Muller-Family Wolf
8 Amy
O dia de Amy não poderia acabar pior. Depois de todo desconforto familiar que seu caso com Tyler tinha gerado, descobriu que sua princesinha havia sido capaz de acabar com a vida de alguém. É claro que ser um lobisomem em Los Angeles era difícil. Amy já havia perdido a conta de quantas vezes quase pôs tudo a perder.
No momento, ela queria tentar se acalmar, tomar um banho e esperar o irmão e a prima chegarem para decidirem o que fazer. Seu banho havia terminado, ela vestia calça e camiseta larga e deixou seu cabelo solto. Estava tentando relaxar em sua cama, quando ouviu um grito. Logo se sentou ereta na cama e tentou ouvir melhor. O grito foi ouvido novamente, e dessa vez ela sabia quem gritava, e o que gritava.
Levantou-se da cama em um pulo, correu pelo corredor, desceu as escadas, e então parou. Holly estava deitada imóvel no sofá com sangue em suas roupas. Um grupo de homens que ela nunca havia visto na vida enchiam a sala. Lizzie se contorcia no chão, enquanto Rapha fazia o mesmo na cozinha. Erike e Tyler desceram correndo perguntando o que havia acontecido, e então, assim como Amy, pararam brutamente.
–A família está aqui! — disse um dos homens.
–Caleb...- Erike ultrapassou Amy em passos lentos e olhou confuso para o namorado.
–Desculpa Erike, mas eu fiz o que era preciso.
–Quem são vocês? — Amy tomou a frente novamente e protegeu o sobrinho e o primo.
–São os Danvers – explicou Tyler – E se eu fosse você, se preparava para lutar- ele rosnou
–Ouça o seu lobinho! –sorriu o líder com sacarmos e então levou o dedão até o dedo médio e os estalou no ar – Sebastian!
O rapaz que se encontrava mais perto, correu na direção de Amy com os olhos totalmente escuros e as presas de vampiro para fora. Infelizmente, hoje ele não colocaria seus dentes no pescoço dela, afinal, ela era uma alfa. Assim que ele chegou perto dela, ela segurou seu pescoço e o jogou na parede do outro lado da sala, perto da porta. Sabia que aquilo não iria adiantar muito, logo ele estaria de pé correndo em sua direção. Mas então, em um movimento rápido, Charles abriu a porta, Lizzie disparou uma flecha no coração de Sebastian. Enquanto ele tentava desesperadamente retirar a flecha do peito, Charles torceu seu pescoço.
–Agora sim, a família está completa! – disse ele com os olhos brilhantes.
–Ora, seu filho da...- rosnou Erike para Caleb, com o corpo tomado por pelos, o nariz enrugado e os olhos brilhando em amarelo.
O líder veio na direção de Amy, e antes que ela percebesse, estava no chão. Ela se levantou rapidamente e rosnou para ele. Em um segundo ela estava como Erike, mas por ser uma alfa, seu corpo era mais forte, mais feroz, mais poderoso. Ela levantou e chutou a perna dele inutilmente. Ele virou rapidamente e socou o estomago dela fazendo-a cair no chão novamente, mas dessa vez, de joelhos. Enquanto estava no chão, viu Tyler lutando contra gêmeos, e quis ir acabar com os dois por ele, faria isso em segundos. Teria feito com o que lutava com ela, mas tinha percebido que ele era mais forte, e por algum motivo estranho, ela não se sentia totalmente forte.
Ela levantou em um pulo e agarrou as costas deles, rasgando sua roupa com as garras e tentando morder seu pescoço. Ele andou de costas até bater com ela em uma parede. Bateu repetidamente a alfa na parede, causando um grande estrago em suas costas por enquanto. Então, um rio de dor espalhou-se por suas costas, e ela não foi capaz de continuar segurando-o, soltou suas pernas e mãos do vampiro e caiu no chão. Caiu agachada, mas quando seus pés entraram em contato com o chão, ela sentiu a dor em suas costas se espalhar. O ser frio na sua frente não esperou, virou e segurou-a no ar.
– Parece que é apenas um cachorrinho! – riu com sarcasmo e apertou o pescoço dela.
Ela levou a mão até as mãos frias dele e as arranhou, mas aquilo parecia faze-lo segurar mais forte. Teve uma ideia estupida, mas resolveu fazer mesmo assim. Sacudiu os pés até que o direito encontrou o meio das pernas dele. O vampiro a soltou de imediato, e com as mãos no local chutado, foi caindo para trás. Bateu com as costas em Erike e Caleb, que brigavam com sagacidade, e então, se encostou na parede oposta.
–Parece que você é apenas um homem! – aproximou-se dele com dificuldade e chutou seu rosto.
–Sua idiota! Eu curo rápido! – gritou ele com o rosto ensanguentado. Logo a ferida já havia sumido.
–Eu também! – ela se contorceu e sentiu seus ossos voltando ao lugar. Se aproximou ainda mais dele e segurou seu pescoço levantando-o no ar – Eu não sou um cachorro, eu sou uma alfa! – ela gritou e apertou o pescoço dele.
Amy deixou de segura-lo com a mão direita e a colocou no lugar onde deveria haver um coração. Colocou suas garras contra o corpo dele e rasgou sua pele. Lentamente, a mão dela entrava no corpo dele, causando gritos revoltados do vampiro. Já podia sentir o coração dele, quando Tyler gritou. Ela se descuidou e olhou para ele, vendo o sobrinho e amante sendo atacado por um dos gêmeos.
O líder aproveitou seu momento de distração e empunhou algo em sua perna. Amy não conseguiu suportar a dor que se espalhou por sua perna direita. Queimava intensamente, como wolfsbane. Involuntariamente a mão dela retrocedeu sem causar dano algum, e ela caiu no chão, voltando à sua forma humana com a roupa rasgada.
–É bom que você saiba quem vai te matar! – agachou-se ao lado dela – Meu nome é Reid! – sorriu.
Ele segurou a faca de prata na perna dela e girou. Amy gritou e ouviu alguém chamar seu nome, mas um uivo forte cortou o ar. Na porta da cozinha estava um lobisomem preto, Rapha, mas dessa vez maior, assim como Amy fica por ser uma... alfa.
–Eu. Sou. O. seu. ALFA! – gritou e pulou em cima de Reid
Enquanto passavam por cima de Amy, um dos dois esbarrou na faca que estava presa à sua perna, fazendo do corte mais profundo e doloroso. A cabeça dela tombou para o lado ao tempo de ver Erike arrancar o coração do namorado. Ele comemorou segurando o coração no alto e pisando no corpo do ex. Ela sorriu. Ao lado, os gêmeos que estavam em cima de Tyler, olharam para os lados e fugiram pela porta. Tyler ficou confuso, mas então veio ao encontro de Amy. Lizzie se pôs na porta da cozinha e colocou três flechas no corpo do vampiro que lutava contra Charles. Assim como havia acontecido com o primeiro, ele torceu seu pescoço.
Tyler chegou junto com Raphael.
– Sua perna...- ele tentou tocar na perna dela, mas Rapha deu um tapa em sua mão.
–Sua barriga! – comentou ela.
–Deixe isso entre nós! — pediu ele e ela apenas concordou com a cabeça.
–Amy! – Lizzie correu até ela e despertou a atenção de Erike. Logo todos estavam em volta dela- Deixe-me retirar isso de você!
–Não! Você não pode- Tyler segurou a mão de Lizzie no ar.
–Como assim, Tyler? Do que está falando agora? – perguntou Charles.
–Ele usou verbena e prata.
–Jura? — Disse Erike zombeteiro
–Me deixa falar? — Amy suspirou tentando controlar a dor – Essa não é uma faca de prata qualquer. Reid era esperto, eu conheço a história de sua família e sei porque ele veio atrás de nós, ele não colocaria uma simples faca com wolfsbane na perna dela se não fosse mais que isso. Isso não vai matá-la, mas não pode ser retirada tão facilmente, ela está encantada- ele olhou para a loira.
Amy viu dor em seus olhos. Não dor por vê-la daquele jeito, mas sim porque havia sido ferido.
– O que a gente faz agora? – Charles perguntou
– Eu sei de um lugar aonde podemos ir, mas é bem longe, e levará alguns dias de viagem.
Charles fechou os olhos
–Qual o nome do lugar, Tyler?
–Alaska!
Todos olharam para Charles, esperando a resposta. Ninguém contestou, apenas esperaram.
–Certo!
–Espera, cadê minha mãe? – Raphael fez a pergunta que todos estavam loucos para fazer.
–Camille foi sequestrada – todos olharam confusos para Charles – A gente estava junto, e em uma hora ela sumiu. Eu a rastreei pelo cheiro, mas não posso entrar lá sozinho. Eu vim chamar vocês, mas...
–Nós precisamos ir lá!
–Não podemos deixar Amy sozinha. Sabe-se lá quem poderia entrar aqui e....- ele se deteve e olhou para a irmã.
–Vão! Eu fico com Amy, não há mais ninguém que possa voltar.- garantiu Tyler
–E quem vai nos liderar? – perguntou Raphael inocentemente.
Amy segurou a mão dele
–Você! — sorriu – Afinal, você é o alfa! — cada um riu de sua maneira.
–Certo, certo... E como eu faço isso? – apertou a mão dela
– Você vai saber! – ela acariciou sua mão e a soltou.
–Vão, nós ficaremos bem. Só me ajudem a coloca-la no sofá.
–Vou buscar mais flechas- Lizzie correu para o galpão
Eles seguraram Amy de uma vez e a levantaram. Parecia que o sofá não chegava, e Erike segurava exatamente onde sua perna estava ferida, causando uma dor insuportável que ela tentava espantar apertando os lábios. Sabia que ele não fazia por mal, aliás, ele olhava para ela pedindo desculpas com os olhos. Finalmente seu corpo encontrou o sofá oposto ao que Holly se encontrava.
–Tem certeza que vão ficar bem? O Erike pode ficar com vocês! – Charles disse para Tyler.
–Por que eu? — reclamou Erike.
– Cala a boca! – Lizzie apareceu com flechas novas penduradas nas costas e segurou o braço de Erike, o levando para fora da casa. Rapha cobriu o corpo de Holly com o resto do cobertor
–Se a gente não chegar até a manhã, tem minha permissão para ir apenas vocês dois. Talvez seja difícil, mas você precisa tentar algo.
–Se vocês não chegarem pela manhã, eu vou para San Francisco, esperarei lá. Seja lá onde eu for ficar, vou fazer com que você saiba. Se não chegarem lá pela noite, vou para Portland, Seattle, Vancouver e assim por diante.
–Tudo bem!- Charles se agachou ao lado da irmã – Você vai ficar bem, ok? Tyler está responsável por você, eu sei que ele fará o máximo para te proteger.
–Charles, sobre o Ty, eu...
–Não precisa dizer nada, eu não estou com raiva. Só quero que você fique bem, e sei que a Camille vai querer o mesmo quando a gente chegar- ele piscou para ela e beijou sua testa – Até mais tarde, irmã.
–Até mais tarde, irmão.
Ele foi até Tyler, segurou sua cabeça e depositou um beijo em sua cabeça. Rapha foi atrás, parecendo nervoso e preocupado. Antes que ele alcançasse a porta, Tyler correu até ele e pegou o seu braço.
–Vai ficar tudo bem, ok?
–Já está acontecendo, Ty...- lamentou-se
–O futuro é incerto. Nós podemos muda-lo!
Rapha olhou para o sofá, para o irmão e sorriu, depois fechou a porta. Tyler caminhou até o sofá e sentou-se de frente para ela, levantou a blusa para verificar o ferimento que havia ganho na batalha. Em sua barriga, havia uma mordida de vampiro, que ao invés de curar, parecia estar mais vermelha do que o normal. Ele abaixou a blusa, segurou a mão dela e beijou.
–E agora, Ty? O que vamos fazer?- perguntou fraca olhando nos olhos dele.
Ele fitou o nada por um tempo, e então retribui o olhar dela.
–E agora? Nós salvamos a família, porque é isso que a gente faz! – ele sorriu para ela.
Amy olhou por trás dele, para o corpo de Holly no outro sofá. Ele percebeu que que ela olhava e segurou seu rosto para que ela voltasse sua atenção para ele.
–Não se preocupe, nós vamos vingar a Holly, resgatar minha mãe e salvar você. Todos juntos. É isso que fazemos, salvamos a família juntos, não importa o que!
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