Mundo Submerso
4 A Floresta Negra
Notas iniciais
Alice ~*~
Partimos em direção a Floresta, já estava anoitecendo quando conseguimos avistá-la, estávamos em uma inclinação que nos dava uma visão perfeita da mesma. Era enorme, como se fosse um muralha, suas árvores deveriam ter no mínimo uns vinte e cinco metros, grandes folhas verdes me impediam de observá-la por dentro, como se a floresta protegesse algo dentro dela, como se escondesse algo. Um frio me subiu a espinha ao pensar nos perigos escondidos lá.
— Vamos acampar por aqui! – anunciou Petter – Já está escurecendo.
Os guardas revezaram turnos de vigia, Pit, Chapeleiro e eu arrumamos os colchões e a fogueira, a Lebre e Cheshire estavam brincando... Ou brigando. Já era tarde da noite, ainda estava acordada observando a grande floresta, quando sou interrompida de meu transe.
— Não tenha medo. – sussurrou Petter – ela não é mais a mesma.
— Ela? – perguntei virando-me no colchão e ficando de frente ao mesmo.
— A Floresta. — respondeu – Logo que a doença atingiu o País ela aprisionou tudo e todos que estavam nela.
— Por quê?
— É a Floresta Negra, Alice. Ninguém sabe ao certo o por que, acredito que ela se sentia na obrigação de proteger aqueles que a defendiam. – falou ele
— O que havia lá dentro?
— Cobras e panteras gigantes, morcegos, golens, trolls, criaturas místicas e a Reino da Árvore. Quando a doença chegou todos eles desapareceram, e a Floresta perdeu sua mágica.
— E o que ha nela agora? – perguntei querendo saber o que nos esperava.
— Ladrões! – falou ele me espantando – Não se preocupe, já estávamos preparados para isso. Tente dormir um pouco.
Viro-me novamente e encaro a Floresta, agora sei por que me pareceu tanto uma muralha. Estou tão cansada, fecho os olhos antes da escuridão total.
v jo
Alg m
M viment
... ...
— Aceita uma xícara de chá? – perguntou-me a Lebre, acordando-me.
-Agradecida! – respondo pegando a xícara. Estão todos tomando chá e comendo bolo, me pergunto de onde veio tanta comida, quando observo uma carroça cheia de guloseimas ao longe. – Que horas são?
— Quatro e quinze! – responde Chapeleiro
— Ainda?! Como é cedo. – digo e um dos guardas nos alerta para irmos mais rápido. Pego dois bolinhos e vou em direção a Petter que está sentado longe de todos. – Bom Dia. Tudo bem? – pergunto lhe entregando um dos bolinhos.
— Esta sim. – mentiu ele
— Quer um conselho. Guardar o que esta fazendo se sentir assim não ira melhor nada! – afirmo
— Talvez eu tenha me enganado sobre algo. – disse ele
— E...?
— E talvez eu precise fazer uma escolha muito importante.
— Escolher os lados, acredito. – indago
— Como sabe? – ele pergunta
— Chapeleiro.
— TODOS AOS SEUS POSTOS! ESTAMOS PARTINDO. – Afirmou um dos guardas.
Ao entramos na Floresta o dia se tornou noite, nem um raio de sol passava pelas folhas, todos receberam tochas e as acendemos, seguimos um caminho pouco iluminado quando escutamos um grito.
— O que foi isso? – pergunto assustada
— Ignore. – diz o guarda ao meu lado
Outro grito é lançado e um tronco cai atrás de nós, os cavalos se assustam e correm, fazendo com que eu caia e leve Petter comigo. Os guardas não conseguem controlar seus cavalos e se distancia cada vez mais. Um estalo nos tira o sossego, Pit e eu olhamos em direção ao barulho, um rosto gordinho sai das sombras.
— Corra! – sussurra Pit. – Vai. – Fico paralisada, a única coisa que vejo é Petter puxar uma flecha e preparar para lança-la.
— Não. É só uma criança. – empurrou e a flecha acerta a árvore ao lado do rosto, que desaparece. Um estalo alto nós tirou a atenção, as árvores balançaram e um vento forte atravessou a estrada. Pessoas incrivelmente idênticas saíram das sombras segurando adagas e facas, o arco de Pit havia caído longe, eles estavam se aproximando quando uma flecha acerta um dos “gêmeos” no peito e logo Chapeleiro aparece em cima de seu cavalo segurando um arco, dois dos cinco guardas aparecem e um deles joga uma espada para Petter. Logo uma batalha se inicia, Pit fica á minha frente e um dos guardas ao seu lado.
— Não queremos briga! – afirmou o Rei – Deixe-nos ir
— Silêncio! – falaram todos em uníssono
Eles avançaram ainda mais, Chapeleiro preparou uma nova flecha, Pit e o Chefe da Guarda se prepararam para atacar. Um estalo alertou todos novamente e uma árvore inclinou-se para frente caindo em cima de um dos “gêmeos”, logo em seguida a árvore voltou ao seu lugar de origem, todos estavam sem reação com o acontecimento quando uma adaga acerta o cavaleiro que caiu morto. Agora eu sabia o que eram, eles eram Ladrões, eram Assassinos. Chapeleiro acerta outra flecha em um deles, dois dos sete “gêmeos” estavam morto, um deles avança em Pit que se defende, todos avançam e uma batalha começa a acontecer quando um vento invade o lugar, uma névoa verde começa a sair do fundo da floresta. Um dos assassinos tenta me atacar, desvio do que seria um golpe letal e o empurro para a névoa, seu corpo começa a se encher de bolhas e a ficar rosado, aquilo era ácido.
— Corram! – grito, Chapeleiro vai ate mim e me coloca em cima de seu cavalo.
— Petter! – Grito, mas já estamos longe. Seguimos floresta adentro ate avistarmos os outros três cavaleiros com suas tochas.
— Apaguem! – diz Chapeleiro e joga um das tochas em uma pequena poça de água.
Algum tempo depois Petter aparecesse sozinho em seu cavalo, fico aliviada, porém, não vejo com ele o Chefe da Guarda.
— Corram, não parem ate chegarmos ao abismo. – ordena Pit.
Ao final da Floresta realmente havia um grande abismo, estava nebuloso e não consegui ver seu fundo.
— O que foi aquilo? – Perguntou saindo do cavalo.
— Tweedlo’s.– respondeu Cheshire
— O Que? – pergunto
— São criaturas semelhantes a seres humanos. Eles ficaram presos na Floresta e aproveitam de qualquer viajante pra saqueá-los. – explicou Chapeleiro, a Lebre saiu de dentro da bolsa levada pelo cavalo.
— Não imaginava que havia tantos. – disse Petter.
— E aquela névoa? Aquela árvore? Você disse que a floresta não possuía mais magia. – condenei-o
— Eu... Eu... Eu não sei.- disse ele, me senti culpada
— E os outros? – perguntou um dos guardas. Pit balançou a cabeça em negação – Vamos já estamos chegando. – disse ele virando o rosto.
O sol já estava se pondo e me perguntei quanto tempo ficamos lá dentro.
— Que horas são? — falo á Chapeleiro
— Quatro e quinze. — responde. Dez horas haviam se passado lá dentro. Seguimos o penhasco que cobria todo o final da floresta, fomos andando na beirada ate entrarmos num caminho estreito que contornava uma montanha. A neblina que me impedia de ver a altura finalmente desapareceu, deveríamos estar a uns duzentos metros do chão, no seu lugar havia um deserto molhado, algo como argila borbulhante e liquida.
— O Que é aquilo? – indago
— Morte. – respondeu ele. – Aqui foi um dos lugares afetados pela doença.
Eu não podia imaginar o que havia acontecido, era perturbador. Restos de construções ainda apareciam no imenso Deserto Molhado.
— Estamos chegando! – anunciou Chapeleiro
— Graças. – disse Cheshire
— Olhe Alice. – chamou Petter. Olho para frente e avisto um campo enorme e verde e uma montanha solitária no centro do mesmo. Estava vermelha, como sangue, era linda.
— O que é aquilo? – pergunto
— Aquilo minha cara. – falou Pit – É a Montanha Carmim. Estamos chegando ao Baralho de Copas.
— Por que ela tem essa cor? – pergunto
— São rosas Alice. – disse Cheshire. – Rosas, nem azul, nem verde, nem roxo... Enfim, Todas cor de Carmim.
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