Muito Bem Acompanhada
4 Capítulo Quatro
Notas iniciais
Capítulo Quatro
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No capítulo anterior:
— Sasuke, não é mesmo? – Foi Kizashi que começou, o olhar desconfiado e o tom debochado do Haruno já o alertavam que vinha bomba. – Qual sua profissão mesmo, rapaz?
E começou a sessão de inquisição, este foi o pensamento de Sasuke enquanto soltava um suspiro.
— Sou engenheiro civil, senhor. – Respondeu educadamente encarando o “sogro” e bebericando de seu uísque.
Sim, ele sabia que essa hora chegaria, o que ele não esperava era que fosse mais rápido do que ele esperava e pior, no jantar.
— Estranho, nunca ouvi falar de seu nome no ramo da engenharia meu rapaz. – Sasuke deixou um riso debochado escapar ao entender a intenção de Kizashi, ele o queria humilhar e queria isso na frente de todos. – E olha que conheço muitos engenheiros e bons em todo país. – Kizashi se gabou.
Sasuke se acomodou melhor na cadeira e tomou o uísque em um gole enquanto depositava o copo vazio sobre a mesa num baque oco, fazendo com que o pouco barulho cessasse de vez. Ele havia entendido o jogo do pai de Sakura e entraria nele, mas para ganhar.
— Compreendo senhor, afinal, há muitos engenheiros no país e se eu me lembro bem eu não disse meu sobrenome. – Falou tudo olhando diretamente para o patriarca dos Haruno e sorriso vendo os olhos do velho brilhar diante do desafio.
— Realmente... – Kizashi falou dando um riso de escárnio, como se saber o sobrenome de Sasuke não fosse importante.
— Aliás, se não me engano, talvez o senhor possa ter conhecido meu pai, afinal, ele morou um bom tempo em Konoha. – Deu a deixa para atiçar ainda mais a curiosidade do velho Kizashi e gostou ao perceber que havia conseguido isso.
Kizashi estava curioso a respeito de Sasuke, não conhecia o rapaz e muito menos se recordava do nome no meio da engenheira civil, sem falar na pouca informação que lhe foi passado por Sakura.
— Por que não me diz seu sobrenome e eu digo se conheço ou não seu pai, rapaz. – E agora era a hora da verdade.
O desdém se tornou evidente no olhar de Sasuke e por um momento Kizashi teve a sensação de que conhecia aquele olhar, há muitos anos conheceu um homem que tinha aquele mesmo olhar quando as pessoas o tentavam menosprezar.
— Uchiha senhor, meu nome é Sasuke Uchiha.
E como se tivesse recebido um soco no estômago, os olhos de Kizashi se arregalaram de acordo que o espanto se tornou geral, todos encarava Sasuke, mas agora, por outro motivo que não envolvesse Sakura, os burburinhos tomaram de conta das mesas, Kizashi lhe olhava fixamente, assim como Gaara, já Naruto apenas sorria levemente.
— “Sasuke Uchiha da Uchiha EC Enterprise?” – Escutou alguém questionar de longe e por um momento sentiu-se vitorioso, contudo, seu pensamento foi para Sakura, que ainda não havia voltado.
Sasuke era um homem conhecido no ramo da engenharia, contudo, suas aparições eram poucos e quase ninguém sabia realmente sua aparência, pois muitas vezes acontecia confusão e o confundia com Itachi e até mesmo, Obito, que ficava na parte de comunicação da empresa.
— Prazer em conhecê-lo, senhor Haruno. – Debochou dando uma leve curvada na cabeça, o sorriso presunçoso estava presente assim como a raiva no olhar de Kizashi, contudo, ele não se importava. – Agora, se o senhor me permite, irei ver como está minha namorada. – Fez questão de enfatizar a última parte, apenas para alfinetar.
Não esperou resposta e muito menos permissão, apenas se levantou e foi em direção a o toalete, estava preocupado com Sakura e agora entendia um pouco do receio da Haruno de ir para aquele casamento ou voltar para Konoha, como ela havia dito: aquilo era um covil de cobras.
Contudo, ele estava preparado, pelo menos era isso que ele esperava.
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Estava deitada na cama desde a hora que acordou há mais ou menos duas horas, sentia-se totalmente envergonhada e tímida, sem falar que não estava conseguindo olhar na cara de Sasuke, este que acordou mais cedo do que ela e saiu para resolver alguns assuntos de “negócio”, segundo ele.
Fechou os olhos e jogou o travesseiro no rosto enquanto as lembranças da noite anterior voltavam com tudo.
Flash Back:
Se olhou no espelho e engoliu o bolo que se formava em sua garganta, não queria chorar, mas estava se tornando uma difícil missão quando as palavras de seu pai ainda martelavam em sua cabeça.
“Emprego qualquer”? Era isso o que ele achava que ela era? Uma funcionária de uma função qualquer? Era até irônico que não a machucasse tanto saber que era isso que Kizashi pensava a seu respeito, sem falar que o Haruno nem ao menos se preocupava o real trabalho da filha e o que ela contribuía para a sociedade, apenas a julgando por ela ter seguidos os seus sonhos e não os dele.
Soltou um longo suspiro e finalmente percebeu a presença de Sasuke ali, refletido no grande espelho que ela fitava e não enxergava nada além de uma mulher que lutou para ser reconhecida e a pessoa mais importante – que ela achava – não a reconhecia como uma boa médica que ela era.
— Você está bem? – A pergunta de Sasuke quase a fez sorrir de forma debochada, porque se tinha uma coisa que ela não estava, era bem.
— Já estive melhor! – Respondeu virando-se para Sasuke e dando os ombros.
Sasuke deu um pequeno sorriso pesaroso de canto e com as mãos dentro do bolso da calça social, começou a se aproximar da Haruno, que apenas o fitava, esperando qual seria seu próximo movimento.
— Então... Quer fugir agora ou mais tarde? – Sasuke perguntou com um sorriso mais aberto enquanto arqueava a sobrancelha.
Não, ela não esperava que aquelas palavras saíssem da boca e Sasuke, mas ouvi-las a iluminou, porque a coisa que ela mais queria naquele momento era desaparecer dali.
— Podemos fazer o que quisermos, afinal, somos donos dos nossos próprios destinos. – Foi difícil segurar o riso diante da frase filosófica de Sasuke, mas não demorou a segurar a mão estendida do Uchiha.
Tudo o que ela mais queria naquele momento era sumir dali, de preferência com Sasuke ao seu lado.
Gargalhou e mordeu o lábio inferior ao se sentir puxada por Sasuke. Ele sabia que o que Sakura precisava era se afastar dali, por isso não demorou a propor o que os dois queriam, que era sumir dali, assim que ela segurou sua mão, não pensou duas vezes até leva-la até onde ficava a entrada dos funcionários e pratos do buffet, colocou Sakura ali e pediu para esperar.
Não demorou até ir a mesa onde a bolsa de Sakura estava e pegá-la ignorando o olhar questionador de Kizashi, voltou rapidamente para onde estava a Haruno e encontrou fitando levemente seu pai.
— Vamos! – Falou pegando no cotovelo da Haruno a conduzindo para dentro da cozinha, onde estava uma loucura.
Sakura estava tão focada no caminho que mal percebeu que Sasuke estava pegando uma garrafa de champanhe, uma de uísque e duas taças enquanto saiam do local. Sorriu mais abertamente e fechou os olhos por um segundo quando o vento gelado da noite bateu em seu rosto e em seus braços descobertos pelo vestido, fazendo-a se lembrar que estava livre, pelo menos por um tempo, de seu pai e seus olhares julgadores.
— Pretende me embebedar senhor Uchiha? – Sakura questionou rindo quando finalmente percebeu as garrafas de bebidas nas mãos de Sasuke.
— Quem sabe doutora Haruno. – Sasuke brincou já abrindo a garrafa de champanhe num barulhento estouro. – Mas isso vai ser uma boa distração enquanto vamos para casa a pé.
Sakura gargalhou enquanto pegava uma taça estendia por Sasuke e dava um longo gole no líquido alcoólico enquanto o acompanhava. O silêncio entre ambos era tranquilo e aconchegante, como a maioria das coisas que faziam juntos, talvez fosse por esse motivo que Sakura tanto gostava do Uchiha, ele conseguia fazê-la se sentir confortável em todos os momentos, até mesmo nos mais complicados.
— Então, o que te fez querer fugir? – Questionou fitando o Uchiha que tomava o champanhe diretamente da garrafa, descartando totalmente a taça em seu bolso.
A Haruno perguntou isso, pois foi o próprio Uchiha que havia dito que só iriam embora quando os discursos passassem e ainda faltava o dos noivos quando resolveram fugir, então, para ele decidir ir embora, havia acontecido alguma coisa enquanto ela estava se refugiando no banheiro.
— Você se lembra quando conheceu meu tio, o Madara? – Sasuke falou dando um leve suspiro antes de tomar mais um gole, não estava querendo falar que o pai de sua “namorada” era um babaca e dos grandes.
— Sim, lembro que o chamei de idiota. – Sakura riu e Sasuke a acompanhou ao relembrar o jantar desastroso que tiveram.
— Me segurei para não chamar seu pai assim hoje. – Foi sincero e mesmo estando envergonhado, preferiu falar a verdade a esconder o que estava sentindo.
Fitou Sasuke e piscou os olhos três vezes seguidas, não esperava esse tipo de atitude do Uchiha – dada a excelente educação que o mesmo tivera – mas também não o condenava, seu pai conseguia ser um grande babaca e as vezes nem precisava se esforçar para isso, mas para Sasuke sentir vontade de fazer isso, seu pai com certeza passou do limite, já que ele era o homem mais paciente que ele conhecia.
Fez um bico procurando as palavras certas para pedir desculpas ao melhor amigo, mas antes que ela pudesse falar, Sasuke a cortou.
— Nem pense nisso senhorita Haruno! – Sasuke suspirou e fitou Sakura nos olhos, para que ela entendesse o que ele falaria a seguir. – Seu pai foi um grande imbecil essa noite, assim como meu tio quando te conheceu, ele não sabia quem eu era, apenas queria me humilhar, “Assim como fez com você.”— Completou em pensamento.
Deu um sorriso fraco e manteve a cabeça baixa ao ter o mesmo pensamento que o melhor amigo. Tomou a garrafa da mão grande do Uchiha e a entornou, tomando o restante do líquido alcoólico de uma única vez. Talvez precisasse realmente se embebedar.
Não, ela não estava bêbada, só estava difícil ficar equilibrada sobre o salto alto fino após beberem uma garrafa de champanhe e mais da metade de uma de uísque, segurou-se em Sasuke, mais uma vez, e gargalhou de algo que ele acabara de falar. Por sorte já estavam próximos a casa de seus pais, pois não aguentava mais andar com aquele salto que estava destruindo seus pobres dedinhos.
Riu quando Sakura abandonou seu corpo e tentou manter a postura sob o salto, mas deu dois passos ao lado quando não conseguiu, Sasuke levou as mãos até a cintura da Haruno e a segurou contra seu corpo, mantendo-a firme ali enquanto levava em direção ao pequeno lance de escadas que dava a porta da residência dos Haruno, isso o fez se lembrar de fazer uma nota mental: alugar um carro.
Quando Sasuke agarrou sua cintura, foi inevitável não sentir a fragrância masculina, mordeu o lábio inferior e olhou para o Uchiha lateralmente, foi neste momento que ela só constatou o óbvio, Sasuke Uchiha era um homem maravilhoso.
Os lábios de Sasuke era finos e bem desenhados combinando com o queixo bem feito, cílios longos e nariz bonito sem falar na pequena covinha na bochecha direita, que era bonita e profunda, o que dava um charme a mais ao Uchiha.
— Sabe Sasuke, você é um homem muito bonito, aliás, bonito não, mas lindo e sexy! – Declarou um pouco enrolado enquanto virava para o Uchiha enquanto segurava as lapelas do terno do mesmo, sussurrando no final: — É areia demais para meu pobre caminhãozinho.
Empurrou Sasuke levemente desencostando os corpos e o viu sorrir de canto. Ah! Aquele sorriso ainda lhe mataria de tesão, ah se ia!
Voltou a caminhar desajeitada indo em direção a porta sentindo Sasuke em seu encalço, tentou subir os três degraus que dava acesso à varanda, porém escorregou. Fechou os olhos e esperou o impacto de seu corpo contra o chão, impacto este que não veio, invés disso sentiu as mãos de Sasuke segurar lhe pela cintura, abriu os olhos e virou o rosto para encarar o Uchiha.
— Não vá se machucar, Sakura! – A voz arrastada e rouca de Sasuke invadiu seus ouvidos, fazendo-a quase ter um orgasmo e sua pele se arrepiar completamente.
— Pode deixar, Sasuke! – Respondeu e sentiu seu corpo tremer ao sentir um pequeno aperto das mãos de Sasuke em sua cintura, não teve como esconder o arfar que escapou involuntariamente de seus lábios com tal aperto.
O toque daquele homem era firme e fazia algo em seu íntimo se agitar, ansiando por mais. Mordeu o lábio inferior e encarou o Uchiha, ele estava lhe provocando, conhecia o seu jogo. Arrumou a postura e deixou a boca rente à orelha do moreno, para depois sussurrar lentamente:
— Não provoca o que você não pode apagar, Sasuke!
Notou quando os lábios de Sasuke se repuxaram no canto fazendo o sorriso malicioso e sexy surgir bem diante de seus olhos esmeraldas. Tanto Sasuke quanto Sakura sabia o que estavam fazendo, eles embarcaram naquele joguinho de sedução e por mais que fosse perigoso, estava gostoso e ficando cada vez melhor graças ao álcool consumido aquela noite.
Sabia sabia perfeitamente que a Haruno era uma mulher inteligente e incrivelmente sexy, que ela dominava a arte de provocar e sabia muito bem seduzir um homem em muito esforço, afinal, ela tinha uma sensualidade natural e isso acaba com todo o seu autocontrole e sanidades – coisas que eram bastantes limitados quando o assunto era Sakura Haruno.
A Haruno era o tipo de mulher que adorava brincar com seu autocontrole e adorava balançar suas estruturas, como naquele momento.
— Você não sabe se sou capaz de apagar ou não, mas podemos testar! – Sasuke rebateu puxando a Haruno pela cintura, fazendo os corpos se colidirem enquanto uma mão ia para a nuca de Sakura, enquanto a olhava nos olhos intensamente.
Sim, ele queria ver Sakura dizendo adeus ao seu autocontrole e se entregando como nunca se entregou, ele queria vê-la se derreter em seus braços e ceder aos seus desejos mais insanos.
— Sasuke! Sasuke! – Sakura riu ao sentir a mão de Sasuke descer de sua cintura até sua coxa e dá um leve aperto e por um momento ela precisou resgatar forças para não soltar um leve suspiro de satisfação. – Não adianta, eu não caio na sua lábia, eu o conheço bem demais e sei de todas as suas armas de sedução. – Brincou.
— E quem disse que eu estou tentando te seduzir, Sakura? – Sasuke rebateu sussurrando no ouvido de Sakura, fazendo com que os pelos de seu corpo se arrepiarem.
Sim, ela estava cedendo, mas ela queria? E como queria, contudo, precisava manter a pose, que logo cairia por terra, ela se conhecia. Gargalhou e se afastou do Uchiha, mesmo com as pernas levemente bambas pelo momento anterior, pegou a bolsa de forma desajeitada e tentou de todas as maneiras – desajeitada – a encontrar a chave, que nem deveria estar tão difícil assim levando em consideração o tamanho da bolsa que carregava.
Vinte minutos! Este foi o tempo que Sakura precisou para achar a chave para abrir a porta, Sakura gargalhava e tentava se manter sob os saltos, Sasuke apenas ria ao seu lado por causa da maneira desajeitada da amiga, quando perceberam, caíram abraçados no sofá. Pela primeira vez Sakura pôde contemplar a gargalhada de Sasuke após sentar-se. Viu-o imitar seu gesto e se sentar ao seu lado e encosta-se no sofá para depois colocar as mãos no rosto.
A noite havia sido cansativa e eles estavam exausto, porém, havia relaxado um pouco na caminhada do salão para a casa dos pais de Sakura, o que eles não sabiam era se a bebida havia ajudado nisso ou não.
Os olhos verdes de Sakura pousaram em Sasuke, mais uma vez aquela noite e a sensação que sentiu ainda no jantar voltou agora com força total, quando deu por si, já se posicionava no colo de Sasuke, o prendendo sob si.
Talvez a bebida tenha trazido à tona uma vontade que a muito tempo ela tentava manter escondida e guardada.
Desde que chegaram a Konoha, aquela era a primeira vez que eles haviam ficado realmente sozinhos, sem ninguém prestes a aparecer e atrapalhar o que é que fosse rolar entre os dois, no momento em que Sakura sentiu seus olhos se abriram.
As mãos de Sakura estavam apoiadas nos ombros de Sasuke enquanto os olhos estavam grudados, ela não esperava ficar nervosa após dar o primeiro passo, suas mãos começaram a gelar e a respiração ficar pesada.
— O que você está fazendo? – Sasuke teve que perguntar, por mais que estivesse ansioso para saber qual seria o próximo passo da Haruno.
— Você é tão bonito Sasuke, porque? – Sakura questionou franzindo a testa e alisando o rosto bonito e jovem a sua frente, as vezes ela ficava revoltada com a beleza de Sasuke, nem parecia que ele já tinha trinta anos. – Parece que foi esculpido pelos deuses. – Sussurrou mais para si do que para ele.
— Do que vo...
— Shiiiii... – Parou a frase de Sasuke pela metade colocando o indicador nos lábios do mesmo, estava presa em seu próprio pensamento. – Eu adorei o beijo de hoje.
Confessou sem ao menos perceber, sua mente pensava uma coisa e seus lábios falavam outra, sua respiração estava pesada sentindo o olhar atento do Uchiha sobre si, ele a olhava como se ela fosse a presa indefesa e ele o predador pronto para dar o bote.
Involuntariamente sua língua umedeceu os lábios, sua boca havia ficado seca e suas mãos agora passeavam pelo rosto másculo de Sasuke, que fechou os olhos e a respiração falha apreciando a carícia delicada.
E num ato de coragem, Sakura o beijou.
Abriu os olhos ao sentir os lábios delicados e pequenos de Sakura sobre os seus. Era apenas um selinho, mas ao sentir a língua atrevida de Sakura tocar seus lábios levemente, não resistiu. Suas mãos foram parar na cintura da rosada de acordo que tomava controle do beijo, as mãos pequenas de Sakura agarraram os fios negros de Sasuke, puxando-os e os acariciando enquanto sua língua se misturava a dele.
Sasuke beijava bem, muito bem por sinal, gemeu contra os lábios do Uchiha quando o mesmo apertou seu corpo contra o dele, seus dedos pequenos passaram dos fios negros para a gravata, afrouxando-a rapidamente e fazendo o clima esquentar mais, mas um barulho chamou sua atenção, separou-se de Sasuke em supetão e o puxou escada acima tropeçando e cambaleando. Seus pais haviam acabado de chegar.
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Abriu os olhos assustada ao ouvir batidas incessantes na porta de seu quarto. Bufou e ainda trajando a camisola rendada que mal tapava a bunda, abriu a porta branca de supetão.
— Mãe? – Espantou-se ao ver sua mãe em sua frente, já que ela não era do tipo de mãe que aparecia no quarto da filha sem motivos.
— Podemos conversar querida? – Mebuki perguntou timidamente ao notar as vestimentas da filha, que assim como ela, havia mudado.
— Conversar sobre o que? – Perguntou petulante enquanto encostava-se na porta, ela e sua mãe nunca foram de conversar.
Sim, sua relação com os pais era complicada, seja com sua mãe ou com seu pai, muita coisa tinha que ser resolvida, contudo, parecia que nenhum dos três estava disposto a tomar a iniciativa para resolver todos os problemas familiares que tinham.
— Podemos ou não? – Mebuki questionou cruzando os braços, só ela sabia o quanto odiava o jeito petulante da filha.
— Fazer o que não é mesmo? – Debochou e suspirou dando passagem para a mais velha entrar totalmente em seu quarto.
Os olhos verdes de Mebuki passaram por todo quarto a procura de Sasuke, a cama estava levemente revirada e as malas do casal ainda estavam intactas ao lado da grande janela que havia no quarto da Haruno. Sakura sempre teve tudo que quis, menos sua liberdade, mas de resto, sempre que pedia algo, ganhava, seus pais viam isso como incentivo para a filha andar na linha e obedecê-los, coisa essa que nunca aconteceu, talvez esse tenha sido o erro deles, mimaram demais a filha.
— Onde está seu namorado? – Mebuki perguntou arqueando a sobrancelha, não havia visto o Uchiha sair de casa e muito menos do espetáculo da noite anterior.
— Saiu para resolver alguns assuntos. – Respondeu com desdém voltando para a cama e se deitando, se dependesse dela, Sakura passaria o dia na cama recuperando a dignidade que perdeu na noite anterior. – Diga logo o que quer, quero dormir mais um pouco.
Sempre foi assim, Mebuki e Sakura nunca havia parado para conversar como mãe e filha, e sempre que fazia isso acontecia alguma discussão. Por isso que quando a sua mãe vinha com essa história de “conversar”, Sakura sempre pedia para que ela fosse direto ao ponto, sem rodeios, principalmente naquele momento.
— Queria pedir duas coisas... – Mebuki começou encarando a única filha pegar um livro no criado-mudo e abri-lo de forma desleixada, Sakura apenas olhou para a mãe pedindo que continuasse que ela estava atenta. – Tente não arrumar confusão com seu pai e com Ino e, por favor, não estrague o casamento de sua prima.
Teve vontade de gargalhar na cara de Mebuki, ela nunca fazia nada, apenas obedecia a ordens que lhe era dadas e pelo jeito continuaria do mesmo jeito. Suspirou e fechou os olhos e contou mentalmente até dez para não mandar sua querida e tão amada mamãe a puta que a pariu, pois tinha muito respeito a sua falecida avó.
Odiava isso em seus pais, eles já não pagavam mais AS suas contas, então não tinha o direito de lhe dar ordens, porém, por mais que estivesse com uma vontade enorme de fazer uma grande merda naquela droga de casamento, ficaria na sua, não queria seus pais a julgando por mais uma coisa que ela não fez.
— Isso é fácil, me respeitem que estará tudo certo. – Retrucou com um belo de um sorriso falso nos lábios enquanto encarava cética a Haruno mais velha.
Mebuki suspirou e fechou os olhos enquanto os dedos pousaram na testa em uma atitude de impaciência. Não conseguia entender o motivo de Sakura se tornar aquela mulher amarga com a família, àquela garota havia tido tudo que queria quando mais jovem, porém, não soube dar valor a nada, nem mesmo em um namorado como Gaara havia sido para ela.
Abriu os olhos e fitou a mulher de olhos esmeraldinos e madeixas rosadas lendo um livro, pelo que pareceu, em russo.
— Ino pediu para convidá-la para uma festa na piscina que está havendo na casa do noivo. – Falou enquanto ia em direção a porta, antes de sair falou sem olhar para a filha. – Sentimos sua falta.
Não soube por quanto tempo ficou encarando a porta por onde sua mãe havia acabado de sair, a única coisa que sabia era que as palavras da mais velha estavam grudadas em sua mente e pelo jeito demoraria a sumir.
Será realmente que seus pais sentiram sua falta ou sua mãe apenas falou aquilo para que a filha não aprontasse naquele casamento? Não sabia.
Respirou fundo e decidiu que não queria mais passar o dia na cama, afinal, tinha uma festa na piscina para comparecer, por este motivo, não demorou em ir em direção ao banheiro para um longo e relaxante banho.
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Quando retornou a casa dos pais de Sakura já se passava das onze horas da manhã, não havia encontrado seu “sogro” e nem sua “sogra” quando saiu aquela manhã após receber uma ligação de Itachi a respeito do negócio que ele resolveria em Konoha e nem quando retornou.
E não, a viagem não havia sido apenas por prazer, aproveitaria para resolver um assunto de família de anos.
Quando abriu a porta do quarto se deparou com Sakura trajando um short jeans curto com detalhes, uma blusa cropped solta ao corpo e uma sandália despojada, mas esta não lhe olhou pois estava entretida no celular, então ele apenas foi até sua mala e guardou uns documentos no compartimento que estava seu notebook e mais algumas coisas, foi neste instante que percebeu que sua mala estava revirada, fitou a cama e percebeu algumas peças de roupa sobre a mesma.
— O que minhas roupas fazem ali? – Perguntou apontando para as roupas e foi neste momento que Sakura finalmente lhe olhou abandonando o celular.
— São para você vestir. – Sakura respondeu como se fosse o óbvio, vendo a confusão no olhar de Sasuke resolveu continuar – Vamos a uma festa na piscina.
— O quê? – Ele não havia ouvido bem, ouviu?
— Vai logo, Sasuke! – E lá estava a Sakura mandona que adorava aparecer em momentos como aquele.
E ele não era nem louco para desobedecer. Após vinte e cinco minutos lá estava ele de banho tomado usando uma bermuda xadrez, uma camisa social branca com alguns botões abertos e dobrada até os cotovelos e um tênis vans confortável. Não demorou muito para Sakura o arrastar escada abaixo dizendo que estavam atrasados.
Despediram-se – lê-se Sakura – de Kizashi e Mebuki com um grito dizendo que estavam indo e lá foram.
Sasuke naquela manhã havia passado numa locadora de carros e alugado um carro para poder se locomover com mais facilidade, enquanto ele dirigia, Sakura apenas dava as instruções e o guiava pelas vielas pouco conhecidas pelo Uchiha.
— É na próxima rua à direita. – Sakura falou olhando a localização no celular que alguém havia lhe enviado.
Não demorou para a Haruno apontar qual era a casa que ele deveria parar, pôde notar que havia alguns carros perto da mesma, mas não foi difícil para encontrar um local para estacionar. Saíram do carro e logo já estavam indo em direção a casa, até um barulho familiar começar a tocar.
— Não acredito que você trouxe seu celular. – Sakura ralhou, pois havia falado para o Uchiha não levar o celular se não ele não aproveitaria e ficaria maior parte do tempo no celular do trabalhando do que se divertindo.
E ignorando, assim como ignorou a fala de Sakura sobre levar o celular, ele atendeu.
— Fala Itachi. – Falou fitando Sakura revirar os olhos.
Sakura resolveu ignorar, pois sabia que o Uchiha havia feito um grande esforço deixando a empresa nas mãos de seu irmão mais velho Itachi – que odiava a parte burocrática – em seu lugar, suspirou e sentou numa pequena pedra de decoração ali enquanto esperava Sasuke terminar a ligação com o Uchiha mais velho sobre um projeto de um shopping, coisa que ela não se importou, afinal, renderia dinheiro e visibilidade a empresa.
Tinha que admitir que Sasuke Uchiha ficava delicioso falando de negócios. Mordeu o lábio inferior e tratou de tirar tais pensamentos da cabeça – como se fosse possível – vendo o Uchiha guardar o celular no bolso a bermuda.
— Terminou? – Perguntou quando o Uchiha parou a sua frente.
— Já, vamos? – Sasuke estendeu a mão para a namorada que estava sentada numa pedra de decoração com a mão sob o queixo o olhando.
— Ótimo. – Sakura pegou a mão de Sasuke e levantou num pulo, fazendo com que ele a precisasse segurar.
Era impossível não rir diante das atitudes infantis da mulher de vinte e nove anos a sua frente, as vezes se pegava pensando que Sakura não tinha crescido, mas sabia perfeitamente que aquele jeito desastroso, brincalhão e infantil de Sakura a fazia única.
Além disso aquele era o seu maior charme e era isso que fazia com que os homens – incluindo ele – se encantasse com a Haruno, sempre querendo-a conhecer mais e mais.
Sakura entrelaçou seus dedos ao de Sasuke e de acordo que caminhavam balançava os braços em conjunto, a Haruno tinha um sorriso infantil e maravilhoso estampado em seu rosto enquanto o Uchiha lhe encarava limpando uma pequena sujeira em sua bochecha num carinho íntimo e delicado. Quando Sasuke deu um pequeno apertão na bochecha de Sakura, ela gargalhou após franzir o nariz.
Neste momento Sasuke achou que seu coração fosse explodir, não pensou duas vezes antes de puxá-la para seu encontro e a abraça-la fortemente, fazendo-a rir ainda mais.
— Seu idiota! – Sakura soltou rindo e olhando nos olhos de Sasuke.
— E você me ama, Haruno. – Sasuke retrucou dando um pequeno sorriso de canto, o sorriso.
Sakura riu e se afastou olhando para a frente pela primeira vez, já que ela estava concentrada no seu momento com Sasuke, e naquele momento travou no local, pois eles tinham espectadores e eram muitos.
— Sasuke, porque estão nos encarando? – Questionou com os olhos levemente arregalados e as bochechas coradas.
Sasuke tinha os olhos presos nas costas de Sakura com um sorriso brincalhão nos lábios, não entendeu bem o que a Haruno queria dizer até olha para onde a mesma olhava e foi só aí que perceber que eles tinham uma plateia bastante curiosa lhes fitando.
A única coisa que eles não entendiam era: porque diabos todos estavam os encarando?
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