Mundo Imperfeito
2 Mudanças
Notas iniciais
Já pronta para ir ao aeroporto, com 5 malas, isso mesmo, quase nada, eu fiz ao todo 9 malas mas meu paizinho lindo só me deixou trazer 4 no máximo, mas eu dei uma choradinha básica (tá, foi bem mais que básica, mas foi por necessidade) e consegui levar 5 malas. Escuto da cozinha meu pai me chamar:
–Filha, vamos, não podemos nos atrasar, o vôo sai as 7:00 da manhã e já são 6:40, daqui que chegarmos ao aeroporto, fazer aquelas coisas todas e tudo mais, vamos perder o vôo, e eu não vou ter mais dinheiro suficiente para pagar outra passagem, tá pensando que a Califórnia é bem pertinho é? Não é não minha filha, é do outro lado do país, sem contar que Mistty não é uma cidade muito fácil de se encontrar, com pouca informação sobre elas nos mapas e...-discursou meu pai
CHEGA QUE SERMÃO GIGANTE!! TINHA QUE DAR UM BASTA!:
–PAI!! É O SEGUINTE, SE O SENHOR CONTINUAR DANDO ESSE DISCURSO, NÓS VAMOS REALMENTE PERDER O VÔO!- eu falei perdendo totalmente a paciência
–Você tem razão Leninha! Vamos agora.
Fomos ao aeroporto e por sorte, conseguimos entrar no avião, faltando apenas 2 minutos para decolagem exata. Eu sentei na poltrona do meio, ao lado do meu pai e de um menininho com cerca de 8 anos de idade. Resolvi recapitular minha vida inteira numa foha de papel:
"Lena Lewis Martinez, tenho 15 anos, e nasci no dia 20 de outubro. Meu pai e minha mãe se conheceram quando estavam na faculdade mas nunca ficaram amigos, até o dia em que meu pai se tornou dono da empresa que ele trabalhava, foi aí que minha mãe se aproximou e conquistou meu pai, e acabaram se casando.
Meu pai sempre foi uma pessoa muito humilde, que cresceu numa fazenda no Texas, com costume de família unida, aprender a cuidar dos animais e andar livre por aí sem se preocupar se vai ser roubado a cada instante que sair de casa. Meus avós paternos cresceram nessa cidade de Mistty, pra qual estamos nos mudando atualmente , eles viviam repetindo que lá se aprende que diferença e imperfeição, é uma parte do mundo que sempre vai existir, e que as diferenças são as coisas que mais unem umas pessoas as outras coisa e tals... . Eu sinceramente nunca acreditei nessas coisas, sempre vive num local onde todos pensam e agem muito igualmente, e o que é diferente não é legal, porque sei lá, na minha cabeça, temos que seguir padrões que nos qualificam para sermos melhores. Mas enfim, quando meu pai passou no vestibular para NY, se mudou para lá, para fazer a faculdade. Antes de namorar minha mãe, no caso, antes do trabalho, meus avós paternos morreram num acidente de carro, junto com seus dois irmãos, Andrew e Derik, um deles o Andrew, estava noivo e prestes a casar, nessa época meu pai ficou muito abalado e quase trancou a universidade, pois sua família inteira foi embora de uma vez, de maneira brusca e sem despedidas. Outra pessoa que estava também nesse carro, era sua namorada , que ele praticamente não fala sobre ela, a Ashley, que foi o grande amor da sua vida, e que por mais que ele tenha casado com minha mãe, ele jamais vai esquece-la. A Ashley, meu pai falou dela apenas uma vez, disse que conheceu desde o ano que nasceu, pois eram vizinhos e suas famílias muito amigas, eles eram melhores amigos desde muito pequeninos, e prometeram amor um ao outro eternamente. Compreendo totalmente meu pai, um amor desse jeito parece realmente impossível de esquecer.
Minha mãe sempre foi criada em NY, mulher da cidade, sempre deu muita valorização ao dinheiro e ao luxo, totalmente oposto ao meu pai. Só se preocupava com o que as amigas iam achar se tudo não estivesse totalmente perfeito e impecável, resumindo, totalmente fútil. Minha mãe nunca mencionou sobre o pai dela, e mesmo eu tocando no assunto, ela nunca me revelou nada disso, já a minha vó, ela e minha viviam grudadas, uma igual a outra, em jeito e fisicamente também. Ela possuia duas irmãs, uma mais velha que não se importava com ninguem, a não ser com ela mesma e outra que é da mesma maneira que minha mãe.
Deu pra perceber que eu posso ser um pouco dos dois. Mas eu sinto que minha vida toda eu tentei ser igual a minha mãe para ser aceita na sociedade, mas acho que no fundo, eu sempre soube que sou idêntica ao meu pai."
Acabei dormindo e nem vi a hora passar escrevendo, só sinto meu pai me cutucando:
–Lena querida, acorde!
–Chegamos?]
–Temos que pegar conexão e já já chegamos.
–Que horas são pai?
–Cerca de 14:00 da tarde, não se preocupe eu faço tudo pra você.
–Obrigada pai, na verdade, obrigada por tudo que você faz por mim todos os dias, sempre
–Que nada minha filha, sempre vou fazer tudo possível por você.
Saímos e pegamos a conexão. Acordei novamente com outro cutuque do meu pai, dessa vez chegamos, precisamos ter chegado, estou muito cansada. Meu pai falando:
–Vamos filha, temos que pegar o meu carro para irmos a Mistty.
–Claro pai!
Foram mais 3 horas de viajem, resumindo, ia chegar quebrada em casa.
Finalmente chegamos e me deparei com uma casa pequena, com jardim aconchegante e um balanço muito fofo.
–Lena, eu vou levar essas malas ´pra dentro, arrumar as coisas para a gente descansar, fazer uma coisa para gente comer, enquanto você vai conhecer a cidade.-meu pai disse com tom super cansado
–OK
Fui caminhando por aquela rua, até que saiu uma menina toda vestida de preto, com rímel excessivo nos olhos que chegou em mim e perguntou:
–Garota nova?-disse a menina com voz meio grossa
–Olá sou Lena, uma das mais pops de NY, você deve e seguir no instagram ou no face né?
–Acho que não, mas prazer em te conhecer Lena, sou Taylor. Mas e você, porque se mudou?
–Meu pai ficou desempregado, e tivemos que nos mudar.
–Hum, acho que vamos ser vizinhas. Casa maneira!
–A sua também eu acho, quer dizer, bem diferente né?-falei isso olhando para uma casa toda escura com um ar meio sombrio.
–Sim, e é bom você se acostumar com o diferente, porque aqui o diferente é normal, e padrões não existem, muito menos gente "igual".
–Ahh ta.-falei meio desanimada
–Bom, tenho que ir, daqui a pouco aula de Ballet
–Você faz ballet??
–Sim, não julgue ninguém aqui pelas aparências novatinha, pois todos aqui são bem diferentes.
–Ah ta, tchau
–Tchau
Voltei para casa pois estava morrendo de fome, sem contar que aquela conversa me deixou nervosa. Como assim diferente é normal? Que estranho, pelo visto vai ser muito complicado me adaptar.
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