Muito Bem Acompanhada
17 Capítulo Dezessete
Notas iniciais
“Muito Bem Acompanhada”
CAPÍTULO DEZESSETE
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No Capítulo Anterior:
— Não estamos aqui para ordenar e sim para orientá-los, nós os vemos brotarem, desabrocharem e se tornarem lindas flores, e a única coisa que podemos fazer, é nos sentirmos realizados com este feito e com o feito de nossos filhos, isso é ser pai, meu amigo.
Depois de tais palavras, Inoichi pegou uma garrafa de cerveja dentro da geladeira e voltou para sala, para assistir seu jogo. E só foi ai, que Kizashi, depois de tantos anos, compreendeu o que era ser pai.
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Bateu lentamente na porta e não obteve resposta, então abriu, e a única coisa que encontrou ali foi um quarto arrumado e silencioso, foi quando ele constatou que Sakura não havia voltado para casa depois da discussão deles, na noite anterior. Suspirou e fechou a porta, apoiando-se na mesma.
— Calma, querido, ela te perdoará, assim como você a perdoará. – Mebuki falou tocando o ombro do esposo, dando um beijo na bochecha do mesmo, antes de rumar para as escadas falando alto. – Nos te amamos, com todos os seus erros.
Encarou a mulher e sorriu, sua mulher sabia o que falava, e ele sempre confiava em suas palavras, se ela dizia aquilo, ele poderia esperar que se concretizaria.
***
Quando chegou a casa de seus pais aquela manhã não se espantou quando a encontrou silenciosa, um pequeno bilhete de seus pais preso a porta da geladeira avisava que seus pais já haviam ido para a fazenda e que logo se encontrariam. Pôde respirar aliviada ao ter a casa só para si, pelo menos, até o horário que tinha marcado com Sasuke para ele ir buscá-la, para irem para a fazenda.
Colocou sobre o balcão a caixa de sua loja favorita de doces, que Naruto passará e comprará para conseguir animá-la e pegou uma rosquinha açucarada e mordiscou, não existam doces melhores do que as rosquinhas doces das lojas Kdoces na opinião de Sakura. Enquanto comia e sentia a glicose restaurar suas energias, passou a analisar seus últimos anos.
Deu uma breve olhada na cozinha e suspirou, na maioria das vezes sentia falta de morar com seus pais, mas quando se lembrava de seu conturbado relacionamento com o próprio pai, logo descartava a ideia. Tinha parado inúmeras vezes e cogitado a hipótese de se candidatar a vaga de cirurgiã-chefe no hospital de Konoha, entretanto, recordava-se de como seria sua convivência com os pais, logo descartava tal hipótese.
Fora sua relação conturbada com os pais, tinha Sasuke. Não tinha certeza, mas acreditava que não teria coragem suficiente de deixá-lo para trás, de largá-lo para seguir um rumo diferente em sua vida. Quando o conheceu, enquanto cuidava dos ferimentos ocasionados por sua ex-noiva em um ataque de fúria quando o mesmo rompeu o noivado de quase três anos, o achou lindo, o homem mais bonito que já tinha visto.
A beleza de Sasuke era diferente, por mais que ele tivesse seu jeitão mandão e sério, era, na verdade, apenas um rapaz a procura de uma amizade, mas não uma amizade qualquer, mas sim uma verdadeira, onde podia contar com a pessoa e mostrar quem ele realmente era. Quando o reencontrou e ele a chamou para tomar um café, ela pensou em recusar, julgava o Uchiha um rapaz perigoso, seu olhar transmitia perigo, mas não um perigo maldoso, e sim malicioso e intenso, que Sakura sabia que no momento que se envolvesse com o moreno, sairia queimada ou ferida de qualquer relação que tivessem.
A amizade foi crescendo sem nenhum esforço, apenas tornaram-se amigos. Com o tempo a Haruno foi aprendendo a decifrar Sasuke, como jamais pensou em decifrar alguém. Diferente dela, que era sempre a machucada nos seus relacionamentos, Sasuke que machucava as pessoas, mesmo que não fosse intencionalmente.
Sakura gostava de namorar, de ter alguém com quem pudesse planejar um futuro, já Sasuke queria apenas diversão, corria de compromisso do mesmo jeito que o diabo fugia do símbolo da cruz, claro que não o julgava, era uma decisão dele e por mais que não gostasse desse jeito do Uchiha a havia ajudado muitas vezes a sair da fossa. Foi numa dessas “saídas da fossa” que a relação de Sakura e Sasuke se tornou mais íntima.
Flash Back ativo.
Não conseguia acreditar que mais uma vez havia sido “chifrada” por um de seus malditos namorados. Será que seu dedo era tão podre assim? Estava começando a desconfiar que não era apenas o seu dedo que era podre e sim a mão e braço inteiros. Suspirou e encarou o amigo moreno que flertava com uma mulher ao seu lado no bar da boate.
Quando ligou para o Uchiha e contou que pegou Yuki com outra em restaurante próximo ao hospital, o moreno alegou que ela precisava de uma dose de “saídas da fossa” antes que começasse a chorar e mandou que ela colocasse uma de suas melhores roupas, para que pudesse acompanhá-lo na inauguração da boate de seu amigo Juugo, acabou por aceitar, mas se ela tivesse pensando só um pouco, não teria aceitado.
Sua amizade com Sasuke perdurava há três anos e meio, e com isso ela já deveria saber que quando o Uchiha saia com ela e encontrava alguém mais interessante para si, esquecia-se totalmente do real motivo de estarem ali, e isso a irritava tanto. Aquela noite havia decidido se divertir, com ou sem a ajuda de Sasuke. Como prometerá ao Uchiha, passou no shopping e comprou um vestido que fugia totalmente de sua personalidade.
O vestido vermelho de tecido mole com saia solta acima do meio das coxas com o busto apertado de alcinhas e decote em ‘V’ realçava a pele clara e marcava o corpo, suas sandálias pretas davam um pouco de altura que havia lhe faltado e a maquiagem carregada destacava os olhos e trocava a beleza angelical por algo mais tentador, mais luxuriosa. Quando Sasuke a viu, claro que se espantou, mas nada falou, apenas lhe deu um de seus típicos sorrisos de canto.
Como havia decidido se divertir aquela noite, precisaria de álcool para isso, pois aquela noite tinha que se superar e já estava sendo superada com Sasuke flertando outra ao seu lado, revirou os olhos verdes e pediu pelo seu oitavo drink Mojito, composto por rum, suco de hortelã e limão e água com gás ao barman. Era uma bebida refrescante, mas, ao mesmo tempo, lhe dava aquela segurança que lhe faltava. Revirou os olhos mais uma vez ao ver Sasuke curvar-se sobre a mulher e ela lhe sorrir.
Já estava cansada de ficar sentada vendo seu querido amigo paquerar, virou seu décimo mojito e tocou o ombro do Uchiha, fazendo-o lhe encarar e a mulher também, só que está com cara de poucos amigos. Deu um sorriso grande e falou educadamente, mas com um toque de sacarmos.
— Sei que a conversa está muito boa, mas Sasuke, poderia cuidar de minha bolsa? Obrigada. – Não esperou o moreno lhe responder, apenas entregou a ele sua pequena clutck e levantou da pequena bancada e foi em direção à pista de dança, onde começou a dançar como se não existisse o amanha.
A música de batida sensual atiçava seus hormônios e sua libido, deixava-se guiar pelo ritmo e batida da música, tocava o corpo de olhos fechados e mexia seu quadril para a esquerda e direita, dando pequenas abaixadas enquanto tocava o corpo, sentindo o suor tomar conta de seu corpo, fazendo-a se sentir livre, depois de um bom tempo. Sentia a vibração dos outros corpos se mexendo e sacudindo ao seu lado, mas ela não se importava, ela apenas queria dançar.
Pela primeira vez na vida ela se sentiu uma mulher, sensual e provocante. Ela, finalmente, se descobriu depois de tantos anos tentando se encontrar. Foi ali que ela deixou de ser Haruno Sakura e passou a ser A Haruno Sakura, foi ali que ela deixou de ser uma simples garota para se transformar em a mulher.
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No momento que seus olhos caíram sobre Sakura no hospital ele soube que a queria. O rosto angelical era a combinação perfeita com os olhos curiosos de um verde-esmeralda intenso e brilhoso e cabelos – de cor incomum – cor-de-rosa. Quando ela riu de sua história, não soube por que e nem como, só que algo em seu íntimo o alertou que ele não poderia ficar sem aquela risada em sua vida.
Foi embora, duas semanas depois a encontrou, não pensou duas vezes antes de chamá-la para um café, no início viu que ela até tentou relutar, mas sua curiosidade falou mais alto e ela acabou aceitando, depois daquele dia as coisas mudaram, Sakura se tornou a pessoa com quem ele pôde finalmente ser ele mesmo, sem máscaras, meios termos ou outra coisa. Ela o conhecia, assim como ele a conhecia tão bem, e aos poucos a amizade foi apenas se fortalecendo.
Por mais que a amizade tivesse crescido, tinha algo no íntimo de Sasuke que queria mais, muito mais que uma simples amizade, mas Sakura parecia mostrar o contrário, para seu azar.
Quando Sakura lhe ligou avisando que seu namorado – quase um ano de relacionamento – a havia lhe traído com outra, não pensou duas vezes antes de convidá-la para a inauguração da boate de Juugo, pois ele sabia melhor do que ninguém como a rosada ficava após um rompimento, pois aquele era o segundo que ele presenciara, mesmo que tivesse pouco tempo de amizade com a Haruno.
Sabia que a rosada lhe repreendia por prometer sair com ela e na primeira oportunidade, vulgo rabo de saia, ele lhe ignorava para flertar com uma mulher qualquer, mas o que ele poderia fazer, se ele era um cafajeste nato? Riu de alguma coisa da garota que o havia abordado no bar da boate, esquecendo-se totalmente de Sakura, quando a mesma tocou-lhe o ombro e lhe entregou a bolsa pedindo para cuidar enquanto ia em direção à pista de dança.
A garota ao seu lado perdeu totalmente seu interesse enquanto ele fitava, ainda encostado no bar e segurando a pequena bolsa da Haruno, a amiga dançar no meio daquelas pessoas. Por mais que ele tentasse, Sakura se destacava no meio de muitos, e para seu azar ela estava tentadora com aquele vestido mais curto que o normal, maquiagem mostrando a mulher por baixo da garota angelical.
Não conseguia desviar o olhar do rebolado da rosada, tanto tempo a desejando e disfarçando tal desejo, mas infelizmente, estava se tornando impossível naquele momento. Suas mãos soavam e sua boca estava seca, seus olhos estavam focados nas mãos da mulher percorrendo o próprio corpo. Coxas, quadril, barriga e seios, seus olhos gravavam tudo, quando deu por si já caminhava em direção à rosada, ignorando totalmente sua acompanhante.
Tocou a cintura de Sakura e colou os corpos, acompanhando o ritmo da Haruno, que abriu os olhos e lhe encarou assustada, para depois sorrir. Havia se assustado ao ser agarrada por trás, mas quando viu que era Sasuke, relaxou. Pousou as mãos sobre as do Uchiha e sorriu, não estava incomodava com os leves apertos que o moreno dava em sua cintura, pelo contrário, isso só estava incentivando-a dançar ainda mais, os lábios de Sasuke estava em seu pescoço, fazendo com que sua respiração pesada ocasionasse arrepios por seu corpo.
Sasuke despertava coisas em Sakura que nem ela sabia como explicar, era algo intenso, forte e tentador, por mais que dissesse que eram apenas amigos, a mulher de cabelos rosados queria mais, mas o medo de estragar a amizade falava mais alto. A vontade de provar o gosto dos lábios de Sasuke vinha desde o primeiro encontro deles, apenas aumentando em seu ser, mas sabia que se o beijasse isso levaria a outras coisas, e ela não sabia se suportaria ir até esse patamar e depois ter que dizer adeus ao amigo que tanto apreciava.
Naquele momento a única coisa que dominava seu corpo era o seu desejo por Sakura, o mesmo desejo que ele segurou por longos três anos, entretanto, ele sabia que não poderia ir à diante com ele, não estava disposto a arriscar sua amizade com aquela mulher incrível por conta de seu desejo pela mesma, ainda mais porque sabia que ela não nutria o mesmo a seu respeito. Se era tentador tê-la em seus braços? Sim, muito, mas seus autocontrole estava se mantendo firme, ou, pelo menos, era isso que ele achava até Sakura ficar de frente a ele, lhe encarando com aqueles olhos verdes.
Sakura ficou um pouco na ponta dos pés e abraçou Sasuke, tinha pensando um pouco e decidiu tirar a prova, com a ajuda do álcool tomou coragem, queria beijá-lo, mas ambos tinham que entrar em um acordo de aquilo não estragar ou mudar a amizade deles. Apenas um beijo. Com os lábios próximos a orelha do Uchiha, falou em voz alto por causa da música.
— Eu quero beijá-lo, muito… – Começou, sentindo o Uchiha aperta-lhe a cintura, puxando-a para mais perto. – Mas para isso acontecer, temos que entrar em um acordo.
Quando ela se aproximou e falou em seu ouvido aquelas palavras, quase mandou seu autocontrole a puta que o pariu e a beijou, mas conteve-se até ouvir o resto de sua frase. Era tentador, muito tentador, mas o medo, querendo ou não, interferia em sua decisão, pediu que ela prosseguisse, para então decidir.
— Nos beijaremos, mas isso não pode interferir na nossa amizade, nos trataremos da mesma forma… – Sakura falava lentamente para que ele pudesse entender, e ele compreendia tudo e isso apenas aumentava sua vontade. – Um único beijo, apenas isso. Você está de acordo? – Questionou ao final.
Encarou aqueles olhos verdes que tanto o atraia esperando com ansiedade sua resposta. Era difícil dizer não a Sakura quando ela lhe olhava daquela forma, era por este motivo que a Haruno conseguia quase tudo que queria do Uchiha e por mais que quisesse, isso não era sinônimo de vergonha para ele.
— Sem mudar nada? Continuaremos do mesmo jeito? – Perguntou para ter certeza e Sakura confirmou. – Não deixar interferir em nossa amizade, certo?
— Certo.
Era tentador e ele havia caído do canto da sereia, era impossível negar, antes mesmo de poder se afastar, seus dedos seguraram o queixo delicado de Sakura e o selinho demorado foi depositado ali, confirmando e selando o acordo com a rosada. O toque dos lábios de Sasuke sobre os seus foi algo tentador e até mesmo, diferente, levou suas mãos até os cabelos do Uchiha e os puxou delicadamente enquanto começava a movimentar seus lábios sobre os de Sasuke.
O beijo começou delicado, delicado demais na opinião de Sasuke, mas quando Sakura apertou seus cabelos e os puxou com um pouco mais de intensidade quando suas línguas se encostaram, as coisas ficaram mais intensas e quentes, seus lábios se moviam em sincronia, tentando arrancar o máximo um da boca do outro. Porque eles ainda não haviam se beijado? Essa era a pergunta que passava na cabeça de ambos.
Sasuke beijava melhor do que ela imaginava, muito melhor do que em seus sonhos – sim, ela havia tido inúmeros sonhos eróticos com o amigo Uchiha, ele era gostoso e mexia com sua libido, mesmo sem querer. Os lábios de Sakura eram delicados, mas firmes, e isso o excitou mais do que se excitava quando a via de jaleco, já que desde que a conheceu usando aquele maldito jaleco não conseguia não ter imagens eróticas da Haruno.
Separaram-se ofegantes e ficaram se encarando por longos segundos, ou minutos? Não sabiam.
**
Duas semanas. Este era o total de tempo que Sakura não via Sasuke, depois do beijo que eles deram no meio da pista de dança na inauguração da boate do amigo do Uchiha e dele a deixá-la em casa, eles não se falavam, o desconforto e a vergonha não a deixava ir atrás do moreno e tinha certeza que o mesmo sentia a mesma coisa.
Respirou fundo e jogou os livros para o lado, dali a cinco dias tinha uma prova importante, mas para seu desespero, não conseguia tirar aquela situação da cabeça. Ela e Sasuke tinham prometido que aquele beijo não mudaria em nada a amizade deles, mas agora? Tudo tinha mudado, ela estava acostumada a falar com ele todos os dias, por ligação ou por mensagem, e, pelo menos, uma vez na semana ele a buscava na faculdade para poderem almoçar algo diferente, ela sentia falta disso.
Pegou o celular jogado sobre a cama e mexendo com os dedos rapidamente digitou uma mensagem e enviou ao moreno, mordeu o canto dos lábios e ficou encarando o celular por minutos a fio, ou seria segundos? Ou seria a ansiedade que estava presente em seu corpo, fez parecerem minutos? Não sabia, mas quando o bipe anunciou uma nova mensagem, leu rapidamente e sorriu.
“Meio dia e quarenta e cinco, esteja pronta.”
Não pensou duas vezes antes de correr para o banheiro para se arrumar, pois faltava menos de trinta minutos para o Uchiha aparecer.
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Não sabia como encara a Haruno, confessava, ainda mais depois de imaginar várias coisas com ela depois daquele maldito beijo. Ele era um homem concentrado, mas desde que conheceu a rosada, sua concentração foi reduzida a quase nada, Sasuke se considerava um homem de imaginação fértil e que tinha fetiches sexuais, e muitos deles incluíam sua amiga cor-de-rosa.
Sakura aos seus olhos, além de linda e inteligente era gostosa, tinha mais do que aprovação para frequentar sua cama, mas infelizmente, ela não era o tipo de mulher que aceitava ser uma única transa de um homem, Sakura sempre queria mais dos homens com quem se envolvia, e o Uchiha não era digno de lhe dar isso, por mais que lhe doesse admitir isso.
Estava há duas semanas sem falar com a mesma, mesmo com sua mão coçando para tomar uma atitude e ir atrás dela, manteve-se firme, havia se concentrado em seu trabalho, afundado com tudo naquele projeto – não tão importante – que Itachi havia pedido para que ele desse uma olhada, uma simples olhada e não uma grande modificação como fizera, para não pensar da amiga de olhos verdes, mas quando o telefone celular piscou sobre o tal projeto e o nome de Sakura surgiu, por mais que tentasse se segurar, não conseguiu.
“Querendo almoçar, quer me acompanhar?”. As perguntas grafadas na mensagem de texto o fizeram rir, sempre que a Haruno queria almoçar com ele, mandava uma mensagem bem direta: Estou com fome! Mas, daquela vez, ela o convidava, e isso o fazia rir, antes mesmo de pensar, já respondia.
Suas mãos suavam, mas ele ia em direção ao prédio da rosada, já havia confirmado, não havia como voltar atrás, parou o carro em frente ao modesto prédio de cinco andares cor de salmão e mandou uma mensagem enquanto sai de dentro do mesmo, para aguardá-la para abrir a porta.
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Quando seu celular apitou que Sasuke havia chegado, não pensou duas vezes em pegar a bolsa e trancar o apartamento e descer as escadarias de três andares de forma rápida e exagerada, quase caindo nos últimos degraus. Quando chegou ao térreo, despediu-se do porteiro e saiu do prédio, encontrando Sasuke encostado na lataria do carro com seu terno negro, camisa social branca e gravata com a cor parecida com sua blusa, não soube se o abraçava – como sempre fazia, ou apenas o olhava.
Podia sentir o receio da Haruno, porque ele se sentia assim também, mas ele estava disposto a salvar aquela amizade como nunca esteve disposto a salvar algo antes, nem mesmo seu noivado, ele não deixaria que um desejo – banal segundo o Uchiha— estragaria sua amizade com a rosada. Deu um sorriso de canto e a encarou dos pés a cabeça, demorando em seus pés e em sua camisa.
— Bela camisa. – Comentou debochado.
Sua vontade naquele momento era mandá-lo a merda, mas não o fez quando virou a gravata do mesmo, que combinava perfeitamente com sua camisa, por isso, dignou-se apenas a revirar os olhos e sorrir enquanto se aproximava.
— É para combinar com sua gravata broxante, querido. – Rebateu ironicamente, fazendo-o alargar um pouco o sorriso.
Não falou mais nada, apenas abriu a porta do carro, pois ele sabia que não precisava mais de palavras para aquele momento. Mesmo com o silêncio no carro, o clima não estava mais desconfortável, eles haviam se entendido mesmo sem ter falado uma palavra.
— Então, vamos almoçar onde hoje? – Sakura questionou tentando entender pra onde estava indo.
— Um lugar especial. – O moreno respondeu, virando mais uma vez à direita.
Sakura arqueou a sobrancelha e encarou o Uchiha concentrado na estrada, mordeu o canto dos lábios ao perceber quão o moreno era bonito, mas tratou de recobrar a consciência ao recorda-se do acordo: sem estragar a amizade. Então, ela não deveria esta tendo este tipo de pensamento ‘pecaminoso’ a respeito do amigo.
— Devo me preocupar? – Perguntou, temendo a resposta.
— Alguma vez você teve que se preocupar quando saiu comigo? – Sasuke questionou encarando-a rapidamente, mas logo se arrependeu de suas palavras, antes mesmo de Sakura responder, ele completou. – Não responda.
O riso foi espontâneo por parte de Sakura, e ele não se incomodou com isso, com o tempo, a única coisa que se ouviu dentro do carro era o barulho baixo do rádio, isso até chegarem próximo ao seu destino.
— McDonald's, Sasuke?- A garota cor-de-rosa questionou enquanto o moreno estacionava. – Serio?
O moreno riu e passou o braço sobre os ombros da rosada, enquanto a puxava para a entrada do local e falava cinicamente.
— Eu sei que é seu lugar favorito, senhorita Haruno.
— Mas isso não quer dizer que quero almoçar um Big Mac, Sasuke. – Ela até tentou retrucar, mas o Uchiha que já puxava a porta do estabelecimento estacou no lugar. – Sasuke?
Encarou o Uchiha e depois olhou para frente e se arrependeu no mesmo instante, lá estava ela, com o vestido rosado com detalhes em cinza e azul colado, um cardigã e saltos altos segurando uma embalagem em sua mão, encarando o moreno e ela, sem parar. Karin era uma das poucas mulheres lindas que ela teve o prazer – e desprazer – em conhecer, a ruiva de olhos castanhos fortes além de ser ex-modelo, era uma excelente design de interiores.
— Sasuke! – A voz aguda e magoada da ruiva chegou aos seus ouvidos como um belo balde de água fria, fazendo-a morder os lábios. – E você.
Sentia vontade de correr para as colinas, sua relação com a ex-noiva de Sasuke não era uma das melhores, já que no primeiro contato que teve com a ruiva, a única coisa que teve foi barraco. Sasuke e ela almoçavam juntos, aproximadamente há um ano e meio, em um restaurante próximo a empresa de Sasuke quando a moça de cabelos vermelhos chegou berrando aos quatro ventos com o Uchiha e com a Haruno.
Sakura até tentava entender essa obsessão da ruiva com o moreno, mas ela não conseguia, já fazia três anos que eles haviam terminado, era hora dela superar. Encarou o moreno e a ex-noiva e suspirou, acreditava que eles precisavam conversar e ela manter-se longe do fogo cruzado.
— Te espero lá dentro, Sasuke. – Não deu tempo de resposta, apenas retirou o braço do Uchiha de seus ombros e entrou no estabelecimento.
Não estava em seus planos encontrar Karin ali, pois ele sabia o quão a ex-noiva odiava fast foods, segundo ela, e Sakura que adorava comer, por mais que entupisse as artérias, causava obesidade e vícios. Respirou fundo para tentar manter-se firme o tempo que fosse necessário.
— Que surpresa te encontrar aqui, Karin, logo você nunca foi fã de comidas de fast food. – Confessou sem graça, soltando a porta.
— Nossos hábitos mudam, não é Sasuke-kun! – Karin confessou, mordendo o canto dos lábios. Dava para notar o interesse do ex-noivo na garota cor-de-rosa que ela não suportava, mas ela não podia exigir mais nada do Uchiha e sabia disso. – Você e ela, sério? – Questionou sem pestanejar.
— Karin… Não começa— Ralhou, coçando a nuca.
A ruiva sempre foi uma mulher observadora, e isso era algo que poucos sabiam, durante o seu relacionamento com Sasuke, a mulher aprendeu a lê-lo sem ao menos perceber, sabia e conhecia cada gesto de Sasuke, mesmo que involuntariamente, e sabia muito bem que quando ele coçava a nuca, queria esconder algo que seus olhos, sem querer, deixavam escapar, foi quando ela viu, depois de anos vivendo ao lado do Uchiha, o que jamais pensaria em ver.
— Você gosta dela! – Afirmou, fazendo o Uchiha arregalar os olhos.
— O que? – Questionou impactado com as palavras da ex. – Não…
Sasuke sempre foi um homem que nunca admitia seus sentimentos, era orgulhoso demais e gostava de se manter quieto, sempre cauteloso, mas quando se aprendia a lê-lo, era outra história. Karin teve vontade de rir, mas não um riso triste ou debochado, mas sim um riso feliz, pois sabia que finalmente, depois de anos tentado despertar no ex-noivo, ele finalmente havia descoberto aquele sentimento tão lindo, que era o amor, mesmo sem saber.
— Foi bom te ver, Sasuke-kun! – Karin falou, com um grande sorriso, fazendo Sasuke arquear a sobrancelha em confusão. – Nos vemos por ai.
Antes mesmo que pudesse responder, a ruiva saiu dali rapidamente sobre seus saltos altos.
Naquele mesmo dia, ele e Sakura voltaram a ser o que eram antes, sem desconforto, esquecendo-se do beijo – que se repetiu outras vezes após noites de bebedeiras. – que ocorreu semanas atrás, voltando à amizade o que era, um misto de cumplicidade e confiança.
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