Muito Bem Acompanhada
20 Capítulo Vinte
Notas iniciais
“Muito Bem Acompanhada”
CAPÍTULO VINTE
***
No capítulo anterior:
— Eu amo você. – A voz rouca sussurrada de Sasuke em seu ouvido a fez sorrir.
Tinha medo das palavras de Sasuke serem vazias, mas, ao mesmo tempo, queria se jogar naquele amor sem medir ou pensar muito no futuro, apenas queria aquele homem para si, e teria, por mais que fosse por pouco tempo, já que o amor que sentia pelo Uchiha já estava impossível de ser freado.
— Eu amo você… Também. – Confessou.
***
Aquele dia tinha passado calmo e sem muitos acontecimentos, Sasuke e Sakura haviam conversado sobre o pai da rosada e colocado tudo em seu devido lugar, pelo menos por enquanto, para felicidade do casal, após isso, havia decidido ficar boa parte do dia e noite no quarto, para aproveitarem o momento a sós, o que foi bom, já que puderam aproveitar-se um do corpo do outro.
Acordou naquela manhã totalmente disposta e se sentindo revigorada, seria um dia agitado, já que durante o dia teriam várias atividades de lazer com a família e no final da noite um jantar especial regrado a bastante vinho e conversas a beira de uma fogueira próxima ao lago depois, Sakura estava ansiando por isso, pois assim aproveitaria para ficar presa aos braços de Sasuke, como fizera na tarde e noite anterior.
Sair dos braços de Sasuke naquela manhã foi extremamente difícil, mas era necessário. Desvencilhou-se dos braços que agarravam sua cintura fortemente e foi até o banheiro, onde fez uma higiene pessoal e tomou um banho, vestiu uma calça boyfriend, um tênis, um cropped de mangas longas florido e realçou um pouco o rosto, quando saiu do banheiro, Sasuke ainda dormia profundamente, então saiu do quarto lentamente, evitando ao máximo não fazer barulho para não acordá-lo.
Desceu os lances de escadas e foi em direção à cozinha, que parecia tão agitada desde cedo.
— Bom dia! – Desejou ao entrar no recinto e ver quase todos os seus familiares reunidos.
— Bom dia margarida. – Naruto respondeu, dando um beijo na testa de Sakura. – Esta animada, pelo jeito a noite foi boa, hein? – Maliciou.
— Naruto. – Replicou o primo e revirou os olhos, por mais que fosse verdade, todos os seus parentes não precisavam saber de sua vida sexual. – Apenas acordei de bom humor, não posso?
Naruto teve que rir, Sakura estava mais do que de bom humor, ela estava radiante, acreditava que até mesmo o sol perderia diante do brilho da prima naquela manhã, entretanto, não queria constranger a Haruno, mesmo se estivesse com imensa vontade de fazer tal coisa.
— Sei… Talvez esse bom humor tenha nome, sobrenome e outras coisas a mais, não? – Alfinetou, vendo a prima, que colocava algumas frutas, café e pães em uma bandeja corar diante de suas palavras.
— Naruto-kun, pare de constranger sua prima, querido! – Hinata veio ao seu socorro repreendendo noivo, para o seu alívio. – Até porque, creio que ela esteja ansiosa para retornar ao seu ninho de amor. – Ou não.
— Hinata, era para você me ajudar e não me complicar. – Rebateu chorosa e envergonhada, pois sabia que todos estavam de olho na conversa, muitos ate riram diante do desconforto da Haruno.
Voltou a sua atenção ao seu plano inicial, fazer uma bandeja de café da manhã especial e levar para Sasuke, que ainda dormia, por mais que seus primos a fizesse de chacota diante da família, ela não estava se importando, estava feliz demais para se importar com o que os outros estavam achando ou pensando sobre sua vida amorosa, a única coisa que ela queria naquele momento era curtir e viver ao lado do Uchiha esses momentos de felicidade.
Pegou a bandeja e saiu da cozinha, quase esbarrando em Ino, que entrava.
— Bom dia! – Cumprimentou a Yamanaka com um sorriso.
— Bom dia. – Ino respondeu vendo a rosada se afastar sorridente. – Meu Deus, o que ela tem?
— Ela está apaixonada, Ino! – Naruto falou, levantando a xícara de café em direção a loira. – Apenas isso.
A Yamanaka encarou a porta onde a prima havia sumido há poucos segundos e sentiu seu coração se apertar, precisava resolver um assunto com Sakura, entretanto, não sabia como resolver. Ela não poderia se casar com Gaara sem contar a verdade para a Haruno, não se sentiria feliz com isso. Sabia que havia traído a confiança da prima desde o início, mas já estava na hora de colocar um fim naquele sofrimento, precisava falar tudo para Sakura, o real motivo de Gaara não ter ido com a Haruno para Tóquio.
***
Estar na fazenda de seus avós era bom, ainda mais porque poderia colocar a cabeça no lugar, suspirou e deu mais torrão de açúcar ao cavalo de raça a sua frente, já que era o único lugar que poderia ficar sem que ninguém perguntasse onde ele queria que os arranjos de flores fossem colocados, onde poderia pendurar as luzes ou outra coisa envolvendo o jantar daquela noite. Se ele soubesse que fazer uma festa de casamento fosse tão trabalhoso, teria apenas puxado Ino para o cartório e teriam se casado apenas no civil, sem festa, mas fazia tudo pela noiva.
Alisou o rosto do cavalo e sua crina, ali era seu ponto de paz, a única coisa que queria fazer no momento era colocar a cabeça no lugar a respeito da conversa que tivera com Ino aquela manhã.
Flash Back
Acordar com Ino em seus braços eram uma das melhores sensações que já tivera em toda a sua vida, e depois daquele final de semana ele acordaria para sempre com Ino em seus braços, pelo menos até o momento em que ela quiser pedir o divórcio, o que Gaara esperava que esse dia nunca chegasse.
— Bom dia! – Saudou quando a Yamanaka abriu os olhos e o olhou.
— Bom dia, amor! – Aquela recepção era mais do que calorosa, até porque, eles não deveriam dormir no mesmo quarto, segundo a tradição de seus familiares.
— Acho que está na hora de você ir para o seu quarto, não quero que seu pai resolva cancelar o casamento faltando menos de um dia. – Comentou, abraçando a loira e a beijando.
— Isso seria muito frustrante…— Ino riu, abraçando o noivo mais ainda. – Mas não estou com vontade de ir, ainda.
Riu e beijou a noiva como na primeira vez. Com Ino era sempre assim, tudo para Gaara parecia à primeira vez que ele fazia. Os beijos, os abraços, os carinhos pareciam sempre como o início de tudo, era por esse motivo que ela era a mulher da sua vida.
— Eu estava pensando…— A futura senhora Sabaku No começou. – Precisamos falar para Sakura.
— Falar o quê? – Gaara questionou encarando o teto de madeira.
— Sobre como começamos, Gaara. – Desabafou, aquilo estava lhe sufocando. – Precisamos falar a verdade, de como tudo aconteceu, para virarmos essa página.
O ruivo encarou a noiva sem entender. Eles já tinham virado aquela página, tanto que eles iriam se casar, não havia mais nada para falar com Sakura a respeito de algo que já estava no passado. Já haviam se passado oito anos desde o rompimento dos dois, ela estava envolvida com Sasuke e feliz com isso, para que envolvê-la naquela história novamente? Para trazer mais dor a Haruno? O Sabaku No não entendia.
— Para quê? Não a necessidade de remexer no passado, Ino! – Declarou, levantando-se.
Não conseguia entender o real motivo porque Gaara não queria abrir o jogo de uma vez para Sakura. Eles haviam errado quando se envolveram enquanto o ruivo ainda era namorado da rosada, mas tinha mais coisas envolvidas, não apenas uma traição. Ino sabia que ela era o pivô da separação dos dois e o real motivo de Gaara não ir para Tóquio com a Haruno.
— Gaara… O nosso envolvimento mudou muita coisa na vida de Sakura. – Começou, encarando o noivo, que ia para o banheiro. – Se a gente não tivesse se envolvido, você não teria terminado com Sakura e muito menos ficado aqui, você teria ido com ela para Tóquio.
Recordava-se nitidamente, quando Sakura propôs que ele fosse para Tóquio com ela, a primeira pessoa em que ele pensou foi em Ino, após conversar com a rosada, foi atrás de sua prima, onde pediu, quase implorou, para que ela pedisse para ele ficar, ficar em Konoha e com ela, coisa que ela não fez, não naquele momento.
— Uma coisa não tem na a ver com outra. – Defendeu-se mesmo sabendo que tinha.
— Como não, Gaara? – Irritou-se diante da falsa defesa de Gaara, porque ele não podia simplesmente colocar um ponto final naquela história com ela? – Muita coisa poderia ter sido diferente, e você sabe disso melhor do que qualquer pessoa. Eu vou falar para Sakura, e você não vai mudar isso. – Declarou por fim.
Ficou parado no mesmo lugar quando Ino saiu batendo a porta. Sabia que a noiva tinha razão, mas será que ele teria coragem suficiente para contar que traiu Sakura com sua prima? Será que ele era homem suficiente para admitir seus erros e seguir em frente?
**
Era difícil para ele encarar tal desafio, que nem era pra ser um desafio. Ele sabia que já estava passando da hora de contar toda a verdade para Sakura e tirar toda aquela culpa e peso de suas costas desde que a viu quando chegou à cidade para seu casamento.
Ino estava certa, estava na hora de colocar um ponto final naquela história para seguir sua vida ao lado da mulher que escolheu. Ele falaria aquela noite.
***
Ser acordado por Sakura foi melhor do que ele imaginava em toda a sua vida, quando ela disse que eles teriam um dia de casal, espantou-se e ficou com medo do que estava por vir, mas ainda sim, vestiu uma calça jeans rasgada, um tênis, um blusão e colocou um boné.
A fazenda dos avós de Gaara era um lugar agradável, ele estava gostando da companhia ao seu lado e do clima agradável. Era delicioso andar ao lado de Sasuke, ainda mais depois de resolverem tudo, ou melhor, quase tudo. Só queria ter uma tarde tranquila ao lado do Uchiha, então havia decido por fazer um piquenique em um campo afastado.
— Só me garanta que não foi você quem fez os lanches. – Comentou, fazendo a rosada gargalhar.
— Qual é, Sasuke, eu cozinho muito bem. – Declarou, dando um leve empurrão no Uchiha.
— Minha querida, fazer miojo ou comida congelada não significa saber cozinhar. – Sasuke rebateu, rindo e levando mais um empurrão.
— Sinto lhe informar que quem fez a comida fui eu mesma. – Se defendeu, rindo e encarando o moreno.
Sakura sentia-se feliz e acolhida com Sasuke, talvez fosse esse o motivo que ele era a pessoa que fazia seu coração palpitar mais forte, suas pernas ficarem bambas e suas mãos suarem de nervosismo. Nunca havia sentido algo com tanta intensidade em sua vida, e por mais que ficasse com medo do que a aguardava, estava a fim de se jogar de cabeça naquele momento e aproveitar cada segundo.
— Ainda bem que você é médica, né? – Sasuke brincou, recebendo uma revirada de olhos de Sakura.
— Você é ridículo. – Falou quando chegaram ao local.
Pegou a toalha que roubou da cozinha, estendeu sobre o gramado baixo e colocou a cesta sob o mesmo, sentou-se e bateu ao seu lado, para que Sasuke sentasse o que ele fez. Retirou de dento da cesta que havia trazido consigo algumas frutas, alguns sanduíches saudáveis dentro de uma vasilha, pães e queijos, além de um vinho tinto suave que havia roubado da adega para o jantar daquela noite.
— Você vai adorar este vinho, ele é delicioso. – Confessou entregando ao Uchiha para abrir com o saca-rolhas enquanto pegava as taças dentro da cesta.
— E desde quando você entende de vinhos, Haruno? – Sasuke questionou desconfiado.
— Desde sempre. – Deu os ombros. – Depois de um longo plantão, quando eu chego em casa a única coisa que eu quero é tomar um longo banho e uma taça de vinho, por isso, vinho é uma coisa que nunca pode faltar em minha geladeira.
Por mais que o Uchiha conhecesse a Haruno, havia coisas que ele não sabia a seu respeito, e uma delas era esse seu ritual, Sakura sempre se mostrava tão disposta quando o encontrava, apesar dos longos e cansativos plantões que ela pegava no hospital. Sakura era o tipo de mulher que amava sua profissão e fazia com prazer, era o tipo de profissional para ninguém colocar defeito, tanto que seus projetos eram sempre aprovados e reconhecidos pela cidade de Tóquio e pelo hospital.
— Você ama o que faz, não é mesmo? – Perguntou servindo um pouco de vinho nas taças e entregando a Haruno.
— Não me vejo fazendo outra coisa…— Recebeu uma taça e sorriu dando um gole. – Estranho, não? E você, se ver fazendo outra coisa? Ama o que faz?
Era uma pergunta difícil, pois ele não sabia bem a resposta, muitas vezes achava que tinha escolhido aquela profissão para se aproximar do pai que teve pouco contato, outra era por amor a profissão e seus feitos, nunca teve uma resposta clara a respeito do real motivo que o levou a se tornar um engenheiro civil e o por que de tanto sucesso, por mais que os outros dissessem que ele era bom no que fazia, ele tinha lá suas dúvidas.
— Não sei, simplesmente escolhi e estou aqui. – Deu um gole no vinho e sorriu, Sakura estava certo, o vinho era uma delicia. – Você acertou, Haruno, o vinho é muito bom.
— Viu, eu não sou tão inútil assim. – Brincou colocando uma uva na boca.
— Você nunca foi e nunca será inútil, Sakura, lembre-se disso sempre. – Sasuke falou, encarando a mulher de olhos verdes intensamente. – Nunca pense isso de você mesma.
Sasuke sabia como mexer consigo, e fazia mesmo sem intenção, sempre foi muito insegura a respeito de seus feitos, mas ele sempre estava ali para mostrar que de inútil ela não tinha nada, ele sempre lhe ajudava a enxergar a mulher incrível que existia dentro de si, bastava ela ter segurança e ser firme para desabrochar, como um lindo botão de cerejeira na primavera.
— O que pretende fazer quando retornar? – A pergunta de Sasuke a fez recordar do convite de Tsunade.
— Eu recebi uma proposta do hospital, mas ainda não decidir se aceito ou não. – Disse, sem saber se falava ou não para Sasuke sobre a proposta.
— Se isso vai alavancar sua carreira, deveria aceitar. – As palavras do Uchiha chegaram ao seu ouvido, atraindo sua atenção.
Não tinha certeza se aceitava ou não, era uma proposta incrível, mas ela teria que abrir mão de algumas coisas para poder agarrá-la e ela não sabia se teria coragem para tal coisa. Suspirou e encarou o moreno que olhava para frente bebericando o vinho despreocupado. Será que ele lhe incentivaria da mesma forma ao saber da proposta? Ou seria contra?
Não sabia o que o Uchiha pensaria, mas ela, não tinha certeza, era uma oportunidade única, mas será que ela seria capaz de abrir mão do Uchiha para conseguir isso? Primeiro, ela precisava ter certeza do que eles tinham. Eles estavam juntos? Mas, juntos de verdade? Como um casal? Ou era apenas encenação? Por que se fosse, pra ela isso já tinha acabado a muito tempo, para ela, aquilo era real e queria que para ele fosse também.
— E nos, Sasuke, somos o quê? – Perguntou abruptamente.
Sasuke encarou Sakura intensamente, ele também queria saber a resposta para aquela pergunta, por que para ele, eles já deixaram de serem amigos há muito tempo e agora são algo a mais, mas como será que Sakura reagiria a isso se ele falasse agora, naquele momento, sem nenhum pudor?
— O que nos somos, Sakura? – Devolveu a pergunta encarando a rosada, que o olhava apreensiva e ansiosa. – Não somos amigos, mas não somos namorados, então nos somos o quê?
Sakura abriu a boca e a fechou duas vezes, ela não sabia a resposta, mas ela sabia que eles não eram apenas bons amigos que transavam quando estavam com vontade, eles eram algo que ela não sabia o quê, mas estava louca para descobrir, porém, a única pessoa que poderia lhe responder isso era o Uchiha, e ele parecia não saber também.
— Eu não sei você, mas eu, Sakura, quero ficar com você, com ou sem rótulos, eu apenas quero ver seu sorriso, saber da sua vida, dos seus planos, conquistas e desejos, é isso o que eu quero. – Declarou sincero, vendo Sakura arregalar os olhos. – Eu quero saber do seu plantão de 48 horas ou 72 horas, eu quero saber o que te deixou mal ou magoada ou feliz, eu quero saber cada detalhe da sua vida, eu quero construir uma vida ao seu lado, sem me importar com sua profissão, eu quero viver ao seu lado, e você, quer isso?
As palavras de Sasuke martelavam sua cabeça, ela entendia, entretanto, não conseguia processar as palavras. Ele queria ficar com ela para sempre? Ele queria namorar, casar e viver sua vida ao seu lado? Era isso?
— Você quer dizer que…— Estava incerta, estava com medo de ter entendido errado as palavras do moreno.
— Quero dizer que somos o que você quiser, se quiser que somos namorados, nos somos, se disser que somos noivos, nos somos. – Sasuke falou bebendo mais um gole de vinho, encarando o pasto com os cavalos pastando.
Sakura engoliu seco, Sasuke tinha lhe dado uma responsabilidade e tanto, mas por outro lado, sentia-se segura de rotular a relação deles com algo além de um “relacionamento falso para enganar os familiares no casamento da prima com o seu ex-namorado”.
— Por favor, avise a Itachi para que ele publique em todos os sites, revistas e jornais que Uchiha Sasuke não é mais um homem solteiro. – Disse bebendo o líquido que sambava em sua taça, fazendo Sasuke sorrir.
— Não vale se arrepender. – Sasuke alertou, se aproximando da Haruno.
— Eu demorei muito para te agarrar para soltar tão fácil assim, Uchiha. – Sakura brincou, beijando o Uchiha, que tinha um sorriso pequeno.
Talvez as coisas agora tenha se encaixado no devido lugar, Sakura não estava mais se importando que Ino casaria com seu ex-namorado do colegial, a única coisa que ela queria era aquele homem que estava disposto a fazer tudo por ela bem ali na sua frente, te beijando e te fazendo sorrir. Talvez a sua vida tivesse tomado o rumo certo quando ela foi para Tóquio, talvez ela estivesse destinada a cair nos braços e encantos de Uchiha Sasuke desde o início.
***
Uma grande fogueira havia sido montada próxima ao lago e um pouco afastada, iluminada por várias lâmpadas e tochas, as mesas se espalhavam pelo gramado bem aparado do local, a família inteira estava reunida em várias mesas, todas bebendo vinho e comendo um cardápio sofisticado e bem típico, o clima ameno deixava o ambiente mais calmo e menos pesado, apesar de tudo, todos se entendiam bem. Apesar de não ter conversado seriamente com seu pai, Sakura estava tratando-o normalmente, como se nada tivesse acontecido.
Sasuke usava um blusão e um jeans e um sapato, estava abraçado com Sakura que trajava um vestido rosado, eles dividiam a mesa com Kizashi e Mebuki e Naruto e Hinata, o clima da mesa era leve, por incrível que pareça. Enquanto os homens comentavam sobre algum esporte, as mulheres conversavam sobre outros assuntos, como profissões e o que esperar daquele casamento.
O jantar transcorria sem nenhum problema, Sakura sentia-se aconchegada e acolhida nos braços de Sasuke, que a abraçava pelos ombros e mantinha as mãos dadas o tempo todo, fazendo o Uchiha virar chacota na boca de Naruto, que sempre soltava piadas como: “Te conheço há pouco tempo, mas não sabia que a minha prima te domava tanto assim”; “Coitado, mal sabe ele onde se meteu”, levando vez ou outra, um cascudo de Sakura.
Sakura conversava com Hinata e Tenten sobre o casamento da Hyuuga que ocorreria dali mais ou menos oito meses, enquanto ele ainda estava sentando a mesa, bebericava seu vinho e a admirava de longe. Sakura estava graciosa aquela noite, o peso que antes sentia sob seus ombros havia desaparecido, dando lugar a uma felicidade incomum nela. Talvez fosse culpa do amor.
— Você está feliz. – Hinata comentou bebericando seu drink.
— Estou mais do que feliz! – Respondeu sorrindo ainda mais aberto.
— Ela transou com o moreno gostosão. – Tenten soltou, fazendo Hinata engasgar com a bebida e ficar vermelha e Sakura gargalhar com vontade.
— Espera até o Neji ouvir você falando isso. – Sakura alertou brincalhona, ainda sorrindo das palavras da morena.
— Sasuke pode até ser gostosão, mas ninguém barra o meu marido, minha querida. – A Hyuuga falou debochada, arrancando mais risadas da Haruno.
Sasuke observava Sakura conversar com as amigas da mesa de onde estava sentado, sozinho bebericando sua taça de vinho. Estava leve e tranquilo, ele e a rosada estavam de bem e felizes, isso que era mais importante. Nada poderia estragar aquela felicidade. Colocou a mão dentro do bolso da calça e retirou dali a pequena caixinha de veludo vermelha e a encarou por longos segundos.
Havia comprado a joia no impulso, quando a viu na joalheira do hotel, a primeira pessoa que veio a sua mente foi Sakura, e imaginou aquela joia reluzindo no anelar da rosada. Estava tão focado na sua tarefa que nem percebeu Naruto sentando-se ao seu lado, o encarando de maneira curiosa.
— Vai pedi-la em casamento? – O loiro questionou, fazendo o Uchiha o encarar.
— Quê? – Perguntou curioso, foi quando percebeu que a caixinha ainda estava em seus dedos e todos poderia ver, tratou de escondê-la em seu bolso novamente. – Não, é só uma lembrança.
— Sei… Lembrança. – Naruto riu, bebendo mais um gole de seu uísque, que pegou escondido na cozinha. – Fico feliz que vocês estejam bem novamente.
Encarou o loiro de olhos azuis atentamente, estava intrigado com a fala do Uzumaki, sabia que tinha se desentendido com Sakura a respeito da confusão com Tayuya, mas sabia que havia mais coisas para resolver com a Haruno, já que ela tinha lhe contado superficialmente sobre a confusão com seu pai, eles não haviam se aprofundado no assunto e isso o intrigava.
— Quando Sakura apareceu na minha casa aos prantos após brigar com o pai e ver você com a Tayuya, confesso que a minha vontade era de ir até você e arrebentar a sua cara. – Naruto confessou olhando a noiva abraçar a sua prima. – Mas mesmo assim, eu tentei te defender, falando que ela poderia ter entendido errado a situação, e felizmente, foi isso, mas, mesmo assim, a vontade de quebrar sua cara quando ela mais precisou e você não estava, ainda está presente.
— No que dia que você quiser matar essa vontade, me avisa. – Respondeu sem encarar o primo da mulher que amava, apenas observava Sakura de longe.
— Fico feliz em ouvir isso, mas espero nunca precisar tomar tal atitude, porque eu gosto de você. – O Uzumaki confessou, tocando o ombro do Uchiha, que agora sorria de lado.
***
Todos estavam envolta de uma grande fogueira, cada um com seu respectivo parceiro, tomando vinho e comendo marshmallow’s torrados e relembrando dos acontecimentos do passado, fazendo Sasuke conhecer um pouco mais de Sakura.
— Nunca me esqueço de quando a Sakura tentou pular o muro do ginásio e sua calça ficou presa e rasgou bem na retaguarda. – Naruto falou, fazendo todos gargalharem e Sakura lhe jogar um pedaço de madeira pequeno.
— Cale a sua maldita boca, Naruto! – Reclamou, olhando feio para o primo, que se escondia atrás da noiva enquanto gargalhava.
— Isso me lembra do passado, quando éramos apenas crianças e adolescentes, fugindo dos pais para ficar até tarde bebendo cervejas baratas e comendo besteiras. – Shikamaru falou nostálgico alisando a barriga protuberante da esposa sentado entre suas pernas.
— Eu sinto falta daquela época. – Naruto falou sorrindo e abraçando Hinata. – Só não sinto falta dos socos da Sakura-chan!
Sentia-se em casa, pela primeira vez, desde que chegou ali, pensou na possibilidade de voltar a morar na pequena cidade que um dia deixou para trás, isso tudo, porque seus amigos a fizeram se sentir em casa novamente.
Era engraçado e precioso ver Sakura relaxada daquela maneira, se fosse possível guardaria aquela imagem para sempre em sua mente e o faria isso, abraçou a Haruno com força e a beijou no topo da cabeça, fazendo-a aconchegar em seus braços.
— Enquanto vocês falam mal de mim, eu buscarei mais vinho e marshmallow. – Levantou-se e ajeitou o casaco de Sasuke sobre os ombros e começou a se afastar rumo a casa.
— Eu te ajudo. – Gaara se prontificou, fazendo Sasuke arquear a sobrancelha e Ino lhe olhar desconfiada.
— Vamos. – Sakura respondeu amigável, esperando o ruivo.
Ficou encarando os dois se afastarem da fogueira, por mais que não quisesse, sentia ciúmes, Gaara havia sido o namorado mais longo e duradouro de Sakura, e isso de alguma forma o incomodava, mas confiava na mulher e sabia que o homem de cabelos ruivos não faria nada com o casamento marcado para logo mais.
O assunto transcorria muito bem na roda, mas o Uchiha estava estranhando a demora da Haruno com o Sabaku No, levantou-se e foi atrás, em passos largos, sentia que algo estava errado, ao se aproximar da casa, Sakura vinha em sua direção com o olhar perdido, em uma mão havia uma garrafa de vinho e em outra um pacote de marshmallow, com Gaara vindo apressado em suas costas.
— Sakura, o que aconteceu? – Perguntou preocupado, a Haruno apenas o olhou e o abraçou com força.
— Me tira daqui. – Pediu suplicante.
— Sakura… Eu… Desculpe-me. – Gaara falou, tentando tocar na Haruno, mas foi impedido por Sasuke.
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