Mulher-Maravilha: Guerra e Paz

7 A última esperança de Themyscira


Notas iniciais
Dois capítulos grandes em um dia. Ufa!

Retornar à Themyscira foi mais fácil e rápido do que Diana esperava. A porta pela qual entrara estava conectada ao interior da ilha, uma área matagal e distante, proibida por lei de ser visitada por qualquer guerreira — nem a rainha Hipólita possui autorização para passar por ali. Diana acabara de descobrir o motivo, seria perigoso demais se alguém descobrisse que esta porta levava ao Reino de Hades.

Afastando-se e chegando à praia, Diana limpou suas feridas com a água oceânica. A série de confrontos no Tártaro exigiu muito de si, e um banho rápido, por mais arriscado que fosse devido às circunstâncias, era muito bem-vindo. Saindo da água para a areia, sentindo-se revigorada, Diana viu o risco se concretizando ao ser abordada por duas amazonas a cavalo — uma negra e tão alta quanto a princesa e outra de traços orientais.

—Alto! — disse a amazona negra, conhecida como Núbia. — Sua presença não é bem-vinda, princesa Diana. Ordens da rainha Circe.

—Não, irmã. — A voz complacente de Diana tentava ser apaziguadora. Atacar as amazonas deveria ser a última alternativa. — Circe não passa de uma bruxa mentirosa. Ela manipula todas vocês! Por favor, peço que lutem ao meu lado para retomarmos nosso lar!

Diana esticou a mão. As duas amazonas se entreolharam, sisudas, aparentemente pouco convencidas pelas palavras da ex-princesa. Desceram de seus transportes, bateram as lanças contra o chão e giraram para frente, posicionando-se ofensivamente. Diana bufou, chateada, sacando o escudo das costas, porém mantendo a espada da bainha.

Núbia foi a primeira a atacar, movendo a lança contra as pernas de Diana. A segunda guerreira, de traços orientais, girou o corpo e atacou a princesa por cima, mirando a cabeça. Os dois ataques, porém, foram bloqueados pelo escudo da princesa, ajoelhada, que revidou empurrando as duas mulheres. Em seguida, a Mulher-Maravilha bateu o objeto de proteção contra a ponta laminada da arma da amazona negra, a pegou pelo braço e a jogou contra a de traços orientais. Aproveitando a situação, partiu em correria para a floresta.

Ultrapassou vários troncos, saltou e esquivou de galhos soltos. Desacelerou ao chegar no meio da floresta, ouvindo sons de ataque e defesa nas proximidades. Escondeu-se atrás do arbusto e observou as guerreiras em combate, desferindo golpes com a intenção de machucar seriamente.

Uma das amazonas passou a espada sobre a barriga da irmã guerreira e posicionou-se acima, a espada pronta para descer e ceifar a vida da indefesa amazona. Diana localizou a general Artemis sentada em sua égua gritando para que desferisse o ataque fatal. Cerrando os punhos, Diana avançou e estragou qualquer vantagem que poderia ter naquela posição.

—Não! — interferiu, arremessando a tiara e acertando na mão da agressora. A tiara retornou para a princesa.

Todas as amazonas próximas, algumas feridas e se recuperando enquanto outras estavam sujas com sangue das outras irmãs, se posicionaram em modo de ataque, cercando a princesa.

—Artemis, me escute. Não vê o que Circe está te forçando a fazer? Organizar lutas entre nossas irmãs até a morte?! Não são os valores que fomos ensinadas ao longo de anos de treinamento e convivência!

—Princesa, sua autoridade acabou aqui quando nossa rainha a exilou. Só o que ouço é a voz de uma criança chorona. Arqueiras! Ao meu sinal! — Artemis gesticulou e, de imediato, as arqueiras posicionaram suas armas na direção de Diana.

—Artemis, ouça o que está dizendo! Essa não é você!

A general, observando a expressão de tristeza na face da ex-princesa, relutou em dar a ordem final. Sentiu como se uma grande parte de si lhe dissesse que aquilo tudo estava errado. Ainda com a mão erguida, visualizando cada amazona apontando as flechas na direção de Diana, aquela grande parte de si pareceu se libertar. Uma aura roxa voa para fora da líder militar, dissipando-se no ar.

—Diana? — Confusa, olhou para suas soldadas apenas esperando uma ordem. — Recuar!

As guerreiras não obedeceram, se entreolharam e tentaram entender o que ela quis dizer com isso. Ela estava na mira, estava fácil demais acabar com a Mulher-Maravilha, exatamente o que a rainha e a própria general queriam. Por que recuar?

—General? — Uma delas perguntou. — O que aconteceu?

—Abri os olhos, soldada. Descansar, todas!

—Não podemos obedecê-la, general. — contestou outra, as mãos começaram a tremer enquanto segurava o arco com a flecha posicionada. — A rainha quer a ex-princesa morta, devemos obedecê-la.

—A rainha é uma usurpadora! — argumentou Diana. — Não se trata de Hipólita, mas sim de Circe, uma feiticeira maligna. Uma bruxa!

—Ela está certa — concordou a militar, descendo de seu animal — Descansar agora. Esta é minha ordem final!

Assim como aconteceu com Artemis, as amazonas se sentiram libertadas, as auras roxas saíram de seus corpos como se fossem expelidas, criando uma imensa nuvem no céu e dissipando-se pouco depois. Enfim, elas se encararam e, com um imenso alívio, se abraçaram, soltando as armas. Diana sorriu e acenou positivamente para a guerreira militar.

—Sinto muito pelo que fiz, princesa — avisou a general, abraçando-a também.

—Você não fez nada, era Circe liberando uma maldade interior. — Diana olhou ao redor, satisfeita por ver a libertação das irmãs, mas triste pela condição que outras amazonas se encontravam. — Circe ainda tem o controle sobre outras amazonas, eu vou detê-la.

—Mandarei que um grupo lhe acompanhe.

—Não — interrompeu, pousando a mão sobre a general. — Chega de sangue derramado. Eu vou sozinha.

—Tem certeza disso? Pode precisar de reforço.

—Artemis, as amazonas feridas precisam de mais atenção do que eu. — Aquela fala, mesmo que sem intenção, fez a general Artemis sentir um peso de culpa sobre os ombros. Diana notou a expressão chateada em seu rosto e emendou: — Quero que envie um grupo para a ilha-prisão, lá tem irmãs isoladas que não sabem o que aconteceu em nossa ilha.

—Entendi. Boa sorte, alteza.

—Igualmente, general.

Notas finais
Espero que tenham gostado! =)