Mundo Guertena

2 Episódio 2


Notas iniciais
Como eu havia dito, tem spoiler, mas espero que gostem e boa leitura

Quando Ib entrou pela porta, já não era mais um cenário verde. A parede tinha forma de gato com dois olhos em cima e um encaixe em forma de peixe. Ib não conseguiu se surpreender. Tinha dois caminhos: um para a esquerda e outro para a direita.

Na sala da direita, tinha um quadro cheio de rosas vermelhas, e bustos com cabeças assustadoras, mais para o fundo, tinha caixas e algumas estátuas. Ib tropeçou em um buraquinho que falou mal baixo. Ib se virou novamente e viu um busto indo a sua direção. Ela, por impulso, foi para traz, quando o busto chegou perto do buraquinho, ele caiu e quebrou.

Mas é claro, ela veio se arrastando. – pensou Ib dando um tapa em sua testa.

A menina observou os restos do busto e viu algo azul cintilar. Era a calda de um peixe! Era parte do encaixe de peixe na parede! Agora tudo faz sentido para Ib.

Desviando cuidadosamente do busto espatifado, Ib foi para a outra sala. Ali, tinha oito colunas, e a próxima da entrada estava com um desenho um tanto infantil. Ib passou por ela e ouviu algo. Quando se virou, estava escrito algo: “VAMOS BRINCAR DE ESCONDE-ESCONDE?”. E de repente, apareceu uma cortina que desceu e fechou o desenho. Por impulso, Ib apertou o botão onde estava o desenho. Nele estava uma pintura de uma lua crescente, que disso, as luzes diminuíram.

– Ótimo! Como vou acha-lo nessa escuridão? – rosnou Ib para si mesma.

Foi em direção à quinta coluna, que, ao apertar o botão, apareceu uma enorme garra e a arranhou. Depois foi a sexta e apertou o botão, apareceu à imagem de uma mulher nua, que deu um tapa em Ib. Seguiu para a oitava coluna, onde o desenho apareceu com uma legenda: “VOCÊ ME ENCONTROU, PEGUE O SEU PREMIO”. Ouvira um barulho de algo caindo. Foi em direção ao som e viu a cabeça de um peixe, encaixou-a com a calda e formou um peixe perfeito.

Quando estava para colocar o peixe no encaixe lembrou-se que precisava molhar a sua rosa, e que no outro quarto tinha um vaso. Foi em direção à outra sala. Quando achou o vaso, sua rosa deslizou para dentro e se regenerou, com um cintilar lindo, Ib esperou a flor se refrescar e depois bebeu a água do vaso, que estava gelada e gostosa.

Ib colocou o peixe no encaixe e se ouviu um miado estridente. Havia aparecido uma passagem! Inacreditável!

Seguiu por um corredor fino até chegar a outro cômodo. Uma pintura esbranquiçada com um ponto vermelho chamou sua atenção. Ib olhou mais de perto e viu um numero. “9”.

– Para que esse número... Não importa. – disse para si mesma.

Do outro lado tinha outra advertência que dizia: “CUIDADO COM OS LABIOS” e ao lado tinha uma pintura enorme de uma boca. Ib se aproximou e a boca falou:

– Com fome. Você me trouxe comida? É você? – e sentou uma mordida em Ib.

O ferimento pareceu não infeccionar. Ib continuou andando, lembrando que poderia ter mãos nas paredes, passou cuidadosamente por cada uma delas, até que a mão apareceu. Foi tão de repente que a menina caiu. Levantando-se foi em direção a uma sala, que tinha uma plaquinha, escrita: “SALA DOS MENTIROSOS”. Assim que entrou, Ib viu um monte de pinturas de pessoas com roupas diferentes, mas rostos iguais. Estas estavam falando entre si. Entrou em uma sala e viu que tinha uma estátua segurando uma mensagem. A mensagem dizia: “Apenas um que não se encaixa”.

Talvez esteja falando de um dos ladrilhos, mas... Como eu vou saber o certo? – se perguntou Ib, que já sabia a resposta: — Os quadros!

Saiu da sala e partiu para perguntar. O primeiro era o de roupa verde, Ib perguntou:

– Qual é a resposta da charada dos ladrilhos?

– Três passos para o oeste e um para o norte. Essa é a resposta.

Ib duvidosa, perguntou para o de roupa marrom:

– Qual é a resposta da charada dos ladrilhos?

– Quatro passos para o leste e dois para o norte. Essa é a resposta.

Como era a sala dos mentirosos, decidiu apenas guardar as informações e perguntar para todos. Assim, perguntou a resposta para o de roupa amarela, que respondeu:

– O de branco fala a verdade!

Foi no de roupa branca e perguntou, e que teve como resposta:

– Dois passos para o leste e dois para o norte. Essa é a resposta.

Foi para o que estava com roupa azul e perguntou. O mesmo respondeu:

–O de verde fala a verdade!

Como já tinha ouvido a resposta dele, foi para o vermelho, que teve como resposta:

– O de amarelo fala a verdade!

Assim, Ib ficou confusa, mas teve uma leve impressão de que isso estava errado.

Não os ouvi falar o de roupa marrom... Será que...? Tenho que ver. – assim Ib fez.

Foi em direção ao que tem roupa marrom e perguntou:

– Qual a resposta para a charada dos ladrilhos?

– Quatro passos para o leste e dois para o norte. Essa é a resposta.

Ib resolveu confiar nele, foi até a estatua, andou quatro passos para o leste e dois para o norte. Ergueu o ladrilho e nele estava escrito um numero. “4”.

Houve um barulho estridente de algo quebrando e Ib ficou curiosa. Ao sair, os quadros estavam com os rostos pintados de vermelho, e o de roupa marrom estava com o quadro totalmente destruído. Os demais estavam com nomes em vermelho abaixo deles: “MENTIROSOS!”.

Assim que saiu da sala, avistou uma porta com folhas de macieira. Tinha bonecas penduradas. Ib viu a mais baixa, e outra atrás caiu, na mesma estava um número. “18”.

E quando chegou a porta, tinha uma sequencia numérica.

“X x X + X = ???”

Vendo aquilo, Ib se lembrou de todas as aulas que teve, mas nenhuma tinha várias incógnitas. Ib olhou a boneca, com o número dezoito e se iluminou.

É isso! 9 vezes 18 mais 4 é 166! ­– calculou Ib mentalmente.

Assim que colocou a resposta nos lugares, a porta se abriu, revelando macieiras e apenas uma maçã. Lembrou-se da boca faminta, e pegou a maçã. Quando saiu, a porta bateu atrás de si e outra boneca caiu. A mesma não havia nada.

Passando pelo corredor, viu um telegrama. Nele estava escrito, em letras ornamentais: “Justo quando você se esqueceu...”. Não devia ser para ela. Então, continuou. Apareceu com a maçã perto da boca, que começou a se lamber.

– Isso é comida? Dá-me ela.

Ib colocou a maçã na boca e ela começou a mastigar. Assim que terminou, soltou um “delicioso!” e disse:

– Agora que eu comi, deixarei você passar pela minha boca.

Assim que a abriu, teve espaço o suficiente para Ib entrar.

Do outro lado, quadros com aquelas lâminas que usavam para executar pessoas antigamente, estava em forma de subida. Ib os acompanhou, mas quando estava perto o suficiente de uma escada, essa lâmina desceu com tudo. Isso fez Ib dar um salto.

Assim que a lâmina subiu, ela esperou cair de novo, mas não aconteceu. Desceu as escadas até chegar a uma parte avermelhada. Desceu as escadas e tinha outro quadro. No outro lado, tinha uma porta. Por onde Ib passou. Era um salão com esculturas grandes e quadros nem tão entusiasmantes. Ib achou uma porta, mas esta estava trancada. Andou pelo salão e viu uma mulher falando sozinha em uma janela. Quando chegou mais perto viu que não era uma mulher, era a pintura de uma mulher, apenas com a cintura para cima. Usava um vestido elegante vermelho. A plaquinha abaixo dela dizia: “Dama de Vermelho”. Ela estava segurando uma chave avermelhada. Assim que a Dama viu Ib, ela se endireitou no quadro.

– Com licença, senhora. – disse Ib delicadamente – Poderia me emprestar essa chave, por favor?

– Quem você está chamando de “senhora”, garota? – respondeu a Dama rudemente.

– Minhas sinceras desculpas, mas, poderia me emprestar à chave? – insistiu Ib.

– Não, menina petulante, suma daqui.

– Desculpa senhora, mas você me fez perder a paciência.

Ib chegou perto da Dama e lhe arrancou a chave. A mesma ficou tão vermelha de raiva que parecia querer matar Ib. Ela se desgrudou da parede e começou a “correr” com as mãos, já que não tinha pés. Ib correu para a porta, mas a chave não estava entrando.

Oh, por favor... Abre... Abre! – pensou Ib.

Quando a Dama estava a dois pés de Ib, a porta abriu. Com um gesto Ib ficou atrás da porta, para segura-la caso a Dama a abrisse. Passou uns dois minutos e ela não a abriu. Saiu devagar e foi para a porta do outro lado. Ela não abriu.

Deve ter outra chave aqui. – pensou a menina procurando em meio aos livros.

Achou um livro, que mais parecia um caderno de desenho. Não havia nome. Porém, Ib estava com pressa em sair dali, e apenas colocou o livro no lugar. O livro, porém, não estava indo completamente. Então ela tirou o livro e olhou, não tinha nada. Assim que colocou no lugar, ouviu um barulho de porta se destrancando. Foi em direção da porta, e deu de frente a uma pintura de um vaso, cujo nome era “Benção Eterna”, e ao lado um vaso azulado. Ib mergulhou sua rosa e ela se regenerou. Enquanto todos que Ib mergulhava sua rosa ficavam secos, esse pareceu repor a água perdida. Foi para o corredor direito e viu um rapaz deitado.

Ele me parece familiar... – pensou Ib andando em volta dele – Ele é da galeria! ­

Ib chegou perto dele e notou uma chave pequena. Ela a pegou. Depois ela chamou-o, mas a única resposta que teve foi um gemido de dor. Ela massageou-o, mas o mesmo gemeu mais alto. Ele estava com muita dor.

Ib viu pétalas azuis perto dele, e supôs que ele também tinha uma rosa. Voltou para onde estava a pintura e vou para o corredor esquerdo. Lá tinha uma porta pequena. Ib pôs a chave na fechadura e ela abriu, revelando outra Dama, mas a mesma era azul.

– Bem me quer. Mal me quer. Bem me quer. Mal me quer... – dizia a Dama enquanto despetalava a rosa azul. Ib se aproximou apenas para a Dama nota-la.

– Com licença... – pediu Ib, educada – Pode me dar essa rosa?

– Ela é minha, criança. – disse a Dama com doçura.

– A senhorita sabe que essa rosa faz parte de alguém? – perguntou Ib, ainda educada.

– Oh, não, não. – respondeu a Dama olhando com indiferença para a rosa – O que isso significa, querida?

– Significa – disse Ib como se estivesse falando algo obvio – que a cada pétala que você tira, é mais um banho de dor para alguém. Que no caso, o dono da rosa.

– Você está falando daquele rapaz alto? Ele é uma graça... – Ib notou que ela estava mudando de assunto.

– Você quer a minha? – disse Ib mostrando a rosa vermelha que estava cintilando.

– Oh... Que linda... Eu quero... Dá-me... – ela estava abandonando a rosa azul e indo em direção a Ib.

– Vem pegar. – cantarolou Ib e saiu da salinha. Ela se escondeu perto de um pote vazio.

Houve um estrondo de vidro se quebrando e Ib viu a Dama aparecer com a mesma expressão da Dama de Vermelho. Raivosa.

– DÁ-ME ESSA ROSA, CRIANÇA, E NÃO TERÁS QUE SE PREOCUPAR COMIGO! – gritou a Dama.

Ib driblou a Dama e foi novamente para o quarto. Pegou a rosa e observou. Tinha um banquinho perto da janela.

Ela é esperta... – observou Ib.

Saiu da salinha e foi para o corredor. Felizmente, o corredor era estreito demais para a moldura do quadro da Dama, e ela ficou presa.

Mergulhando a rosa azul no vaso com água, a mesma se regenerou com um tom de azul cintilante e vivido.

Voltou para o garoto que estava caído, e o chamou novamente. Dessa vez, o mesmo estava se levantando, com cara de confusão.

–... A dor sumiu...? – e olhando para Ib – Argh... Não tem mais nada para levar de mim!

– Acho que essa rosa é sua. – falou Ib entregando a rosa para o rapaz.

– E-espere... Poderia você... Ser alguém da galeria? – ele disse com a voz rouca.

Ib confirmou com a cabeça.

– Oh... Obrigado Deus, mas me diga, qual é seu nome? – continuou ele.

– Ib...

– Ib? Meu nome é Garry. Prazer em conhecer você. – ele disse apertando a mão de Ib – E muito obrigado, você me salvou, Ib.

– D-de nada – disse Ib olhando para cima, para vê-lo melhor.

– Você estava sozinha... Até aqui? – ele olhou surpreso em ver Ib só.

– Sim.

– Então vamos achar uma saída, nós dois, e vamos sair daqui. Está bem? – ele sorriu.

Ib concordou com a cabeça e foi até ele.

– Vamos, Ib? – perguntou Garry para Ib.

– Vamos. – disse Ib.

Garry estendeu a sua mão, e com relutância, Ib a pegou. Ele sorriu novamente quando ela pegou sua mão.

Notas finais
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