Notas iniciais
Nesse capitulo eu explorei mais a relação da família, para que o leitor conheça um pouco mais sobre a relação dos Müller

Era por volta das 3h da madruga, e mais uma vez Erike estava chegando bêbado. Passava tanto tempo na casa dos primos, que ia no automático. Sua casa vivia silenciosa, arrumada, simplesmente porque não colocava os pés lá a não ser para dormir em dias de semana. Ele não conseguia dar cinco passos sem tropeçar. Sozinho, sem ninguém para lhe ajudar, ele ria sem motivo e comprava briga com pessoas que o encaravam. Pobre Erike.

Esperto o suficiente para entrar pelo jardim dos fundos, dando seu próprio jeito já que fazia questão de não aceitar a chave que Camille tanto lhe oferecia. Tinha acabado de colocar os pés no jardim, quando ouviu um barulho vindo do outro lado. Deu o seu melhor para andar discretamente, ficando longe o suficiente para não ouvir o que era falado, nem reconhecer quem era. Ele fechou os olhos e se concentrou na cena, dizendo para a licantropia que era hora dela fazer sua parte, e lhe conceder a audição de lobo.

–Vamos lá para cima? — disse a voz manhosa de um rapaz que Erike não reconheceu.

–Eu não posso…-sua audição falhou, o fazendo bufar e abrir os olhos.

Se concentrou novamente. Mesmo bêbado, ele conseguia ser um bom fofoqueiro.

–Você está me fazendo de bobo? Você me chamou até para ficar no seu jardim? Cara, é sexta feira, não me faça desperdiçar meu tempo. Sabe quantos carinhas lindos, até mais que você, eu poderia pegar hoje?

–Meus pais não sabem que eu sou gay, eu só tenho 17 anos e....eu não consigo contar. -Erike arregalou os olhos, como se fossem cair a qualquer momento. Conhecia aquela voz, mesmo que evitasse o garoto o máximo que pudesse, reconhecia a voz de Raphael.

–Hey, tá tudo bem...eu não sabia. Se “revelar” é realmente difícil, mas você é só uma criança, a hora certa vai chegar. Mas eu realmente preciso ir, eu poderia até ser preso por isso. — o garoto riu.

–Tudo bem, mas antes...-Erike viu o momento certo, em que Raphael segurou o garoto e o puxou para um beijo.

Depois de assistir a cena perplexo, ele achou que era a hora certa para entrar dentro da casa. Estava passando devagar pela cozinha quando ouviu a porta da sala abrir, como se alguém estivesse fazendo todo esforço possível para evitar o barulho. Ele parou e olhou para a porta, e observou Holly chegar com os sapatos em uma mão e os pés descalços. Eles se cumprimentaram com um sorriso afirmando que nenhum dos dois se lembraria daquilo quando acordassem, e seguiram seus caminhos para seus respectivos quartos em passos lentos.

Erike abriu a porta e tirou os sapatos, não se importou em tirar a roupa, apenas se jogou na cama e adormeceu.

[...]

A cabeça de Erike doía de um modo terrível.Se levantou da cama bruscamente,mas logo se arrependeu do ato.Tirou toda sua roupa e ficou apenas de cueca.Nessa hora,Erike sentiu o sol bater em sua pele,e incomodado foi até a janela e fechou as cortinas.

–Sou um maldito vampiro agora?-bufou quando a possibilidade de se tornar um dos seres que ele mais odiava no mundo passou por sua cabeça.

Em seus 34 anos,nunca conheceu muitos vampiros,mas todos que cruzaram seu caminho,tiveram algum desentendimento com ele.Era um instinto natural de ambos.A única coisa que lhe confortava,era saber que nunca poderia se tornar um deles.A morte era mais receptiva.

Depois de um banho frio,colocou uma calça larga e uma blusa velha e dirigiu à cozinha,onde encontrou Amy e a cozinheira conversando animadamente.Assim que entrou e o som de panelas e risadas altas entraram juntos na cabeça dele,recuou e fechou a cara.

–Erike!-Amy animada abriu os braços para ele,mas fechou assim que viu que o primo não ia abraça-la.Ele a olhou com cara feia,já sentado na bancada que ficava no meio da cozinha.

Ele levou o indicador até a boca e soprou,mandando-a fazer silêncio.

–Ressaca novamente?Você tem que aprender a controlar sua bebedeira.- dizia sem olhar para ele,mexendo com a colher de pau em uma panela grande.

–Eu só estava me divertindo.Alias,você deveria experimentar Amy,se divertir,namorar...

–Eu me divirto!-ela disse furiosa e fechou a cara,mexendo na panela com uma velocidade incrível.

–Bom dia família!- Camille entrou na cozinha toda sorridente,e foi direto para a geladeira pegar um grande garrafa d’água e entornando em seu copo de vidro.

–Erike tá de ressaca!- Amy avisou como se fosse uma criança vingativa.

–De novo?Você tem que dar um tempo nisso- terminou de beber a água e encheu o copo novamente e o deslizou na bancada até chegar nas mãos de Erike.

–Me dê um motivo.

–Você tem trinca e quatro anos,não é mais adolescente.Você precisa trabalhar mais,ser responsável.Por ultimo,dar exemplo ao Rapha.-Nessa hora,Tyler entrou e sentou-se ao lado de Erike,sem tirar os olhos do celular.

–Raphael não é meu filho!E do que adianta?Ele já é gay- Erike disse sem muito interesse,como se estivesse contando que foi na padaria comprar pão.

Camille abriu a boca nervosamente,mas nada saiu de lá.Amy parou de cozinhar e se virou,Tyler continuou mexendo no celular,mas surpreso com a “ousadia” do primo.Foi nessa hora que Raphael entrou e foi direto para a geladeira.Com seus fones no máximo,o garoto só percebeu que tinha acontecido algo quando virou e todos os rostos estavam encarando-o,exceto Tyler.Ele retirou o fone e deu seu sorriso ingênuo.

–O que foi?- riu

–Não é nada Rapha,só Erike falando besteiras- Camille afirmou.

–Besteiras?Então Rapha,conte-nos sobre o seu beijo gay no jardim ontem...

Rapha o interrompeu.

–Cala a boca!- sentindo seu corpo tremer,o garoto só conseguia olhar para Erike.

–“Minha família não sabe que sou gay” – Erike fez uma imitação do garoto.

–Cale a boca!- ele aumentou o tom de voz e segurou na pia,sentindo seus olhos lacrimejarem e que cairia a qualquer momento.

–Se assume logo! Saia do armário! Aproveita que a Camille está aqui- não satisfeito, ele continuou – Quer que eu chame o Charles? Charles e Holly, desçam aqui!- ele colocou a mão em volta da boca para que o som saísse mais alto.

–Rapha,ele está dizendo a verdade?- Camille calmamente começou a se aproximar do filho.

–Sim! Eu sou gay, e daí?-ele se jogou no chão, as lagrimas lavando seu rosto.

Camille avançou e o abraçou. Tyler finalmente levantou os olhos para a cena, e Amy ajoelhou do outro lado de Raphael fazendo carinho em seu cabelo. Nesse instante, Holly chegou correndo seguida por Charles. Parecia que eles tinham parados seja lá o que estavam fazendo e vieram ver o que tinha acontecido.

–O que aconteceu? -disseram em uníssono.

–Erike contou que o Raphael é gay- Tyler disse adorando a cena.

–Deixa eu sentar que lá vem barraco- Holly sentou-se entre Tyler e Erike.

–Que?-Charles avançou na direção de Raphael, Camille e Amy.

Os três o levantaram e o colocaram sentando. Depois de uns minutos com todos o observando,Raphael resolveu falar.

–Eu não queria contar assim,tinha que ser aos poucos ok?Primeiro eu contei para o Tyler...-ele foi interrompido por Camille.

–Como é que é?Você sabia?-ela olhou para Tyler que levantou as mãos em rendimento.

–Eu pedi para ele não contar para ninguém.- Raphael disse com uma voz mais grave-Depois eu ia contar para você,e depois de você para todo mundo.Você não sabe como é,eu estava com medo de vocês não me aceitarem.

–Não faça drama,eu pego homens as vezes sem problema algum.-Erike se pronunciou.

–E o Tyler também! – Holly gritou e todos olharam para Tyler.

–Esse a gente já sabe- disse Erike sem dar importância.

–Que?Eu não pego ninguém!Literalmente...-desconfortável com a situação,ele estimulou Raphael a continuar.

–Olha,já é difícil para mim nessa casa,sendo gay então....Tive medo de que as coisas piorassem.-o menino desabafou e fitou o chão.

–Rapha,você realmente acha que a gente ia ligar para isso?Olha para a gente,não somos de longe uma família normal.

–Você não tinha uma namoradinha?A loirinha?-Charles perguntou um pouco confuso e cruzou os braços tentando lembrar o nome da garota.

–Jennifer,não era minha namorada e sim minha amiga.Eu achei que gostasse dela,mas não.

–Veja pelo lado bom,você está beijando alguém-Erike voltou a falar e olhou para Amy que estava parada ao lado do fogão com os braços cruzados.

A loira olhou para ele furiosa,e quando estava para abrir a boca,Tyler a interrompeu.

–Ignora Amy...quer dizer, tia- sorriu.

–Erike para de criar caso!- Charles reclamou.

–A culpa toda é sua!Você é um verdadeiro babaca,não sabe respeitar o espaço dos outros.Não vive nem na própria casa!- Raphael começou a se levantar,gritando e falando rápido.

Obviamente Erike não ficou quieto,muito menos deixou que alguém percebesse que estava abalado.Erike e Raphael brigavam,enquanto Camille,Charles e Amy tentavam acalmar os ânimos e acabaram brigando também.Tyler e Holly assistiam tudo como se fosse um belo espetáculo,caindo na gargalhada quando algo engraçado era dito,fazendo sons de acordo com os foras dados.No meio da confusão,um cheiro de algo queimando invadiu as narinas de Amy que largou a confusão foi tratar de sua panela apressadamente.

Quando uma confusão dessas começa,é difícil terminar,ainda mais quando você é um lobisomen e está sempre com o coração acelerado.Eles eram bons nisso,e a disputa se tornava acirrada cada vez que outro entrava no meio da conversa.Erike com suas presas de fora,apenas achando que assustaria Raphael. Eles quase não se ouviam,e aumentavam o tom cada vez mais.

Ela entrou na casa com umas duas malas,o suficiente para ter sobrevivido.Era prática,e sabia como arrumar tudo para caber.Assim que entrou na sala,soltou as malas e respirou fundo.Uma sensação boa lhe invadiu a alma,sensação de casa.Porém,algo atrapalhou toda aquelas paz que ela estava sentindo,uma gritaria que a fez colocar as mãos nos ouvidos e seguir até finalmente chegar na cozinha.Tinha planejado chegar de surpresa,mas não esperava essa deliciosa recepção.

Tentou chamar a atenção,mas não conseguiu.Então levou os dois dedos à boca e assoprou.Sabia que eles eram sensíveis à sons muito agudos,mas era preciso para acalmar os ânimos da família.Imediatamente eles pararam o que estava fazendo e olharam para a porta da cozinha,onde a garota estava parada um pouco sem jeito.

–Surpresa!-ela sorriu

–Lizzie!-Tyler gritou.

Ela olhou para o irmão mais novo e abriu ainda mais o sorriso.

–Então,ninguém vai me dar um abraço?

[...]

Ele andou lentamente pelo corredor longo e escuro até chegar em uma porta que se encontrava trancada.Depois de três batidinhas,finalmente abriram a porta.Assim que entrou,o rapaz retirou sua jaqueta e a jogou em um sofá velho onde estavam sentados os gêmeos .Passou pela irmão que estava sentada escrevendo algo em seu caderno, e se sentou no chão.

Não demorou muito para que o resto dos irmãos chegassem,e assim que passaram pela porta,todos os presentes dirigiram a atenção à eles.Ao todo,eram seis irmãos,liderados pelo mais velho.Alguns deles eram um pouco avulsos no grupo,mas cada um tinha sua parte.

–Como foi o Muller?Se certificou de que o tio ouvisse a conversa?- o irmão mais velho se sentou em um banco.

–Claro!A pior parte foi fingir que aquele moleque beijava bem- todos riram.

–Se segura,pois vou precisar que você se encontre com ele novamente,até finalmente entrar na casa,tudo bem?

–Sem problemas!- ele piscou.

–Caleb,o próximo é você!Quero que entre na vida de Erike Muller,mas não o faça te amar.Ele tem que achar que você é fraco,e quando estiver tudo certo,todos nós estivermos infiltrados vamos acabar de vez com aquela família- ele sorriu mostrando suas presas e deu um grito,como um grito de guerra.

–Chega de lobisomens, está na hora dos vampiros reinarem!- disse Caleb e sorriu,gritando junto com os irmãos.

Notas finais
Qual será o motivo dessa guerra contra os lobisomens?Será mais uma guerra de conflitos entres raças, ou será que tem algo mais?