Mundo Guertena

5 Episódio 5


Notas iniciais
ficou meio longo porque, bem... eu gostei, espero que vocês também gostem.

Mary não parava de falar com Ib, Garry se sentia meio desconfortável, mas notou que Ib fazia o possível para conversar com ele. Andaram mais um pouco e encontraram uma porta. Garry foi abri-la, mas estava trancada.

– Ib! Aqui tem outra! Venha ver! – gritou Mary de algum lugar.

Ib foi até a menina e Garry a seguiu. Assim que os dois entraram, notaram algo bastante diferente. Ib notara que Garry ficara pálido.

Dentro havia muitos coelhos empalhados e coloridos. E no meio, um enorme quadro de um coelho de olhos vermelhos.

– Isso não é fofo? – perguntou Mary a Ib.

– Como isso pode ser fofo? – disse Garry ainda mais pálido.

– Isso é muito fofo! Eu queria ter um! O que você acha, Ib? Não são fofos?

– É... Bem... Não tenho certeza... – disse ela se encolhendo um pouco.

– Como assim? – perguntara Mary com a voz rouca.

– Bem, deixando isso de lado, precisamos encontrar uma chave. – avisou Garry procurando entre os coelhos.

Ib foi descuidada, assim que pegou um o derrubou e o coelho espatifou-se.

– Achei a chave!

Saíram e Ib notara o quadro que tinha uma flor se aproximando. Ela chegou mais perto e os três começaram a ver também.

– Que estranho. – afirmou Garry.

Assim que o rapaz disse isso, algo cresceu atrás e se Ib não saísse da frente do quadro seria perfurada com aqueles caules espinhosos.

– Mas... Mas o que... ? Isso é feito de pedra? – Garry estava mortalmente branco.

– Garry... – Ib começou, mas Mary falou primeiro.

– Ib, você tem aquela chave, não tem? Podemos procurar algo naquela sala que de para usar contra isso.

– Boa ideia, Mary. – disse Garry.

– Mas...

– Ib, não podemos fazer nada. Temos de procurar algo.

– Mesmo assim...

– Vai ficar tudo bem. – Garry tentou acalma-la. A menina já estava com os olhos cheios de lagrimas. – Vamos encontrar a saída e sair daqui. Mas no momento não podemos fazer nada.

– Garry tem razão, Ib. Vamos, se encontrarmos algo, nós iremos voltar. Eu prometo. – disse Mary com um sorriso.

Ib concordou com a cabeça e seguiu Mary até a porta.

Assim que entrou, teve um calafrio com uma estatua sem cabeça parada perto da porta. Havia caixas e as meninas procuraram e não encontraram nada. Mary, por fim, foi até a ultima caixa e encontrou algo. Era parecido com uma faca de cortar bolos, devia ser para pinturas.

– Podemos usar isto? – perguntou Mary.

– Duvido muito que isso vá fazer pelo menos um arranhão naquela coisa. – dissera Ib.

– Verdade, mas eu vou guardar... Só para o caso...

Quando se levantaram as luzes se apagaram, mas voltaram novamente. Foram até a entrada e Ib teve uma vertigem.

– Está tudo bem, Ib? – perguntou Mary.

– Nós... Ficamos presas... Aqui... Garry vai... Ficar preocupado... – Ib falou pausadamente como se pensasse em outra coisa.

– Vamos, me ajude a empurrar.

As meninas tentaram com toda as suas forças, mas não conseguiram. Mary apontou para uma porta e disse que, como esta saída estava fechada, nós teríamos de encontrar outro por ali.

E assim as meninas foram.

~~GARRY~~

Elas estão demorando... – pensou.

– Ei, Ib. Mary. Vocês encontraram algo? – gritou ele para a porta. Mas passado alguns minutos sem resposta, ele ficou preocupado. – O que elas estão fazendo?

Ele se virou e viu que o único caminho era aquela porta. Que ele pensou nunca mais entrar lá dentro.

– Não tenho alternativa.

Seguiu e entrou. Foi até um quadro de uma boneca com olhos grandes e vermelhos e disse para si:

– Não importa o quanto eu olhe. Isso não é fofo!

Ele foi ver uns livros e notou que a estante estava bamba. Empurrou-a um pouco e viu um buraco. Empurrou mais e o buraco ficou do tamanho dele.

– Ainda bem, posso passar por aqui!

Assim que passou deu em um quarto onde só tinha uma porta, foi até ela, porém estava trancada.

Ótimo! – pensou – Como eu acho essa chave agora?

Ele andou até a sala e viu uma sequencia de botões. Apertou o ultimo e uma boneca caiu, espalhando um liquido vermelho.

– Isso não é bom para a minha sanidade mental. – disse voltando-se para os outros botões.

Apertou o que vinha antes, e ouviu um barulho em algum lugar. Apertou o do meio e a luz se apagou.

– Só pode estar brincando comigo?!

Apertou de novo e a luz voltou. Ele suspirou. Não queria saber o que o esperava nos outros botões. Sentou-se em um canto e começou a pensar. Pensou em Ib e em Mary. Queria que elas ficassem a salvo, que ele iria salva-las. Ele apenas riu.

Ib quem vem me salvando, ultimamente. Se não fosse por ela... Eu não estaria aqui. ­– pensou Garry.

E continuou pensando em outras coisas.

~~IB E MARY~~

Assim que elas passaram pela porta, viram um buraco enorme no chão, achavam que não ia conseguir passar quando um quadro desceu. Ib não se impressionou, mas Mary olhou com fascinação. Depois que o quadro estava no chão, as luzes se apagaram, fazendo as duas meninas se abraçarem, com medo, mas a luz voltou e constrangida, Ib se afastou da menina. Ela estava indo até o quadro quando chutou algo para o imenso abismo que se formou no chão. Ib esperava que não fosse nada importante.

– Parece que se nós formos por essa pintura, poderemos passar! – Mary parecia animada.

Ib olhou para a pintura e a mesma também a olhou: — Podemos passar?

A pintura apenas fechou os olhos para confirmar.

As meninas passaram por uma porta e elas viram um corredor muito estreito, as meninas tinham que ir uma atrás da outra. Mary puxou a blusa de Ib que a parou.

– Ib... Garry é seu pai?

– Não – ela sorriu – ele é um amigo.

– Oh, vocês já se conheciam?

– Não. Quando chegamos aqui que nos conhecemos. Espero que ele esteja bem.

– Sim... E sua mãe? Ela é legal?

– Não quando fica brava.

As meninas riram e andaram mais um pouco. Mary estava sorridente e fez outra pergunta:

– Ib, e se apenas dois de nós pudessem sair, com quem você sairia?

– Hum... Eu ficaria e deixava você e Garry irem!

– Assim você nunca iria ver seus pais novamente... Isso é triste. Vamos sair daqui.

Atravessaram uma porta e ficaram mais tranquilas. Ib foi para um quarto enquanto Mary via as outras pinturas.

Dentro do quarto onde Ib estava, havia cabeças de manequins. Ela foi até uma pintura, de uma mulher. Ela parecia esbelta. Foi até uma mesa e pegou uma chave em forma de arvore. Ela parou em frente a uma cabeça e começou a observa-la.

Pode ter alguma coisa ali em baixo. – pensou

Quando estava prestes a pegar a cabeça, Mary apareceu. Ela olhou com desconfiança para a cabeça nas mão de Ib.

– Larga isso. – disse ela.

– Eu só quero ver uma coisa...

– Por favor, larga.

– Não.

Assim, Ib ergueu a cabeça, mas era muito pesada, e acabou derrubando-a. O chão fez um pequeno buraco, de onde se ergueu uma fumaça avermelhada que Ib não conseguiu respirar. Mary a tirou de perto da fumaça e a levou para um canto.

– Eu peguei isso. De onde será que é? – perguntou Ib.

– Tem uma porta ali, mas está trancada, e precisa de uma senha.

Elas foram e pediu uma senha:

“Qual o nome dessa obra?”

E tinha a imagem de um quadro azul com pontinhos brancos que lembravam estrelas .

Ib se aproximou de um nome: “Noite maravilhosa”

Tem estrelas e parece estar de noite... Só pode ser essa. ­– pensou a menina.

Apertou o botão onde estava escrito “Noite maravilhosa” e a porta se abriu.

– Como você sabia...? – perguntou Mary, perplexa.

Assim que entraram Ib viu uma fechadura na parede, que lembrava uma arvore. Colocou a chave e ouviram um barulho de porta se abrindo. As meninas ficaram confusas e foram procurar outras portas.

Entraram em um com a chave do outro lado. A sala era sem cor alguma, uma paleta de cores flutuava e num quadro estava escrito: “SOMENTE COM AS SETE CORES P D PA AR” estavam faltando letras.

– O que isso quer dizer...? – perguntou ela.

– Não sei. Venha, vamos fazer algo.

E saíram daquele quarto sem cor.

~~GARRY~~

Ele estava sentado no chão quando algo caiu perto dele. Era um encaixe e loco achou onde colocar aquilo. A porta se abriu e ele entrou. Seguiu pelos corredores e notou uma boneca perturbadora o seguindo, apenas a ignorou até chegar numa porta onde ela atrapalhava o caminho.

– Por que você me segue? Não vê que eu estou ocupado? Tem duas meninas que preciso proteger, você não nota? Me deixe em paz!

Mas, como não conseguiu chutar a boneca, apenas a tirou delicadamente do lugar. Quando se ergueu estava escrito na parede. “ME LEVE”. Assim que leu, a porta se abriu. Lançou mais um olhar para a boneca e entrou.

Lá dentro estava calmo. Uma porta emanava um tipo de vento gelado, que o fez se encolher um pouco. Foi de sala em sala. A primeira tinha pilares com furos no meio. Uma placa nela o chamou a atenção: “COMPLETE E TERA A SAIDA” . Sete pilares, portando, deveriam ser sete cores.

Andou um pouco e viu uma bola amarela. Ele a pegou e num instante desapareceu.

Aquilo devia ser uma bola de tinta, das sete. – pensou. Entrou dentro de um quarto com um gás insuportável e viu um guarda-chuva vermelho e outra bola de tinta roxa. Pegou os dois e os levou para fora. A bola de tinta desapareceu, mas o guarda-chuva cintilava como acontecia quando a chuva caia sobre um.

Um quadro de um malabarista com bolas amarelas e azuis. Garry notou uma diferente das outras. Era de um azul escuro e cintilante. De repente, uma voz do fundo do quadro disse:

– Em que ano nasci?

Garry havia lido sobre ele, mas teve que forçar a memoria para lembrar.

– No ano 6223.

– C-O-R-R-E-T-O.

E uma bola de tinta azul saiu.

Um quadro chamou a sua atenção quando um anzol estava do lado de fora. Garry pensou e viu que o anzol era enorme. Decidiu colocar o guarda-chuva e o anzol subiu.

– Hein? O guarda-chuva foi para dentro do quadro? Nessa altura nada devia me surpreender. – ele sorriu tristemente.

Pensou novamente em Ib e em Mary.

Abriu uma porta com uma arvore em cima. As estantes bloqueavam a passagem onde ele vira uma bola de tinta cor de rosa.

Foi ver outra coisa e achou um livro sobre as utilidades da tinta, e de dentro do livro, saiu uma enorme bola de tinta verde. Ele saiu e foi até a sala com gás, pois estava ouvindo barulho de gotas. Ele entrou e viu um vaso e em cima pingava agua. Foi até ela e ao lado, um pouco mais a frente, viu uma corda. Deduziu que aquela corda parava o gás. Mergulhou sua rosa naquela agua e foi até a corda. Assim que a puxou, o gás foi se dispersando até não restar nada.

Mergulhou novamente a rosa na agua e saiu. Ele viu uma boneca perturbadora em frente à sala com a arvore e do nada, começou a crescer frutas e um som de algo sendo empurrado.

Entrou e viu que as estantes estavam fora do caminho. Pegou a bola de tinta rosa e um livro de capa vermelha o chamou a atenção. Era sobre as obras de Guertena. Abriu onde estava marcado um “M”.

Abriu e viu o que não esperava. Uma pintura de Mary. Dizia que ele a fez sem motivos nenhum.

– Mary é... Uma pintura... ? Ib corre perigo, tenho que salva-la!

Ele apenas disse isso para se confortar. Saiu do quarto e foi até um canto, mas antes, viu uma boneca com a barriga muito volumosa. Ficou curioso e assim que abriu, uma boa de tinta vermelha saiu. Pegou e ela desapareceu. A boneca soltou um sorriso e foi para dentro da sal gelada. Garry hesitou por um momento, mas foi atrás da boneca. Lá dentro, estava cheio de bonecas assustadoras, e no fundo, uma bola de tinta branca. Foi até lá e a pegou. Voltando para a porta, ela se trancou. E nela tinha uma mensagem: “AGORA MAIS UM TESOURO: ACHE A CHAVE”

Ele não sabia onde procurar. E de repente, a sala ficou escura e um barulho de relógio começou a soar. Ele levantava bonecas, olha debaixo das mesas onde estavam espalhadas, mas nada encontrou. Foi até a porta e ficou olhando a enorme boneca que saia do quadro e ia a sua direção.

– Tempo esgotado.

E assim, sua visão ficou vermelha.

~~IB E MARY~~

Mary estava e frente a uma enorme boca. Ib não quis atrapalha-la, mas então, viu que a porta em preto e branco estava aberta. Uma porte com as cores do arco-íris guiavam-na até a outra margem. Pegou a chave marrou e voltou.

Mary ainda estava naquela parte. Não parecia tão animada quanto antes, quando colocavam o guarda-chuva no quadro ou quando começou a chover lá dentro. Ib se aproximou e viu que ela estava chorando.

– Mary? – perguntou Ib, aflita.

– Mary? Eu sou Mary... Eu... Sou... Mary... – ela deu uma risada alta – Eu sou Mary!

Ela saiu gargalhando até o corredor. Ib a seguiu, mas parou na porta quando viu a chave cinza em sua mão.

Ela abriu uma porta trancada com a chave e foi. Mary, que estava atrás dela, pediu para Ib espera-la.

– Não me deixe, Ib. – disse ela.

– Não vou. – Ib sorriu.

Desceram juntas as escadas e foram para uma parte arroxeada.

Passaram pela porta, que só era destrancada daquele lado, e seguiu.

Ib ouviu um barulho e foi em sua direção. Era uma conversa. A voz era familiar.

Ela correu e entrou na sala, onde estavam vários coelhos. Garry estava conversando com um.

– Ga...rry... – Ib murmurou, e agora um pouco mais alto. – Garry!

Ela foi até ele. Sacudiu-o, ele a olhou, mas não parecia enxerga-la.

– Ib, esse não deve ser o Garry verdadeiro. Ele nem está ligando para você. Esse é o falso. Vamos encontra-lo depois, Ib, venha.

Ib não foi. Ela estava chorando. Se agachou perto dele e deu um tapa no rosto de Garry. Mary ficou tão surpresa que não teve reação.

– Hm...

– Garry... Por favor... – ela sussurrou.

– I-Ib? – ele estava olhando para ela.

– Sem chance! – Mary disse baixo, mas os dois puderam ouvi-la.

– Garry! – ela pegou seu rosto e o beijou. – Não faça isso! Por favor.

– I... b? – ele a abraçou e depois tirando as lagrimas dos olhos de Ib, disse: — Isso não vai acontecer, eu prometo. Mas... Eu penso que tenho que te falar algo importante... Não me lembro do que era,

Mary estava fazendo círculos no chão com o pé, parecia impaciente.

– Já que o casal se reencontrou, podemos ir?

– Sim, vamos. – disse Garry olhando com desconfiança para Mary e pegando na mão de Ib, protetoramente.

Eles subiram as escadas silenciosamente quando Mary deixou sua rosa cair. Garry a pegou e disse:

– Mary, sua rosa... Ela...

Mary o olhou furiosa.

– Larga essa rosa! Larga essa rosa, agora!

Ela tirou do bolso a faca que pegara das caixas e o ameaçou. Garry foi para frente de Ib, com intuito de protege-la. Ele conseguiu derrubar Mary, que a mesma caiu inconsciente.

– Ib... Eu preciso te falar... Mary, não é uma humana.

– Não... É? – disse Ib olhando para o corpo que jazia inconsciente no chão.

– Não, ela é uma das pinturas de Guertena. A rosa pode parecer verdadeira, mas não é. Agora vamos, antes que ela levante.

Ele pegou em sua mão e a perguntou onde ficava a sala. Ela o levou até uma onde a escada descia. Uma estatua sem cabeça atrapalhava o caminho.

– Tem realmente muitas estatuas. Venha, Ib, não vou deixa-la para trás.

Os dois foram, escada abaixo, em silencio.