Mundo Descolorido
5 Capítulo 4
Notas iniciais

Domingo [08:30]
Acordei com meu celular apitando por falta de bateria. Esqueci de desliga-lo antes de dormir.
– Mais um dia emocionante na minha vida. – Disse sem animação.
Levantei-me, coloquei o celular para carregar e fui tomar banho.
Depois, tomei café e voltei para o quarto.
Estava mexendo no computador quando Matt me ligou:
– Bom dia, Lucy. – Disse ele.
– Bom dia Matt. Dormiu bem? – Perguntei.
– Sim, e você? – Respondeu.
– Digamos que sim. – Falei.
– Tá afim de ver um filme hoje? – Perguntou-me.
– Que filme? – Disse.
– Algum de comédia, o que acha? – Falou.
– Não, prefiro de terror. – Respondi.
– Então a gente vê um de terror. Às 17:00 no cinema, beleza? – Ele disse.
– Beleza então... – Disse.
Me despedi de Matt e pensei:
– Matt parece estar perdendo a vergonha, hahaha...
[16:21]
Estava desenhando quando minha mãe entrou no meu quarto:
– Lucy, vou precisar fazer uma viagem agora, mas estarei de volta as 20:00, se comporte. – Disse minha mãe.
– Mas você acabou de chegar mãe! – Eu falei.
– Sim, mas já tenho que ir. Até mais. – Ela disse me dando um beijo na testa.
[17:00]
Vi Matt me esperando na entrada do cinema.
– Oi, Matt. – Disse lhe dando um abraço.
– Oi. – Disse ele retribuindo o abraço.
– Que tal a gente ver... – Disse sendo interrompida pelo meu celular tocando:
– Alô? – Eu disse.
– Alô. Lucy? – Disse alguém do outro lado da linha.
– Ela mesma, quem fala? – Perguntei.
– Lucy, sou médico e me chamo Peter, venho lhe trazer uma notícia. – Disse.
– Que notícia? – Perguntei. Senti meu coração acelerar.
– Lucy, acalme-se. – Disse o médico.
– QUE NOTÍCIA? – Gritei e todos do cinema me olharam.
– Lucy, sua mãe faleceu. – Disse.
– O-oque?! Minha mãe... ONDE ELA ESTÁ? – Perguntei.
– Está no hospital. – Disse Peter.
– Matt, preciso ir ao hospital! – Eu falei enquanto meus olhos enxiam de lágrimas.
– O que? Porque? O que aconteceu? – Perguntou-me.
– Minha mãe... Ela morreu. – Disse. Lágrimas rolavam sobre meu rosto.
Fomos até o hospital onde ela estava, meu irmão já estava lá, ele chegou rápido pois já estava vindo para cá fazer uma surpresa para mim e minha mãe. Eu falei com o médico Peter. Ele me disse que na viagem que ela fazia, perdeu o controle do carro e bateu em um caminhão.
Voltei para casa com Matt e meu irmão, Louis.
Fui para meu quarto com Matt.
– Agora eu só tenho você e o meu irmão. E se vocês morrerem também, não sei o que será de mim. – Eu disse.
– Não fale uma bobagem dessas. Vem cá. – Disse Matt abrindo os braços. Fui até ele e o abracei.
– É estranho não é? Te conheço a poucos dias e parece que você já faz parte da família. – Disse.
– Então nós somos amigos, não somos? – Perguntou-me.
– Sim, acho que sim. – Eu disse ainda abraçada com ele e chorando.
Fiquei por muito tempo ali com Matt e meu irmão também. Depois adormeci.
Segunda-feira [07:45]
Acordei e Matt já não estava mais ali. É incrível, sempre que choro muito acabo adormecendo... Havia faltado a aula hoje.
Tomei um banho e fui tomar café.
– Bom dia maninha. – Disse meu irmão com cara de choro.
Sua mulher estava sentada no sofá assistindo TV.
– Bom dia, Louis. – Respondi. – Bom dia, Mary.
– Bom dia, Lucy. – Disse a esposa do meu irmão, Mary.
– Então... Que horas é o enterro? – Perguntei enquanto meus olhos enxiam de lágrimas.
– Às 16:00. – Disse meu irmão com os olhos cheios de lágrimas.
– Matt também pode ir? – Perguntei.
– Claro maninha. – Ele disse. Fui até ele e o abracei.
[16:15]
No enterro tinha muita gente, mais do que eu imaginava, a maioria eram colegas de trabalho da minha mãe. Pessoas consolavam a mim e meu irmão. Matt estava lá:
– Ela está em um lugar melhor agora. – Disse Matt.
– Estou cansada de coisas ruins acontecerem comigo. Quando finalmente encontro um amigo, a vida vai e estraga minha felicidade. Eu já cansei de tanta dor. – Disse chorando.
Após o enterro, me despedi de Matt e voltei para casa com meu irmão, e sua esposa.
Quando cheguei, fui tomar banho e voltei para o quarto.
Estava no meu quarto, vendo um álbum de fotografias, quando meu irmão entra no quarto:
– Oi maninha. – Falou enquanto entrava no quarto.
– Oi, Louis. – Eu disse enquanto ia abraça-lo.
– Não se preocupe, tudo vai ficar bem. – Disse ele.
[20:53]
Estava lendo um livro, quando Matt me ligou:
– Oi, Matt. – Falei.
– Oi, Lucy. Como está? – Perguntou-me.
– Péssima. – Respondi.
– Só liguei para saber como estava. – Ele falou.
– Obrigada, Matt. Teve tarefa hoje? – Perguntei.
–Não, o professor precisou sair mais cedo hoje. – Falou.
–Ah, está bem, obrigada.– Falei.
– Então... Até amanhã. – Disse Matt.
– Até, Matt. – Falei. Voltei a ler...
Resolvi escrever, escrever tudo que sentia, quem sabe não me sentia melhor colocando as palavras que precisava dizer para fora...
No papel, havia escrito:
Minha vida está uma merda. Estou me sentindo péssima. É como se eu gritasse, e ninguém conseguisse me ouvir. Porque Deus, porque as coisas ruins sempre acontecem comigo? O que eu fiz de tão ruim para merecer isso? Todas as minhas orações, minhas preces, nenhuma, absolutamente nenhuma foi atendida. Porque faz isso comigo? Eu não aguento mais.
Preciso de algo ou alguém que me ajude a viver.
– Lucy.
Após escrever, guardei o papel em no meu bolso e fui me mutilar. Peguei a lâmina, e comecei a me cortar.
Depois, guardei a lâmina em baixo do travesseiro, escondi os cortes com a manga do meu moletom, e fui dormir.
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