atirou?" —St Jude, Florence And The Machine

Alice ~*~

Estamos correndo, trovões e raios ainda caem, Cheshire já não sobra mais a névoa, seguimos por uma floresta de cogumelos enormes, longe do Monte a névoa espessa começou a se dissipar e ficar mais leve.

— Que cheiro é esse? – pergunto

— Essência de Borboletas do pântano. – diz a Lebre olhando para os lados através da bolsa.

Diminuímos a velocidade, todos estão mais calmos.

— Daqui para frente você deve ir sozinha Alice. – diz Chapeleiro. – Siga a trilha até encontra Absolem. Pergunte apenas o necessário, e nada, exatamente nada sobre o futuro. Você só poderá fazer três perguntas, escolha as bem.

Desço do cavalo e sigo por uma trilha cheia de fumaça, minha visão está embasada, vejo algo estranho a minha frente.

— Qual o seu nome? – pergunta uma voz grossa e rouca.

— Absolem? – indago levando a mão ao rosto para afastar a fumaça.

— Não. Eu sou Absolem, menina burra. – diz ele. É uma lagarta gigante e azul, o grande Oráculo é uma lagarta que fuma Essência de Borboleta do Pântano por um Narguilé.

— Me chamo Alice. – digo, ele manda uma nuvem de fumaça ao meu rosto. Tusso.

— Pergunte, Menina Burra. – ordena ele

— Não sou burra. – falo

— Sim, você é. – responde ele – Segunda pergunta.

— Eu.. – penso no que falar. Tenho que ser direta. – Qual a minha ligação com essa tempestade?

Não sei. Diga-me, o que você acha? – responde e outra nuvem de fumaça é lançada na minha cara

— Não sei, tenho medo que alguém se machuque por minha causa, desde que cheguei às pessoas comentam que acontecem coisas estranhas. Não quero ser quem eu era antes.

— Pessoas vão morrer Garota, por sua causa ou não. – diz ele – Não importa o que você era ou o que fez para estar aqui. Se está onde está é por que mereceu. Agora me responda, você acha que tem algo haver com o que está acontecendo, menina Burra?

— Sim. E meu nome é Alice. – respondo – Qual o meu papel nisso tudo?

— Isso nem eu posso responder, no momento só posso dizer-lhe que corra trás.

— Atrás de que? Como?– pergunto. Ele assopra uma nuvem de fumaça em minha direção novamente, uma nuvem espessa, não vejo onde estou nem onde ele está, quando a nuvem some Absolem desapareceu e eu estou próxima a Chapeleiro. Sigo ate perto deles quando todos escutamos um barulho, ele e os outros cavalgam para se esconder no meio da névoa e eu os perco. Um velha encapuzada aparece.

— Por favor me ajude! – fala ela. Corro para ajudá-la

— O que está fazendo aqui. – digo – É perigoso.

— Você não tem ideia! – ela aperta meu pulso, pânico invade meu corpo. – Por que não vai até a Floresta se esconder no campo... Alice. – diz ela, diz Meu Nome. Como ela pode saber o meu nome? Puxo meu braço para longe da mesma e corro. Depois de um tempo correndo tropeços em um cogumelo e caio. Levanto-me novamente e corro o mais rápido que posso pela névoa que nunca acaba.

Dandara ~¥~

Alice e os outros se foram, estou sozinha subindo para a Fortaleza, o caminho é estreito e perigoso. Paro de repente.

— O que faz aqui Senhora? Por favor se abrigue em algum lugar. – digo ao encontrar uma idosa encapuzada.

— O que é isso minha Rainha? – pergunta ela. Não consigo ver o seu rosto.

— Estou indo descobrir. Proteja-se. – respondo.

A Senhora segue até a vila e eu continuo subindo a montanha, um raio acerta uma rocha enorme fazendo-a cair a minha frente, Veyr -o cavalo mais rápido de copas- desvia salvando nós dois. Estamos rápido demais, presto atenção atentamente na pequena trilha entre a montanha quando um estrondo faz Veyr parar, olhamos para trás e vejo A Barreira se levantar, Duncan havia protegido o castelo como falará, estava fazendo o que era certo, confio nele desde que éramos crianças.

— Vamos meu amigo, temos que ir rápido. – digo e voltamos a correr. Já estamos correndo a muito tempo, proximo ao centro das três montanhas, de cima consigo ver todo o campo de Copas, porém, algo está errado, o campo está coberto por uma névoa branca e densa, não vejo nada lá embaixo. Veyr relincha e sei onde estamos. A uma enorme ponte de pedra escura sobre o que antes era um lago cristalino, devido à matança orquestrada pela A Amaldiçoada o lago ficou da cor de sangue e com cabeças boiando no mesmo, por esse motivo construímos a barragem, a qual foi rompida a algumas horas. Vejo todo o resto da Fortaleza, não sobrou muita coisa, uma das torres do castelo permanece em pé e de lá é lançado uma luz para o céu. Puxo a espada presa na cela, tiro o salto de meus pés e vou em direção ao topo da torre. O lugar tem um clima pesado e cheira a morte, o caminho até lá é perigoso, ao entrar no que sobrou da Fortaleza sinto como se estivesse sendo observada, restos de panos, tijolos, tapete e pinturas ainda estão no chão. Ignoro a sensação. Quando chego no topo vejo uma única rosa carmim, em volta da mesma um círculo de fogo. Procuro por algo que possa apagar o fogo, quando escuto um barulho, me escondo atrás de uma parede e um grupo de morcegos passam ao meu lado, puxo um pedaço de tapete e corro para a rosa novamente.

Ao apagar o fogo a rosa começa a si encolher e virar um cristal com uma mancha vermelha no centro, guardo-o no bolsa de couro que levo junto a espada e começo a descer as escadas da torre quando uma delas quebra me levando para baixo.

Petter --^--

Corro para a entrada do Castelo, Duncan descobriu tudo, espero que Alice, Dandara e os outros já estejam longe. Subo em um cavalo, na cela está meu arco e flechas, desço o monte rapidamente, quando chego no labirinto lembro-me do que fui aconselhado e em menos de cinco minutos vejo o campo, a trombeta toca e todo o labirinto começa a se transformar em gigantes galhos cheios de espinhos. Desvio-me e vamos cada vez mais rápido, um deles aparece do nada acertando meu rosto, sinto a pele da minha testa se rasgar mas não ligo, finalmente saio do labirinto. Sigo para dentro da Floresta de Cogumelos onde Cheshire deixou uma pequena trilha pela a névoa, mas esta já está sumindo, corro pela mesma quando escuto um grito, é Alice, desço do cavalo com meu arco e algumas flechas e procuro em meio a névoa. Há um som de respiração, procuro por alguém mas não acho.

— O cinza. – um leve sussurro me desorienta

— Quem está aí? – pergunto apontando a flecha em várias direções. – Responda? – não escuto nada, não vejo nada. De repente escuto um cavalgar e sou puxado por alguém, é Chapeleiro está sozinho e assustado. — Onde estão os outros? – pergunto, ele não para, seus olhos estão vidrados. – Chapeleiro! – jogo para fora do cavalo e desço, ele se ajoelha no chão.

— Algo nos atacou, Cheshire pegou Março e voou com ele para fora daqui. – explicou ele olhando para os lados.

— O que? Quem? Onde está Alice? – ele está assustado demais.

— Alice?! – ele diz – Ela foi até Absolem e então sumiu.

— Suba! – ordeno o ajudando a ficar encima do cavalo. — Março e Cheshire devem estar bem, vá para a vila e se esconda por lá. Chapeleiro logo some em meio a névoa e eu começo a procurar por Alice, não vejo nada, tento procurá-la mas não a encontro, preparo-me para o pior quando o vejo, Absolem, O Grande Oráculo.

— O que o trazes aqui, Petter, o Branco? – pergunta. Sei que devo ser direto então logo pergunto.

— Onde está Alice e Dandara?

— Aah a Menina Burra passou por aqui, é tudo que sei. Há uma Magia muito forte sobre o País, magia Negra e Poderosa. Estão me impedindo de localiza-las. Agora, me pergunte algo que realmente seja útil. – diz ele e solta uma fumaça em mim.

— O que quer que eu pergunte?

— Eu sei o que veio fazer aqui meu caro. Vamos pergunte, não tenha medo. Já foram duas. – lembro-me do que Dandara disse, é arriscado demais, mas não posso perder esta oportunidade. – Vamos, pergunte. – ele está próximo demais, algo está acontecendo.

Alice ~*~

Não vejo nada, apenas corro, o mais rápido que posso. Já não vejo mais cogumelos, me pergunto onde estou, algo prende meu vestido, puxo e o rasgo, continuo correndo e algo corta minha mão, dor invade meu corpo mas não paro, sinto algo e depois mais nada, uma queda, caio sem saber onde e desmaio.

~*~

Quando me levanto ainda está de noite uma enorme lua esta preenchendo o céu e o mesmo esta diferente, tento me localizar, ainda está tudo embaçado, não estou na Floresta Cogumelo nem no Campo de Copas, estou na Floresta Negra, estou usando o vestido de minha mãe, o mesmo que estava usando quando cheguei no País das Maravilhas, não tenho ideia de como vim parar ali e nem como estou usando-o

— Alicee – um sussurro sai do meio da enorme escuridão me fazendo correr, vou o mais rápido que consigo na direção contrária quando vejo uma mulher.

— Por aqui! – diz ela.

Sigo até a mesma desaparecer entre as árvores, continuo andando e encontro uma área aberta. Um espelho esta no centro da área, porém, não possui reflexo, é completamente branco, sigo até ele e quando toco o vidro me surpreendo por ser algo líquido.

Olho em volta e só então percebo. Estou na Floresta, num Campo, me escondendo, como aquela velha disse para eu fazer. Um barulho sai do meio da Floresta e me preparo para o pior.